quinta-feira, fevereiro 21, 2008

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

A função pública é disfuncional

Porquê que os funcionários públicos são chatos como o caraças?
Primeiro, falam muito sobre merdas absolutamente irrelevantes, e como se não bastasse isso, ainda metem mais sub-histórias para "enriquecer" a conversa, tais como: a genealogia completa dos indivíduos focados; a história do local e previsões mais que certas para o mesmo; e as inevitáveis lições de moral no meio - porque nunca chegam ao fim - da história.
Segundo, porque são capazes de repetir tudo novamente (como se o assunto fosse tão importante que ninguém - Ninguém, mesmo! - devesse perder uma pitada).
Terceiro, porque as histórias contadas são intermináveis, e são contadas, em diferentes versões, todos os dias.
Quarto, porque que mais que fuja de um ou de outro funcionário p. mais implacável, existem sempre mais dois voluntariosos para o seu lugar.
Se acho que estes gajos deviam ir todos para o olho da rua? Bem, pelo menos os chatos, que são para aí 99 por cento deles.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Dia do meu amor

Neste dia, e nos outros todos, eu dedico este poema do meu escritor favorito para aquela a quem eu chamo mulher.

O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não

O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração

Chico Buarque (Teresinha)

Malucos há muitos!!!

Todos os malucos sentem uma estranha atracção por mim. Não é sexual, é apenas social...
Já deveria estar habituado, mas eles apanham-me sempre de surpresa.
Os últimos dois malucos com quem "interagi" pertencem a dois universos diferentes. Um pertence a este universo virtual: um comentador louco. O outro, pertence ao universo dos transportes públicos - que tenho o desprazer de frequentar cada vez mais.
O primeiro apareceu-me aqui, no meu blog, sob a forma de um comentador drunfado (não é o primeiro nem será o último). Entre repetições do que eu escrevia e LOLs à fartazana, este rapaz (?) divertiu-se à grande com várias provas definitivas do seu intelecto superior.
O segundo, e mais pacífico, sentou-se ontem à frente de mim no metro. Olhou para mim e para as duas moçoilas que preenchiam as cadeiras não-sei-para-onde-é-que-hei-de-olhar-bolas! (dois contra dois), e visto as raparigas olharem ambas para pontos distantes no horizonte de uma forma teimosa, escolheu-me a mim para encetar um monólogo muito interessante sobre cães ferozes e pernas mordidas. Embora eu não lhe tivesse dado conversa, não conseguia deixar de olhar para ele quando falava para mim. Isto acontece-me sempre com os malucos; acho que se alguém fala comigo (ou escreve), o mínimo que eu posso fazer, e que a minha educação me obriga, é olhar (ou ler e responder), e esboçar um ou outro sorriso de compreensão fingida.
No fim, o maluco despediu-se de mim com uma palmadinha de amizade na minha coxa esquerda, e eu nem sequer lhe disse adeus...aliás, nunca lhe dirigi palavra, apesar de ter escutado tudo o que ele disse. Tenho que confessar que senti alguns remorsos por ter sucumbido à pressão social de não falar com malucos nos transportes públicos. Quanto ao outro maluco, o comentador do País das Maravilhas, esse nem sequer se despediu. Fiquei triste? Não. Mas estou curioso: Onde é que ele está? Estará bem? Que curso é necessário para se ser maluco? Será ele, na vida real, o mesmo tipo de maluco? E se sim, será a abordagem dele mais suave? Serão ele e o maluco de ontem um e o mesmo? Queres ver...