terça-feira, junho 30, 2009

Quem é o estúpido?

Sinceramente, não sei o que pensar sobre a constante produção de versões americanizadas de filmes "estrangeiros". Se por um lado eu sou a favor da suprema liberdade artística; e do livre remixing. Por outro, não vejo este fenómeno como expressão de liberdade artística ou livre propagação da cultura, antes, mais como uma espécie de certificado de estupidez para com o povo americano, e também um certificado de incompetência para com os não-americanos: "é realmente uma boa ideia, mas nós vamos apurá-la, melhorá-la e fazer dela uma ideia perfeita; americana".
Também me sinto parte desta aculteração, porque muitas vezes até gosto das versões americanas; pior, algumas vezes até as prefiro à original. A verdade é que o produto americano já vem todo mastigadinho, e não há melhor coisa para preguiçosos; como eu posso ser às vezes...muitas vezes.
Sinto-me muito dividido - revoltado e curioso - sempre que leio sobre uma nova versão em que Hollywood está a trabalhar.

segunda-feira, junho 29, 2009

A nossa música

Eu e a minha querida já temos uma música nossa. Depois de vários meses de discussão (amigável) sobre qual deveria ser a nossa música, finalmente decidimo-nos.

A dúvida estava entre estas:
o Blue Moon ,
Bartok ,
Mike Oldfield e
John Williams ;
e quem ganhou foi o John Williams.

Existe todo um sentido metafórico de caça, comida, carninha e muita água para saciar a sede, ligado a esta música. Apesar de a minha adorada não gostar muito, penso que daqui uns tempos já terá aceitado.

NOTA: Infelizmente, não consegui encontrar uma versão orquestrada, mas penso que com esta já muitos casaisinhos podem começar a marcar os primeiros passos: NHAC!

sexta-feira, junho 19, 2009

TECNOFILANDO

TECNOFIL. 15h23. No stand, sem cadeira; que seca.

15h27 - Aparecem dois asiáticos (parecem chineses), perguntam-me uma série de coisas em inglês. Metade não percebo e digo "sim, claro!".

15h40 - Um casal espanhol. Mais perguntas do arco-da-velha. Mostro-me profundamente interessado enquanto penso noutras coisas e digo "sim, claro!".

15h50 - As gajas portuguesas de oculinhos são as mais chatas...

16h10 - Aparece-me um tipo muito feio. Ao princípio tive alguma dificuldade em olhar-lhe para a cara, mas depois o tipo mostrou-se simpático e com perguntas decentes e eu, lentamente, fui colocando os instintos de lado. Pensei: se fossem todos como este, a tarde passava mais depressa.

16h28 - A gaja do stand ao lado cumprimenta-me e pisca-me o olho, mas rapidamente (deduzo eu) se lembra que não me conhece de lado nenhum e corrige a piscadela para uma estranha afectação nos dois olhos; esfrega-os violentamente e eu retiro um pedaço de papel e começo a escrever isto...EHEHEHE

16h36 - Um passarinho voa dentro da FIL e solta uma caganita na cabeça de uma (outra) gaja de oculinhos que se dirigia na minha direcção. Acordo do meu estupor onírico. A gaja está à minha frente...vou esconder o papel...mas ainda tenho tempo para escrever isto: ela ficou com um ar desconfiado. Espera impacientemente enquanto acabo de escrever e eu desejava que o passarinho tivesse realmente existido. Abre a boca; parece que vai começar a falar...espera! Não, vai-se embora. Volta para trás. Que raio! Mas o que é que ela quer??? Mete a manápula em cima da minha folha e pergunta-me: ouça lá, ainda vai demorar muito tempo com as suas memórias?

17h00 - (na realidade são 16H45, mas como a minha colega me disse para me ir embora às 17h00, e como ela não costuma ler os textos entre parêntesis, isto fica só entre a gente) - FUI!!!

quinta-feira, junho 18, 2009

Um odor familiar

Há certas coisas que, por não pensarmos o suficiente nelas, julgamos que devem estar correctas; tais como: os homens não baixarem as tampas das sanitas, e os trabalhos pós-académicos virem na forma de estágios não-remunerados. Devem estar a pensar: o que é que uma merda tem a ver com a outra - e eu respondo: são duas ideias de merda!!! Sendo uma um pouco mais literal...

Não baixar a tampa - aliás, nem é a tampa, é a coisa (não sei o nome) cuja função é não esfriar o rabo, a argola de plástico, chamemos-lhe assim. Não baixar a argola é igual a não levantar a argola. Se elas podem exigir que a argola tenha que estar baixada, então, também nós podemos exigir que ela deva estar levantada. Ou então chegamos a um compromisso e ambos baixamos a argola e a tampa. Até agora ainda não ouvi nenhum raciocínio lógico que me faça acreditar que eu estou errado. Agora, se me vierem dizer que é só por uma razão estética, que fica melhor a argola de plástico à vista em vez da louça brilhante e imaculada, a esse argumento já eu faço a vontade; não o "compro", mas faço a vontade. Anéis para baixo!

Trabalhar sem ganhar um tusto, com a desculpa que é para o curriculum, comigo não!
Recebi um e-mail há pouco que dizia que uma empresa qualquer está a precisar de voluntários para trabalharem durante 3 a 6 meses, em princípio sem remuneração. O lado "positivo", e aqui é que está a punch-line, é a "excelente oportunidade" e sobretudo a "experiência que vai arrecadar na área da produção e os contactos nacionais e (...) internacionais". Este pedido não é um caso singular, mas sim um caso cada vez mais banal.
Eu não sei, mas se fosse chefe de alguma coisa e tivesse que seleccionar alguém para trabalhar, não ia escolher os tipos com mais estágios (não remunerados) em excelentes empresas, antes ia escolher alguém que fosse realmente ambicioso e já soubesse o que é ganhar dinheiro e o que é que isso implica; mas isso sou eu...
Obviamente que integrar um projecto a tempo parcial e não remunerado que tenha realmente importância para a sociedade, isso já é outra história. Agora, alimentar esses chulos capitalistas que querem ganhar o máximo possível à custa dos estudantes, isso é que não.

Como vêem, são duas merdas que cheiram mal, mas cujo odor já não nos faz confusão.

terça-feira, junho 16, 2009

Uma história de reis

Hoje vi o Duque de Bragança entrar num táxi, no Chiado; e a reacção do taxista foi impagável. O sorriso que se abriu quando olhou pelo espelho retrovisor fez-me imaginar o resto da viagem destas duas personagens.

- Boa tarde! É p'ró Palácio, se faz favor.
- Diga-me uma coisa. Afinal você é duque ou rei?
- Bom. Tem piada que pergunte isso, porque justamente agora...
- Mas é, tipo, xisneto do Afonso Henriques, não é?
- Pois, mas como eu ia...
- Então é rei ou não? Mas porquê que não anda com uma espada? Lá em inglaterra andam com espada e a cavalo.
- Ah sim? Você é um tipo engraçado.
- Diga-me uma coisa. Como é que as pessoas o tratam? Por vossa excelência? Senhor rei?
- ...
- Olhe para este palhaço - apita furioso -; estes gajos de mercedes têm a mania que têm o rei na barriga.
- Por acaso eu tenho um mercedes. Um belo automóvel.
- ...
- ...
- Então e o tempo? Está estranho, não está? Não é da família do São Pedro, por acaso? - Ri-se
- ...
- Diga-me uma coisa, não acha que o fadista está a querer roubar-lhe o trono? Não há um nome para isso? Não têm que, como é que se diz, duelar? Olhe que o tipo está habituado aos touros; não que você seja um touro; mas isso dá-lhe algum caparro. E você, bom, parece assim um pouco frágil.
- ...
- Acha que um dia ainda vai ser rei daqui do sítio? Quando for, não se esqueça cá do Zé!
- Pode estar descansado que não me esqueço do senhor.
- O que é que isso quer dizer? Isso é bom ou mau? Olhe que eu sou muito brincalhão; não pode levar tudo o que eu digo tão a sério...
- ...
- E a coroa? Nunca o vi com a coroa na televisão? Tem uma, não tem? Rei sem coroa, não é rei.
- ...
- Diga-me uma coisa, essa maneira de falar é uma coisa que os reis aprendem? Os outros não sei se falam assim que não percebo línguas, mas dá ideia que também têm as pontas do bigode presas ao céu da boca - ri-se, assobiando pelo dente partido.
- É aqui à esquerda.
- E cá estamos nós.
- Quanto é que é? Passe-me um recibo se faz favor.
- O que é que eu ponho no recibo? Duque ou Rei?

quarta-feira, junho 10, 2009

Suspense...

Ontem disse à minha namorada que se o nosso filho nascer rapaz, estamos tramados, vamos para um lar quando formos cotas; se for menina, talvez nos safemos...