sexta-feira, novembro 21, 2008

André ao poder

Ganhei as primeiras eleições em que me envolvi - por larga maioria!!!
Ainda não sei quais são as funções do cargo, exactamente, mas não consigo parar de sonhar nos meus próximos passos num grande Ministério, ou mesmo na Assembleia da República; e quando me reformar, vejo-me num retiro de cinco anos em Belém, a lixar, por gozo, todas as leis que me aborreçam.
Cometi o erro de contar a uma colega minha o meu feito e os meus futuros planos; ela diz-me que devo ser mais modesto, que tenho a mania...
Claro que respondi-lhe à letra. Disse-lhe que quando for eleito para algo importante e com poder, aumento os impostos só a ela; e se ela continuar a refilar, tiro um ano só para lhe fazer a vida negra: um dia aumento-lhe a bica, outro a gasolina, outro ainda, faço chover-lhe em cima, etc, etc, etc.
A verdade é que não sou modesto, e detesto a modéstia. Quem quiser ser modesto que o seja, não obrigue é os outros a sê-lo também. 
- Parece mal! Parece mal! - O que parece mal é não sabermos avaliar-mo-nos! Lá fora (de Portugal) os modestos são palermas.
A minha honestidade palerma obriga-me a contar o que disse a minha outra colega ao ouvir a minha aventura nas urnas. Com mais humor, talvez demasiado, ela começou logo a imaginar o que tinha sucedido na escolha de um candidato.
- Quem quer ser candidato?
- Eu! Eu! - respondi.
- Alguém quer ser candidato?
- Eu! Eu! - já a berrar.
- Parece que ninguém quer ser candidato!?
- Eeeeeeeuuuuuuuu!!!!!
- Sendo assim, vamos tirar à sorte.
- ...

Tem piada a miúda! Se calhar também lhe aumento os impostos daqui a uns tempos.

André! André! André! André! André! 

quinta-feira, novembro 20, 2008

Meus amigos

Hoje o Fódss teve um sonho muito estranho.
Sonhou que, em viagem pela costa portuguesa, passava pela mesma igreja repetidas vezes; sempre a mesma igreja, e de cada vez que a visitava levava um amigo diferente; a mulher do Fódss, que o acompanhava nessa viagem, também levava amigas de vez em quando.
Dentro da igreja aconteciam coisas estranhas...
Quando entravam nesta igreja, entravam com a curiosidade de um turista ainda fresco, nos primeiros dias de passeio; no entanto, algo na cabeça do Fódss lhe dizia que a viagem já se prolongava há muito tempo.
Era quando o Fódss ou a mulher deixavam o amigo deambular pelos anexos desta igreja sozinho que tudo acontecia.
Num instante, quando perdido da vista do casal, desaparecia para nunca mais aparecer. Por esta altura o Fódss lembrava-se de todos os outros amigos que tinham desaparecido nas mesmas circunstâncias.
A última parte do sonho, diz-me o Fódss, foi rápida e apaziguadora; no entanto, depois de acordar e raciocinar sobre o que acontecera na realidade, não conseguiu suster um berrozinho ao mesmo tempo que olhava para o despertador e percebia que tinha adormecido.
Em corrida para a casa-de-banho começou a pensar na última parte do sonho. Foi ao dar um peido monumental que percebeu a alegoria do que tinha sonhado: sorriu com a sua estupidez.
Uma vida inteira de excesso de filmes e banda desenhada levam o Fódss a viver (sonhar, comer, cagar, foder, falar) de uma forma "muito" épica - digna de ser representada por um qualquer artista.
O sonho acaba com o Fódss a dirigir-se ao anexo que já lhe roubara meia dúzia de amigos para o inspeccionar; de repente acorda na cozinha da avó, e lá estavam alguns dos amigos a preparar uns petiscos alegremente. O Fódss pensou: ou sonhei, ou desta vez desapareci eu. De qualquer maneira estava-se bem ali, e ele não se importou.
O Fódss, já acordado, continuou a pensar no sonho enquanto corria para a camioneta; chegou a uma conclusão estarrecedora e, ao mesmo tempo, simples: o sonho de amigos a desaparecer só podia significar uma coisa, ...

TRIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

quarta-feira, outubro 08, 2008

Ganda javarda!

Quando fui ao bar com a minha colega tomar café há uns dias atrás, como fazemos sempre às três da tarde, ela resolveu pedir uma tosta mista sem queijo - coisa que ainda não percebo como funciona.
Enquanto tomávamos café e esperávamos a tosta, ela, sempre observadora, como de resto são as mulheres, notou que a tosta não estava a ser esmagada numa tostadeira, mas antes a ser aquecida num forno eléctrico. Conversamos sobre isso e ficamos na dúvida se este processo de transformação gastronómico também poderia conferir o título de "tosta" ou, em vez disso, de "pão aquecido".
Quando a minha colega foi aceitar a tosta ao balcão não conseguiu resistir em debater com a empregada do bar sobre o paradeiro da tostadeira. A senhora, depois de explicar onde o precioso objecto se encontrava, acrescentou muito alegremente que não se preocupasse, pois tinha feito o trabalho da tostadeira:

- Pus-lhe as minhas mão em cima, com luvas, com luvas, está a ver, e com a ajuda do meu peso - ela é de facto rechonchuda - esmigalhei bem a tosta. Está a ver, nem se nota a diferença, parece mesmo feita na tostadeira...

Eu desatei a rir histericamente para grande surpresa da senhora atrás do balcão. E o meu riso tinha tantos sentidos: o nojo da situação, a honestidade idiota da senhora, a visualização desta senhora em cima do outrora pão aquecido da minha colega, enfim.
Esta senhora já é conhecida, por mim pelo menos, por dizer as coisas mais desadequadas nas alturas mais erradas. Eu rio-me sempre dela, mas acho que ela pensa que eu sou simpático porque lhe acho graça.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Gabriela eu...

Saiu-me na rifa uma mulher que gosta de futebol e de caracóis. Não consigo evitar sentir, ocasionalmente, uma crescente feminilidade em mim. Quando dá o Benfica e estou a lavar a louça, se a mulher berra com o árbitro ou manda o Nuno Gomes correr, eu encolho-me, na cozinha, trémulo.
Não detesto futebol, só não gosto muito; já os caracóis, desprezo-os!
Quando almoçamos na casa dos meus sogros, quase todos bebem vinho. Eu fico-me sempre pela minha bebida favorita: água.
Entre a conversa de futebol e um copo de tintol, pai e filha desentendem-se alegremente. Quanto a mim, vou ouvindo atentamente as recomendações domésticas da minha sogra bem como a descrição detalhada da receita da refeição que devoro sem muita vontade - sempre comi pouco para grande desconfiança de quem come muito; dizem-me que "quem não é para comer, não é para trabalhar", coisa que nunca percebi pois independentemente da "tonelagem" de trabalho sempre comi pouco, a única coisa que me abre o apetite é a maresia.
Enquanto a minha sogra me "educa" nas artes domésticas eu vou-me lembrando que tenho de cortar as unhas e hidratar a pele...
Suspiro muitas vezes quando lavo ou aspiro o chão; dou por mim a emocionar-me com cãezinhos e anúncios ternurentos; You've got mailSleepless in Seattle sobem todos os dias na minha consideração, e When Harry met Sally parece-me cada vez mais misógino (engraçado, nunca tinha utilizado esta palavra, e tenho a impressão que nem sequer sabia da sua existência...); ainda renuncio ao Sexo e a Cidade, mas penso que não por muito tempo; os meus pensamentos, outrora pragmáticos e pornográficos, agora estão impregnados de listas de compras de supermercado, datas comemorativas e contos de fadas.
A transformação é iminente: ou estou a tornar-me numa mulher doméstica, ou num homem domesticado.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Água para tolos

Como eu trabalho na área da água há já alguns anos, sei perfeitamente que a água da "torneira" é tão boa ou melhor que a engarrafada; e é por essa razão que bebo sempre, descomplexadamente, directamente da nossa querida EPAL.
Este vídeo é para os tolos que ainda pensam que a água da torneira é uma merda. E independentemente de existirem algumas diferenças entre a realidade americana e a portuguesa, dois factos são incontornáveis: a água pública é sujeita a uma quantidade enorme de testes num espaço de tempo que a engarrafada não é; e os parâmetros de "pureza" da água canalizada são rigorosamente cumpridos.


quarta-feira, agosto 27, 2008

Silêncio, eu extermino-te!

Desprezo a malta crescidinha que, nos transportes públicos, insiste em colocar os seu gadgets com mp3 num volume audível. Os putos eu percebo, eu fazia o mesmo quando o era, agora os adultos...
Mas porque raio é que sou obrigado a ouvir a música de merda das suas playlists de nojo? Eu quero ir sossegado a ler ou a pensar, e não consigo.
Já agora, também não gosto, embora aqui seja obrigado a aceitar, as discussões acaloradas e num tom elevado.
Dá-me vontade de dizer a estes gajos: Silence I'll Kill You!!!

A nomenclatura da irmã do Gino

O meu novo amigo, gino o lojista, diz-me que acha ridículo esta mania de dar nomes de gerações anteriores aos putos, nomes cuja verbalização exige sempre uma inflexão anasalada "venha cá Tomás", "Esteja quieto Martim", "Oh Afonso, plamordedeus, pare!", "Duarte e Lourenço parem de se oscular dessa maneira!", "Salvador, saia da picina e vá à garage chamar o caseiro", etc, etc, etc.
Este meu amigo vai ser pai, soube-o há pouco tempo; e, como é normal, já anda a escolher nomes. No entanto, a irmã do gino é uma espécie de catatua com pózinhos de tia d'ávenida de roma, e com a mania que é nova-rica - paradoxos do novo milénio. Ela tem, continuadamente, irritado o meu amigo com as suas tentativas de imposição do seu - diz ela - bom gosto. O gino, homem de grande personalidade, não se deixa influenciar pela sua siebling, antes mostra-lhe que não só os gostos não se discutem, como o seu gosto (dele) é de uma qualidade simples e, por isso mesmo, irredutível.
Eu concordo com o meu amigo que a irmã dele é uma chata.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Azedume suficiente para criticar

Eu gostava muito de ser crítico de cinema; juntava duas das coisas que mais gosto de fazer: ver filmes e escrever.
Infelizmente, acho que nunca poderei ser um bom crítico...
Se tento aplicar algum espírito crítico em quase tudo, quando vejo um filme essa característica desaparece parcialmente do meu cérebro para dar lugar a uma estonteante e infantil baba de gozo. Não vou dizer que todos os filmes me agradam, mas uma grande parte, hoje em dia, é bom nalgum aspecto.
Se calhar também ajuda o facto de eu só ver os filmes melhor produzidos, se calhar...
De qualquer maneira, um filme tem sempre algum aspecto técnico bem feito, e como um filme não é feito apenas por uma pessoa, e, definitivamente, a visão do realizador não é hermética, antes, é inundada por toda a criatividade da equipa técnica, não consigo obrigar-me a julgar um filme na sua totalidade; o que eu faço é pesar a quantidade de input de boa qualidade criativa e, de um modo algo distorcido pela minha infantilidade, tirar daí alguma média intuítiva.
Então, tristemente, não consigo sovar como deve ser os filmes que divertem apenas porque poderiam ser muito melhores. Consigo discernir quais os aspectos positivos desses mesmos filmes, mas os negativos relego-os para o meu caixote «não vou estragar esta sensação boa!».
Obviamente, consigo perceber o que está errado e, se fosse masoquista, até conseguia falar (escrever) sobre isso, mas é um exercício demasiado árduo para a minha emoção de fundo que tem sido positiva.
Posso dar um exemplo de um filme, cuja história é rídicula, mas que me divertiu e deu-me vontade de sair da sala aos tiros e às cambalhotas (sim, tenho 38 anos!); esse filme é o Wanted, e a sua história muito rídicula e disparatada, mas a acção do filme e os efeitos especiais divertiram-me. A criatividade aplicada neste filme pela respectiva equipa técnica é evidente, e sei que o realizador é muito bom e original.
Nunca serei um bom crítico, não tenho azedume suficiente, se algum...

terça-feira, julho 22, 2008

Sinais sentidos no acontecimento

O surreal está a voltar à minha vida aos poucos e poucos; são pequenos sinais no dia-a-dia que me levam a pensar assim.
Não poderia ter começado noutro sítio que não na casa-de-banho...
Depois de o depósito de toner (da fotocopiadora) ter enchido outra vez, comigo, lá tive que ir eu outra vez para o martírio, por outras palavras, calha a quem apanha este depósito cheio, esvaziá-lo - sim, eu sei que devemos comprar um novo, mas quem é que o faz? - Depois de o esvaziar tive que ir lavar as mãos emporcalhadas de toner. Ao percorrer o corredor para me dirigir para a casa-de-banho, porque este é comprido, consigo sempre ver se mais alguém vai lá também, e ainda tenho tempo de rogar pragas se isso acontecer - detesto companhia no John Lu.
Como não podia deixar de ser, não só observei que ia ter companhia, como também seria daqueles gajos chatos que nunca se calam...nem quando esforçam o esfíncter!
Como eu só ia lavar as mãos não me preocupei muito.
Cheguei lá, estava o gajo a lavar as mãos - mais um que precisa de lavar as mãos para agarrar a pila - Como se não bastasse ter lavado as mãos ainda foi buscar um bocado de papel higiénico que levou para o mijatório: das duas uma, ou não confiou na sua própria destreza na lavagem das mãos e levou a paranóia um passo mais à frente utilizando o papel para segurar a pila, ou era para apanhar a humidade final.

FIM

Para aqueles que se estão a perguntar onde é que está o surrealismo da situação, evitem contactar-me.

sexta-feira, julho 04, 2008

Um dia feliz para o Fódss

O Fódss telefonou-me hoje todo contente para me informar que, pela primeira vez na vida, fez um Espermograma. Aparentemente, ele e a mulher andam a tentar procriar (ou pelo menos fazem questão disso nos tempos mais próximos).
Como o Fódss é muito minucioso no relato das suas histórias - deve ser para ver se eu percebo; há quem diga que tenho compreensão lenta... -, pus-me numa posição mais confortável, mas como já estava sentado, cheguei as nádegas um tudo nada para a esquerda até largar um pum "involuntário" - sinal de conforto e, ao mesmo tempo, barreira técnica do senta-senta.
O meu amigo começou por me dizer que esta foi a melhor experiência que teve numa clínica, e que, independentemente do suspense que é esperar pelos resultados, está mais curioso em procurar na Internet aquele filme e revista que lhe foram emprestados por alguns minutos.
Acho que a mulher do Fódss não partilha do mesmo sentido de humor cáustico, por isso, foi com enorme satisfação que ele me disse que quase pôs a mulher histérica de riso no meio da sala de espera da clínica. Mais excitado do que um cão no cio (cinco dias a pão e água fazem isso a um homem), começou a mandar silenciosas bordoadas teóricas, no ouvido da mulher, sobre as salas de espera e a sua (dele) "qualidade" de paciente: "Centro de Punhetas PING chama-se Sr. Fódss à sala 24, Sr. Fódss à sala 24!", "A.Q.T. Fódss à sala de píveas, Fódss á sala de píveas", "Sr. Fódss!? Onde está o Sr. Fódss? Ah! aí está o senhor. Estamos fartos de chamá-lo! Não nos ouviu? Ai o Sr. Fódss! assim vai levar com as revistas mais coladas como castigo! Está preparado para a sua punhetazita? - De bacalhau? - O Sr. Fódss é um brincalhão".
Felizmente, este castigo de piadas infantis acabou depressa para a mulher, porque, para grande alegria de ambos, chamaram-no (para uma sala normal).
A enfermeira nem era muito simpática, nem nada atraente. Deu-lhe o copo; orientou-o para a salinha e saiu... O Fódss ficou no meio da sala, sozinho!
Encostado a uma parede, um ecrã LCD (sem marcas visíveis de dedos gordurosos), no lado oposto, um sofá confortável (sem marcas visíveis de rabos oleosos), ao lado esquerdo do sofá, uma mesinha com uma revista Private e dois controlos remotos (para o DVD e a TV, e sem marcas visíveis de super-cola Cisne) dos mais complicados que o Fódss já alguma vez tinha visto. Não desanimou e começou a passar as páginas da revista; mas ele queria acção e começou a carregar nos botões dos controlos violentamente. Passados cinco minutos, o engenho, aguçado pelo apetite, venceu os dois controlos.
Antes de começar, disse-me, procurou por mais filmes - nada! Só havia um! Que rica escolha... Resolveu entremear o filme com uma ou duas páginas da revista: duas batidas, uma página, 25 frames, 5 batidas, duas páginas, 100 frames em slow motion, e pimba, por aí em diante.
Ía a velocidade de cruzeiro quando começou a ouvir vozes lá fora, e pensou: se conseguia ouvir o exterior, então, raios!, também o conseguiam ouvir - a ele e aos gemidos da TV!!! -, mas resolveu não ligar muita importância. Estava onde estava, e as enfermeiras já deviam estar habituadas; se calhar até tinham um nome carinhoso para cada rugido que ouvissem mais fora do normal: o Leão, o mosquito, o cagão das punhetas, o ANIMAL, a Miss Piggy, enfim; ele podia ser o Tarzan, para isso começou a arfar com mais força, mas aquilo soou-lhe muito simiesco e, antes que fosse apelidado de o Gorila, parou.
Quinze minutos foi o tempo que o Fódss precisou. Se não estivesse tão aflito, demoraria mais tempo - parece que ele gosta de ver os filmes com mais rigor; diz-me que é por ser cinéfilo, mas eu não acredito.
De qualquer maneira, e depois disto tudo, parece que o Fódss está contente e aliviado. E, agora, com melhor impressão das clínicas portuguesas.

sexta-feira, junho 20, 2008

Esmurradoras de pénis

O exterior, quando preenchido com inúmeras pessoas, é uma fobia para mim.
Não, já não sofro de agorafobia; o meu grande receio é apanhar com uma destas esmurradoras (que andam por aí) pela frente.
É interessante verificar que, ao contrário dos malabaristas, estas lançadoras de basebol não precisam dos braços quietos, e abertos, para se equilibrarem, isto, apesar das agulhas onde assentam os seus pés; no entanto, deve-se verificar este fenómeno sempre de uma posição segura.
Infelizmente, porque tenho que andar de transportes públicos, preciso penetrar a confusão. Por causa disto, tenho desenvolvido reflexos e agilidade capazes de fazer inveja ao homem-aranha; não é fácil fugir das esmurradoras!
Elas andam com remos no tronco, ao invés de braços; precisam de os movimentar com força de maneira a ganharem impulso no andamento; e, como todos os peixes sabem, não se deve ficar na rota de um destes botes, ou leva-se com um remo na tola. Já nós, os humanos, dado o movimento destas mulheres da atlântida ser ligeiramente diferente daquele que massacra tolas de peixe, temos que ficar (sempre) atentos, e resguardar, gentilmente, os nossos pénis.

quarta-feira, junho 11, 2008

Eu vou e tu vais comigo, senão...

Eu não estou contente com a minha vida, por isso vou manifestar a minha opinião e vou convencer todos que não estejam bem com a vida a manifestarem-se também; aqueles que não quiserem manifestar o seu descontentamento, terão que ficar em casa; não irei permitir que trabalhem ou integrem as "normais" funções sociais, caso contrário levarão porrada!!!
Eis, sucinta e metaforicamente, o problema com que nos deparamos, constantemente, sempre que uma determinada classe operária quer fazer uma greve.
Não sei se os camionistas têm razão, nem quero saber; o que a mim me importa são os direitos fundamentais do cidadão. Manifestem-se à vontade e reivindiquem o que quiserem, agora, não têm é o direito de obrigar todos os outros a partilhar do mesmo ponto de vista e, consequentemente, de seguir a mesma linha de acção.
E não parecem tão generosos quando "permitem" que as cargas hospitalares, de gado ou de ração possam continuar o seu percurso? Mas quem são estes gajos para permitir alguma coisa??? Isto só demonstra duas coisas: a herança, ainda presente, do fascismo do quero, posso e mando; e a brutal ignorância do facto de que tudo está interligado.
Alguém devia fazer um levantamento estatístico destas greves; quase que aposto que calham sempre em tempo de campeonatos de futebol...

segunda-feira, maio 19, 2008

Descascador automático

Embora eu já me descasque quase todo neste blog, a moimeme ofereceu-me a oportunidade de me descascar um bocadinho mais; por isso, cá vão mais umas pelitas:

Muita bom!
Sou de facto muito bom em muita coisa...
Tenho um ego do tamanho...grande!; acho a humildade muito aborrecida e faço questão de promover as minhas qualidades sempre que posso - irritando muita gente.
Claro que sou muito mau em muitas mais coisas, mas essas não interessam para nada. Aliás, se existisse céu e tivessem o descaramento de me pararem à entrada para fazer o balanço das minhas qualidades versus defeitos, mandava-os logo dar uma curva e ia para onde me apreciassem e fizesse mais calor.

Preguiçoso
E é tão bom a ronha.

Aventureiro
Sempre que durmo, sonho com grandes aventuras; o melhor é que não me canso muito, nem me aleijo. No entanto, quando estou acordado, adoro maratonas intensivas debaixo de 40º C, e atirar-me de aviões de forma aleatória.

Curioso
Não resisto a um buraco de fechadura.

Puto irritante!
É o que a minha sobrinha e o João me chamam. Não sei porquê!

Sonhador
A minha actividade favorita. Muito útil nos transportes públicos.

Passo agora este descascador automático para: pipoquinha, bocas amargas e trenguinha.
Prontes!

terça-feira, maio 13, 2008

Um pijama à homem!

Os sogros do Fódss compraram-lhe um pijama.

O meu amigo explicou à mulher que os dois pijamas que possui são mais do que suficientes para os próximos anos; a mulher não concordou com ele e justificou que os pijamas não são apresentáveis o suficiente, caso tenham visitas de manhã, e, além disso, são de inverno; O meu amigo disse-lhe que no Verão dorme só de cuecas; a mulher disse-lhe que isso é inaceitável, e que as (potenciais) visitas não iriam gostar de o ver desnudado pela casa; o meu amigo disse-lhe - farto da conversa - que comprasse o que quisesse, e que até vestiria pijama ás florzinhas para ela se calar com a história das visitas; ela acedeu alegremente.

A mulher do meu amigo encomendou a compra do pijama aos pais...

O Fódss chegou a casa um dia destes e deu com uma série de roupa num cesto; os sogros tinham comprado na feira C&A alguns ítens que acharam necessários: o cesto continha uma polo Lacroste; uma toalha - a estranha obsessão do Fódss pela toalha verde da mulher já raiava a obsessão -, e um PIJAMA.

Ao princípio, o Fódss não gostou muito do pijama: o padrão parecia-lhe um pouco à velho, aliás, à semelhança dos chinelos que os sogros já lhe tinham comprado anteriormente e que agora se encontravam atirados para um canto. Vestiu-o a medo e olhou-se ao espelho.

O pijama, segundo o meu amigo, assentava-lhe bem: era apertado nos sítios certos, pronunciando-lhe o triunvirato da virilidade (pénis, rabo e tronco). A mulher fez um esgar estranho.

A mulher do Fódss já mudou de ideias: os dois pijamas que ele possuía já servem perfeitamente para receber uma eventual visita. Mas o meu amigo está agora tão agarrado ao novo pijama como estava à toalha verde da mulher, não há volta a dar.

Os sogros do Fódss, ao receber a notícia da filha (entristecida) de que o pijama estava apertado, chamaram-no de gordo. O meu amigo disse que não se importa, e que está ansioso por começar a receber as supostas visitas femininas o mais cedo possível.

És tu, Goku?


FINALMENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, abril 29, 2008

Mormoando por aí


Não consigo deixar de sentir algum desdém pelos mormons.
Quando estes gajos aparecem na rua, fazem-me sempre lembrar que estou num país subdesenvolvido que ainda tem missionários para "educar" os selvagens; e eu não gosto de ser lembrado disso.
O facto de a religião destes gajos ser fundada numa das mais evidentes tretas religiosas, nem sequer me chateia muito - problema deles! - Só não gosto de ver estes gajos nas ruas à procura de bárbaros.
E depois andam sempre aos parzinhos. Mas porquê? O selvagem pode ser difícil de dominar?
E as camisinhas de um branco imaculado? O que é que isto significa? Quer dizer que o caminho para a civilização passa pela líxivia e um bom ferro-de-engomar?
As gravatinhas e os cartões de identificação poderiam levar-me a pensar que são participantes de um Congresso qualquer, mas como se esquecem sempre do casaco, percebo logo que são eles.
Nos países nórdicos também andarão sem casaco?
E a caneta no bolso da camisa! Para que serve!? São engenheiros? Será para escrever no bloco que está no mesmo bolso? E o que escrevem eles? Quantas almas salvaram!? As despesas para entregar à Igreja!? As direcções para a pensão!!!?

segunda-feira, abril 28, 2008

Fódss de volta

Recebi de manhã o tão aguardado telefonema do meu amigo Fódss. Ele começou por dizer que me ia relatar com algum detalhe o seu fim-de-semana.
Antes de começar, ouvi um berro dele. Pensei que como ele é estrangeiro tem direito a ser excêntrico de vez em quando, e um berro no Metro é perfeitamente aceitável para um camone.
"Epá! Tinha um velho ao lado que estava a bater uma...!"
Teria ouvido bem? Ele já está informado do calão sénior-taradês urbano!!!
E ele continuou "O velho tinha uma gaja toda boa à frente e, descaradamente, não foi de meias medidas e pôs a mão ao bolso e começou a massajar violentamente a virilha direita e ao mesmo tempo começou a arfar pesadamente", ria-se agora (o que também é aceitável para um camone nos transportes públicos) "Eu pirei-me logo dali, não fosse ele limpar a mão a mim, pois estava sentado mesmo ao lado dele. Ainda tive vontade de chamar a atenção da senhora alvo de toda esta atenção, mas e se de facto ele estivesse a coçar a perna com muito prazer? O melhor é cada um por si..."
"Então e esse fim-de-semana?" Perguntei eu.
"Olha, afinal o fato de treino era só para utilizar em casa. De qualquer maneira nem sequer o levei porque me esqueci...pronto!"
Tenho que confessar que senti alguma desilusão. Teria sido muito mais engraçado imaginar o Fódss de fato de treino pela Vila; e já agora um fiozito de ouro.
"Foi agradável. Passeei por sítios com nomes muito engraçados - vocês, portugueses!!!"
Um bocado frustrado perguntei "Então não se passou nada que servisse para te ridicularizar?"
"Oh meu amigo! Se eu não te conhecesse, diria que queres fazer de mim bobo da corte". Riu-se alto. "A única coisa engraçada que tenho para contar é o nome que o meu Sogro arranjou para me apresentar «Este é o meu futuro...», o que, ao princípio, me deixou um pouco confuso. Que tipo de futuro seria eu? Ah! E também... nem sei como hei-de contar esta. O meu sogro apresentou-me a uns dez velhotes que estavam à conversa numa esquina. Começou por apertar a mão aos primeiros e fugiu para longe - qualquer coisa lhe chamou a atenção -, no entanto, eu já tinha começado a apertar mãos aos primeiros, e ainda me faltava uma boa meia dúzia quando me vi sozinho. Pensei que o melhor, e mais educado, que eu poderia fazer era continuar a cumprimentar, embora alguns deles me olhassem como se fosse maluquinho. Apertei rapidamente as mãozitas encarquilhadas do resto e fugi dali p'ra fora. Não olhei para trás, mas tenho quase a certeza que ouvi um «coitadito!». Apanhei o meu sogro que já cumprimentava outros três. Desta vez posicionei-me estrategicamente para que o meu futuro... não fugisse".
Afinal o Fódss safou-se.

terça-feira, abril 22, 2008

O fds do Fódss

Tenho um amigo que está com um pequeno dilema. Ele pediu-me ajuda, mas eu não sei o que lhe dizer; por isso, exponho aqui a sua situação delicada para que alguma "alma" mais perspicaz o possa ajudar.
Pela primeira vez ele irá conhecer a terra dos sogros. Viajará com eles e a mulher no próximo fim-de-semana.
O facto de este meu amigo enjoar quando viaja na parte de trás de qualquer veículo que se mova, tem-no preocupado; isto porque não quer dar parte fraca em frente do sogro com algum esguicho de vomitado bem intencionado mas mal direccionado. Apesar de ter querido fazer segredo desta sua fraqueza, a mulher (à semelhança de todas elas, de resto) já tratou de publicar a notícia, oralmente, na sala de jantar dos pais, e na presença, claro, do meu amigo. O coitado parece que desviou os olhos para o chão...
Mas esta sua preocupação foi subjugada por outra muito mais gritante a que, heroicamente, devo dizer, tem sabido manter um sangue frio e uma epiderme pouco oleosa quando começa a imaginar o futuro cenário em que, se não arranjar solução, se verá envolvido.
Foi esta manhã que recebi uma mensagem de alarme deste amigo. Por princípio, eu não acredito em cenas esotéricas, mas posso jurar que, antes de receber a mensagem, fui acometido pelas mesmas prováveis sensações que este meu amigo, tal como se estivéssemos unidos por uma espécie de cordão umbilical psicoenergético telepático. O seu alarme, vim a descobrir depois, era fundamentado, e razão suficiente para outra alma mais fraca entrar num estado de pânico.
Ora, ia este meu amigo com o seu passo apressado para apanhar a camioneta, ainda meio ensonado e com o olhar meio turvo do lado direito (por causa da almofada), quando ouve um som familiar do lado esquerdo, o que, felizmente, permitiu a rápida identificação do sogro. Todo vivaço e cheio de energia, e sem mais nem porquê, virou-se para este meu amigo, olhou-o de cima a baixo e disse-lhe que lhe ia comprar um fato de treino para que ele andasse mais à vontade lá na terra. Assim não teria que andar sempre de calças de ganga. O meu amigo, que não costuma ser de resposta rápida, é mesmo um pouco lerdo de raciocínio, rematou imediatamente com um "eu uso umas calças de ganga velhas!" logo seguido de outro, mais esganiçado ainda, perante o olhar de inevitabilidade do sogro "eu uso umas calças de ganga velhas!!!!!!!!". O sogro dele não lhe deu mais hipóteses de resposta e despachou-o com um adeus, até logo.
Enquanto corria para a camioneta, o meu amigo pensava como é que havia de se safar desta situação melindrosa. Se, por um lado, seria deselegante recusar um presente, por outro, ainda pior, seria não usar o presente em toda a sua graciosa função.
A mulher, ainda ignorante deste assunto, é um factor desconhecido no que toca à motivação ou desmotivação das boas intenções do pai, pois se o meu amigo é um conhecido gozão das mais variadas situações, a mulher não lhe fica atrás; além disso, ela junta a estes acepipes de gozo, uma depurada veia sádica, que, de longe a longe, este meu amigo sente na pele. Eu acredito que a única esperança deste meu amigo seja a recusa da mulher se fazer acompanhar de tão vistoso companheiro com o seu traje cerimonial de fim-de-semana. Por outro lado, ela pode simplesmente andar sozinha e deixar o marido na companhia dos seus novos amigos lá da terra.
É de facto uma situação difícil em que este amigo se encontra, e eu não consigo, assim sem treino anterior, arranjar-lhe uma solução de fundo. Talvez uma corridinha logo à noite me aclare as ideias.

segunda-feira, abril 07, 2008

Uma alminha por favor!

Estou capaz de fazer nascer uma alma no meu corpito para vendê-la logo de seguida só para ir ao concerto dos Muse.
Há para aí algum intermediário religioso que seja capaz desse feito? Não sou esquisito, aceito (quase) qualquer religião, desde que não me ocupe muito tempo e não me vá à carteira. Peço também que não me obriguem a ler muitos contos de fadas; prefiro ler livros de ficção científica e de terror.
A sério! Engajem-me.
Se for preciso levar belinhas na IURD também levo.
A pé até Fátima? Na boa!
Não comer porco na presença de outras pessoas? Estou a precisar de baixar os meus triglicémios triglicéridos de qualquer maneira.
Estimar uma vaca como se se tratasse de um familiar? Se puder beber leite...
Chicotadas nas costas...? Esta é muito vaga. Pode ser qualquer religião.
Sinto muito, mas não faço referências aos muçulmanos, são demasiados belicosos p'ro meu gosto e além do mais, provavelmente, não me iam deixar ir ao concerto.
Uma almazita por favor. Quem me arranja uma almazita para a troca?

sexta-feira, março 28, 2008

Quase que magoava a bete

Tenho que esclarecer primeiro que este post não é para irritar de forma alguma a minha amiga que dança Tango, mesmo assim não é aconselhada a leitura deste pela referida.
Ontem fui ao concerto dos Portishead, e estou contente por três razões: a minha namorada é agora uma fã; o concerto foi espectacular!; e passei (quase fui de encontro) a centímetros da Beth Gibbons.
Como chegamos cedo aos Restauradores, resolvemos ir primeiro jantar. A zona ainda se encontrava relativamente calma.
Enquanto descia aquela rua do Olímpia, olhei sorrateira e melancolicamente para o velho cinema e recordei aqueles belos cartazes dos anos 80 com gajas todas descascadas e prontas para o sexo maroto.
Enquanto a minha mente porca desfiava várias obras de arte porno, vi uma cara conhecida a subir a rua. Mais uma vez pensei, "D'onde é que conheço esta gaja?". Desta vez o acesso aos meus pouco cooperantes neurónios foi mais rápido do que o habitual, pois assim que me desviei dela, não a lesionando por encontrão por pouco, lembrei-me: "É a Beth Gibbons!!!"; murmurei com uma voz afectadamente amaricada para a minha namorada, que me olhou com aquela suspeita pensativa de gaja: Bete quê? Ai o caraças que este gajo tem demasiadas amigas p'ro meu gosto.
Ainda bem que não a lesionei, não gostava de a ver no palco coxa a olhar para mim com cara de poucos amigos.

quinta-feira, março 27, 2008

Conheço dois feiticeiros

Já percebi que não posso gozar com a minha irmã e com um velho amigo meu no que toca a doenças e desvantagens físicas adquiridas com a idade, pois quase todas as minhas fartas e gordas risotas têm-me sido devolvidas na forma de "contágio"...
Escuso-me de descrever o que gozava com a minha irmã (corro o risco de duplicar o que tenho agora por ter a boca muito grande), mas posso dizer que todos estes anos que gozei com ela me foram devolvidos acompanhados de um trejeito estranho na boca dela - poderia jurar que se tratava de um sorriso malévolo mas tive medo de perguntar.
Em relação ao meu amigo, e porque ele não é de internetes, vou arriscar descrever o que eu tanto gozava.
Há muitos anos que nos conhecemos, desde a nossa adolescência; desde essa altura que eu o vejo perder mais e mais cabelo. É óbvio que, dada a minha natureza, não poderia deixar perder uma única oportunidade de gozar com ele, qual Sansão gozava com o Imperador Ming. Tanto fiz, tando ri, que (horror dos horrores) um dia acordei com menos um cabelo. No outro já eram dois, e por aí adiante. Agora a falta começa a ser notória, e só tenho trinta e oito anitos: sou um puto!!!
O que eu acho é que nunca deveria ter apresentado um ao outro, pois sei de fontes seguras que ambos se dedicam ao ocultismo e às artes negras do roga-pragas. A meu ver, os dois juntaram-se um ano destes, fartos de mim e das minhas gargalhadas histéricas, e preparam-na bem preparadinha; quero dizer, com pés de galinha, giz, pentagramas e tudo; o pacote completo.
E eu, muito estupidamente, a gozar com estes dois feiticeiros terríveis durantes estes anos todos.
Nos dias que correm, de vez em quando sai-me uma parvoíce qualquer da boca, a qual eu rapidamente extingo com mil perdões ao visado. Todo o cuidado é pouco, especialmente quando se trata da minha irmã e do L.
Ultimamente ando desconfiado que o Frankenstein (o pássaro que vive comigo) anda a preparar alguma. Não devia ter gozado com a afonia dele...!

sábado, março 15, 2008

Outras utilizações para os rolamentos e a tinta da china

Esta tentativa de implementação de uma lei que proíba os piercings na língua de um adulto é demasiado rídicula para ser verdade. Assim de repente, parece uma tentativa de desvio da atenção da merda que o PS anda a fazer...
A ser verdade, sou contra!
É óbvio que furar a língua acarreta consideráveis riscos para o furado, mas por outro lado, também é verdade que sexo oral por uma língua artilhada com metal é muito bom - pelo menos é o que ouço dizer.
Não sou médico, mas quer me parecer que todas as operações de embelezamento (mamas novas, cara nova, etc.) têm os seus riscos. Existem sempre probabilidades de a coisa correr mal, seja na língua ou nas mamocas. Portanto, para se proibirem estes rituais primitivos, também se deviam proibir as clínicas de cirurgia plástica de... plastificar?
Claro que se a lei só prever a certificação do pessoal e estabelecimentos que procedem a estes furanços e segundas de mão, aí sou obrigado a concordar. Agora, proibir é que não!
Quanto à proibição de os menores se tatuarem e se furarem, acho que tenho que concordar. Se (quase) todas as coisas prejudiciais à saude são proíbidas aos putos, isto é apenas mais uma. E sou obrigado a concordar, não porque pretendo substituir os pais, mas porque estes cada vez estão mais ausentes na instituição 'família'.
Fica uma dúvida no ar: Fiscalização. Quem e como?
Suponho que a ASAE não irá proceder a buscas minuciosas nos Liceus, pondo os putos em formatura com a língua de fora e mandando-os despir. Talvez um detector de metais à entrada das escolas pudesse resultar. Eu se fosse aos putos, andava com cuidado a partir de agora. Assim que visse baldes de lixívia e alicates à porta da escola, não punha mais lá os pés.
Quando eu era puto, nem os rolamentos se punham na língua, nem a tinta da china debaixo da pele. Pelo menos em Portugal.

segunda-feira, março 10, 2008

Mary Shelley deu-lhe asas. Bram Stoker dar-lhe-á dentes

A minha namorada tem um periquito (ou pelo menos uma ave amarela e pequenina), cujo nome eu tive o prazer de dar.
Nunca gostei muito (ou mesmo nada) de peixes e de pássaros. Reformulo esta minha última frase: nunca gostei de ter este tipo de animais, porque tê-los significa confiná-los a um espaço mínimo, que não me parece muito saudável.
- Ah e tal, mas os pássaros e os peixes não sobreviviam de outro modo...!
Queres ver que antes de os colocarmos nestes caixõezitos eles não existiam. Não sou biólogo, mas suspeito que rapidamente (em poucas gerações) se adaptariam à liberdade...que chatice!!!
De qualquer modo, e como eu até sou hipócrita, estou a gostar desta criatura afónica e que não voa. Acho que ele fica muito bem na cozinha; dá-lhe um toque kitsch...
Mas como eu comecei por referir, eu dei um nome ao pássaro, e como eu gosto de chatear, dei-lhe o nome de Frankenstein. A minha namorada detestou e ficou (um bocado) chateada. Tanto chamei o bicho de Frankenstein que, no dia a seguir, também a A., involuntariamente e para meu grande gozo, começou a tratá-lo desta forma tão carinhosa.
Agora é assim:
- Vai trocar a água ao Frankentein s.f.f.
- Olha p'ro Frankenstein. Tão querido.
- Não te esqueças de abrir os estores de manhã para que o Frankenstein tenha luz durante o dia.

quarta-feira, março 05, 2008

Eu conheço o Cascão

Mais maluquinhos! Mais maluquinhos!
Novamente no meu local de trabalho. É aqui (isto é grande) que "reside" uma série de malucos, cujas aptidões, independentemente de serem duvidáveis, são de obrigatória valia, graças ao instrumento chamado Quadro.
Desta vez de quem eu me venho queixar é de um verdadeiro maluco. Certificado pelo Laboratório de aNormalização da National Cucugraphic. Este é uma versão do Cascão com laivos de funcionalismo público, ou seja, porco comó caraças e de conversa longa e ininteligível.
Foi há pouco que entrou no meu gabinete uma colega com as feições estranhamente deformadas pela expressão de nojo - o Cascão andava aí pelos corredores, e a fragância de hoje era Água de Colónia ETAR...
Já há algum tempo que eu gozo com esta minha colega devido à aparente atracção que o Cascão sente por ela. E, desde que percebi isso, comecei a inventar histórias, que prontamente partilhava com ela. Histórias do tipo: o Cascão vai-te levar p'ro barraco e nunca mais de lá sais. Vais ser a mulher do Cascão, etc.
Hoje, quando a minha colega entrou a correr, fugida do Cascão (outra vez), prontamente inventei outra história que se adequava a este momento Old Spice.
Virei-me lentamente para a minha colega, liguei o Mike Oldfield e comecei em voz Oceano Pacífico. Imagina: "O Cascão tinha acabado de inventar uma nova linha, irresistível, de delicados perfumes. Num golpe de ébrio, o Cascão resolve comercializá-la. A publicidade, acompanhada de um Thunder dos AC/DC, teria o seguinte slogan: Ao passares por elas, nenhuma ficará de pé! Esta nova linha do Cascão seria composta de uma água de colónia: Haffug Entaias; o perfume: Anést ètico; e o sabonete: soap ademerde. Uns tempos depois, o Cascão, dono de uma enorme fortuna feita com a sua linha ETAR MOI, arranja finalmente coragem de te raptar e levar para o seu, agora enorme, barraco. Tu serias Maria Cascão, e o Cascão, finalmente, Manel Cascão. Teriam muitos filhinhos e teriam anosmia para sempre."
A minha colega diverte-se sempre com estas histórias, mas se um dia o Cascão resolver levá-la mesmo, ninguém pode dizer que eu não a avisei.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

A função pública é disfuncional

Porquê que os funcionários públicos são chatos como o caraças?
Primeiro, falam muito sobre merdas absolutamente irrelevantes, e como se não bastasse isso, ainda metem mais sub-histórias para "enriquecer" a conversa, tais como: a genealogia completa dos indivíduos focados; a história do local e previsões mais que certas para o mesmo; e as inevitáveis lições de moral no meio - porque nunca chegam ao fim - da história.
Segundo, porque são capazes de repetir tudo novamente (como se o assunto fosse tão importante que ninguém - Ninguém, mesmo! - devesse perder uma pitada).
Terceiro, porque as histórias contadas são intermináveis, e são contadas, em diferentes versões, todos os dias.
Quarto, porque que mais que fuja de um ou de outro funcionário p. mais implacável, existem sempre mais dois voluntariosos para o seu lugar.
Se acho que estes gajos deviam ir todos para o olho da rua? Bem, pelo menos os chatos, que são para aí 99 por cento deles.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Dia do meu amor

Neste dia, e nos outros todos, eu dedico este poema do meu escritor favorito para aquela a quem eu chamo mulher.

O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não

O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração

Chico Buarque (Teresinha)

Malucos há muitos!!!

Todos os malucos sentem uma estranha atracção por mim. Não é sexual, é apenas social...
Já deveria estar habituado, mas eles apanham-me sempre de surpresa.
Os últimos dois malucos com quem "interagi" pertencem a dois universos diferentes. Um pertence a este universo virtual: um comentador louco. O outro, pertence ao universo dos transportes públicos - que tenho o desprazer de frequentar cada vez mais.
O primeiro apareceu-me aqui, no meu blog, sob a forma de um comentador drunfado (não é o primeiro nem será o último). Entre repetições do que eu escrevia e LOLs à fartazana, este rapaz (?) divertiu-se à grande com várias provas definitivas do seu intelecto superior.
O segundo, e mais pacífico, sentou-se ontem à frente de mim no metro. Olhou para mim e para as duas moçoilas que preenchiam as cadeiras não-sei-para-onde-é-que-hei-de-olhar-bolas! (dois contra dois), e visto as raparigas olharem ambas para pontos distantes no horizonte de uma forma teimosa, escolheu-me a mim para encetar um monólogo muito interessante sobre cães ferozes e pernas mordidas. Embora eu não lhe tivesse dado conversa, não conseguia deixar de olhar para ele quando falava para mim. Isto acontece-me sempre com os malucos; acho que se alguém fala comigo (ou escreve), o mínimo que eu posso fazer, e que a minha educação me obriga, é olhar (ou ler e responder), e esboçar um ou outro sorriso de compreensão fingida.
No fim, o maluco despediu-se de mim com uma palmadinha de amizade na minha coxa esquerda, e eu nem sequer lhe disse adeus...aliás, nunca lhe dirigi palavra, apesar de ter escutado tudo o que ele disse. Tenho que confessar que senti alguns remorsos por ter sucumbido à pressão social de não falar com malucos nos transportes públicos. Quanto ao outro maluco, o comentador do País das Maravilhas, esse nem sequer se despediu. Fiquei triste? Não. Mas estou curioso: Onde é que ele está? Estará bem? Que curso é necessário para se ser maluco? Será ele, na vida real, o mesmo tipo de maluco? E se sim, será a abordagem dele mais suave? Serão ele e o maluco de ontem um e o mesmo? Queres ver...

sexta-feira, janeiro 11, 2008

O elefante agora é mesmo branco!

Eu nunca pensei que esta proibição de fumar em locais fechados fosse afectar os ambientes decadentes: sempre que passo pelo Elefante Branco, estão as prostitutas à porta a fumar.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Sem poiso fixo

Uma coisa boa de não ter poiso fixo é poder responder aos perdidos "Não sei! Não sou daqui."
Por mais tempo que habite em determinado sítio, uma coisa que não tenho pachorra para fazer é memorizar os nomes das ruas (e dos vizinhos). Saber qual é a minha porta de entrada já é muito bom...

quarta-feira, janeiro 02, 2008

De quem eu não gosto, contra as paredes eu lanço...

O meu feitio obriga-me a, sempre que estou com alguém insuportável, falar e pensar coisas completamente opostas.
Sou capaz de manter uma conversação "muito" amigável, com sorrisos e tudo, e ao mesmo tempo que algumas palavras me saem da boca, as outras, silenciosas, mandam o meu interlocutor à merda inúmeras vezes e ainda o apelidam com alguns nomes feios, que me escuso de repetir.
De facto, algumas pessoas, sem qualquer razão aparente, ou por todas as razões do mundo, trocam as voltas aos meus inúmeros eus. Mas numa coisa todos eles concordam: aquela pessoa é desagradável!!!
Eu tento reduzir ao mínimo o número de segundos que sou obrigado a interagir com uma destas pessoas. Irrita-me ter esta dualidade dentro de mim e não poder mandá-los logo à merda como é a minha vontade inicial e instintiva. O problema depois seria explicar o insulto: "Epá! Desculpa, mas não suporto olhar para ti. E falar contigo provoca-me vómitos e vontade de te esmurrar. Desculpa! São daquelas coisas, sabes...".
Também tenho os meus dias de maior e menor transparência fisionómica. Uns dias deixo-me ir abaixo e mostro os meus verdadeiros sentimentos interiores; Outros, mantenho-me forte, com um sorriso, uma palavra gentil e um punho atrás das costas, cerrado.
Felizmente as pessoas desagradáveis que eu "conheço" são muito poucas, e são raras as vezes que interagem comigo porque eu fujo com muita facilidade.