segunda-feira, novembro 13, 2006

A fisiologia da vergonha no português

Para enumerar as reacções de um corpúsculo português à vergonha, tenho primeiro que colocá-lo num habitat. Digamos...talvez no concerto do Fish deste Sábado na Aula Magna.
O português sempre tentou ser um tipo cool, isto significa que tentamos ser tão descontraídos como os camones, embora sem sucesso.
Primeiro, aparentemente relaxado, começa a "abanar o capacete" e a cantar. Infelizmente este relaxamento só dura no máximo um minuto, até que o português tome consciência do que o que está a fazer vai contra toda a sua natureza pacata. Estes períodos de "despertar" podem acontecer durante todo o evento, a não ser que o português tome medidas de defesa, ou seja, que se encharque de álcool antes do acontecimento.
Vamos esquecer o alcoolizado e continuar com o menino, perdão, com o sóbrio.
Depois do "despertar" o que acontece são rápidos e sucessivos espasmos nos olhos. O que podemos chamar de olhar sorrateira e rapidamente a periferia para ver se ninguém está a observar a sua (pensa ele) figura rídicula.
Se ninguém o viu continua, mas sempre desconfiado com aqueles que ele não consegue topar. Se alguém está a olhar para ele, são imediatamente desencadeados outros processos fisiológicos.
Depois de um Bolas!, segue-se o já conhecido apertar das nádegas, o rubor das faces e o baixar de cabeça. Pensa um momento na idiotice que é a vergonha e retoma o comportamento inicial: "abanar o capacete" e (tentar) cantar a música, seguido de um "Que s'a foda!".
Uma vez e outra e outra...
Existem outros comportamentos de vergonha, mas estes não são registados neste tipo de habitats.
Vamos mudar o cenário para, por exemplo, uma conversa de exploração em que dois, ou mais, participantes não se conhecem. Ajuda se forem do sexo oposto.
Geralmente os envergonhados são do sexo masculino. Porque ao contrário das libertinas das mulheres, os homens são mais inseguros.
Então o comportamento do homem começa por fortes aspirações do ar circundante com a boca, ruidosamente, olhar fixo num horizonte imaginário, não vão os olhos cairem para as mamas da participante (obviamente) feminina; as perguntas deste são tudo menos subtis: chama-se a isto exploração introdutória; é possível que faça vários disparates à mesa; o rubor e o apertar de nádegas também podem acontecer neste ambiente; e, claro, o olhar rápido à área circundante para verificar que não existem outros machos a observarem, jocosamente, o seu comportamento.
A vida do português é difícil e não se recomenda a cardíacos.

8 comentários:

Patrícia Cardoso disse...

Ouvi dizer que o concerto foi fantástico, confirmas?

André disse...

confirmo

O Anarquista Duval disse...

Há também penteiar com as mãos e ao mesmo tempo dar uma olhadela á volta...
é mesmo ridículo, mas tenho a certeza que já todos fizemos isso uma vez ou outra...

X disse...

São 300 anos de Inquisição mais 40 anos de ditadura, aprendemos a ser espiados já na nossa linha genética, e como ninguém pode dar um peidinho sem que os outros comentem...se não fosse pela comida eu diria que é uma merda ser português.
X

Concinha da Mata disse...

Foi realmente fantástico. Adorei

Inspector Serôdio disse...

Isso foi o quê?... o concerto dos larilas? Ah, e dos beberrões (daqueles cujo fígado não passa de uma isca presa por agrafes)?

André disse...

Pergunta ao teu amigo Ze_Porvinho. Ele esteve la...

Inspector Serôdio disse...

Daí a ressalva dos beberrões, iluminado!...