sexta-feira, abril 28, 2006

Aos trinta, a decadência!

À medida que os anos vão passando, eu vou precisando de cada vez mais manutenção. Ainda (?) só tenho trinta e seis anitos e já sofro...
Quando tinha vinte e oito anos uma prima disse-me que quando chegasse aos trinta é que ia começar a notar a decadência física a instalar-se, ou melhor, o corpo a envelhecer. Eu olhei para ela em descrença e fiz-lhe notar que ainda estava são que nem uma banana...digo, pera.
Apesar de fumar (sim, voltei a fumar) e de beber, sou um tipo moderado. Um maço de tabaco dá-me para dois dias, e álcool é raro tocar-lhe. Também sempre pratiquei desporto, agora também nisso sou moderado.
O que eu quero dizer é que tenho sido mais ou menos saudável, mas mesmo assim isso não impediu os de se começarem a instalar.
Quando cheguei aos trinta já não me lembrava da conversa que tinha tido com a minha prima até que... comecei a perder cabelo - estava a ficar ! -, e não havia nada a fazer; Depois descobri que tinha . Muito ligeira, mas tenho-a! De vez em quando, à noite, tenho que aplicar e de dia um hidratante: um aborrecimento!; Mais tarde descobri que os meus adorados sapatos de vela estavam, após vários anos a utilizar sempre o mesmo tipo de calçado, a "gastar" os meus calcantes. Agora tenho dois , do género duro, que tenho que raspar frequentemente. À noite dou-lhes com indiano e de dia com hidratante: É uma chatice!; Perco muito mais tonicidade muscular e acumulo muito mais gordura. O que me obrigaria, se tivesse pachorra, a fazer mais desporto: Não me apetece!
Agora que recordo o que a minha prima me disse, mal posso esperar para passar essa informação (útil) à próxima pessoa, nos seus vintes, que me aparecer toda contentinha da vida...
Sou sádico? Ah pois sou!!!

quarta-feira, abril 26, 2006

A história de um peão

Como peão, atravesso várias vezes as estradas fora das passadeiras indicadas para mim. Mas quando o faço é com "total" segurança. Antes de atravessar procedo a complexos cálculos que envolvem a velocidade dos automóveis, a minha velocidade, a força do vento e a ausência de mulheres condutoras num horizonte aceitável.
Quando começo a atravessar a estrada, espero que tudo corra pelo melhor, ou seja, que ninguém me passe a ferro, que não surja nenhuma mulher a conduzir e, sobretudo, que nenhum automóvel hesite ou mude a sua velocidade quando me vê: é a pior coisa que podem fazer a um peão! - Se eu já vou com os meu cálculos de velocidade de todos os veículos, e se um começa a abrandar, estraga-me os planos todos, fico desorientado...
Detesto que me cedam passagem ou que hesitem. Atrapalham-me!

sexta-feira, abril 21, 2006

Disfarça pá!!!

Porquê que sempre que tento falar com alguém, com um tom de voz subtilmente baixo, invariavelmente me respondem com um grito - O QUÊ?!
Seria de esperar que entendessem que o tom é propositado e pede uma resposta ao mesmo nível de décibeis.
A minha reacção seguinte é realçar ainda mais o tom da minha voz, e ao mesmo tempo, com as duas mãos, faço o sinal de aterragem. Às vezes também costumo abrir muito os olhos... Normalmente os histéricos percebem mais ou menos os sinais, mas se for um histérico crónico estou bem arranjado. Quais sinais! Quais tom de voz! Quais carapuça! Nada resulta.
O passo seguinte, nestas circunstâncias, é envergonhar este histérico - Olha, amor! Logo à noite não te esqueças dos preservativos. Está bem??? - o que normalmente resulta... e tem sempre piada.
Eu desconfio que os histéricos o são nestas alturas de propósito só para me obrigarem a gritar aos quatro ventos o corte de casaca que estava prestes a murmurar. Mas estes gajos são uns santinhos!?
Já descobri um truque porreiro para que os animais não me respondam com um berro: chamo o energúmeno à parte, abanando uma nota de cinco euros (sem qualquer intenção de a dar) e fazendo o sinal universal de silêncio - E resulta? Se resulta!!!

quarta-feira, abril 19, 2006

Posts de espetada

É verdade que sou, muitas vezes, precipitado nas minhas acções; também é verdade que no âmago da minha revolta está sempre presente uma vontade incontrolável de me rir. É um sentimento que eu só posso tentar transmitir como uma mistura de fúria, espanto e enorme gozo. Muitas diriam: uma enorme moca!
Como o excesso e o humor comandam a minha vida, este blog também é um reflexo disso. E por isso resolvi escrever este post para tentar explicar que as contradições, os exageros, as piadas de mau gosto, a superficialidade dos temas, enfim, todos os pequenos acepipes que dão sabor a ser humano, e que eu tento passar para aqui, fazem parte natural da minha maneira de ser.
Tudo isto eu pensava já estar implícito, de uma forma subtil, neste blog, mas afinal parece que não... paciência!
Se me dou ao trabalho de tentar justificar o que sou/escrevo, e é a última vez que o faço, é porque acho que devo isso às minhas vítimas: Vítimas, minhas pequenas criaturinhas, peço-vos paciência. Sei que no futuro darei pauladas com mais delicadeza, mas preciso ainda de ganhar prática. Entretanto as vossas cabecinhas são minhas!

Revoltas cordiais do sempre vosso
Espancador

terça-feira, abril 18, 2006

Os insultos da Bertrand

Em resposta à campanha publicitária feita pela (enviada por e-mail), cujo formato é um questionário, no site da Bertrand, com perguntas do estilo "Trivial Pursuit", resolvi enviar o seguinte e-mail aberto.

E-mail aberto:

Exmos Senhores,

Fiz o vosso teste (http://www.leitorbertrand.pt/dia_do_livro/index.html) e obtive duas respostas certas. E a acompanhar o resultado vem o seguinte comentário: "Quem não lê não tem muito que falar". Obviamente que este comentário não é para se levar muito a sério dado o teor das perguntas, mas por outro lado, se não é sério também não tem propriedade.
A minha primeira impressão foi de espanto: Porquê uma campanha tão agressiva dirigida aos clientes? Não seria esta melhor orientada noutra direcção, como por exemplo para os não-clientes?
Acho que o vosso anúncio é infeliz, redutor, odiosamente mercantilista e insultuoso.

Com os melhores cumprimentos,
Um dos vossos clientes ignorantes

André Cardoso


Não sei se estou a ser demasiado sensível, mas o comentário no final do questionário não me agradou nem um bocadinho. Convido a todos a fazer a experiência.

quinta-feira, abril 06, 2006

Queres ser meu amigo?

Quanto mais velho fico, menos interessado fico em arranjar novos amigos. Os meus critérios de qualidade para "um amigo" cada vez são mais exigentes, e eu cada vez fico menos interessado em me dar ao trabalho de fazer novos amigos.
As primeiras impressões são cada vez mais importantes; O fascínio que possa sentir, ou não, pela pessoa, é cada vez mais importante.
Correndo o risco de parecer arrogante devo dizer que fujo, várias vezes, a tentativas de amizade. Até posso simpatizar com determinada pessoa, mas daí até me querer envolver numa amizade é um passo gigantesco. A maior parte das vezes é simplesmente porque não há a chamada "química".
Já o dizia que o processo de uma amizade é demasiado desgastante para ser efectuado com qualquer um. A selecção tem que ser rigorosa ou corremos o risco de ficar "entalados" com um verdadeiro chato para toda a vida.
Não tenho números para validar a ideia que vou transmitir a seguir, por isso fica apenas a minha experiência de vida que não deve ser generalizada.
Conheço muitas pessoas que, ou fazem amizades muito facilmente e sem nenhum critério óbvio, ou são demasiado solitários(as) e qualquer critério de selecção seria um luxo.
Geralmente é destas pessoas que fujo, inventando desculpas atrás de desculpas. Fico com a consciência pesada, mas é um mal necessário. Eventualmente acabam por desistir de me convidar para sair. Eu nem quero saber o que dizem depois, de mim... quero! Quero!
Sempre tive a ideia que as pessoas que fazem muitas amizades, são um pouco supérfluas. Mas posso estar enganado e, sim, existem sempre excepções.

Nota: Espero que os amigos que tenho que me tentam telefonar e não me conseguem apanhar não julguem que fazem parte desta lista. Creio que já todos sabem a aversão que tenho a telemóveis e a andar constantemente comunicável - Sim! Deixo-o sempre em casa!

quarta-feira, abril 05, 2006

O menino pirata

Era uma vez um menino .
No tempo do e das , ele e a maior parte dos meninos que conhecia, e que não tinham dinheiro para comprar tudo o que queriam, emprestavam os seus discos entre si. E se alguém gostasse de um disco...pimba! Era copiado para uma TDK SA.
E assim foi durante muito tempo. Nem o os demoveu.
Todos eles cresceram. O vinil acabou e as cassetes também.
Hoje eles já não são meninos, mas continuam a gostar de ouvir música e a não ter dinheiro para comprar tudo o que querem.
Mas agora eles estão todos ligados entre si através de uma gigantesca rede informática, e por causa desta conhecem muitos outros que também já foram meninos.
Todos estes antigos meninos, amigos ou não, gravam a música que têm e dão-na aos outros. Assim todos partilham toda a música que querem.
Infelizmente o Zé Gato deu lugar ao Zé Lobo, e este é muito mau! Quer tudo para si. Não quer partilhar nada sem que o paguem muito bem.
Os antigos meninos, entretanto, discutem entre si a moralidade do que fazem ou não. Quando eles eram meninos a moral não era muito relevante nestas matérias. Mas agora, como tudo cresceu - os meninos, as quantidades de música, as quantias de dinheiro - a moral tornou-se um assunto interessante.
Os antigos meninos agora estão a meio da sua vida, um dia serão novos velhinhos. Eles vão ter que se decidir se ficam do lado dos novos meninos ou se do lado do Zé Lobo.
O menino pirata nunca deixou de o ser e jura que o será sempre.

terça-feira, abril 04, 2006

Vinte e sete noivas para um

Na nossa primeira esfera discute-se muito a necessidade de permitir o casamento entre homossexuais, lésbicas e padres, respectivamente. No entanto não se discute a união que realmente tem importância, e que cumpre - com tremenda eficácia - o seu objectivo, que é a procriação. Uma união que em países considerados menos evoluídos já é norma há muito tempo. Uma união de um (macho) para muitas (fémeas) - uma bela união!
Esta ideia ocorreu-me quando um amigo meu me disse (ontem) que o Nigeriano Fela Anikulapo-Kuti, criador do Afro-Beat, teve 27 dignissímas esposas - eu senti uma ponta de inveja -, para cúmulo casou com as 27 ao mesmo tempo. O país dele não só permite este tipo de evento como o promove, faz parte da tradição. Foi só pena que ele não as tenha escolhido mais cuidadosamente; como o meu amigo disse, a consumação do acto acabou por ser uma espécie de Roleta Russa: o tipo morreu com S.I.D.A..
Antes de escrever este post, pus o assunto à consideração de meia dúzia de fémeas. Todas elas foram unânimes na opinião de que "(...) um homem mal pode com uma única mulher (não física mas psicologicamente) quanto mais com vinte e sete (...) Anormal! Estúpido! (...)". Opiniões que eu achei muito parciais e injustas - elas só sabem ver o lado delas!
No entanto, e após profundas reflexões, cheguei à conclusão que talvez elas tenham razão: aturar 27 gajas ao mesmo tempo deve ser obra; Ainda por cima já ouvi dizer que quando várias mulheres vivem juntas, o período tende a acertar a data e "fluir" em todas ao mesmo tempo - seria obra aturar esta mulherada toda!
Apesar de tudo, a ideia continua a ser bastante atraente. Além disso, não se vá dar o caso de mais do que uma mulher gostar de mim, quero-lhes dar o direito e o prazer de me partilhar...

segunda-feira, abril 03, 2006

Nomes caros

Toda a gente fala nas palavras caras, mas não ouço ninguém falar nos nomes caros, e estes são-no literalmente.
Uma mais valia para um nome em Portugal é ser estrangeiro e relativamente complicado de escrever: , , , , , , , , , , , , , ; se o nome for português convém que seja composto: , , , , , (este é espectacular), , .
Para um possuidor de um "bom nome" é quase garantido uma vida e carreira profissional de sucesso.
A minha explicação para este fenómeno é descrita nos próximos parágrafos, este é apenas para fazer um intervalo e pensar como raio hei-de eu explicar este estranho fenómeno.
Nós, os portugueses, sempre fomos uns wanna be ou, mais raramente, true snobs, e por essa razão sempre gostamos do exótico e do complicado.
Para qualquer cargo importante existe sempre uma selecção cuidadosa e criteriosa do potencial titular. Posso garantir que existem sempre diálogos subliminares como estes: "...esse gajo não que é um bronco e come com a boca cheia (...) e já viste o nome dele?" ou "Quem é que escolhemos, o Cardoso ou o Sotto Mayor? - Estás a brincar! Não vamos abrir nenhum talho ou empresa de transportes" ou ainda "Estamos a precisar de um gajo para as relações públicas! - Temos dois nomes portugueses simples, um composto, com de, e um estrangeiro: é espanhol e muito elegante (...)".
Não há ninguém que desconheça, nem que seja subconscientemente, a importância de um nome caro. Por exemplo, na instituição casamento, o nome muitas vezes tem grande importância. Quem é que não deseja que os seus futuros filhos tenham a vida mais facilitada e carregada de sucesso, e tudo isso por causa de um simples nome.
E finalmente, porque é que julgam que os nomes dos monarcas e nobres são tão compridos e estrangeiros? Porque é chique a valer!