quinta-feira, maio 31, 2007

A educação mata a criatividade?

Esta é uma questão que me intriga há já muito tempo: A educação mata a criatividade?
Todo o formalismo, dogmatismo e uniformidade do programa educacional, por todo o globo, tende a erradicar ou marginalizar aqueles que são diferentes. Com o actual sistema caminhamos a passos largos para uma sociedade quase insectívora.
Nós somos todos criativos com um potencial ilimitado, todos! Nascemos criativos e depois podemos ser educados dentro da criatividade ou fora dela.
Este vídeo que eu colo aqui é das celebres conferências TED. O tema desta "comunicação" é precisamente Do Schools kill creativity?, apresentado pelo Sir Ken Robinson.
É uma conferência divertidíssima (é preciso perceber inglês) e tem apenas uns míseros 19 minutos.



quarta-feira, maio 30, 2007

A poupança na senilidade

Que os velhos são forretas como o caraças, já toda a gente sabe, mas que esta forretice pode sair cara às vezes, é novidade. Ou não será?
Ontem estava a ver as notícias quando ouvi a coisa mais absurda desde há muito tempo. Talvez desde as famosas entrevistas com o Carrilho que não ouvia uma coisa assim tão estapafúrdia.
A notícia era sobre a poupança de electricidade e de como as novas lâmpadas de baixo consumo podem poupar até 80% de electricidade. Quando, no meio de uma campanha da EDP em que ofereciam lâmpadas destas, é entrevistado um velho e lhe fazem a seguinte pergunta «Já usa destas lâmpadas em sua casa?» e ele responde «De facto já tenho as lâmpadas, mas estou à espera que as outras [as normais] se fundam para substituí-las» fiquei boquiaberto. Quer dizer, há poupar e ser parvo. Então não poupava mais dinheiro se mudasse JÁ as lâmpadas?

terça-feira, maio 29, 2007

Acabou-se a liberdade

Bem sei que a realidade actual é diferente daquela que eu conheci quando era puto, mas não me consigo imaginar a crescer sem toda a liberdade que gozei. Se fosse hoje, provavelmente a minha mãe e restantes encarregados, numa altura ou outra, de tomar conta de mim, seriam responsabilizados de negligência e quase abandono.

As coisas eram bem diferentes.

Eu e os meus irmãos brincávamos (ás vezes) durante todo o dia na rua, só indo almoçar e jantar a casa; Muitas vezes dormíamos sózinhos porque a minha mãe (separada) tinha que fazer turnos à noite; passávamos as férias com as nossas primas (que eram adolescentes) sem a supervisão de nenhum adulto; eu ía para a escola de autocarro e os meus amigos também.

Será que as coisas eram assim tão diferentes?

Apesar de, tanto eu como os meus amigos, nos depararmos com o ocasional velho pedófilo dos transportes públicos que se punha a masturbar quando via rapazinhos novos, ou o exibicionista maluco, ou mesmo os doidos histéricos e bêbados, desenvencilhávamo-nos muito bem. Talvez porque estes lunáticos não eram violentos ou talvez porque nós tinhamos uma maior autonomia e desenrascanço que os putos de hoje. Mas as histórias que se ouvem agora também não se ouviam antigamente.

De facto as coisas são diferentes.

Os criminosos são hoje muito mais violentos e amorais. O mundo já não é bom para as crianças. A liberdade é agora um pau-de-dois-bicos: se por um lado pode armar a criança de autonomia, por outro arma o criminoso de oportunidade.

E é por tudo isto que eu não consigo culpabilizar inteiramente os pais da Madeleine; para o fazer teria que utilizar outra balança para os meus. É verdade que são mundos temporais diferentes, mas para estes pais, Portugal ainda tinha uma imagem pacífica e amena. Provavelmente muitos de nós também pensávamos o mesmo. Agora todos sabemos que o nosso lar já não é a mesma coisa.

segunda-feira, maio 28, 2007

Aos críticos deste blog

Pesadelos e beatas

Ontem (no aniversário da minha irmã) comi demasiados ovos, o que me fez ter pesadelos durante a noite. Vão-me chamar maluco, mas adoro pesadelos; na altura fazem-me acordar suado e com algum...digamos "respeito", mas depois costumam ser óptimo material para histórias. O de hoje à noite foi particularmente interessante - estou "mortinho" por começar a escrever a história.
Mudando de assunto mas mantendo o registo de pesadelo; alguém próximo de mim chegou à conclusão que tentar fazer amizade com gente beata é perder tempo. Uma simples razão para que seja assim é a tentativa de conversão permanente que estes zoombies infligem a quem se aproxima deles. Eu, por princípio, não gosto de gente demasiado religiosa - se forem só um bocadinho já não me importo -, e por isso tendo a não me aproximar destas criaturinhas. Mas pobres dos incautos que não sabem do que esta gente é capaz!
E assim foi o meu fim-de-semana: divido entre pesadelos e ovos.

quinta-feira, maio 24, 2007

Eu não sou totó!

- Eu tenho um feitio tramado! - De tanto dizer isto alguém há-de acreditar em mim.
Umas das características deste meu feitio é a inflexibilidade em determinadas coisas.
Se, por exemplo, me tratarem com duas pedras na mão quando eu não dou razão para isso, recuso-me a continuar a agir como se estivesse tudo bem. Quando me tratam assim corto logo o mal pela raíz, seja homem ou mulher; goste muito ou (melhor) não.
Lembro-me que quando era puto tinha um amigo, o meu melhor amigo na altura, que teve o azar de me tratar mal mais do que uma vez. Eu não tive com meias medidas e e disse-lhe que ou ele mudava de atitude ou deixávamos de ser amigos. Ele não mudou, eu nunca mais o vi.
Até hoje tenho sido sempre assim, sem arrependimentos. Não admito que ninguém me trate mal. Obviamente, não sou radical; dou sempre hipótese de redenção. E uma vez terminada a relação também não sou rancoroso, varro de vez essa pessoa da minha cabeça. Para mim é o fim.
Não vou estar aqui a atirar pedras sem confessar que também já pequei, e muito. Mas eu sei pedir desculpa quando é necessário. Eu costumo reconhecer o meu erro e se não o fizer, uma simples conversa comigo é o suficiente para me por na linha.
Agora, e o porquê desta minha inflexibilidade? Aqui é onde entra a minha imaginação paranóica que me leva a fazer filmes mentais em que eu encarno a personagem que não toma nenhuma atitude perante a agressividade humana a que é sujeito rotineiramente, tornando-se num totó. Um nabo. E isso é coisa que sempre me recusarei a ser.

quarta-feira, maio 23, 2007

Não me peçam ajuda para encontrar o vosso papagaio

Eu vou ser muito sincero, todos os e-mails que recebo com pedido para reenvio atiro-os para o lixo. Sejam eles o último aviso do vírus come-cuecas ou um pedido de ajuda qualquer.
Eu vejo a minha caixa de e-mail exactamente como os CTT, são ambos serviços para receber e enviar correspondência. E é o que eu faço. E levo muito a sério a minha correspondência.
Como por enquanto ainda não trabalho para os correios nem para nenhuma instituição de Achados e Perdidos, não sinto nenhuma obrigação especial (nem vontade) de fazer forward de todos estes e-mails chatos que recebo diariamente.
Claro que se me enviarem revistas da Playboy ou Penthouses para a minha caixa de correio não as vou deitar fora nem tão pouco as reenviar para as caixas do meus vizinhos quando acabar de as "ler". Similarmente, no correio eletrónico, também não deito os anexos marotos imediatamente para o lixo, mas, se tiver tempo, envio para os amigos. Mas só porque o mundo eletrónico é dotado do milagre da multiplicação.
Mas a coisa que mais me irrita no e-mail e na minha caixa de correio é a maldita publicidade não pedida. Eu já estou farto de dizer que ainda não preciso de Viagra, e que os alongadores de pénis, ainda que (para nós homens) nunca seja demasiado grande, parecem instrumentos de tortura, coisa que dispenso. Ás vezes encontra-se algo realmente interessante e necessário como um anúncio à Telepizza (só porque não encontramos o anterior), mas é muito raro, e é só por esta razão que ainda não pus uma etiqueta anti-spam na minha caixa de correio física; na electrónica não há nada a fazer, é uma tarefa que já sei que me espera diariamente.

Gostaria que reenviassem este texto (patrocinado pela SOPINAR) para todos os vossos amigos para que me ajudem a acabar com este tormento. Não se esqueçam que não o devem anexar, pois correm o risco de serem atacados pelo come-cuecas.

terça-feira, maio 22, 2007

Viver é sonhar. Sonhar é estar vivo

O que é que se passa com as pessoas hoje em dia? Melhor, o que é que se passa comigo?
Alguma coisa está muito errada quando me dizem que passar horas a ler é vegetar, é esquecer a vida; Alguma coisa está errada quando dizem que a vida se faz sempre em festa e nos copos, ou, por outro lado, com extrema carga de responsabilidade; Alguma coisa está errada quando os períodos de reflexão são confundidos com apatia ou preguiça; Alguma coisa está errada quando ler, escrever e pensar são consideradas "tarefas" menores, de quem não tem mais nada para fazer.
Dizem-me - Isso é para quem tem tempo, como tu. Para quem não tem responsabilidades, filhos para criar. Para quem não tem mais nada que fazer.
Eu penso - Mas será possível, por mais tarefas e responsabilidades que eu tenha, será possível eu desistir de viver? Viver para mim é isto, é aprender, reflectir e pensar. Viver é inventar. Sem sonhar e contemplar os sonhos dos outros não viveria. Morreria.
Eu nunca dei importância às opiniões alheias, mas elas começam a criar formigueiros no meu corpo e mente.

O deserto das elites portuguesas

Depois de ver o Prós e Contras de ontem à noite e de ouvir a intervenção do Arquitecto Ribeiro Teles, mais precisamente a referência à cultura duvidosa das elites da nossa cidade, começo a chegar à conclusão que se calhar ele tem razão.
As minhas rotineiras queixas sobre os contéudos portugueses (TV, cinema, etc) normalmente têm sido porque a mensagem e forma destes são muito básicos, populares e chapa cinco. No fundo o que eu tenho querido dizer é que os "nossos" cérebros criativos e performativos são uma grande caca e deviam ir aprender qualquer coisa ao estrangeiro e, já agora, à escola também. O que vai de encontro ao que o Arq. Ribeiro Teles, com uma grande clarividência e articulação, disse ontem à noite.
Para não ir muito longe nos exemplos, vou só expor alguns, poucos, cenários: a comédia portuguesa é uma aflição, comparem-na com a britânica, tanto em qualidade como em quantidade; as letras das músicas mais populares não têm ponta por onde se pegue de tão mal escritas - salvo honrosas excepções - e a música interventiva já não existe; os actores, na sua maioria, são muito mauzinhos. Bons mesmo são os participantes do Fiel ou Infiel que sabem ser bastante realistas; o cinema português ainda continua na mesma hipnose surrealista pseudo-intelectual que, no fundo, me dá sono.
Depois há outra coisa que sempre me fez alguma aflição: as entrevistas feitas a actores, músicos e criadores artísticos são de uma mediocridade tal, devido à falta de poder de argumentação e um vocabulário pobre do artista, que me provocam arrepios de pena.
Pergunto-me, o que é que se passa com os artistas e intelectuais de hoje? Em que escola andaram e quais as suas motivações para criar? Temos realmente artistas e intelectuais no panorama português?
Felizmente os jornalistas do carbono e (alguns) escritores permanecem fortes na evolução portuguesa e sabem dar forma às suas (nossas) argumentações e revoltas, se não fosse assim era o descalabro total.

sexta-feira, maio 18, 2007

O enigma da inteligência adulta

Há uns anos atrás cheguei à conclusão que os adultos da minha família afinal não eram assim tão inteligentes como eu pensava quando era puto.
Depois desta conclusão, passados mais uns anos, cheguei a outra: afinal eram inteligentes e que nas verdades simples é que está a verdadeira sabedoria.
Finalmente fiz a separação das águas. Há de facto uns que são inteligentes e outros que nem por isso.
As inteligências que me pareciam mais óbvias afinal não são nada por aí além, e as mais obscuras e, aparentemente, menos fundamentadas, são agora as mais brilhantes.
O que eu vou pensar amanhã não sei, mas o que as mais novas gerações vão pensar de mim já tenho uma ideia.

terça-feira, maio 15, 2007

Falta de tacto do costume

Eu e a minha grande falta de tacto.
Já sou conhecido por, de vez em quando, dar umas respostas que roçam a má educação, e, mais uma vez, resolvi dar o ar da minha graça.
Hoje uma rapariga perguntou-me a idade, ao que eu respondi que estava nos trinta e sete anitos, vai daí ela chama-me cota na brincadeira; eu, para não ficar atrás, pergunto-lhe a idade e depois digo-lhe a seguinte frase (que há-de ficar para a história das frases parvas do André): "também já não estás fresquinha...".
O que eu fui dizer!
Arrependi-me logo de seguida por ter dito aquilo, e ela massacrou-me (como eu merecia) de quase todas as formas (verbais) possíveis. Acho que ficou chateada comigo...
Mas quando é que eu paro para pensar um pouco no que vou dizer?
Fica aqui o meu pedido de desculpas público a esta simpática (e nova) rapariga e a todas as outras para quem eu fui ou serei um completo idiota.

segunda-feira, maio 14, 2007

E-book finalmente!


Já falta muito pouco tempo para acabar o domínio do papel! Yuppi!!
Assim como os fascistas das discográficas e as distribuidoras de fimes olharam para o abismo da igualdade social, também as malditas editoras cegarão quando se virem observadas pelo abismo.
Mais um passo para a justiça social.

Uma geração de chatos

Três horas a aturar um chato que não se calou nem um minuto. O mais difícil foi suster uma gargalhada quando ele se queixou de uma certa pessoa ser muito chata porque não se calava.
Este será talvez um dos piores chatos que eu conheço, aquele que monopoliza a conversa e que não admite contraditório. Mesmo qualquer voz que se erga para sublinhar o seu ponto de vista, ele imediatamente argumenta que não foi bem isso que estava a defender e que está em completo desacordo com as suas afirmações anteriores que afinal não são bem assim.
É com grande frustração que chego à conclusão que devo estar calado dirante todo o monólogo e aguentar que nem um bravo.
Fico sempre derreado no final. Derreado e aliviado.
Este chato até possui uma vasta cultura geral e alguma articulação dos seus pensamentos, se ao menos fosse coerente e menos paranóico, as conversas seriam não só mais interessantes como, isso mesmo, conversas.
O meu maior medo é tornar-me também num igual chato. Por isso faço de tudo para não cair nos mesmos erros.
Eu chego à conclusão que a geração a que este chato pertence é muito especial, só tem gente maluca. Bem, pelo menos os que eu conheço. É que são todos, com maior ou menor gravidade, apanhados. Falam, falam, falam e detestam que se levantem vozes do contra, ou melhor, detestam que se levantem vozes.

Um vampiro em Lisboa

- Que raio de cidade fui eu escolher!
Quando me mudei para Lisboa, já faz um século, não pensei que se celebrassem tantos feriados religiosos.
Se a Primavera e os seus pólens arrebitam as alergias que por aí andam, a mim são as marchas com cânticos religiosos e a intensa programação televisiva dedicada a algum santinho ou suposta virgem. Ando o ano todo com o lenço na mão e os anti-hístaminicos no bolso.
Foi com cuidado que escolhi a minha tumba: uma cave num local sossegado no centro da cidade. A localização é óptima para as minhas deambulações nocturnas em busca do meu sumo favorito. Escolho sempre os meus "recipientes" cuidadosamente, nada de pessoas famosas ou concorrentes dos Reality Shows - não é por serem conhecidos é só porque me fazem azia.
Estes últimos anos têm-se mostrado particularmente difíceis para a paz das minhas refeições. Cada vez há mais participantes de B.B.'s e Jet Set's. E, além do mais, as cantorias nas ruas, dedicadas aos gajos lá de cima, estão cada vez mais estridentes. - Já não posso mais!
Sou o último da minha espécie tão ao Sul da Europa; todos os outros familiares emigraram para o Norte: Recebo postais de vez em quando com alegres fotografias e textos que ilustram o absentismo da fé (crescente) dos muitos humanos que lá habitam. Além do mais, e devido talvez ao frio e à libertinagem da população nortenha, a caça é dez vezes mais proveitosa do que nestas paragens, e as gentes mais "abertas" a novas experiências. Os meus irmãos tornaram-se nuns autênticos novos-ricos.
Tenho que confessar que a vontade de viajar e estabelecer-me noutras paragens tem-me consumido ultimamente. Não penso em quase mais nada. Se ao menos o sangue puritano não fosse tão bom...
Enquanto escrevo estas linhas decorre o dia de Nossa Senhora de Fátima, essa falsa virgem. Os meus pacotinhos de sumo estão em romarias ou fechados em alguma Igreja. O estoicismo deste dia corrompe-me a mim também, involuntariamente. O sapatinhos vermelhos, esse nazi, está em todos os canais. - Estão a querer enlouquecer-me!
Talvez o único dia "Santo" que me alegra seja o Sto. António, desde que me mantenha longe das Marchas Populares. As orgias (sexuais, alcoólicas e sanguinárias) desse dia fazem-me ter alguma fé pela população alfacinha. É sempre uma altura de despensa cheia.
Vou esperar por Junho para me recompor e depois logo se vê. Talvez vá viajar para outras paragens. Espalhar a minha palavra.

sexta-feira, maio 11, 2007

Mais um desafio parvo

Eu já sabia que esta porcaria de desafio tinha que me calhar mais cedo ou mais tarde. E a minha grande amiga Marciana é que me lixou. Paciência, então aqui vai:

Eu quero: isso gostavas tu de saber
Eu tenho: fé, mas pouca paciência
Eu acho: muita coisa mas provavelmente está tudo errado
Eu odeio: ver aqui
Eu sinto: neste momento, falta de pachorra para preencher esta coisa
Eu escuto: muita coisa mas não digo nada
Eu cheiro: a André
Eu imploro: nunca imploro!
Eu procuro: dinheiro no chão mas nunca encontro
Eu arrependo-me: de ainda estar a preencher esta coisa
Eu amo: quem me ama
Eu sinto dor: quando me aleijo
Eu sinto a falta: da praia
Eu importo-me: com causas perdidas
Eu sempre: tive um feitio tramado
Eu não fico: em Hospitais
Eu acredito: que Deus não existe
Eu danço: muito quando há música
Eu canto: mal, apesar de me mandarem calar
Eu choro: nos momentos de choro dos filmes - e finjo que me entrou qualquer coisa para o olho
Eu falho: com os meus amigos mas eles perdoam-me
Eu luto: com quem se meter comigo, não tenho medo de ninguém!
Eu escrevo: e gosto muito, excepto desta porcaria
Eu ganho: forças no fim do mês
Eu perco: forças a meio do mês
Eu confundo-me: com nomes, datas e caras
Eu estou: a sofrer uma grande seca enquanto escrevo esta porcaria
Eu fico feliz: quando estou com quem gosto
Eu tenho esperança: de estar muitas vezes com quem gosto
Eu preciso: que o fim do mês chegue mais depressa
Eu deveria: ter mais 10 cm de altura, mas lixaram-me
Eu sou: os três A's - ateu, anarca e autónomo
Eu não gosto: desafios parvos


O desafio tem que ser passado a mais 6 pessoas e como eu quero que experimentem este grande momento de felicidade que eu também passei a preencher isto, aqui vai:

http://avidaeumtango.blogspot.com/
http://sem-nexo-nem-sexo.blogspot.com/
http://trintona-trintona.blogspot.com/
http://www.oanarquistaduval.blogspot.com/

Fico-me por quatro que a maior parte de quem conheço já foi desafiada.

quarta-feira, maio 09, 2007

Que se lixe o que os outros pensem!

Quando ficamos muito tristes temos vontade de começar tudo de novo, tudo do zero. Sair, viajar, ir para o estrangeiro; Temos vontade de nos revoltarmos com um berro que dure tanto e seja tão alto que fragmente, estilhace tudo à nossa volta.
Não é assim que eu me sinto agora, mas lembrei-me das vezes em que me senti assim e senti um arrepio ao pensar nas tristezas que ainda terei no futuro.
Até me podem dizer - Oh pá, não sejas mariquinhas! Todos passamos por isso! -, ao que eu respondo - Eh pá, vai á merda! Deixas-me sentir um bocado de pena de mim, se fazes favor?
O pior nem é saber que vou ficar triste no futuro, o pior são os cenários que eu tenho a mania de inventar. Eu gosto de sonhar acordado, mas quando começo a ter pesadelos acordado, que são os cenários que eu imagino e que acabam num grande drama, aí é que começo a entrar em parafuso. Nessas alturas já não consigo fazer nada para deter a catadupa de ideias malucas que me vêm à mente, por isso deixo-me ir. Quando acabar, acabou.
O que é que estes acessos demonstram? Alguma insegurança e uma imaginação do caneco! - Vejam! Não precisei de gastar dinheiro no psicanalista...
Não posso fazer nada em relação à imaginação, mas à insegurança só tenho uma coisa a fazer que é agarrá-la pelos cornos. E perguntam-me vocês: como é que isso se faz? Faz-se assim...falando das coisas, desabafando. Mesmo correndo o risco de nos chamarem MALUCO! ou outros nomes piores.
O que eu quero realmente dizer é que não faz mal o que os outros digam sobre a exposição da "nossa" vida privada neste meio público por duas razões: uma, somos todos iguais, todos passamos pelos mesmos dramas; a outra, mais uma vez, porque desabafar faz bem, mesmo com um completo estranho.
Vamos todos revoltar-nos em conjunto contra o sistema que nos tenta amordaçar? Antes de o fazerem, lembrem-se que todos fazemos parte do sistema.

segunda-feira, maio 07, 2007

Desculpa amor! Esqueci-me!

Eu sempre estranhei que, em conversa com as mais variadas mulheres ao longo dos anos, elas continuassem a insistir em testar a minha memória com diversos artifícios. Como esta não é das mais notáveis, os meus esquecimentos já deram origem a várias discussões "acaloradas".
Mas porquê tanta importância com determinado pormenor que me escapa e que nem sequer é relevante?
O problema nem sequer é somente meu, mas tipicamente masculino. Todos nós somos testados numa base rotineira, e quando falhamos, o que não é raro, é dado início a uma reacção em cadeia que mais tarde ou mais cedo irá gerar uma discussão.
Vim agora a descobrir, e tenho que agradecer à National Geographic, que estes "testes" à nossa memória não passam de um mecanismo instintivo na mulher que a leva tentar perceber se determinado homem poderá vir a merecer a honra de acasalar com ela. Isto porque no acasalamento existem vários factores de importância para a mulher em que a memória desempenha um papel fundamental: datas de comemoração; educação dos potenciais filhos - actividade de uso intenso e variado da memória; e conversas sem a necessidade da ferramenta "cenas dos capítulos anteriores".
Agora que compreendo o porquê da mulher ser assim, não consigo deixar de pensar que estou lixado. Não há hipótese nenhuma de que a minha memória venha a melhorar nos próximos tempos, pelo menos em relação a datas e aquele pormenor que ela referiu ainda ontem.
Tenho pensado em listas, memorandos e cordéis para os dedos, mas acho que também não resultaria porque me esqueceria de os utilizar.
Talvez a única opção seja um único e retumbante "Claro que me lembro!". Infelizmente elas obrigam-nos a descrever a memória.
Gostava muito de saber se elas têm consciência da verdade biológica por detrás do ódio que sentem pela nossa falta selectiva de memória. Ou apenas detestam esta característica masculina e apesar de longos debates entre elas, não chegam a nenhuma conclusão lógica. Ou sabem de facto o que as move, e, assim, tentam, com vários testes e exercícios, ajudar-nos a sermos melhores homens.
Já estive para perguntar várias vezes qual o objectivo desta demanda, mas quando chego perto de uma os meus olhos afundam nos dela e o resto dos meus sentidos afogam-se de seguida. A minha mente fica em branco e esqueço-me.

Velhas com tatuagens

Desde que soube que as velhas em Inglaterra exibem alegremente as suas tatuagens, pintadas há algumas décadas, e os velhos insistem nos penteados Punk, apesar das carecas, comecei a medir a evolução social de um país de forma diferente.
Para estes velhos "bifes" demonstrarem uma atitude tão jovem, descontraída e descomplexada, para além das indeléveis marcas de um passado igualmente futurista (segundo os nossos valores), deduzo que a maior parte da sua sociedade mais recente tenha, pelo menos, o mesmo nível de desbloqueio mental. Claro que todos sabemos que as novas gerações britânicas ultrapassam, como é natural, as mais velhas em todos os aspectos.
É com muita pena que observo a nossa população e chego à triste conclusão que para atingirmos o nível inglês actual, ainda nos faltam pelo menos três décadas. Quando os jovens de hoje, já devidamente tatuados e um bocadinho descomplexados, se tornarem nos velhos malucos do amanhã.
A actualidade portuguesa geriátrica dá conta de dois tipos de indivíduo: o do interior, vanguardista na colecção de roupa pois só utiliza o preto, e com completo e absoluto atraso de mentalidade e tacanhez; e o das grandes cidades, com alguns melhoramentos no vestuário e muito poucos na mentalidade.
Já na actualidade portuguesa mais jovem, vejo outros dois indivíduos: o regional, que é evoluído em relação aos mais recentes gadgets de media, mas quando chega à parte da mensagem, falha redondamente; e o urbano, mais evoluído em diversos aspectos, mas com uma grave crise de bipolaridade. O jovem até emite opiniões saudáveis e modernas (desde que não seja do CDS/PP), mas estas não passam de palavras ao vento porque quando chega a hora da verdade, ele acovarda-se. A tradição cultural e os costumes vencem.
Claro que o facto de termos saído de um regime fascista há relativamente pouco tempo, tem uma crucial importância no nosso atraso, por isso este texto é mais uma observação do que uma crítica. Mas não é por essa razão que vou deixar de me queixar do meu triste fado, ou melhor, fazer aqui o meu papel de Calimero, como dizem as más línguas.
No fundo o meu problema é a falta de descontracção que existe no nosso país. Vou ter que esperar por esse fenómeno ainda por trinta anos, e aí, se calhar, serei obrigado a optar pela companhia dos mais jovens, correndo o risco de ser, nessa altura, o gajo mais atrasado e tacanho do grupo.

Num país de vilões, os heróis têm pensões

Pronto! Já está! Finalmente vi o Homem-Aranha 3. Gostei! É um filme intenso. Só fiquei um pouco triste ao pensar que aqui estava um super-herói que a cidade de Lisboa, ou qualquer outra do nosso país, nunca poderia acolher.
O aracnídeo não durava muito tempo nesta cidade quando começasse a balançar nas suas teias: ora são os prédios que não são altos o suficiente, ora são as avenidas que só têm prédios de um lado ou são demasiado largas, ora é a qualidade do estuque que não aguentaria com o seu peso.
E depois os locais realmente problemáticos geralmente não têm construções com mais de dois andares.
Não! Esta cidade é mais apropriada para um homem-chita ou um homem-leopardo. No fundo um que corra bastante. O Flash!
E outros super-heróis?
Uns X-Men não fariam nada de jeito cá porque as suas mutações seriam todas aproveitadas para o mundo da construção civil: Wolverine, cortador de aço; Storm, mudaria o tempo para que chovesse sempre - como todos sabem é na época de chuvas que as obras são mais produtivas; Cyclops, soldador; Homem de gelo, empregado de bar - com ele todas as minis saiam fresquinhas; Professor X, empregado de escritório, responsável pelo pagamento dos ordenados - ninguém o conseguiria enganar em relação às horas reais de trabalho.
Já o Hulk, o super-homem, o Thor e o Coisa, seriam operários da siderurgia. Uma indústria em que é necessária força, calor e uma boa dose de loucura.
Os gajos mais inteligentes como o Dr. Reed Richards (vulgo homem-elástico) teriam lugar assegurado na Auto-Coope ou na SOPINAR Caixilharias e Alumínios.
Talvez o único herói que nos desse realmente jeito fosse o Batman por ser um grande detective, e só nós sabemos como precisamos de um. Quem é que suspeitaria de uma freira de orelhas pontiagudas na Casa Pia?
E os vilões? Que tipo de vilões poderíamos nós ter?
O Electro não, porque a electricidade está muito cara; O Abutre não, porque a QUERCUS não deixava ninguém abatê-lo; O Magneto não, porque o lugar de tirano fascista já está ocupado no CDS/PP; O Enigma não, pela mesma razão só que no Governo.
Aparentemente o mercado está saturado para os vilões, mas para os heróis até há procura, no entanto não possuímos nem os meios nem as infra-estruturas para os podermos aguentar cá a fazer heroicidades.

Nota: Aos fãs da banda desenhada peço desculpa pela mistura dos dois universos (Marvel e DC), mas como estou certo de que mais ninguém reparará nesse detalhe, aligeirei a utlização da minha memória e fiz um Caldo à Portuguesa.

Uma questão de tamanho!

Quem pretender visualizar um tamanho mais longo, visualizar aqui.

O relato de mais uma conversa muito estimulante entre mim e o meu grande amigo João Pinto enquanto bebiamos umas cervejas.
Desta vez tudo girou à volta dos tamanhos e de quais, mais longo ou mais curto, as pessoas gostam mais.
- Mas não achas que elas se aborrecem se for muito longo? Quer dizer, tem as suas vantagens mas se for mais curto é mais concentrado.
- Eu prefiro mais curto, é o meu estilo.
- Pronto! Temos estilos diferentes, mas também não há problema, há gostos para tudo.
Enquanto tinhamos esta conversa interessante, não pude deixar de reparar que na mesa ao lado se discutia muito animadamente. Uma rapariga e dois rapazes falavam também sobre os tamanhos e as suas preferências.
Olhei para o João e desatámo-nos a rir. Até aquela altura não nos tinhamos apercebido que o volume da nossa voz era um bocado elevado - culpa da cerveja - e que toda a gente ouvia a nossa conversa.
- João, estás a pensar o mesmo que eu?
- ...que isto dava um belo momento?
- Sem dúvida! Temos é que meter os dois ao mesmo tempo. O melhor é metermos na segunda-feira.
- Não, eu meto hoje que não vou trabalhar para a semana, e tu metes na segunda-feira.
- Mas não devíamos meter os dois ao mesmo tempo?
- Não há problema. Depois metemos o pequeno e o grande a apontar cada um para si.
- Boa ideia!
Entretanto, já várias pessoas lançavam alguns olhares para nós; e quanto mais observavam com curiosidade, mais elevada se tornava a nossa retórica sobre o tamanho. Os espasmos das nossas gargalhadas abanavam agora o mobiliário que nos cercava.
Quase no fim, antes de darmos por terminada a conversa, a mesa ao lado encerrou a questão do tamanho e decidiu-se pelas caracoletas.
Quanto a nós, não chegamos a nenhuma conclusão. Mas ainda estou convencido que a preferência recai nos textos mais sucintos, com menos palavras. Textos mais curtos!

quinta-feira, maio 03, 2007

Eu e tu e o sonho de nós

Eu sou imperfeito, muito imperfeito. As minhas qualidades não chegam para os meus defeitos. Quem me pegar leva um produto tão completamente humano que qualquer esperança de entrada no Éden primordial é imediatamente erradicada.
Eu sou o que sou mas aspiro a ser melhor sem nunca o conseguir. A percepção do que eu sou e do que poderia ser nunca me deixa porque vivo em constante pensamento.

E tu, tu és perfeita aos meus olhos. Se tu os utilizasses como espelhos verias o que eu vejo. Em todos os meus sentidos está o eco da tua perfeição; para o sentires também, bastaria que tocasses, cheirasses, ouvisses, saboreasses e instintivamente saberias o que eu já sei.
Já foste humana, agora és algo mais, diferente. Irradias uma luz que me cega e entorpece. Na tua presença sinto-me mais perto do Céu.

Estas são as palavras que uso. Elas são tuas. São a única coisa que te posso dar agora. Por ti esvaio-me até à última letra. Escolherei as mais belas mesmo sabendo que não te fazem justiça. Aceita-as.

quarta-feira, maio 02, 2007

São é Produções Vitalícias!!!

Mais uma porcaria de um programa de humor para juntar à restante caca que existe. Estreou ontem o Boa noite Alvim (na SIC Radical) que vi mais por curiosidade em relação à Sissi - pensei que fosse desta que lhe ia ver a cara. - Apesar de gostar do Alvim não gostei do programa: Maus bonecos (aquele Quadros não tem jeitinho nenhum), um tema já batido (detectives), um (só vi um) sketch mal parido e já muito visto (discussão doméstica à mistura com filosofia e dobrado à maneira mexicana) e um Alvim gozão que não parava de rir feito puto.
Os outros de que não gosto, não suporto mesmo, são o Hora H (SIC) e o Sempre em Pé (RTP2), ambos apresentados por dois tipos de que também costumava gostar: Herman José e o Luís Borges.
O que é que acontece a estes gajos depois do sucesso? Perdem a inspiração? Cagam para o trabalho? Contratam gente incompetente? Não sei!
Para mim, agora, só se safam dois programas: Uma espécie de magazine (RTP1) e Vai tudo abaixo (SIC Radical). O Show do Rui Unas (SIC Radical) tem os seus momentos, mas não gosto da maior parte... aborrece-me!
E depois irrita-me o monopólio das Produções Fictícias. Para além de estarem em todo o lado parece que os conteúdos que os gajos produzem são sempre os mesmos. É sempre a mesma merda de humor sem piada nenhuma. Ok! Há sempre palhaços que acham piada a tudo.
Ainda há tanta coisa boa para fazer em Portugal na área do humor e nós a marcar passo com os burros das Produções Fictícias.

Sonhos guardados na gaveta

Há uns bons anos atrás eu mantinha um diário onde escrevia e desenhava de vez em quando. E foi ontem, ao vasculhar os meus "tesourinhos deprimentes", que me deparei com um, o último que escrevi. Este tinha a data de 1995.
Nesta altura já tinha ido à tropa havia cinco anos, já era homem. No entanto, ao lê-lo, percebi que ainda tinha a mentalidade de um adolescente - será que ainda tenho? - O diário estava repleto de relatos parvos e desenhos.
O que me chamou a atenção foi uma lista de objectivos de vida que fiz na altura, e ao relê-los descobri que ainda só tinha cumprido com três de uma extensa lista. Claro que alguns dos objectivos, agora, já não me parecem tão fascinantes, como por exemplo, tirar o Brevet de helicóptero, e uma série de cursos que já não me interessam. Mas outros, como viajar num veleiro numa volta ao mundo e conhecer certos países, nunca me sairam da cabeça. Sonho com eles de vez em quando.
Entretanto acumulei mais uns quantos objectivos que já não me dou ao trabalho de passar para o papel mas que permanecem na minha mente, e que à noite, quando menos espero, me assaltam de rompante. Quando lhes pergunto quem ou que são, eles respondem sempre que não são nada até que eu me decida a dar-lhes forma. Aí serão qualquer coisa, dizem eles. Qualquer coisa maravilhosa.
Não sei se me hei-de sentir feliz ou não por ainda me faltarem tantos objectivos para cumprir, mas creio que pelo menos a perspectiva de ter sonhos e planos é sempre mais animadora do que não os ter.