domingo, setembro 20, 2009

Piaf, ou memórias sexuais de 300 velhinhas

Ontem fui ver a Piaf com a Adelaide.
Às cinco horas da tarde o Politeama é um paraíso senil: todo o género de velhinhas estavam lá para relembrar, não só a dita cuja, mas também o Montand e o Aznavour, que, com certeza, lhes trazem à memória arcaicas sessões sexuais com congéneres. Os velhinhos eram em menor quantidade; talvez porque as mulheres lhes sobrevivem em maior número, ou talvez por falta de pachorra para ver as digníssimas esposas chorarem com as memórias dos antigos fodilhões que os precederam. Estava lá também o velhinho La Féria (faz-me sempre lembrar as férias), que enquanto eu esperava pela minha gravídissima querida adelaide - passa a vida na casa de banho -, chamou-me a atenção, num tom zangado, que ia começar o espectáculo. Eu apontei para a culpada, que já regressava do WC, e, intimidado pelo deep-throat-de-bagaço-e-tabaco, mais conhecido nas Américas por Great White Rusty Grizzle Bear ou Dancing with hoarse's, lá fui eu, cabisbaixo, para as tribunas. A Adelaide acha que eu sou paranóico, mas de uma espécie única: tenho a mania que os ricos e famosos me perseguem, sublimando assim a minha igualdade a qualquer ser humano.
O espectáculo? É giro.

terça-feira, setembro 15, 2009

Joana...morphing...Pai...morphing...Catarina!

Graças às novas tecnologias, tenho uma fotografia da minha filha in utero a cores e a 3D; já dá para perceber com quem é parecida...
Deixem-me dizer que todas as velhas que tenho conhecido me têm dito que eu sou bonito. A Adelaide também diz que sou. No entanto, quando a minha sogra percebeu com quem a Catarina - sim, mudamos o nome - é parecida, não ficou muito contente; e, horror dos horrores, também a minha mãe ficou "pouco emocionada".

Tive que fazer um intervalo nesta história para explicar à Adelaide que não se deve interromper alguém quando escreve; adverti-a com memórias do Shining.

Acho que as únicas que gostaram das semelhanças da minha filha comigo foram a Adelaide (o que a redime de futuros castigos à la Kubrick) e a minha irmã (vêr bloguezito).
Agora devo explicar porque mudamos o nome de Joana para Catarina: a cadela da minha sogra chama-se joaninha (espero que percebam a estrutura desta frase anterior, que pode ser ambígua para as mentes menos brilhantes); e, apesar de eu achar irrelevante este facto, os lobbys familiares ganharam (leia-se, o massacre diário ao André até ele mudar de ideias por cansaço).
Agora, eu e a Adelaide estamos a passar por uma fase de adaptação ao novo nome:

- A joaninha está tão engraçada.
- O quê? Qual joana?
- Não estou a falar da catarina, mas da joaninha, a cadela.
- Ah! E a joana, digo, a catarina? Deu muitos pontapés esta noite?

A Adelaide diz que não consegue parar de olhar para mim para imaginar a Catarina. Eu aproveito e assusto-a com caretas, e choros irritantes a pedir maminha.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Resistance

O novo álbum dos Muse saiu hoje: Resistance.

Se é bom? Esta manhã já o estou a ouvir desde as 8h00. É bom!!!

Como não sou crítico de música (nem pretendo ser), aqui fica a minha ideia do álbum - evocativo musical, literária e ambientalmente. Queen, 1984 (que me deprimiu com'o o caraças quando o li embora este álbum não me deprima antes pelo contrário se calhar não devia ter escrito isto tudo...) e a minha infância/adolescência representados num álbum...

Deixo uma pequena amostra:

sábado, setembro 12, 2009

O Obama português - Louçã!

Não é perfeito, mas, tal como a Democracia, é o melhor que se pode arranjar. O Bloco de Esquerda talvez seja aquilo que eu tenho estado à espera.

Do programa do BE, aquilo que me entusiasma mais é o seguinte:

"Criação do Portal da Democracia, espaço onde os responsáveis políticos (governantes, deputados, altos dirigentes da administração Pública) e os cidadãos terão ao seu dispor as mais diversas ferramentas para interagirem Desde espaços de consultas públicas online, até chat rooms sobre temas específicos, passando por informação sobre a agenda dos responsáveis ou até as mais modernas ferramentas disponibilizadas pela Web 2.0."

Claro que existem outras questões mais imediatas e prioritárias, mas este pode ser o passo que faltava para uma verdadeira democracia; uma em que todos têm realmente voz.

É um primeiro passo...

Mas só vou sorrir quando vir a Assembleia da República vazia. Ou melhor, com dez milhões de deputados não presenciais.