segunda-feira, novembro 20, 2006

É p'ro menino e p'ra menina!

Correndo o risco de ser rotulado, venho, mais uma vez, defender os homossexuais e as suas reinvindicações.
Não vou começar a minha argumentação com a defesa preliminar da minha sexualidade alegando o que sou ou o que não sou - só me importa o pensamento daqueles de quem gosto e de quem sou próximo.
Começo por dizer que sou completamente a favor, tanto do casamento como da adopção, por parte dos homossexuais.
Por outro lado, também concordo com o Anarquista Duval quando se queixa dos paneleiros das casas-de-banho públicas. A realidade é que a maior parte destes são predadores, animais e completamente broncos, à semelhança da maior parte da população nacional.
Por tanto, quem eu vou tentar defender são pessoas bem-formadas, ou melhor, formadas.
Começo pelo casamento: Apesar de achar que têm todo o direito a se unirem numa instituição, com todas as regalias que o casamento católico tem, não entendo muito bem a necessidade da união religiosa. Religião que sempre os marginalizou. Mas, liberdade acima de tudo. Se querem acreditar num Deus que rejeita a monoparentalidade, por mim tudo bem.
Quanto à adopção, está mais que provado (na prática e na teoria) que esta não prejudica as pequenas criaturas chamadas crianças. Isto porque esta prática já é legal em alguns países há vários anos. E dessa experiência já se tiraram as devidas ilacções.
É curioso, mas já foram feitos estudos acerca desta prática por disciplinas tão diversas como a economia e, claro, a sociologia.
O estudo que me chamou mais a atenção até agora veio resumido no livro "Freakonomics" de Steven Levitt (um economista muito conceituado). Aqui ele aborda resumidamente um estudo feito a uma população, durante décadas, para saber da relevância de determinados factores na educação das crianças. Deste estudo inferiram que não tem grande importância aquilo que as crianças fazem e que se diz que é mau (muitas horas de TV, etc), assim como a estrutura da parentalidade (mãe-pai, mãe-mãe ou pai-pai) também é absolutamente irrelevante para a criança. No final e em conclusão, o que tem importância é o que os pais são na sua essência. Se são bons, inteligentes, sensatos, etc., ou não.
Agora podem haver aqueles que argumentam que uma criança no seio de uma família destas corre um risco mais acentuado de se tornar, ela também, em outro homossexual. A estes posso contra-argumentar com dois conceitos: primeiro, a maior parte dos adultos homossexuais vêm de estruturas familiares clássicas (mãe-pai); segundo, mesmo que o argumento fosse válido não teria qualquer importância para mim porque não considero a homossexualidade uma doença.
Comecei este texto a dizer que não ia esclarecer quem o lesse da minha sexualidade por uma razão muito simples: se sou, seria parcial; se não sou, cairia no erro da justificação prévia da minha sexualidade, o que denotaria receio da minha parte de qualquer espécie de ligação com a homossexualidade. Este receio seria uma grave falha na minha argumentação, porque a este estaria associado uma fobia a esta condição, uma pré-marginalização.
Vá, agora já me podem chamar nomes.
Depois de vomitarem as alarvidades que quiserem, aproveitem para reflectir um pouco sobre o que a sociedade vos impinge. Se colocassem em dúvida tudo o que vos transmitem, não seriam tão básicos.

3 comentários:

Patrícia Cardoso disse...

Concordo em absoluto contigo!

Inspector Serôdio disse...

É assim mesmo - larilas ao poder!
Ups, esqueci-me que já lá estão...

O Anarquista Duval disse...

Também não vejo qual é o problema dos homosexuais adoptarem crianças...será que elas estão melhor num orfanato do que com um casal, seja ele qual fôr, que goste da criança e a trate bem?