segunda-feira, abril 30, 2007

There's a new kid in town!

Mais uma epifania!
Na realidade são duas ideias numa só.
Onde eu trabalho conheço um tipo que, digamos, não regula muito bem. É meio amalucado. Este indivíduo é completamente inofensivo, mas tem duas características um bocado irritantes: não se lhe pode dar conversa porque depois ele não arreda pé; e é exageradamente bem educado, ou seja, é capaz de ver uma pessoa a trezentos metros de distância e esperar por ela, enquanto aguenta alguma porta aberta com um grande sorriso.
A primeira metade da minha epifania surgiu quando o maluco me fez o mesmo, obrigando-me a correr. Pensei logo - Este sou eu!
Eu tenho sido, durante toda a minha vida - concluí agora com algum horror -, também exageradamente bem educado. Também sou capaz de esperar pelas senhoras com uma porta aberta e um sorriso no rosto. Mesmo que elas estejam ao fundo da rua. Obviamente que sei que este gesto (entre outros) é um bocado estúpido, uma vez que as obrigo a apressar o passo para não me fazerem esperar muito. Uma coisa que não é muito agradável para elas de saltos. No entanto, tenho sido incapaz de as ver e não estender um gesto de cortesia ou cavalheirismo, como o queiram chamar.
A segunda metade tem vindo a acumular durante alguns anos de observação in loco do processo de acasalamento.
Cheguei à conclusão que, como já referi em outros textos, os bons rapazes não chegam a lado nenhum, enquanto que os agressivos, mal educados e assertivos, acabam invariavelmente com a miúda. Esta, no primeiro contacto com a besta, até se mostra bastante incomodada com o seu comportamento. Ás vezes chega a ser divertido verificar o inevitável desfecho, quase a contra-gosto da miúda.
Unidas as duas partes da epifania, é com pesar que chego à conclusão que o meu comportamento até à data tem sido nitidamente contraproducente para uma qualquer hipótese de um "final feliz".
Temo agora que tenha que reavaliar toda a minha atitude para com os humanos e fazer algumas alterações de base. Independentemente do que se possa dizer, os factos são os factos, e eu estou farto de agir polidamente.
O comportamento ideal para se viver nesta sociedade, em que se diz umas coisas e fazem-se outras, é um de agressividade latente para com o próximo. Cagar para as boas maneiras.
Já comecei os meus exercícios de integração, este fim-de-semana deixei de sorrir para os vizinhos e não espero por ninguém com a porta aberta. A ferocidade masculina virá a seguir. Resultado quase imediato, as vizinhas boas começam a demonstrar algum interesse. Noto uma certa aproximação e curiosidade pelo novo macho alfa que surgiu no prédio.

Nota: Amigos e amigas, escusam de refilar que o meu comportamento para com vocês não vai mudar. Aquele com uma porta na mão e um sorriso na cara.

quinta-feira, abril 26, 2007

O trôpego da matemática

Eu sempre tive presente a ideia de que as minhas habilidades para a matemática são, em português mais rasca, uma bela merda.
Desde o cálculo mental às noções que fui aprendendo (para logo a seguir esquecer), sempre pequei por não praticar numa base rotineira.
Talvez esteja a exagerar um pouco, porque tentei sempre estudar apenas o suficiente para tirar positiva. Infelizmente, esta aprendizagem tão leve também seria efémera.
Tive a perfeita noção da minha nabice este feriado quando a minha sobrinha, de apenas dez anitos, me desafiou para resolver uns problemas sobre tempo (horas, minutos e segundos).
Apesar de eu já ter aprendido todos estes cálculos há muitos anos atrás, descobri que (surpresa!) já não me lembro de como resolvê-los.
Humilhação das humilhações, a "pequenota" teve que me ensinar. Ainda por cima isto tudo se passou num sítio público, numa esplanada.
Enquanto a minha sobrinha me ensinava, eu observava a senhora que estava sentada á frente de mim, a mexer-se de um lado para o outro, claramente desconfortável.
Claro que quando esta senhora se levantou, a primeira coisa que fez foi olhar para mim com um ar espantado. Eu só posso imaginar o que poderia estar a pensar: "Burro!".
De qualquer maneira, no que toca a aprender, e desde que isso não envolva qualquer tipo de humilhação pública (ou mesmo privada), estou sempre pronto para velhas coisas novas.

terça-feira, abril 24, 2007

Dave, my mind is going...

Às vezes entusiasmo-me a falar com as pessoas e começo a disparar referências cinéfilas a torto e a direito, referências estas que as pessoas não têm nenhuma obrigação de saber ou perceber, mas que eu insisto em lançar mesmo assim.
Simplesmente existem monólogos e afirmações que são difíceis de conter. Eu expludo quando me surgem situações que requerem um I'l be back ou um I had a farm in Africa. É mais forte do que eu.
Claro que fico todo contente quando alguém percebe do que eu estou a falar, isto por dois motivos: o primeiro é encontrar alguém que partilhe do meu gosto por cinema, o que é sempre agradável; e o segunto tem a haver com a minha preguicite aguda. Se eu não tiver que me explicar num longo e tortuoso parágrafo mas em vez disso numa simples frase, fico mesmo satisfeito.
E agora percebo a frustração daqueles que gostam mais de música e decoram tudo, e de vez em quando espetam-me com uma referência qualquer à qual eu fico a olhar com cara de parvo a ver onde se pega.

sexta-feira, abril 20, 2007

Não me ocorre nada!

Estou tão habituado a escrever todos os dias no meu caderno - histórias que às vezes passo para aqui - que quando não tenho ideia nenhuma, fico, numa espécie de obsessão, a espremer o cérebro para ver se sai alguma coisa.
É assim que me encontro agora.
Talvez seja a altura de fazer um balanço destes últimos anos em que resolvi voltar a escrever.
Enquanto o blog já perfaz cerca de quatro centenas de historiazitas, a minha gaveta (em casa) vai acumulando outras tantas que não podem ser publicadas.
Umas porque me colocariam numa posição demasiado vulnerável, outras porque não seria justo para as pessoas sobre quem escrevi.
Ao princípio comecei a medo, não sabia se seria boa ideia colocar-me na posição de um livro aberto para todos que quisessem me desfolhar. Mas à medida que ia explorando, aprofundando e dissecando a minha (e dos outros) maneira de ser, comecei a chegar à conclusão que realmente não havia nada a temer.
Eu sou - pensei eu - um gajo normal. Viva!
Quem tem a mania de pensar muito, de analisar cada pequena coisa que sucede, acaba por chegar à conclusão que está um bocadinho fora do espectro da normalidade. Mas quando partilhamos os sentimentos, emoções e pensamentos, o resultado que vem do feedback, leva-nos a concluir que afinal não estamos assim tão desviados desse espectro.
Hoje estou feliz. Afinal não sou alienígena.
Quanto mais partilho, mais quero partilhar; só uma forte auto-censura me limita de transbordar.
Agora já estou mais descansado, já escrevi qualquer coisa.

quinta-feira, abril 19, 2007

Eu odeio o Dr. Phil! (parte 2)



O grande Howard Stern disse das boas ao palerma do Dr. Phil:

Howard Stern eloquently expressed his opinion about Dr. Phil this morning after hearing the doc’s comments on video games and the Virginia Tech massacre:

“He’s a fucking asshole!”

You’ll have to excuse me because that’s the only direct quote I could get down, the following are half-quotes, half-paraphrased.

Howard, Robin, and other in-studio personalities ridiculed the idea that video games could have caused the shootings, sarcastically suggesting that “Hitler played Donkey Kong” and “Osama Bin Laden played Grand Theft Auto.”

Howard went on to explain, “You know the reason why Dr. Phil is an asshole? …because whenever something like this happens he wants to play the blame game.” Howard and Robin both commented that they play or know that people play video games “all day and all night” and do not act out violently. He sarcastically remarked that blame is always placed on “the movies or something.” Howard concluded the discussion saying what many gamers have been saying for years, “This is so stupid.”

The self-proclaimed “King of All Media” is known as a staunch protector and advocate of First Amendment rights. His show can be heard on Sirius Satellite Radio from 6am to around 11am Monday through Thursday.

Ba-Ba-Bouey!


E ora toma lá que é para aprenderes!

Estúpido que nem uma porta mas feliz

Já estou a ficar um bocado farto dos gajos que dizem que não é preciso dinheiro (e tudo o que isso traz) para se ser feliz.
Foi feito um estudo há pouco tempo em que se analisava a média de felicidade do ser humano. Descobriu-se que não interessava em que condição ele se encontrasse (paralítico, cego, pobre, rico, super atleta, topo model, etc) porque o valor da felicidade acabava sempre por subir para a média humana.
Pronto, então quem diz que as posses e a condição social/física não interessam nada para a felicidade até tem razão, mas a meu ver deviam estar era caladinhos porque, geralmente, quem fala nestas coisas já tem dinheiro ou é um monge budista - sim, os padres têm dinheiro.
O facto é que prefiro ser um feliz esclarecido, conhecedor e saudável do que um feliz ignorante, estagnado e com catarro.
Se estes gajos tivessem a mínima ponta de razão, então porquê que nos damos ao trabalho de evoluir? De aprender? De ficar mais e mais saudáveis?
Não é o dinheiro que nos faz mais feliz. Mas o que é que eu faço com a felicidade se for um desgraçadito contente?

quarta-feira, abril 18, 2007

Vomitar para curar

Em face ao desgosto amoroso existem três tipos de pessoas: os selvagens que atiram ácido à cara de quem os magoou; os que guardam tudo para dentro e mais tarde explodem num acesso psicótico; e os que resolvem expulsar os "maus" sentimentos em forma de arte.
Os primeiros dois casos guardo-os para um psiquiatra. Ele que os explique.
De facto o mais interessante, saudável e benigno é aquele que resolve transformar o sentimento que se encontra em decomposição, num puro e positivo.
Alguns poderão dizer que no fundo é também um acto de vingança; Um anúncio ao mundo que aquela pessoa não presta. E talvez seja verdade...! Mas posso garantir que das três reacções, esta é a mais saudável para ambos.
Também raramente as pessoas se interessam pela identidade daquela ou daquele que nos fez sofrer. Aplaudem mais o sentimento bruto e a sua expressão, votando assim o Belzebu a um eterno anonimato.
Qualquer forma de expressão que sirva como catalizador de um sentimento para outro, mais puro, pode ser considerada arte. Não importa que a mensagem não seja conhecida por todos, o que interessa é que ela existe. É uma espécie de vomitado de tudo o que está podre dentro de nós; e esta matéria mal-cheirosa e empestada, transforma-se, quando sai de dentro de nós, em algo belo e perfumado. De tal forma é a transformação deste vómito que, por vezes, é irresistível a sua ingestão por outros.
Se apenas todos soubessem que esta capacidade é inata, pertence a todos.

segunda-feira, abril 16, 2007

Eu conheci estas pessoas...

A história resumida de um amor revoltante. Aqui.

É preciso colunas.

O outro sentido

Desde pequeno que tenho um comportamento estranho, bizarro até. Isto sempre preocupou a minha mãe, ao ponto de já não saber o que fazer comigo.
Ainda me lembro da primeira vez que me consciencializei que tinha este dom. Um dom muito especial que me permitia olhar mais longe e mais fundo.
Á medida que o tempo passou, este dom foi-se tornando numa maldição. Não me conseguia ver livre dele.
Se umas vezes se mostrou útil, noutras, na maior parte, tornou-me num marginal, um inadaptado.. A verdade é que preferia não possuir esta coisa.
No outro dia virei-me para a minha mãe e disse-lhe, enfim, o que me tem atormentado durante toda a minha vida.
Estávamos os dois na fila da Segurança Social, parados no mesmo sítio há muito tempo. Eu disse-lhe que sabia porquê que a fila não andava. Disse-lhe que uma coisa horrível estava a acontecer lá á frente. Um funcionário público estava a agoniar terrivelmente um utente. Ela inclinou-se e disse-me que não conseguia ver; olhou horrorizada para mim e perguntou, preocupada comigo, se estava de facto a ver aquele episódio macabro.
Comecei a chorar; ela também, aflita.
Finalmente peguei-lhe na mão e perguntei-lhe se se lembrava do homem que tinha feito as obras lá em casa; aquele muito estúpido que tinha feito tudo mal e levado uma roubalheira. Ao que ela respondeu que sim. Eu disse-lhe que costumava vê-lo muitas vezes. Ela perguntou-me como é que isso é possível; como é que eu tolerava vê-lo sem ficar físicamente doente. Ao que eu respondi:

- Mamã, I can see dumb people!

Choramos muito pela minha infelicidade e triste destino.

sexta-feira, abril 13, 2007

O fim da lesbianice neste lugar tão puro

A Andreia pediu-me para transmitir que não vai mais escrever neste blog. A temática deste não lhe serve os interesses.
Ela diz que talvez apareça, um dia, noutro lado... quem sabe!
Eu por mim, e apesar de gostar muito da Andreia, dou-me por satisfeito.
Volto às minhas revoltas diárias sem ser interrompido pelas aventuras sexuais dela - que, diga-se de passagem, já me faziam uma certa inveja.
E pronto!
Adeus Andreia! Volta sempre.

quinta-feira, abril 12, 2007

Ontem morri!



Eu gostava de poder dizer que sou pura e uma donzela, mas não o posso dizer.
Os homens pensam que eles são os únicos com apetites vorazes de sexo gratuito; gostam de pensar que nós mulheres só temos espaço nos nossos apetites para o amor, para a paixão e para uma espécie de estado constante de servidão para com eles. Mas não é assim. Não é assim!
Nós controlamo-nos muito melhor. Temos um grande auto-domínio.
Mas para que não hajam dúvidas, nós somos tão obcecadas por sexo como eles.
Só existe uma excepção para nós - e creio que com eles também seja assim. Quando nos apaixonamos não sentimos atracção por mais ninguém que não seja o nosso amor.
E toda esta filosofia porquê? Porque não estou apaixonada e só penso em sexo.
Mas como sou uma mulher, como é que hei-de dizer, voluptuosa, para não dizer toda boa, a mim basta-me estalar os dedos. Eu passo frequentemente do sonho para a prática.
E esta noite passada tive uma sessão que me deixou a tremer e a pingar.
Jantei com umas amigas que já não via há uns tempos e acabamos a noite a dançar que nem umas malucas no Trumps. Foi um roça-roça que me deixou as cuequinhas todas molhadas. No bar encontrei duas beldades loiras, altas, olhos azuis e bem torneadas que depressa se tornaram nas minhas "novas amigas".
Éramos oito no fim da noite, e resolvemos não ir para casa.
Bem, até fomos para casa, mas fomos todas para uma única casa. Felizmente uma das minhas amigas mora ali no Princípe Real, e para lá fomos todas contentinhas e excitadas.
Eu, que já estava há duas horas a ver se me decidia com qual das minhas novas duas amigas iria acabar a noite e prometer-lhe ao ouvido (se ela fosse boa na cama) outras mais, acabei por não conseguir decidir-me. Ainda bem que elas as duas decidiram por mim. E a decisão foi boa para as três...
Eu não sei o que as outras minhas amigas ficaram a fazer na sala, mas nós as três recolhemo-nos para um dos quartos. Este tinha uma bela cama larga de dossel.
Uma ménàge a trois não é novidade para mim, mas estas duas eram tão habilidosas com todo o corpo (para eles, que são ignorantes nestas coisas, podem continuar com a ideia que é só dedinhos e língua) que ao fim de meia hora já estava quase extenuada.
O bom do sexo entre mulheres é que dura muito, mas muito mais tempo.
Eu gosto de ser muito activa e controladora na cama, mas estas duas estavam-me a dificultar a tarefa. Dir-se-ia que eram minhas almas gémeas. Quase todas as minhas iniciativas eram-me roubadas - pareciam telepatas.
Éramos, as três, moças em boa forma. O desporto não era estranho a nenhuma de nós. O sexo também não. Então porque é que acabamos a noite a tremer e todas suadas? Quantas calorias teríamos queimado?
O cheiro a sexo envolvia e puxava-me. A minha língua já estava quase seca. Cheguei a um ponto que já não conseguia parar os espasmos. Os meus dedos dos pés doíam. A minha barriga doía. Sentia tantas ondas de prazer que julguei que não aguentaria mais. Pensei em desistir.
Mas se tinha que morrer um dia mais valia que fosse na cama com aquelas duas deusas do sexo. Morreria com um sorriso e sem uma pinga de o que quer que fosse. Seria drenada até à morte.
Obviamente não morri. Mas hoje os meus critérios de selecção estão diferentes. Hoje, pelo menos hoje, escolherei uma donzela pura. Hoje ela terá que ser muito especial. Hoje quem domina sou eu. Hoje é a minha vez de "matar" uma. Vai ser uma morte muito especial...

Eu cá gosto é de trabalhar a solo

Eu não gosto de trabalhar em equipa. Tenho um péssimo feitio para aturar outras velocidades que não a minha: se são muito lentos, começo a ficar com nervoso miúdinho, se são mais rápidos do que eu, fico frustrado e irritado pela minha lentidão. Por isso, trabalhar comigo é uma tarefa ingrata.
Até os meus chefes já o sabem - não sei como -, e de vez em quando perguntam-me se não estão a ser muito chatos ou então dizem, uns aos outros, que "O André gosta de trabalhar sozinho. Não o chateies muito".
Já chegou ao ponto de, na última Comissão Directiva, a então Presidente me ter vindo pedir se eu não me importava de "aturar" por algum tempo um Professor. Tinha que o ajudar a elaborar um opúsculo e devia tentar ser paciente com ele. Eu fiquei parvo com este pedido, não só porque gosto muito do Prof. em causa e nunca seria mal educado com ele, como também porque não tinha percebido, até então, que tinha a fama de impaciente, ou melhor, que a minha fama de impaciente já se tinha espalhado tanto.
Eu gostaria de dizer que não sou estúpido porque não me irrito com pessoas importantes, infelizmente não o posso dizer. Sou mesmo estúpido, porque quando me chateio as únicas pessoas importantes para mim são aquelas que não me estão a chatear nesse momento.
Felizmente, até hoje tenho tido sorte; nunca nenhum superior hierárquico me mandou à merda como eu às vezes merecia, mas também há que dizer (em minha defesa) que para que isso não tenha acontecido ainda é porque sou responsável, eficiente e rápido a fazer o que me pedem - esperem, tenho que limpar a baba.
Gostava de poder terminar com um pedido de desculpas a todos com quem tenho implicado, mas isso iria contra a minha natureza. Eu quero é que não me chateiem com mariquices quando estou cem por cento concentrado no que estou a fazer.

terça-feira, abril 10, 2007

Quando o amor acaba, acaba só para um




Nunca me esquecerei do calor e suavidade da pele dela.
Era tão branca que tinha uma espécie de aura quando o sol a iluminava. Até com a Lua ela irradiava.
Ela foi o amor da minha vida.
Juntas, derretiamos todas as noites os nossos corpos. Por baixo e em cima dos lençóis de cetim, poças de salgado suor misturado com o mais ácido licor dos Deuses.
As noites eram sempre nossas.
Nuas, entrelaçadas, as nossas linguas não deixavam um milimetro seco.
Umas vezes raivosas, outras, maternas.
Antes e depois do sexo, palavras e juras de eterno amor. Planos. Sonhos.
O sexo acontecia, o amor era.
Nunca senti tanto prazer como com ela. Ela completa-me... completava-me.
Invariavelmente ela fazia-me tremer. Espasmos pelo corpo todo. Não me conseguia controlar. Ondas de calor no estômago até abaixo. Não conseguia pensar em nada excepto na eterna e completa servidão que lhe prometia nos meus pensamentos. Ela era a minha Deusa. Por ela faria tudo.
Quando ela ria eu sentia arrepios. Ela ria-se para mim, oferecia-me a sua satisfação, a mim.
Quando ela se queixava, eu tudo fazia; Quando ela se zangava, eu me encolhia.
Eu era assim, submissa. Ela, poderosa. Mas eu amava-a, não me importava.
Finalmente, o amor dela acabou e eu, eu, destroçada, aniquilada, com uma doença incurável, um vírus que não me larga, uma toxina que me queima os músculos e me impele na sua direcção. Mas eu não quero, ainda tenho orgulho.

EU NÃO QUERO! JÁ NÃO!

Porquê que o amor acaba sempre só para um e não para dois?

segunda-feira, abril 09, 2007

Eu odeio o Dr. Phil!



Ok! Obviamente que acho execráveis aqueles vídeos de exploração dos sem-abrigo, mas reparem que apesar de o Dr. Phil dizer que não subscreve aquela exploração, mesmo assim não deixou de a passar no programa. Para mim o que atiçou realmente o Dr. Phil, e parece-me bastante óbvio, é a caracterização do seu convidado - a careca e o fato e gravata -, como uma imitação de si próprio.
Este tipo estava no fundo a querer dizer que a única coisa que os separava era (já não é) a diferença física, porque o resto está tudo lá.




Quanto a este nem consigo tecer nenhum comentário mordaz.



E o Dr. Phil encontra alguém mais articulado e inteligente...

Vou ser uma gaja!

Independentemente de me comentarem ou não, ou mesmo de me criticarem fortemente por causa das minhas opiniões, sei que enquanto gostar de escrever não vou parar por essas razões.
Como eu faço o mesmo em outros blogs - leio e não comento - não vou estar para aqui a criticar ninguém. Em vez disso, resolvi tomar uma atitude pró-activa.
O que eu quero realmente dizer é que baseado nas minhas últimas (aturadas) pesquisas no universo bloguistico, cheguei a duas conclusões relativamente à relação quantidade comentários/tipo de blog: uma é de que as pessoas famosas são muito comentadas, e quanto mais famosas forem mais comentadas são; a outra é que elas (as mulheres no geral) são ainda mais comentadas que as pessoas famosas, quanto mais "eróticos" forem os conteúdos, mais comentários têm.
Depois destas conclusões, e porque, à semelhança de toda a gente, procuro por reconhecimento dos meus pares, resolvi mudar de nome para Andreia. Vou manter mais ou menos a mesma temática, mas de vez em quando vou falar da minha sexualidade; como sou bela; e das minhas experiências sexuais.
Serei uma Andreia afoita e curvilínea, malandra mesmo. Vão-me perdoar mas terei que ser lésbica.
Sei que depois desta mudança de identidade serei muito mais comentad(a) e receberei muitos paparicos dos esfomeados que andam por aí. - Tarado, ficas já avisado que esta Andreia não vai na tua conversa! Maluca, és bem vinda!
Será uma experiência enriquecedora e fonte de enormes gargalhadas.

Nota: Em princípio os taradões não vão ler o que está para trás, por isso...

Quem te avisa... chato é!

Antes mesmo de me ensinarem a falar e a acertar no penico, já os avisos me eram familiares.
Não há ninguém que eu conheça, inclusivé eu, que não seja capaz de regurgitar um aviso óbvio de vez em quando.
Pois, porque não há coisa mais chata que aqueles avisos óbvios. São tão irritantes que eu já nem respondo.
Durante muitos anos respondi, mas cheguei à triste conclusão que fazê-lo para evitar agradecer uma coisa estúpida, é, não só ineficaz, como me faz sentir uma espécie de Ulisses em mais uma tarefa dada pelos Deuses.
Como já referi, todas as pessoas são capazes de, num momento ou noutro, avisar sobre algo irritantemente óbvio; mas existem determinados sujeitos que parece terem nascido com o dom de constatar e contestar o óbvio numa base diária.
Piores do que interrogadores de Laplace La Palice, estes vivem para nos apanharem nos momentos da mais feliz, e voluntária, ignorância. E para, com um sorriso cruel, vocalizarem mais um estertor óbvio e desnecessário.
Qual a natureza destes chatos? O que os move? E porque fazem tanta questão em serem tão inconvenientes?
Estes chatos são uma espécie curiosa.
Eu acredito que por não serem capazes de raciocínios complexos quando um conjunto de eventos e acções leva à dedução de uma forte probabilidade, estes limitam-se aos cálculos mais simples: Se martelares por muito tempo aumentam as probabilidades de acertares num dedo.
São este tipo de conclusões que eu dispenso. Não só por já as saber de antemão, mas porque se me levam a que eu pense em demasia sobre o provável desfecho, fico obcecado, perco a concentração e acabo por precipitá-lo.
Quando vejo alguém a fazer alguma coisa arriscada, eu remeto-me ao silêncio porque sei que a pior coisa que posso fazer é enumerar as probabilidades do erro acontecer; além disso, corro o risco de me tornar em mais uma das circunstâncias que aumentam a percentagem errada da probabilidade.
Existem duas excepções em que eu posso considerar a intrusão, minha ou de outro: todo o indivíduo que realmente precise de ser avisado; e aqueles dias em que me sinto mais sádico.
Por tudo isto te aviso para não me avisares. Estás avisado! Não me voltes a avisar!

quinta-feira, abril 05, 2007

Eu odeio o Bill O'Reilly!

Odeiem-no comigo.








E há muitos mais de onde estes vieram.

Não há pachorra para os censores

Na Super Interessante deste mês (n.º 108) vem um artigo de opinião do João Aguiar que aborda o mal que a televisão faz às crianças se usada em excesso. O título é "Eu bem dizia!".
Primeiro devo dizer que concordo. Longas horas sentado à frente de uma TV é de facto prejudicial, tanto física (obesidade, miopia, diabetes, etc) como mentalmente (lavagem telenovelesca ao cérebro, desinformação, parcialidade, etc).
Porque o artigo do João Aguiar foca mais os pequenos adultos, conhecidos como crianças, eu estou de acordo que "alguma" disciplina devesse ser incutida pelos pais no sentido de orientá-las [as crianças] para outras actividades mais saudáveis.
O que eu já não concordo é que se faça da TV uma espécie de mãe de todos os problemas.
Começo pelas longas horas passadas á frente da TV e os seus malefícios para a saúde. Será que longas horas passadas a ler, estudar ou outra actividade qualquer mais positiva não tem o mesmo efeito? Claro que mentalmente é inquestionável que a maior parte da programação televisiva não só é inócua como chega a ser negativa. Quanto a isto não há contraditório. Mas também é verdade que hoje em dia existe uma enorme variedade de oferta de programas com qualidade. É uma questão de critério dos pais.
Não sou insensível ao facto de que as crianças cada vez têm maior número de horas preenchidos com conteúdos que os podem vir a imbecibilizar. Mas não foi sempre assim?
Ou as crianças têm bons pais ou não. E se os têm, acredito que a sua educação será prioritária.
Quando eu era puto, não tinha praticamente televisão; não tinha certamente Internet e muito menos computadores. Então como é que passava os dias? A ler, brincar e a fazer tropelias. - Sem dúvida mais saudável. - No entanto, comparo-me com as crianças da actualidade, e chego à conclusão que com a mesma idade não era tão inteligente e culto como elas são hoje em dia.
Eu acho que a polémica que existe á volta da TV, da Net e dos jogos de computador, é um assunto muito empolado, mas que tem paralelos noutras gerações.
Ainda me lembro da má fama que os livros de banda desenhada brasileira tinham. Muitos pais chegaram mesmo a proibir os seus filhos de os lerem. Eu não tive esse problema - devorava tudo que era patinhas. Aparentemente não me prejudicou (muito), pelo contrário, ajudou-me a gostar da leitura.
O que eu digo é que se as coisas forem feitas com conta, peso e medida, não faz mal nenhum um pouco de decadência, anti-cultura e obsessão. Fortalece a individualidade e combate a uniformização dos futuros adultos.
Deixem as crianças ser conspurcadas!

quarta-feira, abril 04, 2007

Isto não é sobre o Rambo

Um filme perfeito é igual a qualquer outra coisa perfeita. Não nos cansamos de a sentir.
Dez ou cem experiências, é indiferente. Por cada vez que resolvemos usar os sentidos para sermos hipnotizados pela harmonia da perfeição, apercebemo-nos de novos significados e sentidos. Novas perspectivas.
A perfeição, no entanto, só existe em bruto e na novidade da primeira vez. O sentimento é tão imersivo e avassalador, que para a nossa rudimentar razão e extremidades sensoriais é o suficiente para, finalmente, usar esse conceito tão absurdo e empoeirado.
Quando finalmente percebemos que essa ideia do completo e harmonioso não existe realmente, é tarde demais. Já fomos apanhados, fisgados, encurralados para sempre na ideia do ideal.
Quantas mais vezes sentimos aquilo que outrora chamamos de perfeito, mais pormenores imperfeitos encontramos.
Começamos a amar duas coisas: o início e a ideia de que o bom não é bom se não tiver uma boa pitada de mau..
Como no sexo, em que nos aguentamos até não podermos mais e tentamos fazê-lo com quem sentimos o máximo de atracção possível, nos filmes resistimos à repetição barata e banal que destrói a nossa percepção inicial, e quando, finalmente, repetimos a experiência, reunimos as melhores circunstâncias possíveis para de alguma forma compensar em intensidade a ausência do choque inicial.
Os nossos filmes favoritos possuem momentos que não nos cansamos de repetir. São momentos sublimes que tentamos prolongar para além da sua existência na película. São momentos que definem alguns de nós. Outras vezes são momentos que procuramos na vida real, momentos que passam a ser as nossas dioptrias perante a vida. Mudam o nosso ponto de vista e a nossa atitude ao dia-a-dia.
Também existe um FIM. E neste, tanto religiosos como ateus estão unidos na mesma preferência: a narrativa aberta.
O critério de cada imaginação.
O FIM é o começo do sonho de cada um; No FIM acaba a transmissão da mensagem que vamos passar uma vida a tentar descodificar; Depois do FIM retomamos a nossa existência onde a tinhamos deixado, mas agora, com um vislumbre do sagrado, começamos a impor, lentamente, um ritmo diferente ao MEIO.
Suspeito que lá para o fim da minha vida vou começar a dar um valor superior ao INÍCIO.

Isso é coisa que nunca percebi!

- Não percebo nada disso!
- Isso faz-me muita confusão!
- Ai que horror! Sou tão atrasada! - Ri-se muito de si própria.

Não consigo perceber as pessoas que fazem propaganda da sua ignorância em determinados assuntos de forma tão irredutível e cómica.
Normalmente esta ignorância acenta em qualquer área que sugira modernidade ou futuro: tecnologia, ciências, etc.
Quando digo que não consigo perceber não estou a ser perfeitamente honesto. Percebo que é bem não fazer parte das correntes mais inovadoras, não é cool; o melhor é deixar o trabalho do pioneirismo para os cromos, e depois, quando se tornar moda, será a altura ideal de aprender qualquer coisita, mas não demasiado que o excesso de educação pode ser associado a uma faceta menos fashion.
Mas se consigo compreender o que move estas pessoas, não consigo perceber a troca da saudável aprendizagem pela do decadente e supérfluo.
Estaria a ser injusto para com os broncos e os desinteressados se não os referisse também. Estes podem ser considerados como uma terceira corrente: os que até acham piada mas não têm pachorra para aprender; e os que não acham piada nenhuma a qualquer coisa que sugira uma mudança nos seu velhos hábitos.
Esta terceira corrente é caracterizada pela opção individual em não aprender e não por uma pressão externa como os que se sujeitam aos ditames da moda.
Não consigo decidir-me por qual dos dois ignorantes eu sinto menos afeição: o superficial ou o estagnado?
Uma coisa é certa, a ignorância é de todos nós, mas são poucos os que sonham com a liberdade que o dia seguinte trará com o virar de mais uma página.

Tempo gasto não é perdido

Já várias vezes me perguntaram quanto tempo gasto por dia a escrever para o blog, ao que eu respondo, sem pensar nas implicações da pergunta, de dez a quinze minutos.
Infelizmente, como sou disfuncional nas reacções a coisas parvas, ou melhor, não respondo o que devia quando me fazem perguntas idiotas, reajo à pergunta quase sempre como a desculpar-me e a tentar minorizar o grande pecado que é o tempo que se perde a escrever. Quando o que eu deveria responder, o que qualquer pessoa que escreve deve responder, é que a pergunta está mal formulada porque não há tempo perdido mas sim ganho; Também poderia responder com duas perguntas: "Tens algum passatempo?" e "Quanto tempo gastas nele?".
Claro que quem faz este tipo de perguntas não tem por hábito escrever nem, desconfio, ler.
Não deveria ter de explicar que "tempo perdido" é sempre um recurso estilístico para algo negativo num contexto produtivo, e não a subtracção literal do total de tempo que cada um dispõe. Mas aqui fica a definição para que não perca realmente tempo a responder a alguma pergunta sobre o significado do tempo.
Com isto tudo já é meia-noite e nem dei pelo tempo a passar. Para onde foi o tempo que ganhei?