sexta-feira, março 28, 2008

Quase que magoava a bete

Tenho que esclarecer primeiro que este post não é para irritar de forma alguma a minha amiga que dança Tango, mesmo assim não é aconselhada a leitura deste pela referida.
Ontem fui ao concerto dos Portishead, e estou contente por três razões: a minha namorada é agora uma fã; o concerto foi espectacular!; e passei (quase fui de encontro) a centímetros da Beth Gibbons.
Como chegamos cedo aos Restauradores, resolvemos ir primeiro jantar. A zona ainda se encontrava relativamente calma.
Enquanto descia aquela rua do Olímpia, olhei sorrateira e melancolicamente para o velho cinema e recordei aqueles belos cartazes dos anos 80 com gajas todas descascadas e prontas para o sexo maroto.
Enquanto a minha mente porca desfiava várias obras de arte porno, vi uma cara conhecida a subir a rua. Mais uma vez pensei, "D'onde é que conheço esta gaja?". Desta vez o acesso aos meus pouco cooperantes neurónios foi mais rápido do que o habitual, pois assim que me desviei dela, não a lesionando por encontrão por pouco, lembrei-me: "É a Beth Gibbons!!!"; murmurei com uma voz afectadamente amaricada para a minha namorada, que me olhou com aquela suspeita pensativa de gaja: Bete quê? Ai o caraças que este gajo tem demasiadas amigas p'ro meu gosto.
Ainda bem que não a lesionei, não gostava de a ver no palco coxa a olhar para mim com cara de poucos amigos.

quinta-feira, março 27, 2008

Conheço dois feiticeiros

Já percebi que não posso gozar com a minha irmã e com um velho amigo meu no que toca a doenças e desvantagens físicas adquiridas com a idade, pois quase todas as minhas fartas e gordas risotas têm-me sido devolvidas na forma de "contágio"...
Escuso-me de descrever o que gozava com a minha irmã (corro o risco de duplicar o que tenho agora por ter a boca muito grande), mas posso dizer que todos estes anos que gozei com ela me foram devolvidos acompanhados de um trejeito estranho na boca dela - poderia jurar que se tratava de um sorriso malévolo mas tive medo de perguntar.
Em relação ao meu amigo, e porque ele não é de internetes, vou arriscar descrever o que eu tanto gozava.
Há muitos anos que nos conhecemos, desde a nossa adolescência; desde essa altura que eu o vejo perder mais e mais cabelo. É óbvio que, dada a minha natureza, não poderia deixar perder uma única oportunidade de gozar com ele, qual Sansão gozava com o Imperador Ming. Tanto fiz, tando ri, que (horror dos horrores) um dia acordei com menos um cabelo. No outro já eram dois, e por aí adiante. Agora a falta começa a ser notória, e só tenho trinta e oito anitos: sou um puto!!!
O que eu acho é que nunca deveria ter apresentado um ao outro, pois sei de fontes seguras que ambos se dedicam ao ocultismo e às artes negras do roga-pragas. A meu ver, os dois juntaram-se um ano destes, fartos de mim e das minhas gargalhadas histéricas, e preparam-na bem preparadinha; quero dizer, com pés de galinha, giz, pentagramas e tudo; o pacote completo.
E eu, muito estupidamente, a gozar com estes dois feiticeiros terríveis durantes estes anos todos.
Nos dias que correm, de vez em quando sai-me uma parvoíce qualquer da boca, a qual eu rapidamente extingo com mil perdões ao visado. Todo o cuidado é pouco, especialmente quando se trata da minha irmã e do L.
Ultimamente ando desconfiado que o Frankenstein (o pássaro que vive comigo) anda a preparar alguma. Não devia ter gozado com a afonia dele...!

sábado, março 15, 2008

Outras utilizações para os rolamentos e a tinta da china

Esta tentativa de implementação de uma lei que proíba os piercings na língua de um adulto é demasiado rídicula para ser verdade. Assim de repente, parece uma tentativa de desvio da atenção da merda que o PS anda a fazer...
A ser verdade, sou contra!
É óbvio que furar a língua acarreta consideráveis riscos para o furado, mas por outro lado, também é verdade que sexo oral por uma língua artilhada com metal é muito bom - pelo menos é o que ouço dizer.
Não sou médico, mas quer me parecer que todas as operações de embelezamento (mamas novas, cara nova, etc.) têm os seus riscos. Existem sempre probabilidades de a coisa correr mal, seja na língua ou nas mamocas. Portanto, para se proibirem estes rituais primitivos, também se deviam proibir as clínicas de cirurgia plástica de... plastificar?
Claro que se a lei só prever a certificação do pessoal e estabelecimentos que procedem a estes furanços e segundas de mão, aí sou obrigado a concordar. Agora, proibir é que não!
Quanto à proibição de os menores se tatuarem e se furarem, acho que tenho que concordar. Se (quase) todas as coisas prejudiciais à saude são proíbidas aos putos, isto é apenas mais uma. E sou obrigado a concordar, não porque pretendo substituir os pais, mas porque estes cada vez estão mais ausentes na instituição 'família'.
Fica uma dúvida no ar: Fiscalização. Quem e como?
Suponho que a ASAE não irá proceder a buscas minuciosas nos Liceus, pondo os putos em formatura com a língua de fora e mandando-os despir. Talvez um detector de metais à entrada das escolas pudesse resultar. Eu se fosse aos putos, andava com cuidado a partir de agora. Assim que visse baldes de lixívia e alicates à porta da escola, não punha mais lá os pés.
Quando eu era puto, nem os rolamentos se punham na língua, nem a tinta da china debaixo da pele. Pelo menos em Portugal.

segunda-feira, março 10, 2008

Mary Shelley deu-lhe asas. Bram Stoker dar-lhe-á dentes

A minha namorada tem um periquito (ou pelo menos uma ave amarela e pequenina), cujo nome eu tive o prazer de dar.
Nunca gostei muito (ou mesmo nada) de peixes e de pássaros. Reformulo esta minha última frase: nunca gostei de ter este tipo de animais, porque tê-los significa confiná-los a um espaço mínimo, que não me parece muito saudável.
- Ah e tal, mas os pássaros e os peixes não sobreviviam de outro modo...!
Queres ver que antes de os colocarmos nestes caixõezitos eles não existiam. Não sou biólogo, mas suspeito que rapidamente (em poucas gerações) se adaptariam à liberdade...que chatice!!!
De qualquer modo, e como eu até sou hipócrita, estou a gostar desta criatura afónica e que não voa. Acho que ele fica muito bem na cozinha; dá-lhe um toque kitsch...
Mas como eu comecei por referir, eu dei um nome ao pássaro, e como eu gosto de chatear, dei-lhe o nome de Frankenstein. A minha namorada detestou e ficou (um bocado) chateada. Tanto chamei o bicho de Frankenstein que, no dia a seguir, também a A., involuntariamente e para meu grande gozo, começou a tratá-lo desta forma tão carinhosa.
Agora é assim:
- Vai trocar a água ao Frankentein s.f.f.
- Olha p'ro Frankenstein. Tão querido.
- Não te esqueças de abrir os estores de manhã para que o Frankenstein tenha luz durante o dia.

quarta-feira, março 05, 2008

Eu conheço o Cascão

Mais maluquinhos! Mais maluquinhos!
Novamente no meu local de trabalho. É aqui (isto é grande) que "reside" uma série de malucos, cujas aptidões, independentemente de serem duvidáveis, são de obrigatória valia, graças ao instrumento chamado Quadro.
Desta vez de quem eu me venho queixar é de um verdadeiro maluco. Certificado pelo Laboratório de aNormalização da National Cucugraphic. Este é uma versão do Cascão com laivos de funcionalismo público, ou seja, porco comó caraças e de conversa longa e ininteligível.
Foi há pouco que entrou no meu gabinete uma colega com as feições estranhamente deformadas pela expressão de nojo - o Cascão andava aí pelos corredores, e a fragância de hoje era Água de Colónia ETAR...
Já há algum tempo que eu gozo com esta minha colega devido à aparente atracção que o Cascão sente por ela. E, desde que percebi isso, comecei a inventar histórias, que prontamente partilhava com ela. Histórias do tipo: o Cascão vai-te levar p'ro barraco e nunca mais de lá sais. Vais ser a mulher do Cascão, etc.
Hoje, quando a minha colega entrou a correr, fugida do Cascão (outra vez), prontamente inventei outra história que se adequava a este momento Old Spice.
Virei-me lentamente para a minha colega, liguei o Mike Oldfield e comecei em voz Oceano Pacífico. Imagina: "O Cascão tinha acabado de inventar uma nova linha, irresistível, de delicados perfumes. Num golpe de ébrio, o Cascão resolve comercializá-la. A publicidade, acompanhada de um Thunder dos AC/DC, teria o seguinte slogan: Ao passares por elas, nenhuma ficará de pé! Esta nova linha do Cascão seria composta de uma água de colónia: Haffug Entaias; o perfume: Anést ètico; e o sabonete: soap ademerde. Uns tempos depois, o Cascão, dono de uma enorme fortuna feita com a sua linha ETAR MOI, arranja finalmente coragem de te raptar e levar para o seu, agora enorme, barraco. Tu serias Maria Cascão, e o Cascão, finalmente, Manel Cascão. Teriam muitos filhinhos e teriam anosmia para sempre."
A minha colega diverte-se sempre com estas histórias, mas se um dia o Cascão resolver levá-la mesmo, ninguém pode dizer que eu não a avisei.