sexta-feira, dezembro 29, 2006

Feliz 2007!!!

Bom, acho que este é o último post do ano 2006...
Feliz Ano 2007 para todos, mesmo para os chatos.

House: Holmes ou o médico português?

Enquanto espero pela nova temporada de episódios do Dr. House tive duas epifanias.
Uma, resultado da minha compreensão lenta, foi ter percebido a fonte de inspiração deste magnífico personagem: nem mais, nem menos que o (um dos meus heróis favoritos) Sherlock Holmes - e se virem com atenção, estão lá traçados quase todos os paralelos.
Só não consegui ainda perceber quem será o Mycroft; e suponho que o Moriarty - para além do tipo (Jack Moriarty) que o alvejou - corresponde às doenças que o House combate...
A outra, e mais pertinente, foi compreender o verdadeiro objectivo da Ordem dos Médicos: Povoar o nosso país de Dr. House's!!!
Senão vejamos os requisitos para se ser médico neste país: uma média quase a roçar o tecto. Sim, alta! O que quer dizer que, em princípio, todos os médicos deste país são uns grandes carolas; exigência de personalidade intratável e impaciente - a ideal para tratar qualquer pessoa doente; são dados a experiências com drogas (medicamentos). Quantas vezes é que não ouvi, numa consulta com o meu médico, "experimente este, se não resultar volte cá"; arrogante, prepotente e autoritário também não são adjectivos estranhos ao médico português.
Será que eu preciso mesmo de um génio para me tratar uma fractura ou uma pedra no rim? A resposta, como já devem ter adivinhado, é não!
É raro ir ao hospital, mas quando vou e sou atendido por um médico espanhol ou de outro país qualquer fico sempre satisfeito porque sei que não vou ser atendido pelo House mas pelo, muito mais simpático, Wilson.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Sexo bom e ideias giras

Um dia destes tive uma argumentação com uma certa pessoa por causa de uma outra. Tudo girou à volta da minha falta de capacidade de compreensão do facto de esta pessoa achar a outra minimamente interessante. Aliás, não só esta pessoa acha a outra interessante como, aparentemente, outras pessoas também assim pensam.
Ora, a principal linha de defesa desta pessoa acerca da atracção pela outra residia no - e aqui vou citar - "o sexo era muito bom" e "surpreendia-me muitas vezes com ideias giras".
Já se passaram alguns dias desde esta discussão, mas não consigo tirar da cabeça estas respostas que não justificam nada.
Vou tentar pôr-me no lugar desta pessoa e pensar da mesma maneira a ver se resulta.
Tenho a certeza que existem por aí montes de mulheres que seriam capazes de me darem o sexo da minha vida, mas se calhar muitas delas seriam "ilegais", outras já estariam num lar, ou mesmo com outras teria que ser num quarto escuro.
Quanto às "ideias giras", não tenho grande necessidade que uma mulher viva em minha função. Desde que ela tenha ideias para si própria, para mim já é suficiente.
O que eu quero dizer é que para mim uma relação passa, antes do sexo e das "ideias giras", por muito simplesmente gostarmos intensamente um do outro. Comparado com isto, o resto é fácil.

O Natal é quando o homem quer.

Para o próximo Natal compro as prendas depois de 25.
Se as "promoções" aparecem logo a seguir ao Natal, não faz muito sentido gastar dinheiro desnessariamente só porque é tradição.
É que os descontos das "promoções" chegam a ser de 50%.
E o pior de tudo é que eu sou ateu...

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Um autocarro chamado desprezo

Mais uma vez quase fui atropelado numa passadeira.
Desta vez, o veículo em questão não só me atropelaria como me passaria a ferro - um autocarro carregadinho de velhas com sacos de compras cheios de presentes dos trezentos.
Ao atravessar a passadeira fiz como sempro faço: olhei para os dois lados, fiz uma pequena pausa a meio da estrada, por precaução, e olhei novamente para os dois lados - Descobri à algum tempo atrás que este ritual me manteria vivo por mais tempo.
Mas, como estava a relatar, a meio da estrada, e a meio do meu ritual, um autocarro começou a aproximar-se e a sua redução da velocidade era notória. O que me levou a crer que este me tinha visto e que me iria deixar passar. Certo? Errado!
Recomecei a atravessar a metade da estrada que me faltava; o autocarro continuava a aproximar-se, mas desta vez já não reduzia a velocidade, mas, estranhamente, intercalava o aumento e a redução desta como se de soluços se tratassem. Parou a uns cinco centímetros do meu corpinho, que já tremia agora.
Depois disto, fiz o que manda a lei: olhei com um ar aviltado para o motorista; levantei vagarosamente os braços e descrevi no ar uma espécie de bater de asas; e ao mesmo tempo disse "Então!?". Nisto, e perante a catatonia do motorista, uma velha que vinha entalada entre os passageiros e o vidro da frente começou a bater com o punho no vidro. Imaginei que quisesse chamar a minha atenção, então olhei para a velha... Estava furiosa, e fazia sinal para os seus olhos. Uma gesticulação que eu entendi de duas maneiras: ou que eu devia ter olhado (mais ainda) antes de atravessar, ou que se tinha magoado nos olhos com a travagem brusca... Não ficaria calado e disse-lhe, nitidamente descontente e apontando para baixo, "passadeira!".
O motorista, perante isto tudo, que deve ter demorado cerca de cinco segundos, permaneceu impávido e sereno, não disse nem ai, nem ui. Ficou ali, com cara de parvo a olhar para mim. Irritou-me ainda mais, mas continuei a minha demanda pelo passeio do lado de lá.
Depois desta atribulada e dramática aventura fiquei com o olhar. E agora, de vez em quando, ouço música do Ennio Morricone na minha cabeça.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

O Hulk português

Anteontem passou na RTP1, já tarde, uma entrevista com o Miguel Esteves Cardoso (MEC). Obviamente falou-se do tema favorito deste: o português.
Gostei muito de o ouvir outra vez. Já tinha saudades.
No passado, posso não ter concordado com todas as suas opiniões; mas anteontem acertou na mouche em tudo.
Dispenso-me de relatar a entrevista, pois esta encontra-se, aqui e ali, mais ou menos, e opinativamente, descrita em outros blogs. Quero só discutir um pouco sobre algo que o MEC disse, que foi mais ou menos isto: não se pode dar poder ao português, se não ele transforma-se naquela criatura verde - o Hulk!
Tenho a impressão que esta é uma ideia que se tornará, mais tarde, uma citação recorrente, de tão acertada que é.
De facto, não se pode dar poder ao português; e este (poder) pode-se entender de várias formas, mas a mais imediata é a faculdade ou a possibilidade de...
Começo pelas pobres almas que se tornam endinheirados de repente - os novos ricos: Quando crescemos, ficamos com a percepção que eles existem quando lemos Os Maias ou, desagradavelmente, os vemos ao vivo; sejam eles presidentes de Municípios, dirigentes desportivos ou o nosso vizinho. Esta malta tem a faculdade de nos entediar e espantar.
A nova classe média: são como os novos ricos mas têm menos possibilidades; e como são tantos e cada vez mais, tornam-se aborrecidos de tão quadrados que são.
Os novos universitários: não sabiam nada antes, continuam a saber muito pouco, mas agora têm a faculdade de nos tentar convencer que sabem muito. São uns brutos, o que aliás já o eram, e uns pacóvios.
Os novos yuppies: sempre tiveram um sonho, andar de fato e gravata e o cabelo com gel; as conversas de fortunas e transacções monetárias eram os seus sonhos molhados.
A maior parte dos políticos, autarcas e dirigentes desportivos: metem o Dr. House num canto no que toca a arrogância e vandalismo.
De facto este país está a tornar-se cada vez mais verde, e não se deve a nenhum movimento ecológico.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

MALTDITO SARDET!!

Cheguei ao limite das minhas forças!! Já não consigo ouvir um tal de Sardet a cantar uma merda qualquer que passa 50 vezes por dia na maldita RFM que eu sou obrigado a ouvir no local de trabalho!!

E ainda por cima uma música com esta letra!!

REPAREM BEM!!


Eu gostava de olhar para ti
(Gostavas??? És panasca!! Homem que é homem fala sempre no presente e não numa espécie de condicional envergonhada escondida num pretenso tempo passado!! Dasss, mas qual é o verdadeiro homem que diz “eu gostava”?? Ou se gosta ou não se gosta!!!)

E dizer-te que és uma luz
Que me acende a noite, me guia de dia e seduz...
(???? Uma luz para nos guiar de dia??? Já agora põe um preto retinto com a boca tapada com fita cola preta a guiar-te de noite no mato em noite de completa escuridão!!”)

Eu gostava de ser como tu
(Laivos de transformismo : PANASCA!!!)
Não ter asas e poder voar
(Ela não tem asas e voa???? É comandante da TAP?? Pilota helicópteros??? Ou afinal tem asas e o tanso do Sardet é que não as tem?? E neste caso, não estará ele perdidamente apaixonado por uma gaivota que conheceu numa viagem de cacilheiro quando foi visitar os seus primos da Trafaria??)
Ter o céu como fundo, ir ao fim do mundo e voltar...
(Fundo de quê?? Estará a querer fazer o pino?? E alguém diga a ele que, sendo a terra redonda, o fim do mundo situa-se, muito provavelmente no local da partida)

Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
(Aqui reside o grande problema!! Porque reparem, ele está surpreendido é por gostar tanto assim da gaja (bem supondo que é uma gaja, claro!!), como se ela fosse a maior puta à face da terra e ele não percebesse porque razão se apaixonou por ela. Pior…. Como não existe qualquer razão lógica para gostar da vaca, ele apela para o sobrenatural: O feitiço!! Ora, isto não abona nada em favor dela. Isto é daquela cenas que a malta afirma quando está no meio de uma quente discussão (e reparem bem na semelhança das palavras), tipo: Ela: “tu és um sacana e um porco que só liga aos amigos e ao futebol”! Ele: “ Realmente…. Eu não sei o que me aconteceu, Foi feitiço!! O que é que me deu para gostar tanto assim de alguém como tu...Minha cabra!!”)

Eu gostava que olhasses
para mim
(mais uma vez a condicional envergonhada escondida num pretenso tempo passado)

E sentisses que sou o teu mar
Mergulhasses sem medo, um olhar em segredo, só para eu
Te abraçar...
(Alguém que diga ao gajo, já agora, que fica muito melhor a gaja ser o mar e o gajo o tipo que mergulha: A velha analogia da penetração, mas soa melhor!! E o que é essa merda do olhar e do abraço??? Abraço?????? PANASCA!!!)

Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
(blablablabla!!)

O primeiro impulso é sempre mais justo, é mais verdadeiro...
E o primeiro susto dá voltas e voltas na volta redonda de um beijo profundo...
(Justo??? Verdadeiro?? Mas que raio de impulso é este??? O engate na discoteca?? E o susto?? Estamos a falar de quê??? O marido da gaja que chegou mais cedo a casa?? O pai dela que nos ia dando cabo do coiro com uma caçadeira de canos serrados?? Os irmãos da tipa que são membros da máfia siciliana?? E que raio de beijo profundo é que tem uma volta redonda??? O gajo chegou ao estômago, por acaso??)

Eu...
Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Eu...
Não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Como tu...

(Idem, Idem, Idem!!)

terça-feira, dezembro 12, 2006

Cambada de animais!

Durante este intervalo de tempo que não tenho escrito (falta de pachorra), tenho aproveitado para ler os meus blogs favoritos, e também tenho procurado por coisas novas e blogs novos para ler.
Tenho lido alguns muito interessantes, mas a maior parte do que encontro é uma quantidade de bosta já seca que, por este mesmo facto, nem chega a meter nojo por falta dos sucos da caca molhada.
Descobri que muita gente tem a mania que é intelectual: perdem-se em textos enormes; não há parágrafo que não tenha uma latinada qualquer; referências a obras de filósofos, políticos e escritores portugueses menos vendidos; muitos títulos começados por "da qualquer coisa".
Sinceramente, estes gajos até metem nojo.
Por outro lado, aqueles que não têm a mania que são intelectuais são básicos até dizer chega: fotos que já foram enviadas por e-mail; anedotas que já foram enviadas por e-mail; as últimas histórias semi-divertidas sobre políticos, autarcas e dirigentes desportivos; e muitos erros ortográficos (ou ortográfikos).
Estes últimos não têm piadinha nenhuma, e só estão a ocupar espaço na net.
Tenho feito contas e estou a chegar à conclusão que cada vez há mais pseudo-intelectuais irritantes e, no outro extremo, mais básicos.
Por isto tudo, ando com muita vontade de começar a escrever uma lista de blogs da caca. Seria uma espécie de cardápio para a malta com uma granda moca que estivesse com vontade de rir à brava.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Os comedores de ideias

Se há coisa que eu gosto é de ter ideias e de desenvolvê-las.
Se há coisa que detesto, são as pessoas que esperam pelas ideias (são sempre as mesmas) para tentar deitá-las abaixo.
Claro que uma boa discussão acerca da "ideia" é sempre positivo, desde que daí saia uma melhor ideia. Infelizmente as discussões com quem gosta de massacrar ideias são normalmente frustrantes.
Enquanto eu tento explicar a potencial complexidade da minha ideia, o meu antagonista tenta simplificá-la até esta se tornar apenas uma lâmpada fundida.
Eu não me dou por vencido, e as minha ideias, estrambólicas ou não, nunca me saiem da cabeça. Volto sempre a tentar implementá-las mais tarde, isto até ter sucesso.
Já o trabalho para pôr a ideia em prática não me agrada tanto.

Não! Trabalho não! Trabalho não! A minha especialidade são as ideias.
(Citação traduzida e livremente adaptada de Oskar Schindler, de Schindler's List)

segunda-feira, novembro 20, 2006

É p'ro menino e p'ra menina!

Correndo o risco de ser rotulado, venho, mais uma vez, defender os homossexuais e as suas reinvindicações.
Não vou começar a minha argumentação com a defesa preliminar da minha sexualidade alegando o que sou ou o que não sou - só me importa o pensamento daqueles de quem gosto e de quem sou próximo.
Começo por dizer que sou completamente a favor, tanto do casamento como da adopção, por parte dos homossexuais.
Por outro lado, também concordo com o Anarquista Duval quando se queixa dos paneleiros das casas-de-banho públicas. A realidade é que a maior parte destes são predadores, animais e completamente broncos, à semelhança da maior parte da população nacional.
Por tanto, quem eu vou tentar defender são pessoas bem-formadas, ou melhor, formadas.
Começo pelo casamento: Apesar de achar que têm todo o direito a se unirem numa instituição, com todas as regalias que o casamento católico tem, não entendo muito bem a necessidade da união religiosa. Religião que sempre os marginalizou. Mas, liberdade acima de tudo. Se querem acreditar num Deus que rejeita a monoparentalidade, por mim tudo bem.
Quanto à adopção, está mais que provado (na prática e na teoria) que esta não prejudica as pequenas criaturas chamadas crianças. Isto porque esta prática já é legal em alguns países há vários anos. E dessa experiência já se tiraram as devidas ilacções.
É curioso, mas já foram feitos estudos acerca desta prática por disciplinas tão diversas como a economia e, claro, a sociologia.
O estudo que me chamou mais a atenção até agora veio resumido no livro "Freakonomics" de Steven Levitt (um economista muito conceituado). Aqui ele aborda resumidamente um estudo feito a uma população, durante décadas, para saber da relevância de determinados factores na educação das crianças. Deste estudo inferiram que não tem grande importância aquilo que as crianças fazem e que se diz que é mau (muitas horas de TV, etc), assim como a estrutura da parentalidade (mãe-pai, mãe-mãe ou pai-pai) também é absolutamente irrelevante para a criança. No final e em conclusão, o que tem importância é o que os pais são na sua essência. Se são bons, inteligentes, sensatos, etc., ou não.
Agora podem haver aqueles que argumentam que uma criança no seio de uma família destas corre um risco mais acentuado de se tornar, ela também, em outro homossexual. A estes posso contra-argumentar com dois conceitos: primeiro, a maior parte dos adultos homossexuais vêm de estruturas familiares clássicas (mãe-pai); segundo, mesmo que o argumento fosse válido não teria qualquer importância para mim porque não considero a homossexualidade uma doença.
Comecei este texto a dizer que não ia esclarecer quem o lesse da minha sexualidade por uma razão muito simples: se sou, seria parcial; se não sou, cairia no erro da justificação prévia da minha sexualidade, o que denotaria receio da minha parte de qualquer espécie de ligação com a homossexualidade. Este receio seria uma grave falha na minha argumentação, porque a este estaria associado uma fobia a esta condição, uma pré-marginalização.
Vá, agora já me podem chamar nomes.
Depois de vomitarem as alarvidades que quiserem, aproveitem para reflectir um pouco sobre o que a sociedade vos impinge. Se colocassem em dúvida tudo o que vos transmitem, não seriam tão básicos.

segunda-feira, novembro 13, 2006

A fisiologia da vergonha no português

Para enumerar as reacções de um corpúsculo português à vergonha, tenho primeiro que colocá-lo num habitat. Digamos...talvez no concerto do Fish deste Sábado na Aula Magna.
O português sempre tentou ser um tipo cool, isto significa que tentamos ser tão descontraídos como os camones, embora sem sucesso.
Primeiro, aparentemente relaxado, começa a "abanar o capacete" e a cantar. Infelizmente este relaxamento só dura no máximo um minuto, até que o português tome consciência do que o que está a fazer vai contra toda a sua natureza pacata. Estes períodos de "despertar" podem acontecer durante todo o evento, a não ser que o português tome medidas de defesa, ou seja, que se encharque de álcool antes do acontecimento.
Vamos esquecer o alcoolizado e continuar com o menino, perdão, com o sóbrio.
Depois do "despertar" o que acontece são rápidos e sucessivos espasmos nos olhos. O que podemos chamar de olhar sorrateira e rapidamente a periferia para ver se ninguém está a observar a sua (pensa ele) figura rídicula.
Se ninguém o viu continua, mas sempre desconfiado com aqueles que ele não consegue topar. Se alguém está a olhar para ele, são imediatamente desencadeados outros processos fisiológicos.
Depois de um Bolas!, segue-se o já conhecido apertar das nádegas, o rubor das faces e o baixar de cabeça. Pensa um momento na idiotice que é a vergonha e retoma o comportamento inicial: "abanar o capacete" e (tentar) cantar a música, seguido de um "Que s'a foda!".
Uma vez e outra e outra...
Existem outros comportamentos de vergonha, mas estes não são registados neste tipo de habitats.
Vamos mudar o cenário para, por exemplo, uma conversa de exploração em que dois, ou mais, participantes não se conhecem. Ajuda se forem do sexo oposto.
Geralmente os envergonhados são do sexo masculino. Porque ao contrário das libertinas das mulheres, os homens são mais inseguros.
Então o comportamento do homem começa por fortes aspirações do ar circundante com a boca, ruidosamente, olhar fixo num horizonte imaginário, não vão os olhos cairem para as mamas da participante (obviamente) feminina; as perguntas deste são tudo menos subtis: chama-se a isto exploração introdutória; é possível que faça vários disparates à mesa; o rubor e o apertar de nádegas também podem acontecer neste ambiente; e, claro, o olhar rápido à área circundante para verificar que não existem outros machos a observarem, jocosamente, o seu comportamento.
A vida do português é difícil e não se recomenda a cardíacos.

terça-feira, novembro 07, 2006

Quem sou eu?

Quase ninguém me compreende.
Chamam-me difícil, problemático, estranho...
Alguém muito próximo de mim diz que sou complicado como os velhos; as minhas colegas dizem que faço um cavalo de batalha de todas as questões; a maior parte das pessoas com quem me dou acha que sou estranho e de feitio complicado.
E o que é que eu sou? Terão razão estas pessoas?
A verdade é que concordo com todas estas opiniões, só não concordo é com a carga negativa que acompanha estas qualificações.
Sempre fui difícil, problemático e estranho.
Os velhos são mal vistos pela sociedade ocidental, mas eu, apesar das minhas piadas geriátricas, sempre tive muita consideração e "respeito" pela terceira idade. Não toda, apenas os poucos que realmente aprenderam com o passar dos anos. Por isso não costumo tomar como insulto quando me dizem que sou complicado como um velho.
Também é verdade que faço um cavalo de batalha de praticamente todas as questões, gosto de ser metódico e de fazer o trabalho o melhor possível. Sou de facto estranho segundo os padrões de normalidade. E há dias que só peço que não se aproximem de mim, são dias maus, são dias em que quase rosno e tenho um olhar feroz - pelo menos é o que me têem dito.
Mas sou assim tão mau? Serão estas qualidades negativas?
Permitam-me que me defenda.
Sou complicado porque não gosto de ser simples e não acredito em coisas simples; sou problemático, é verdade, e talvez isso seja consequência da primeira; sou estranho porque não faço por agradar, nem procuro soluções fáceis; o meu feitio complicado talvez seja a única qualidade que de facto é negativa, mas acho que nunca tomarei químicos para equilibrar o humor.
Muito poucos me compreendem, mas são os poucos que contam.


Este texto é dedicado à bazaroca da minha irmã.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Gajas boas e muito dinheiro

Eu sei, assim como muita boa gente sensata sabe, que provavelmente nunca serei rico ou concretizarei todos os meus sonhos. Felizmente, a minha paz de espírito e média de felicidade não sofrem com essa expectativa frustrada. Tanto é assim que não jogo, excepto quando alguém me pede para integrar uma equipa - raro!
Claro que gostava de ser rico e etecetera e tal, mas à semelhança da existência de Deus, são ideias com as quais não perco o meu tempo. São as duas extremamente improváveis.
Outra coisa que também gostava, era de ter as mulheres boas que quisesse e em quantidades industriais. Infelizmente, para se ter acesso a mulheres boas é necessário uma de duas coisas: muito dinheiro (quanto mais boas, mais caras) ou muito bom aspecto. Mais uma vez, infelizmente, não possuo nem uma nem outra característica. Apesar de que a segunda cada vez é menos importante pela sua inocuidade.
Já agora, convém sublinhar a minha opinião de que as mulheres quanto mais bonitas mais caras se vendem. Ou seja, os atributos físicos femininos são, numa grande maioria trocados por bens e serviços. Raro será, ver uma mulher bonita com um homem pobre. A não ser que esta não seja muito inteligente. Mesmo assim não são de descartar.
Mas a tendência para as injustiças é estas serem lentamente equalizadas.
Recordo que há aqui uns tempos atrás escrevi sobre os livros electrónicos e o fim do elitismo intelectual graças ao desenvolvimento tecnológico. Quando digo elitismo, refiro-me aquele que existe por causa dos privilégios das classes sociais mais "abonadas". Claro que o elitismo ideológico e intelectual (independente e original) existirá ainda por muito tempo.
Paralelamente à indústria do e-book, existe uma outra que investiga a realidade virtual, e devo dizer que de dia para dia esta torna-se cada vez mais real e próxima.
A realidade virtual será o equalizador dos equalizadores. Com esta, toda a gente terá acesso ao que quiser. O pobre e o rico serão apenas homens; o paralítico poderá andar; o surdo poderá ouvir; o cego poderá ver; e, o mais importante, eu poderei ter as gajas boas que quiser em doses orgíacas.
Quais as consequências? Os filmes pornográficos acabam de um dia para o outro; as relações casuais conhecem um fim abrupto - a partir daí, os humanos só se interessam pelo amor, já que o sexo têem-no quando querem e com querem; os católicos tentam impedir este movimento sexo-virtual com o argumento de que a libertinagem, mesmo virtual, é pecado, e o desperdício de esperma (que também é vida) é um crime; quanto aos muçulmanos, finalmente encontram as suas sete (ou quarenta?) virgens sem precisarem de explodir nada; depois, juntamente com a IURD, os Protestantes, as Testemunhas, os Manás e a Opus Dei, cessam de existir como organizações para se dedicarem individualmente à pedofilia e violações virtuais; as viagens físicas, e por isso as linhas aéreas, férreas e frotas marítimas conhecem uma nova palavra: Falência!; as gajas boas sentem-se confusas por já não serem endeusadas e aderem também à moda virtual, e surpresa das surpresas, elas preferem os gajos feios, brutos e a cheirar a cavalo.
Eu nunca serei rico ou concretizarei todos os sonhos que tenho, mas espero viver o suficiente para ser rico e concretizar todos os sonhos que tenho numa outra realidade.

quinta-feira, outubro 26, 2006

O velho levou porrada outra vez

Mais uma vez o professor José Hermano Saraiva levou "porrada" por causa do Salazar e depois não só. A última foi há uns anos atrás, num programa do Herman José, quando foi violentamente "agredido" pelo parvo do João Gil.
A noite passada, no programa Grandes Portugueses, o qual eu só vi a última hora, por duas vezes o professor foi massacrado: a primeira foi quando, após longo apedrejamento verbal a Salazar feito pelos convidados deste programa, o professor tem a brilhante ideia de tentar falar sobre os pontos positivos desta figura, quer queiramos quer não, histórica. O que se seguiu foi quase a Revolta na Bounty. Ninguém tolerou que o professor continuasse a falar e quase o chamaram de parvo; a segunda, ainda pior, foi quando o professor Luís Reis Torgal sugeriu que o professor Saraiva e a História não eram sinónimos, além disso, disse ainda que a divulgação televisiva feita pelo professor Saraiva não devia ser confundida com História. E mais, se o professor Saraiva é perito em alguma coisa é em história da carochinha.
Não foi novidade nenhuma para mim saber que o professor Saraiva é visto pela sociedade académica com suspeição e mesmo algum descrédito. Verdade ou não, não me cabe a mim decidir, foi um insulto! Felizmente, no fim do programa, o professor Saraiva respondeu-lhe à letra.
Nunca gostei dos programas do professor Saraiva, não costumo ver, ainda assim sinto alguma simpatia pelo senhor. Parece-me um tipo decente. Pronto, foi Secretário de Estado (creio) da Cultura no governo de Salazar, será por isso que este homem está sempre a ser sovado? Ou será pela velha questão portuguesa: se mostrares o conhecimento às massas serás desacreditado.?

quarta-feira, outubro 25, 2006

O respeito dos tolos

Ainda a respeito do 'respeito'.
Muita polémica se gerou à volta do anúncio que eu e o Anarquista Duval fizemos acerca da nossa falta de respeito pela religião e os seus seguidores.
Mas afinal o que é o respeito? O que é que nós (e penso que falo pelo Anarquista D.) queremos transmitir na realidade?
Do Houaiss, um dos dicionários mais conceituados da língua portuguesa, retirei as seguintes acepções:


substantivo masculino
1 ato ou efeito de respeitar(-se)
2 sentimento que leva alguém a tratar outrem ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência; consideração, reverência
3 obediência, acatamento
4 modo pelo qual se encara uma questão; ponto de vista
5 o que motiva ou causa alguma coisa; razão
6 relação, referência
7 estima ou consideração que se demonstra por alguém ou algo
8 sentimento de medo; receio


...e locuções:

a r. de
relativamente a, no tocante a, com referência a
dar-se ao r.
proceder de maneira respeitável, agir com compostura, ter uma postura digna, impor-se ao respeito de outrem
Ex.: procuramos valorizar-lhe o trabalho aqui, mas ele não se dá ao r.
dizer r. a
ser relativo a, ter relação com
faltar ao r.
ser descortês ou inconveniente para com alguém


...e ainda da etimologia:

'ação de olhar para trás; consideração, respeito, atenção, conta; asilo, acolhida, refúgio'.


Afinal muito se pode dizer sobre o respeito. Não será assim uma palavra tão limitada como parecem fazer querer os teístas.
Das acepções, em relação ao substantivo 'respeito', e ponto por ponto, vou referir o que sinto (ou não sinto) pela religião e aqueles que a seguem: o primeiro ponto é redundante; do ponto dois não posso dizer que tenha algum desses sentimentos; ponto três, não!; ponto quatro, irrelevante; cinco, irrelevante; seis, não!; sete, não!; oito, por enquanto não.
Das locuções, a única que é relevante é 'faltar ao respeito'. Não creio que nem eu nem o Anarquista D. (pelo menos na vida real, que é o que interessa) sejamos descorteses ou inconvenientes para com as pessoas no geral. Claro que os animais, que predominam na nossa sociedade, não contam. Inconvenientes também não o somos. Com isto não quero dizer que somos santinhos e desprovidos de falhas. Uma coisa que somos é subversivos e satíricos, e em consequência disso faltamos ao respeito para assim podermos esclarecer as mentes da Idade Média que ainda existem.
O respeito é muito bonito, mas não tem piada nenhuma.

segunda-feira, outubro 23, 2006

O Senhor das Moscas e o Cão dos Baskervile

Para mim os cães são como as crianças, ou vice-versa. Não posso dizer que adoro cães ou crianças, gosto de alguns cães e algumas crianças, a maior parte acho-os insuportáveis.
Gosto do meu cão e gosto da minha sobrinha (diferentes tipos e graus de amor, claro), gosto de mais alguns cães e alguns putos, do resto fujo!
Detesto cães estúpidos ou maus, tal e qual como detesto crianças burras ou mal educadas. Pronto, até posso admitir que a culpa não seja das criaturas mas sim dos donos/progenitores. Mesmo assim não me consigo obrigar a gostar ou aceitá-los.
Os cães são os melhores amigos do dono. Acredito perfeitamente! Mas, provavelmente, só o são do dono.
As crianças são criaturas inocentes e angélicas. Pois claro que são! Quem o diz nunca viu várias juntas.
Depois de longos anos de pesquisa aturada e de observação dos habitats destes seres estou finalmente em posse de resultados que vão abalar o mundo tal e qual o imaginou.
Após ter chegado à conclusão que o cão agrada o dono porque este representa o macho alfa do seu grupo, e também porque o senhor lhe providencia todos os confortos e necessidades básicas para a sua sobrevivência, defini o amor do cão pelo dono como uma expressão dos instintos mais básicos de qualquer ser vivo com a adição de algum poder de associação. Assim o mesmo se passa com a criança até idade ainda não determinada por este estudo (talvez três anos). A criança, que possui não só poder de associação como também já algum remoto raciocínio, é motivada nos seus carinhos ao progenitor não pelo amor - cuja noção ainda não está desenvolvida - mas por necessidade.
Retirada a emoção nos factores cão e criança, pude continuar a resolver a equação. No entanto a emoção não pôde ser eliminada, teve que ser movida para o factor adulto. Isto deu-me o resultado de adulto possui emoção ou adulto igual emoção, ambos válidos.
As minhas conclusões colocam a emoção transmitida não pelos pequenos seres mas pelos já grandes e formados; as crianças e os cães servem assim de transporte das emoções do adulto; abro excepção para a criança que tem uma evolução continuada enquanto o cão não.
Em conclusão, o homem é o melhor amigo do homem, da criança e do cão.

sexta-feira, outubro 20, 2006

A vida de JC em 97 linhas!!

É evidente que quando os religiosos acreditam num Deus omnipotente e omnipresente que governa o mundo, algo de muito errado se passa!!!

Deus esse que eles acreditam que semeou um seu representante numa mulher virgem (pois!!pois!! virgem!!) Porque é que ele não escolheu uma que tivesse já uma rebanhada de filhos???

Claro que nestas condições, filho único de um profissional de um ofício conceituado (carpintaria) e de uma doméstica que viveu toda a vida a tentar esconder do marido a sua infidelidade, o rapaz tinha que sair um mimado do caraças, com convicções próprias de quem tem tudo na vida (o rapaz nasceu no anexo à casa e logo os vizinhos vieram dar cenas como mirra, incenso e ouro, vejam lá!! Reparem bem, anexo à casa! Não estamos a falar de um pardieiro, estamos a falar de uma mansão para a altura!! ).

Quer dizer, se eu no Liceu Camões começasse a gritar de braços abertos para o mundo “Eu sou filho de Deus” diziam logo “ganda pedra meu, a broca devia ser bem boa!!!!”, ou tipo “amai-vos uns aos outros!!” gritavam logo “PANELEIRO DUM CABRÃO!!!” e davam-me uma coça monumental!

E depois são aqueles tiques irritantes de novo rico espertalhão mimado!!

Ahhh! Eu consigo fazer milagres, corresponde hoje ao pintas sentado no porche acabado de sair do stand a dizer para a estúpida da namorada que vai ao lado mais burra do que a Paris Hilton (se é que isso é possível) “pois é linda, consigo fazer milagres com este carro!!”

Parece que estou a ver o JC com um grupo de amigos (aqueles que mais tarde jantaram com ele numa bebedeira de cair para o lado) pegar num tipo a quem eles pagaram uns trocos, e dizer-lhe “Cego, vê!!” e o tipo abre os olhos fechados e grita “Consigo ver!! Milagre!!! (baixinho: então quando me pagam o teatro que fiz??), e as míudas nazarenas a suspirar “AHHHHHAaahhhhhhhh O JC é o máximo!! Faz coisas tão giras!! JC!! JC!!! Faz lá aquela cena de andar sobre a água outra vez, vá lá!! Estás a ver Pedro, tu nunca consegues fazer estas coisas engraçadas nem tens uma carroça tão gira como a do JC!!És um quadrado, pá!!”

E depois o JC coloca-se em cima dos ombros de um dos seus amigos (a quem ele apelidou de discípulos depois de uma jogatana de cartas) que anda no lago mergulhado até ao nível da cabeça, e as gajas todas “BOAA!!! Hehehehehe! É giro!! Ó pá, JC, posso ir eu em cima do José da próxima vez???”

E mesmo a cena da crucificação!! He pá, é mesmo de menino mimado!!

Vocês já viram algum pobre fazer uma cena do caraças, um espalhafato daqueles na sua morte ou suicídio!! Claro que não!!

Um pobre encosta a caçadeira de canos cerrados ás trombas e dispara, ou mata a mulher e suicida-se de seguida com uma faca ranhosa comprada nos saldos do Continente ou com a G3 que ele gamou no tempo do serviço militar obrigatório.

Os ricalhaços mimados é que vão para o último andar de um prédio de luxo a gritarem que se atiram cá para baixo!! Ou vão a 200 à hora com o porche na auto-estrada e enfaixam-se contra a cabine da portagem enquanto espalham cocaína pela estrada porque julgam que ela está com os traços do pavimento a desaparecer.


E depois aquilo de ressuscitar!! He pá, essa é gira! Faz lembrar aqueles filmes em que os prisioneiros poderosos subornam os guardas para ajudarem na sua fuga, depois simulam a sua própria morte para as autoridades pararem de os chatear!!

Sim, porque é evidente que JC devia ter problemas com a autoridade, isso é óbvio, porque é típico dos meninos mimados e novo ricos!!

Portanto desata a subornar os guardas romanos, fazer-se de morto e depois passar a uma vida de clandestinidade em plena Palestina, com encontros habituais com os seus discípulos, que, no meio das bebedeiras e jantaradas, escreviam a meias uns textos a dizer bem do tipo que pagava sempre a conta (JC), não fosse ele ficar chateado por eles não fazerem nada!!

Olha, com isto tudo, ainda vou fundar uma religião também!!! Já tenho quase toda a estrutura, só me falta uma sede social, um tesoureiro e um contabilista cadastrado!!

Somos todos ateus

Metam uma coisa na cabeça, as religiões já tiveram o seu tempo e, felizmente, estão a extinguir-se e a dar lugar à secularização.
Claro que o panorama actual não parece indicar isso, mas estas coisas têm que ser vistas a uma distância considerável, ou como os americanos dizem, you must see the big picture.
As provas da improbabilidade de (um ou outro) Deus existir, são consideráveis e incontornáveis. Menciono improbabilidade para não cair em qualquer dogma, e por outro lado é cientificamente válido.
Eu, à semelhança de toda a população mundial, sou ateu. Não há ninguém que possa dizer que não é ateu. De certeza que os católicos não acreditam em Alá, Odin ou Zeus, isto é válido para qualquer religião.
Esta argumentação não é original nem minha. Richard Dawkins foi o último a utilizá-la no Colbert Report, e diz assim: "Vocês são ateístas em relação a todos os deuses em que não acreditam, eu apenas acrescento um deus mais". E é o que eu sou, um ateu como todos vocês só que com mais (ou menos) um deus na lista.
Já tive oportunidade de mencionar em posts anteriores que até sou capaz de achar a história das religiões fascinante. Mas isto, obviamente, com a devida distância temporal e física que me separa dos desgraçados que fizeram (e continuam a fazer) parte das listas negras destas. É a mesma curiosidade mórbida que me leva a achar interessante uma guerra e o arsenal utilizado.
A bíblia diz que os ateus deveriam morrer todos; não faltam cobras e lagartos nos livros sagrados em relação ao ateísmo; os ateus têm, de facto, sido assassinados (e continuam a ser) ao longo da história pelas mais variadas religiões. E isto porquê? Porque nos recusamos a acreditar em contos de fadas e no pai Natal?
Agora é a nossa vez. Não vos iremos matar, nem torturar, ou violar, mas não esperem uma vida fácil. Todas as idiotices serão enunciadas; as estupidezes anunciadas; as burrices vilependiadas.
Teremos direito a vos insultar? A não respeitar as vossas "tradições"? A fazer humor com o vosso rídiculo? Sim! Sem dúvida.
Vocês ficarão magoados e ressentidos, talvez até gozados? Absolutamente!
Temos tanto direito de vos insultar quando se arrastam até sangrar em nome duma suposta virgem, como vocês o fazem em relação à Sharia, às mutilações auto-infligidas na Indonésia e à excisão do clitóris das africanas.
Vão-se habituando.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Badalhocas!

Porquê que invariavelmente as gajas ficam todas lixadas quando lhes é mencionado banho antes do sexo? Serão elas imunes à caca do dia-a-dia?
E não sabe tão bem um banhito a dois, com massagens incluídas e talvez um felattio?
Eu falo por mim, quando viajo para o Sul gosto de encontrar um lugar confortável, quentinho, húmido, com vegetação rasteira e, mais importante, com água potável. Suponho que com elas seja o mesmo...
Mas de vez em quando deparo-me com badalhocas que acham o acto do banho um sinal que estou a chamá-las de porcalhonas.
Na verdade o banho é um prolongamento da sessão sexual muitas vezes criticada por elas por tender a ser curta. Querem mais tempo? Comecem na casa-de-banho, passem pelo quarto, dêem uma volta pela cozinha, aproveitem e tragam uma cervejita e qualquer coisa para petiscar, e terminem numa sala ou mesmo no hall de entrada.
O que é irrelevante é o banho depois do sexo. A badalhoquice por esta altura já está disseminada por todo o espectro sensorial: cheiro, gosto, tacto, visão, audição (chlep, chlep). Agora já não importa, que continue o sexo!

hmmmmm, hmmmmm, hmmmmm

Estou meio adoentado. Acho que é gripe.
Ainda estou no início: sinto o corpo anestesiado; tosse; doi-me a barriga; nariz tapado; fraco poder de concentração...
Podem-me chamar mariquinhas, mas quando estou doente, mesmo que seja só um bocadinho, aproveito para me enfiar na cama por dois dias - na minha cabeça qualquer doença que se preze dura dois dias. Ainda não fui à cama, estou com pena das minhas colegas de trabalho. Vou aguentar mais um pouco até ao fim-de-semana.
Nessas alturas, quando estou de cama, gosto especialmente de gemer baixinho e de esfregar os pés um no outro.
Como tenho a sorte de viver no mesmo prédio que a minha mãe, ela leva-me as refeições à cama. Que bom!
Aliás, e já tenho pensado muito nisto, se calhar um dia estar para casar ou juntar-me, farei com que a minha futura esposa passe por determinados testes relativos a doenças simples para ver a reacção dela. Não será preciso dizer que se ela ignorar os meus gemidos ou os meus pedidos insistentes de um Bife à Portugália para almoço, serão vários pontos negativos. Obviamente, se ela atacar a minha masculinidade com longos discursos sobre a minha mariquice em períodos de doença, também não será positivo para ela.
No meu local de trabalho sinto-me censurado. Não posso gemer sem que apareça uma colega a chamar-me mariquinhas. Vá lá, ainda vou podendo esfregar os pés que ninguém os vê.
Pode parecer estranho, mas às vezes gosto de estar (ligeiramente) doente. Traz-me recordações de belas noites de sono com Vic Vaporub no peito.

quarta-feira, outubro 18, 2006

A minha terra prometida

Quarenta e tal por cento dos espanhóis gostariam que Portugal se unisse a Espanha formando um novo país, talvez chamado Iberia.
Apenas um quarto dos portugueses desejaria o mesmo.
Quanto a mim, e detesto falar espanhol, acho que não me importaria. Desde que se mantivessem a cultura e uma independência ideológica, acho que seria bom.
Porquê? - Não é pessoal, é apenas negócios.
Acho que com trinta e seis anos estou um pouco farto de ouvir "temos que apertar o cinto". E eu sou novo.
Ou se quiserem, ilustro assim: Sou solteiro, e vou passar a pagar mais IRS do que uma casa onde entram dois ordenados; E já agora vou acrescentar mais 15% de valor pago à EDP. E ainda tenho que levar com o Secretário de Estado da Indústria (?) a dizer que a culpa é minha porque tenho andado a gastar demais; E tudo o resto que aumenta, numa base quase mensal, de 100$00 em 100$00, ou de 200$00 em 200$00. Sim, escudos que eu já não vou na treta do Euro psicológico.
Eu sei que se fosse espanhol, ou ibérico, seria muito mais protegido desta canalha política e teria(mos) uma qualidade de vida incomparável à actual.
Também me estou a cagar para os nacionalismos. A meu vêr, mais tarde ou mais cedo (mais tarde), todas as nações serão unidas numa só. E se é para começar a fazer isso, que sejamos nós Os Conquistadores e Exploradores. Temos que dar o exemplo.
Em relação à monarquia, também me estou a cagar. Se como ateu sou capaz (hipocritamente) de me confessar e casar e o que for preciso para o meu bem estar, sem remorsos nenhuns; como anarca também sou capaz de (cinicamente) berrar "Viva o Rei!".

segunda-feira, outubro 16, 2006

Confortavelmente vegetais

Era uma questão de tempo. - O poder corrompe.
Como a maior parte de vós já deve saber, o YouTube foi comprado pelo Google. Apesar de a maior parte dos "financeiros" afirmar que esta compra foi no mínimo polémica - uma vez que o Google não lida com conteúdos mas "aponta-os", especialmente conteúdos que na sua natureza são pessoais ou excertos de produtos comerciais -, mesmo assim gerou-se uma onda de optimismo nos utilizadores. A maior parte pensou que a partir de agora passaria a encontrar mais facilmente o vídeo da tia Odelinda assim como o clip Wild Boys dos Duran Duran.
A boa notícia é que, por agora, a tia Odelinda fica no tubo, desde que não cante nenhuma cantiga recente; A má notícia é que tudo que não respeite os direitos de autor, a curto prazo será eliminado do YouTube. Ou seja, grande parte dos vídeos interessantes: excertos; entrevistas; videoclips; e a boa da sobrinha da tia Odelinda, que agora é dotcom.
É óbvio que é o fim do YouTube tal como o conhecemos.
Se a Wikipedia também for comprada futuramente - até agora tem resistido - é o fim! É a instalação do capitalismo e da ditadura empresarial.
Mas numa visão mais optimista e alegre, também é verdade que em tempos de crise fascista, surgem, ou são "incentivadas", as pessoas mais criativas. E as suas soluções para além de artisticamente belas, permanecem. São degraus.
Para o resto de nós, comuns mortais, só nos resta esperar confortavelmente vegetais.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Os blogs das gajas e os gajos

Também acho piada à quantidade de abutres que voam ao redor dos blogs das gajas à espera de "carninha". Eles a comentar são todos muito suaves e cavalheiros. E ai de um gajo (como eu) que comece a disparatar, eles colocam-se logo ao lado das damas "blogadoras".
Estas aves de rapina pensam que vão levar dali alguma coisa, e mesmo que levem correm o risco de levar é com um bacamarte disfarçado atrás de umas cuequinhas de rendinha - Toma lá para aprenderes!
O que me irrita solenemente é que por maior que seja o disparate, ou merda de poema, que elas escrevam, os abutres arranjam sempre maneira de as elogiar - (...) os teus poemas são lindos, fofa. Escreves tão bem que me iluminas a alma - Puahhh!!! E elas vão na conversa!
Meninas, quando colocam umas fotografiazitas e escrevem umas coisitas bem sugestivas, a reacção da maior parte dos gajos é a de comentar para ver se levam dali alguma coisa. Não é por causa do vosso talento.
Se querem realmente "construir" algo, não levem tops e mini-saias para o trabalho. Quero dizer, por mim tudo bem, mas depois não esperem que as leve a sério.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Os blogs e as gajas

Os blogs das gajas são normalmente mais "pesados" do que todos os outros: Com "pesados" quero dizer que contêm muita informação (irrelevante) e por isso se tornam de difícil "carregamento"; Com "carregamento" quero dizer que aquilo que o meu computador recebe de informação, excede a sua capacidade de processamento.
E depois, estes blogs femininos encontram-se normalmente divididos em duas classes: os eróticos, recheados de poemas e fotografias sugestivas; e os diários à la Readers Digest, em que a "blogadora" descreve a melhor forma de remover um diafragma sem retirar o tampão ao mesmo tempo que conta a triste história do pimpão e ainda arranja tempo para os flagrantes da vida real.
Começo a ficar um pouco farto de ler blogs femininos.

sexta-feira, setembro 15, 2006

mpflll?

Detesto ter que falar à pressa, saiem-me sempre frases esquisitas no meio do diálogo. Depois fico a chamar-me estúpido durante várias horas por ter dito uma coisa tão escanifobética.

quinta-feira, setembro 14, 2006

O Mr. John é que sabe!

Não é nenhuma novidade, mas os conteúdos nacionais (e de língua portuguesa no geral) da Internet, não valem nada. Salvo raras excepções, os sites institucionais, empresariais e de conteúdos lusófonos, não passam de caca rala.
A maior parte das minhas buscas começam com a língua portuguesa e terminam (com grande eficácia) com a língua inglesa.
O caso mais paradigmático será o da Wikipédia, com uns míseros cento e tal mil artigos em português, em contraste com o milhão e duzentos mil da língua inglesa. E nem quero me referir à qualidade dos conteúdos...
E com isto não quero dizer que a culpa é do Governo ou do sistema, não!, a culpa é de todos os falantes da língua portuguesa: que se por um lado não se interessam em informação estruturada e com qualidade; por outro estão cada vez mais dependentes de informação estrangeira e aculteradora, deixando em aberto o círculo iniciativa>informação sem catalisadores>trabalho.
Já tenho ouvido muita gente dizer que não se importava de começar a falar espanhol desde que isso significasse uma melhoria da qualidade de vida. Pois bem, talvez não seja o espanhol mas o inglês, e quanto à qualidade de vida, esqueçam isso... não passamos de latinos, e nós somos bons é para as obras e trabalho subalterno a mando do british boss.

Nostalgia

Hoje passei a tarde à procura de antigos amigos no Google Blog Search e no Technorati. Já se passaram três horas e ainda não encontrei ninguém.
Já não é a primeira vez que faço isto, na realidade faço-o de vez em quando. O resultado tem sempre sido igual a zero.
Obviamente que sei que nem toda a gente é maluca como eu e coloca o verdadeiro nome no blog, por isso mesmo as minhas buscas são mais exaustivas e cobrem mais do que o nome: locais; palavras-chave; festas; etc. - Nada, nada!
Ou a generalidade das pessoas tem mais que fazer (mais do que eu); ou não estão interessadas na Internet; ou não conhecem as potencialidades desta; ou simplesmente não gostam de escrever; acham pindérico espalhar memórias; ou não sei...
Talvez a maioria das pessoas prefira viver o presente e não tenha tempo para o passado como eu. Não é que eu viva preso ao passado, mas as memórias são muito importantes para mim. É com elas que eu modelo um futuro perfeito... não, bonito.
Sinto-me frustrado. Gostava de encontrar pessoas e coisas antigas.

Pelos mortos passados

Quando alguém morre, fico sempre sem saber se me hei-de dirigir aos familiares e dar os meus pêsames, sabendo que o mais provável é quererem ser deixados sozinhos, ou deixá-los em paz.
Claro que se seguir a última hipótese, passo o funeral "desasossegado" e com uma nuvem de má educação a pairar em cima da minha cabeça. Já para não falar do espírito zangado do falecido.
Devo dizer que na maior parte dos funerais dou os meus pêsames...

P.S. Não, ninguém morreu. Apenas me lembrei disto agora.

segunda-feira, setembro 11, 2006

ai brinca, brinca!

A RTP2 passou o documentário Loose Change, repetido nas noites de Sábado e Domingo.
Este documentário defende a ideia que Osama Bin-Laden não esteve envolvido na queda das Torres Gémeas, na destruição de parte do Pentágono e na queda do Voo 93. Pelo contrário, não passou de um grande encobrimento do Presidente Bush para amealhar uns quantos lingotes de ouro que estavam guardados nas fundações em uma das Torres.
Tenho que confessar que esta teoria de conspiração me provocou arrepios. Interroguei-me se seria possível alguém fazer aquilo por dinheiro; já por uma ideologia, por mais distorcida que seja, não me custa tanto a acreditar.
Depois do torpor que este documentário me provocou, comecei, lentamente, a raciocinar.
Como não tenho Internet em casa, não conseguia verificar a veracidade dos factos; Isto teria que esperar por Segunda-feira. Em vez disso comecei a pensar na fragilidade dos argumentos: uma teoria em que a quantidade de pessoas envolvida é muito grande não é credível porque há sempre alguém que fala...; seria este o melhor método para roubar o país?; estariam todos os técnicos e engenheiros enganados quanto à causa da queda dos edifícios?; etc.
Enquanto pensava e pensava, algo me estava continuamente a soar familiar. De repente fez-se luz - Esta história é muito parecida com um filme famoso chamado Die Hard: With a Vengeance, no qual também são utilizados subterfúgios e actos de terrorismo para que seja feito um assalto sem ninguém dar por isso (quem não viu, já teve mais que tempo...). Ena pá! Ou o Presidente Bush gosta muito destes filmes de acção e não tem imaginação nenhuma ou o Dylan Avery (criador do documentário) é um puto com uma cabecinha bem perversa.
Bem, hoje é Segunda-feira e embora já não precisasse fui verificar as fontes e os argumentos do documentário. Sem surpresas, a maior parte não bate certo e está errado. Mas enfim, deu para entreter e o documentário até está engraçado.
O que eu acho mais piada são as reacções ao documentário. Para além das habituais vozes de total crença e as de descrença zangada, houve uma que me chamou a atenção, o título é "Com isso não se brinca", do Martim Avillez Figueiredo, publicada (de todos os periódicos possíveis) no Diário Económico. - Ele diz que é uma data despropositada para passar este documentário, e logo num canal de Estado (com o que eu concordo); depois compara esta teoria de conspiração com uma que houve no nosso país (Portugal para os mais distraídos) em que se fazia crer que os comunistas é que eram os fachos; e, finalmente, que uma vez...quando era puto, estava na praia da Figueirinha a brincar com a pá a fazer de conta que era uma arma e chega o Zeca Afonso e irado o admoestou por brincar com armas...é que nem a fingir.
O que eu me fartei de rir, coitado deste senhor ficou traumatizado para o resto da vida.
E se o Zeca Afonso dizia que com isso não se brinca, eu digo que brinca, ai se brinca! Faz parte da nossa liberdade.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Avé Floribela

Para continuar a bater na mesma tecla do post anterior: Há uma miúda, uma flôr, uma bela...; Portugal tem uma nova namorada, ou será amante?
Mais uma vez os portugueses mostram de que matéria-prima são feitos os seus heróis.
O discurso dos adorados pelas multidões é sempre o mesmo - (...) sou muito simples e humilde. Tenho muita fé em Jesus. Passei por muitos maus bocados e sacríficios (...) -, e sempre muito limitados.
Não me entendam mal, eu até acho a miúda simpática, gira e toda vivaça, mas daí a ser a nova heroína nacional...?
Desde a Amália, que eu saiba, que Portugal tem uma predilecção pelos fracos, humildes e com sérios problemas alcoólico-amorosos.
- Viva a Amália! - gritam Tino de Rans e o Zé das Galinhas.
Em oposição, qualquer um que promova as suas qualidades (leia-se, ligeiramente gabarolas) é logo olhado com suspeição e, no final, corrido a pontapé. Se lá fora é normal fazermos autocrítica aos defeitos e qualidades, cá só se aceitam os defeitos. E quem não os abraçar de corpo inteiro, é considerado um armado em bom...que é melhor do que os outros.
Ora a mim não me faz espécie nenhuma que haja alguém melhor do que todos nós em alguma coisa. E a sua autopromoção, com conta, peso e medida, também é perfeitamente aceitável. Claro que o Mourinho é uma excepção radical.
Ser o país dos humildes, dos sacrificados e dos pobrezinhos, é quase como o fado e a saudade; Aspirar a algo grandioso é pecado e suficiente para se ser marginalizado.
E é por isso que os grandes deste país são tão pequenos.

terça-feira, agosto 29, 2006

Marco Paulo vs D'Zrt

Às vezes critico os putos desta geração por ouvirem coisas como os D'Zrt ou a Floribela, mas é uma crítica infeliz.
Lembro-me que quando era puto gostava de ouvir o Marco Paulo e as Doce, e se a minha mãe me tivesse levado, eu iria de bom grado a vários concertos destes deuses de ontem.
Como os putos de hoje, também eu sabia as letras de cor e passava a vida a cantá-las.
No fundo quem tem mau gosto sou eu, ou melhor, era eu quando era puto.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Capas de celulóide

Eu não confio num livro com a capa da adaptação cinematográfica. Tanto é assim que já deixei de comprar vários livros por esta razão.
Se sou assíduo visualizador de cinema/vídeo, também o sou de literatura. E se aprendi uma coisa foi que, à excepção das adaptações feitas por Kubrick e Malick e outros poucos, as adaptações cinematográficas pertencem ao reino da caca rala.
Bem sei que os livros editados com a capa da última adaptação na película devem ter o mesmo conteúdo de edições anteriores. Mas a observação da capa - coisa que faço frequentemente - remeter-me-ia para a memória da adaptação ou, caso não a tivesse visto, para uma imaginação do cenário e personagens mais pobre e circuncisada.
Também desconfio destes livros porque, à semelhança das hollywoodescas adaptações, tenho medo que a tradução e revisão destes seja igualmente pobre e atroz.
Se a venda destes livros pertence a uma onda de marketing pós-filme, onde o lucro impera sobre a razão, eu pergunto-me se quem vê e gosta deste género de adaptações (de lixo) gosta realmente de ler? E se quem lê por gosto tem necessidade de uma pré-masturbação visual?
Regra geral leio sempre o livro antes de vêr o filme. Não porque quero comparar os dois (embora a comparação seja inevitável), mas simplesmente porque quero tomá-lo puro.
Algumas vezes, quanto tomo conhecimento de que certo realizador vai adaptar determinada obra que não li, a minha curiosidade leva-me a melhor. Mas apenas por conhecimento da qualidade de critérios deste realizador. Depois de lido fico a imaginar como é que a adaptação será feita e se será possível.
Se o livro conspurcado tira-me a pica, já o filme prometido saliva-me a boca.

O Spartacus dos infiéis

Eu não consigo acreditar que hajam tantas pessoas crentes.
Parece-me que para se ser crente é necessário ter fé. Fé em algo transcendental, algo não palpável ou observável, algo tão improvável que é quase impossível. E esta característica (loucura) é muito rara.
Quando vejo as grandes multidões a professarem a sua fé, penso logo em clubismo, pressão de grupo, colectividades de recreação, solidão, e...medo!
O medo talvez seja o factor mais importante: medo de ser diferente; medo de racionalizar o nosso fim; medo de que os "outros" tenham razão afinal de contas, etc.
Poderão argumentar - Mas tu és ateu, o que é que percebes de fé? - Sem dúvida um bom argumento. Mas apesar de não ter fé em deuses ou profetas, não deixo de ter fé. Fé em mim, fé em ti e fé na humanidade.
A fé em algo tão louco como um paraíso e não sei quantas virgens ou uma morte eternamente feliz depois de uma vida efémera e miserável não é razoável (ou provável) para quem pensar um pouco.
E é por esta suspeita que acredito que as religiões terão um dia o seu fim. Quando o ser humano deixar de ter medo. Esse será o dia do nascimento do Spartacus do amanhã: O homem livre.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Apertos e meias

Eu sou um daqueles chatos que dá importância à pressão exercida por centímetro quadrado num aperto de mão. No entanto julgo que isto tem tanta importância como as meias brancas.
Se eu aperto com vigor todas as mãos que me aparecem à frente, o mesmo já não acontece se o dono destas for desprezível, cheirar intensamente mal ou tiver uma manápula enorme. Nestes casos o meu aperto é o de um autêntico verme sem personalidade. E para calçar meias brancas seria preciso que as minhas duzentas e cinco (são muitas, não sei quantas são) meias escuras estivessem todas sujas.
E o que dizer da maior parte dos países anglo-saxónicos em que o aperto de mão é de um peixe morto e as meias brancas são as únicas no armário. Será que nestes países ninguém tem carácter nem bom gosto?
Se a não observância destas regras, universalmente, parece não ter qualquer relação com algum defeito educacional ou estético, então só posso estabelecer (sem muito estudo sobre a situação, apenas alguma reflexão dedutiva) duas causas aparentes: tradição e regras locais de boa educação.
No entanto, quando não se segue a tradição e a boa educação, somos imediatamente (e com razão) rotulados de mal educados e marginais.
Em conclusão e de um modo geral (Mundo) o aperto e as meias não têm relação com a educação e o gosto, mas localmente (Portugal) têm. O que sugere que a relação só existe em determinados pontos geográficos, o que é suficiente para a tornar verdadeira.
O melhor é continuar a seguir estas regras locais, mesmo lá fora. Não há como um bom aperto de mão e um belo par de meias escuras.

terça-feira, agosto 22, 2006

Carecada ariana

Ontem cortei o cabelo com pente dois - uma carecada, portanto.
Não passei uma boa noite de sono: suei imenso da (ou na?) cabeça.
Hoje de manhã fui passear o cão, ainda tonto de sono - eu, não o cão -, depois tomei o pequeno-almoço e preparei-me para mais um dia "duro" de trabalho. Saí. Não sem antes despedir-me do meu cão - Adeus Kiko!
Uma pequena nota só para informar que ontem quando fui cortar o cabelo, como já estava na hora de ir passear o Kiko, disse-lhe que esperasse meia-hora que eu já iria. Só quando saí de casa é que me lembrei que estava a falar com um cão e que, independentemente de ele até ser muito inteligente, acho que ainda não percebe muito bem a noção de tempo e a sua divisão em unidades.
Adiante. Mais tarde, quando saí de casa para o trabalho, ao passar pela pastelaria que está, digamos, germinada no meu prédio, reparei numa enorme suástica desenhada no passeio mesmo à frente da esplanada. Veio-me logo à cabeça um pensamento: Vândalos!
Enquanto andava, comecei a pensar que espécie de animal faria uma coisa destas. Uma coisa leva a outra e pimba! A descrição física padrão de uma besta neo-nazi obscureceu-me a memória. Mas agora este tipo fazia-me lembrar alguém. Puxei mais pela massa cinzenta, que aquela hora da manhã (10h00) ainda estava gelatinosa, mas continuei a puxar. Horror dos horrores, aquele tipo, tirando a roupa, as botas e a cara de asno, só deixando o couro cabeludo, aquele tipo era eu...um careca!!! Heil...a minha cabeça! O que eu fui fazer, agora pareço-me com um animal. Já não bastava não ser nenhuma beldade, e agora ainda fui piorar as coisas e transformar-me numa besta!
O que vale é que o cabelo cresce. Bem...à frente é que já não.

quinta-feira, agosto 17, 2006

A razão perde-se?

A razão perde-se consoante o comportamento de quem a tem? Não me parece. Ou se a tem ou não se tem. Pode-se é dizer que o sacrista apesar de ter razão está a comportar-se de forma a não receber nenhuma palmadinha nas costas.

quarta-feira, agosto 16, 2006

What if...Andre was destroyed by a rotten tomato?

Se há coisa que me aflige em relação às pessoas próximas de mim é o que possam dizer em momentos inadequados com conteúdos ainda menos adequados.
Eu nem me posso queixar muito porque sou uma espécie de Rei a mandar bocas idiotas e com péssimo timing.
De qualquer maneira o meu próprio defeito - tenho a certeza que passado hereditariamente - é o meu grande medo. Nem percebo porquê. De modo geral não me preocupo muito com o que terceiros possam pensar de mim. Por outro lado até sou um gajo que cora com bastante facilidade...
Abro aqui um parêntesis para relatar a minha última aventura no campo dos tomates maduros - Regressava eu a casa, de metro, vindo do cinema. Na minha cabeça ainda se desenrolava o excente Superman Returns. Nisto uma rapariga esbelta vem-se pôr mesmo ao meu lado. Todos os meus pensamentos sobre um homem que voa foram substituídos por várias imagens desta rapariga em poses sensuais, também a voar. E quando este tipo de pensamentos trespassa a minha cabeça, rapidamente é substituído por outro que é uma frase em grandes letras néon a piscar e que dizem: Vais corar!!! Depois disto a minha ideia em sair duas paragens a seguir foi substituída por quero sair daqui imediatamente!, o que realmente aconteceu.
Talvez esta seja a minha kryptonite. O que vale é que não actua sempre.
Mas voltando ao tema. Muitas vezes ponho-me a sonhar acordado. E, estou certo, como a maior parte das pessoas tenho propensão para destruir metade dos sonhos com um fim alternativo. Um fim destrutivo recorrente é um em que alguém próximo com um mau comentário na altura errada começa a bola de neve que irá destruir a minha aldeiazinha de harmonia.
Talvez tenha lido muitos What if...? da Marvel...

sexta-feira, agosto 11, 2006

A revolta Ocidental

A realidade que eclodiu ontem (10 de Agosto de 2006) em Londres, relativamente ao desmantelamento de um grupo que se preparava para lançar uma onda terrorista sem precedentes através do transporte de explosivos liquídos para os aviões, relembrou-nos mais uma vez uma realidade a que não podemos fugir: O perigo espreita em plena Europa!

Digo em primeiro lugar que sempre fui e serei de Esquerda em termos de ideologia política e social. Como também sou Ateu. Mas, acima de tudo, e ao contrário da maioria das religiões (principalmente as mais representativas em termos de crentes) preservo a vida humana como o valor mais sagrado. Parafraseando o ditado israelita que aparece na Lista de Shindler "quem salva uma vida, salva o mundo inteiro".

Admito que sou racista e xenófobo!! Admito não, digo alto e bom som que sou racista e xenófobo!! Mas, ao contrário do que é habitual, não o sou por olhar para a cor da pele ou proveniência geográfica de uma pessoa!! Não, sou racista e xenófobo perante as ideias e a mentalidade das pessoas!!

E em relação aos muçulmanos, sou inteiramente racista e xenófobo!!

Mais, não acredito naquela teoria que nos querem impingir (principalmente depois do 11 de Setembro) de que existem muçulmanos maus e bons!! Que os atentados terroristas e o fundamentalismo religioso é partilhado por uma infímia minoria. Obviamente que uns têm uma lavagem cerebral mais perfeita do que outros!!

Acredito, principalmente, que só uma pequena minoria tenha a coragem, capacidade e possibilidade de perpetrar os actos horríveis e cobardes que os muçulmanos praticam.

Não acredito na cara do Sheik Munir (líder religioso da comunidade islâmica portuguesa) quando vem à televisão referir com inteiro descaramento que condena os atentados para de seguida tentar dar todas as desculpas possíveis e imagináveis para o sucedido, como se estivesse a afirmar que o problema foi eles terem escolhido os aviões!! Enfim, poderiam ter canalizado a revolta (revolta de quê pergunto eu??) por outras vias!! Se calhar a jogar à sueca com os amigos e de seguida disparar contra a bilha do gás, questiono-me eu??

Chegou a hora de nos revoltarmos!!!

Chegou a hora de não tolerar qualquer manifestação de intolerância por parte dos islâmicos em território Ocidental, de não ficarmos calmos e serenos a observar o rebanho de islâmicos a proclamar palavras de ordem contra o ocidente e incentivando a violência e a "guerra santa", com o argumento de que somos uma sociedade democrática e livre.

Nos casos de incentivo à intolerância por parte dos muçulmanos, deveria aplicar-se pena de prisão imediata e perpétua (se bem que a pena de morte por asfixia depois de terem engolido 4 quilos de carne de porco era o ideal), isto no caso dos islâmicos que são cidadãos dos países ocidentais. Em relação a um cidadão estrangeiro, deveria ser aplicada pena de prisão imediata e, depois de devidamente interrogado para tentar obter o máximo de informações possível sobre a comunidade islâmica, aplicava-se a deportação imediata para o meio do Sahara, e ele que aguardasse que maomé o fosse salvar!!

Chegou a hora de pararmos a proliferação de templos e casas sagradas islãmicas com uma data de imãs sentados a um canto, com aquele aspecto típico de quem não toma banho há 10 anos, a vociferar palavras de ordem contra os ocidentais. Acabemos de imediato com aquelas que se sabem que são um antro de terroristas!!

Os Ocidentais têm que promover uma nova legislação mais abrangente de combate anti-terrorismo. Os islãmicos, têm de ser considerados culpados até prova em contrário, e não aplicar a máxima (correcta diga-se de passagem, em situações normais) de que uma pessoa é inocente até prova em contrário.

E, sinceramente, julgo que um esforço conjunto de todo o mundo ocidental para ocupar em termos militares e civis, os países muçulmanos, não seria mal pensado, como aliás julgo que vai acontecer no futuro.

Porque, ninguém tenha dúvidas, quando a mama do petróleo secar, os islâmicos (principalmente os àrabes, obviamente), não vão sobreviver, habituados que estão a nada fazer e a viverem dos rendimentos do ouro negro (nem que seja uma sobrevivência miníma garantida pelo senhor do petróleo que os deseja ver numa miséria controlada para garantir que a sua ignorância e incultura é sinómino de inexistência de problemas sociais). Bem como os terroristas, desde o jovem de 13 anos que atira pedras na Palestina, até ao adulto residente há 10 anos em Londres que se faz explodir em pleno metro londrino, irão deixar de ter, sem o petróleo, os seus financiadores principais. Esses mesmos que são os altos dirigentes nacionais e prósperos negociadores de petróleo com os ocidentais.

Tambem nisto, muito deveria mudar, e a aposta definitiva nas energias alternativas em substituição total do petróleo, era o passo a tomar (já temos tecnologia para tal, falta apenas o investimento necessário para que ela se torne acessível para todos)

E, caro leitor, antes de me chamar racista e intolerante, faça uma introspecção e verifique se não é exactamente isto que pensa, e o que ouve quotidianamente na rua, no emprego e no círculo familiar e de amigos!!

quarta-feira, agosto 09, 2006

Emprestada-me!

Segundo a minha experiência de (árdua) vida, sei que não se deve falar excitadamente do último objecto que adquirimos. Corremos o risco que possa ser levado por terceiros com uma ou mesmo duas mãos...
Ao longo de mais ou menos 30 anos tenho tido o hábito de emprestar muito facilmente aquilo que me dá prazer, para descobrir um pouco mais tarde que nunca mais (a não ser que o adquira outra vez) sentirei prazer com aquele objecto.
Infelizmente o conceito "emprestar" continua a ser demasiado estranho para, ainda, demasiadas pessoas. Este é geralmente confundido com "dar" e "estás lixado, nunca mais o vês!".
É minha convicção que enquanto este conceito não for apreendido, não conseguiremos chegar ao nível evolutivo exigido (já há muito tempo) pela U.E.

Nota:
Se não descrevo e nomeio o tipo de objectos que menciono, é por duas razões: 1 - Não me quero tornar repetitivo; 2 - Quero dar oportunidade aos homossexuais para mandarem as suas graçolas em relação ao "objecto". Afinal se não fossem eles este blog não teria tanta piada.

segunda-feira, julho 31, 2006

Se esse dia chegar

O dia em que as Igrejas não derem importância à blasfémia e ao vazio crescente de crentes;
O dia em que os Estados não se importarem com os limites das suas fronteiras e o desprezo pelo Hino e a Bandeira;
O dia em que os Cleros vistam calças e promovam o pecado;
O dia em que os Governos sejam governados;
O dia em que o Padre não converta ninguém, especialmente os meninos;
O dia em que o político não tenha poder nem sequer p'ra ...;
Nesse dia apago o blog e retiro tudo o que disse;
Nesse dia calo-me, espero pelo pôr-do-sol e caminho para Oeste a cantar o "I'm a lonnesome cowboy".

sexta-feira, julho 07, 2006

Apertos...

Estou de férias e como não tenho net em casa e estou em casa da minha irmã, que tem - risada gratuita -, aproveito para escrever uma coisita que não me tem saído do pensamento.
Ontem estava eu muito bem a sair do meu prédio quando me deparei com um casal de velhinhos, meus vizinhos, o que me fez sentir uma dualidade de sentimentos: fugir ou cumprimentar. Ainda estava a decidir qual dos movimentos quando - tarde demais! - eles me cumprimentaram alegremente - para onde teriam ido todos aqueles segundos???
Cumprimentei o mais alegremente que consegui. No entanto, com o senhor - que vinha apoiado na sua mulher de um lado e no outro, por uma muleta -, a minha vivacidade e energia no aperto de mão foram um pouco, e sem querer, mal medidas. Isto porque, ao apertar-lhe a mão, senti vários ossos a estalar dentro da minha e a sua fisionomia mudou de uma alegria contida para espanto e logo de seguida um pequeno esgar de dor...
Não preciso dizer que fiquei a matutar no assunto e de alguma forma arrependido pela minha vivacidade tão exagerada no cumprimento.
Normalmente a minha tendência quando provoco estes "acidentes" é a de, primeiro ficar com a consciência pesada e depois começar a imaginar as minhas "vítimas" a discutirem o "problema" André e de como resolvê-lo. Ok! Sou um bocado paranóico.
Se entretanto o senhor aparecer com a mão engessada, aí é que eu vou ficar verdadeiramente envergonhado e martirizar-me-ei durante toda a semana.

sexta-feira, junho 16, 2006

Os peseteros e o patriotismo

Eu não ADORO futebol, mas gosto, moderadamente, de ver os grandes jogos. Infelizmente, os chulos que representam a nossa bandeira obrigam-nos a pagar para assistir a estes eventos, contrariamente ao que acontece no resto da Europa que garante, pelo menos, um canal que emite em sinal aberto TODOS os jogos.
Quem tem TV Cabo já está a par da história do canal M6 (francês) que estava (e está) a emitir a maior parte dos jogos em sinal aberto. Isto até que, por volta do segundo dia de Mundial, a TV Cabo resolveu cortar o sinal deste canal durante os jogos. Agora, em vez do jogo, temos uma mensagem que nos informa que os direitos da emissão do Mundial no nosso país foram adquiridos (?) pela Sport TV.
Estes gajos do futebol são uns autênticos chulos e fascistas: Primeiro vêm com a história da bandeira de Portugal e a merda do patriotismo; e depois vêm com a censura às críticas e opiniões dos nossos jornalistas, em tom de ameaça velada, do tipo: "...ai, se não param de mandar bocas e tecer opiniões negativas sobre os elementos da nossa selecção, eu (ou nós) p'ra próxima também não representamos mais Portugal...e etc e tal"; e finalmente o arrecadar do costume: Futebol=Muito dinheiro mas não é para vocês!
Eu estou-me a cagar para os figos, os costinhas e os ronaldos traquinas! E vou ser sincero, para símbolos do nacionalismo/patriotismo, a nossa bandeira e o nosso hino são do mais feio que há por aí!
Eu não quero ser obrigado a ver só os jogos de Portugal! Eu também quero ver os jogos a sério: Argentina; Brasil; Itália; Holanda; Inglaterra; etc.
Agora começo a perceber o quê que os gajos de Barcelona (barceloneses?) querem dizer com PESETERO!!! Neste caso PESETEROS!!!

quinta-feira, junho 08, 2006

Não és o meu pai!

Caminhamos a passos largos para um regime paternalista e fascista.
Brevemente, quem ousar ir ao banho numa praia com bandeira vermelha correrá o risco de ser multado; Depois, quem se atrever a praticar desportos radicais - daqueles (todos) que são arriscados - será multado; E por fim, quem sequer pensar num acto perigoso, será multado e até, talvez, eliminado.
Consigo compreender que alguém que, inconscientemente, tenha arriscado a vida de outros, deva ser punido por isso; Consigo compreender que devam existir regras associadas a cada actividade, embora não as seguir não deva ser automaticamente razão para uma punição (cada caso é um caso); E consigo compreender que quem passa a linha do aceitável, do razoável, possa ser marginalizado, olhado com suspeição e não recomendado a relações com pessoas "equilibradas".
Não consigo compreender a proibição de se ser estúpido, assim como também não consigo compreender a guerra preventiva.
No final, a opção de saltar do precípicio é minha, voe ou não.

segunda-feira, junho 05, 2006

Há rock sem pio?

Eu fui ao Rock in Rio no dia 2 de Junho e gostei, gostei muito!
Já no dia (noite) 3 de Junho fiquei em casa a dormir. Quero dizer, a tentar dormir. Deitei-me com os batuques do Rock in Rio, ouvem-se perfeitamente na zona onde eu moro, e acordei com os mesmos. Foi uma noite horrível, não consegui dormir quase nada.
Isto é legal???
Já ouvi dizer que os moradores de Chelas foram indemnizados... com bilhetes para o Rock in Rio. Eu não sou morador daquela zona e no entanto não me livrei de passar a noite a ouvir os batuques.
E então a minha indemnização? Coméqueé?
Mas também, que raio de indemnização é esta: Por ser incomodado por este barulho chato, compensamos-o com a possibilidade de ouvir um barulho mais nítido e pujante. Ahn? O que é que diz? É bom, não é?

quinta-feira, junho 01, 2006

Bispos da IURD, para a fogueira!!!

Odeio e desprezo os gajos da IURD! Não os crentes, esses coitados, mas os CHULOS do clero (?).
Quando li este post no Diário Ateísta, imediatamente me lembrei que também passo todos os dias por uma igreja (?) da IURD e o meu sentimento (também) é sempre de ódio. Especialmente se tiver o azar de os sacanas estarem à porta a conversar: todos de fatinho, perfumados e com aquela cara de quem pensa que manipula toda a gente sem ninguém dar por isso - cara de estúpido convencido que é esperto.
Às vezes penso que os crentes só têm aquilo que merecem, mas isso é só a minha revolta a tomar conta. Acho que os coitados são apanhados em momentos de grande vulnerabilidade, isso acrescido do facto de não serem as pessoas mais perspicazes deste planeta...
E não me venham cá com a tanga que a IURD não tem só gente simples no seu rebanho, que também lá estão doutores, engenheiros e advogados. Eu não acredito nessa história por duas razões: os tipos com mais posses e cultura, a pertencer a alguma religião, pertencem àquelas com mais classe e que lhes proporcionem um nível menos óbvio de chulice; e também porque estes tipos (na sua maioria) se recusaria a conviver com a população comum.
Não é segredo nenhum que sou ateu, mas o facto de odiar a IURD não tem nada a haver com crenças mas sim com o mercantilismo da fé das pessoas. Para quem não sabe, o "rebanho" da IURD é "levado" a pagar o dízimo em troca de um lugar no céu, ou favores (cunhas) de Deus. Se duvidam, quando passarem por uma igreja da IURD e estiver na hora da missa (nem precisam de entrar para verificar, é só ouvir as cantorias e os berros) façam o favor de observar os parques de estacionamento mais próximos e verifiquem o ajuntamento anormal de automóveis de luxo. Não, não são dos crentes.
Que se lixe a festa do Euro ou do Mundial, a minha festa favorita seria a da aniquilação total da IURD!

sexta-feira, maio 26, 2006

Rock in... Rio?

Hoje já enganei quatro brasileiros sem querer.
Perguntaram-me onde é que ficava o Rock in Rio, e eu que vinha tão distraído a pensar nos X-Men 3, e a sua exibição no Alvaláxia, indiquei-lhes o caminho para o Estádio de Alvalade. Só quando cheguei a casa é que percebi o que tinha feito...desgraçados!
Por esta altura devem estar a rogar-me pragas e a questionarem-se, como eu, que raio faz o Rock in Rio em Lisboa e porquê que não mudaram o nome.

quarta-feira, maio 24, 2006

Moro num lar da terceira idade!

O problema em morar num prédio recheado de velhos é que de vez em quando tenho que ajudá-los a fazer alguma coisa. E nunca são coisas simples e que demoram pouco tempo...
Ultimamente ando fugido de uma vizinha, senhora já nos seus setentas - novinha, portanto! -, que está lesionada na perna, o que a impede de subir as escadas com facilidade. Ora, outro dia, para grande azar meu, não só os elevadores avariaram como tive o azar de a encontrar à porta do prédio. Ou seja, tive que a puxar tipo carroça, pela canadiana, até ao segundo andar. Ainda considerei levá-la ao colo, não por generosidade ou altruísmo mas para despachá-la mais depressa, mas depois olhei bem para o seu porte, comparei-o com o meu e essa ideia rapidamente se tornou absurda. Depois de despachada e entregue, rapidamente desci as escadas para sair do prédio (finalmente!). Azar meu, no rés-do-chão outra velha olhava desesperada para as luzes do elevador que não acendiam; quando me viu, uma luzinha acendeu-se nos seus olhos - palavra que parecia o Terminator - Esta morava no sexto andar.
De vez em quando, a minha vizinha, a tal da lesão, toca-me à porta e pede-me para mudar a lâmpada das escadas. Seria menos mal se não fosse a minha inaptidão para esse tipo de trabalhos e o encaixe ser de difícil acesso. Outras vezes é para lhe solucionar qualquer problema eléctrico, relembro que sou um incompetente nesta área.
Depois há os velhos que só querem conversa. Os assuntos raiam sempre a sua (deles) resistência ao tempo e o seu vigor apesar da idade. De vez em quando morre um e eu fico surpreendido...! Ultimamente tem havido um que está sempre a mencionar que toma banho de água gelada e que a juventude não sabe o que é o sacríficio. Ah! E que o nosso país está uma bela merda! Eu diria que este tipo está a pedi-las.
Os velhos que me irritam mais são os que estão sempre à janela, ou que vão lá espreitar assim que ouvem um barulhito qualquer do tipo eu a chegar às duas da manhã. Depois, no dia seguinte, veem-me entregar o relatório: "o menino chegou tarde!!!" ou, "o menino chegou com duas super-top models, e tarde". Ok! Esta última não é verdade. Mas irrita-me que estejam sempre de olho no que faço e a que horas chego e depois façam questão de me informar que sabem tudo!
Tentei treinar o meu cão a reconhecer velhos e a atacar, mas eles foram mais espertos e quando o vêem dão-lhe doces iguarias e promessas de mais ossos. O meu cão foi comprado pelos velhos! Traidor!!!

segunda-feira, maio 22, 2006

MÁS condutoras!

Novamente, quase fui atropelado.
Desta vez estava a atravessar a passadeira, o sinal verde para os peões estava aceso. Ía a meio da estrada quando vejo um automóvel a vir na minha direcção, só tive tempo de duas rápidas passadas para trás - foi por pouco! - Ainda fiquei com os braços abertos e no rosto uma forte indignação, mas de nada adiantou porque o veículo nunca parou, nem sequer travou.
Claro, a minha curiosidade, que não é diferente da de ninguém, levou-me a olhar para o condutor. Não foi surpresa nenhuma quando constatei que era uma condutora...
Vou ver se não me esqueço de contar quantos são os e as piores condutores de Portugal - aquele programa novo -, gostava de saber para x condutores maus, quantas condutoras há?
Chamem-me machista à vontade, mas ao menos com este preconceito sempre presente, lá me vou safando destas loucas perigosas.

sexta-feira, maio 12, 2006

Os momentos não se repetem

A pior coisa que posso fazer quando algo rotineiro se torna agradável, é antecipar, daí em diante, que o aborrecido se transformará em interessante. Nunca acontece!
Mas como "a esperança é a última a morrer", aquilo que me aborrecia de morte súbitamente ganha um potencial valor acrescido de felicidade.
Por experiência sei que o raro é realmente raro. E o que acontece uma vez de bom, acontece todas as vezes de mau.
O que é irritante é que a partir do momento que passo por uma singularidade destas, começo a procurar sinais e parâmetros que em determinada conjunção podem-me proporcionar mais belos e agradáveis eventos. Esqueço-me sempre que a singularidade é singular...
Chego a um ponto em que a maior parte das secas por que tenho que passar já foram, por uma vez, muito agradáveis. E das duas, uma: ou tento constantemente repetir a experiência, seca após seca; ou desisto logo a seguir à singularidade, com a perspectiva de que nunca mais se repetirá, bem presente.

A vida é feita de momentos encerrados na rotina
A rotina é a totalidade da vida mais os momentos
Os momentos fogem à rotina sendo parte dela
E tudo isto não rima, sou um poeta contemporâneo
E para ficar melhor ainda, deixo o poema acabar ímpar e longo

quinta-feira, maio 04, 2006

Malditos não-apreciadores de música alta!

Eu gosto muito de ouvir música "alta". Comigo o volume está sempre acima!
Mas, claro, conheço algumas pessoas que não podem ouvir o som celestial da música. Quando estas pessoas me fazem o favor de tolerar o "som" que ouço, emitem continuamente sinais da sua irritação: são os 'nts!' ou 'ts', são os movimentos contínuos e espasmódicos, são os tiques e as célebres sentenças - estou a ficar com dor de cabeça!
Quando me vejo na companhia de uma semi-colcheia destas, não só perco a vontade de ouvir música, como fico angustiado e stressado também. A partir do momento que ouço um 'ts' perco logo a concentração e o prazer.
Normalmente, deixo ficar a música no volume em que estava: Posso ficar todo stressado, mas levo o semi-tom ao suicídio; Posso não ouvir nada, mas o solfejo afónico vai à loucura!; Posso ficar angustiado, mas o maricas do dórémi tornar-se-á epiléctico e com graves crises de asma (sem qualquer insulto aos que já o são e gostam de música).
Música, só em casa, com companhia apropriada ou sozinho.

quarta-feira, maio 03, 2006

Gases, tosse e cegueira histérica

Desde que li em algum sítio que uma das coisas a fazer quando se está a ter um ataque cardíaco é tossir, para obrigar o coração a bombar, bem... desde essa altura que tenho tossido mais que o normal.
Há quem me chame de , mas eu não creio que o seja porque não tenho a mania dos medicamentos. Agora se me chamarem de sugestionável, já estarão mais perto da verdade.
Lembro-me que quando era puto, bastava ver um documentário sobre um "mal" qualquer, ou mesmo ouvir a descrição de alguma doença e era o suficiente para daí em diante eu começar a imaginar os sintomas e diagnosticar imediatamente o meu fim próximo.
Houve uma altura em que todas as quartas-feiras das 15h00 às 15h30, exactamente, ficava sem ver do olho direito - O que me deixava muito assustado! - Nunca percebi o que era, mas agora, que me conheço melhor, calculo que tenha sido sugestão de algum episódio da Casa do Terror.
Já mais velho, adolescente, sentia frequentemente fortes pressões no peito. Imediatamente lançava o polegar ao pulso. Acontece que em certas alturas as batidas do meu coração ou eram muito espaçadas ou quase não se sentiam, o que me levava a pensar que estava morto e ainda não tinha percebido, ou que estava prestes a...
Hoje em dia sei que todas essas pressões que sentia e continuo a sentir de vez em quando no peito, não passam de gases. De qualquer maneira vou continuando a tossir, não vá o Diabo tecê-las.

sexta-feira, abril 28, 2006

Aos trinta, a decadência!

À medida que os anos vão passando, eu vou precisando de cada vez mais manutenção. Ainda (?) só tenho trinta e seis anitos e já sofro...
Quando tinha vinte e oito anos uma prima disse-me que quando chegasse aos trinta é que ia começar a notar a decadência física a instalar-se, ou melhor, o corpo a envelhecer. Eu olhei para ela em descrença e fiz-lhe notar que ainda estava são que nem uma banana...digo, pera.
Apesar de fumar (sim, voltei a fumar) e de beber, sou um tipo moderado. Um maço de tabaco dá-me para dois dias, e álcool é raro tocar-lhe. Também sempre pratiquei desporto, agora também nisso sou moderado.
O que eu quero dizer é que tenho sido mais ou menos saudável, mas mesmo assim isso não impediu os de se começarem a instalar.
Quando cheguei aos trinta já não me lembrava da conversa que tinha tido com a minha prima até que... comecei a perder cabelo - estava a ficar ! -, e não havia nada a fazer; Depois descobri que tinha . Muito ligeira, mas tenho-a! De vez em quando, à noite, tenho que aplicar e de dia um hidratante: um aborrecimento!; Mais tarde descobri que os meus adorados sapatos de vela estavam, após vários anos a utilizar sempre o mesmo tipo de calçado, a "gastar" os meus calcantes. Agora tenho dois , do género duro, que tenho que raspar frequentemente. À noite dou-lhes com indiano e de dia com hidratante: É uma chatice!; Perco muito mais tonicidade muscular e acumulo muito mais gordura. O que me obrigaria, se tivesse pachorra, a fazer mais desporto: Não me apetece!
Agora que recordo o que a minha prima me disse, mal posso esperar para passar essa informação (útil) à próxima pessoa, nos seus vintes, que me aparecer toda contentinha da vida...
Sou sádico? Ah pois sou!!!

quarta-feira, abril 26, 2006

A história de um peão

Como peão, atravesso várias vezes as estradas fora das passadeiras indicadas para mim. Mas quando o faço é com "total" segurança. Antes de atravessar procedo a complexos cálculos que envolvem a velocidade dos automóveis, a minha velocidade, a força do vento e a ausência de mulheres condutoras num horizonte aceitável.
Quando começo a atravessar a estrada, espero que tudo corra pelo melhor, ou seja, que ninguém me passe a ferro, que não surja nenhuma mulher a conduzir e, sobretudo, que nenhum automóvel hesite ou mude a sua velocidade quando me vê: é a pior coisa que podem fazer a um peão! - Se eu já vou com os meu cálculos de velocidade de todos os veículos, e se um começa a abrandar, estraga-me os planos todos, fico desorientado...
Detesto que me cedam passagem ou que hesitem. Atrapalham-me!

sexta-feira, abril 21, 2006

Disfarça pá!!!

Porquê que sempre que tento falar com alguém, com um tom de voz subtilmente baixo, invariavelmente me respondem com um grito - O QUÊ?!
Seria de esperar que entendessem que o tom é propositado e pede uma resposta ao mesmo nível de décibeis.
A minha reacção seguinte é realçar ainda mais o tom da minha voz, e ao mesmo tempo, com as duas mãos, faço o sinal de aterragem. Às vezes também costumo abrir muito os olhos... Normalmente os histéricos percebem mais ou menos os sinais, mas se for um histérico crónico estou bem arranjado. Quais sinais! Quais tom de voz! Quais carapuça! Nada resulta.
O passo seguinte, nestas circunstâncias, é envergonhar este histérico - Olha, amor! Logo à noite não te esqueças dos preservativos. Está bem??? - o que normalmente resulta... e tem sempre piada.
Eu desconfio que os histéricos o são nestas alturas de propósito só para me obrigarem a gritar aos quatro ventos o corte de casaca que estava prestes a murmurar. Mas estes gajos são uns santinhos!?
Já descobri um truque porreiro para que os animais não me respondam com um berro: chamo o energúmeno à parte, abanando uma nota de cinco euros (sem qualquer intenção de a dar) e fazendo o sinal universal de silêncio - E resulta? Se resulta!!!

quarta-feira, abril 19, 2006

Posts de espetada

É verdade que sou, muitas vezes, precipitado nas minhas acções; também é verdade que no âmago da minha revolta está sempre presente uma vontade incontrolável de me rir. É um sentimento que eu só posso tentar transmitir como uma mistura de fúria, espanto e enorme gozo. Muitas diriam: uma enorme moca!
Como o excesso e o humor comandam a minha vida, este blog também é um reflexo disso. E por isso resolvi escrever este post para tentar explicar que as contradições, os exageros, as piadas de mau gosto, a superficialidade dos temas, enfim, todos os pequenos acepipes que dão sabor a ser humano, e que eu tento passar para aqui, fazem parte natural da minha maneira de ser.
Tudo isto eu pensava já estar implícito, de uma forma subtil, neste blog, mas afinal parece que não... paciência!
Se me dou ao trabalho de tentar justificar o que sou/escrevo, e é a última vez que o faço, é porque acho que devo isso às minhas vítimas: Vítimas, minhas pequenas criaturinhas, peço-vos paciência. Sei que no futuro darei pauladas com mais delicadeza, mas preciso ainda de ganhar prática. Entretanto as vossas cabecinhas são minhas!

Revoltas cordiais do sempre vosso
Espancador

terça-feira, abril 18, 2006

Os insultos da Bertrand

Em resposta à campanha publicitária feita pela (enviada por e-mail), cujo formato é um questionário, no site da Bertrand, com perguntas do estilo "Trivial Pursuit", resolvi enviar o seguinte e-mail aberto.

E-mail aberto:

Exmos Senhores,

Fiz o vosso teste (http://www.leitorbertrand.pt/dia_do_livro/index.html) e obtive duas respostas certas. E a acompanhar o resultado vem o seguinte comentário: "Quem não lê não tem muito que falar". Obviamente que este comentário não é para se levar muito a sério dado o teor das perguntas, mas por outro lado, se não é sério também não tem propriedade.
A minha primeira impressão foi de espanto: Porquê uma campanha tão agressiva dirigida aos clientes? Não seria esta melhor orientada noutra direcção, como por exemplo para os não-clientes?
Acho que o vosso anúncio é infeliz, redutor, odiosamente mercantilista e insultuoso.

Com os melhores cumprimentos,
Um dos vossos clientes ignorantes

André Cardoso


Não sei se estou a ser demasiado sensível, mas o comentário no final do questionário não me agradou nem um bocadinho. Convido a todos a fazer a experiência.