terça-feira, março 10, 2009

O cinema de autor

Estou a começar a ficar um bocado farto de adaptações fiéis; já estou com saudades de ver a perspectiva dos realizadores sobre as histórias que passam para a película - o cinema de autor.
Quando havia apenas um grupo de pressão (os produtores) que forçava os realizadores a fazerem a obra mais segura e potencialmente o mais rentável possível, os cinéfilos queixavam-se; agora que são dois os grupos de pressão (os produtores e os geeks), estranhamente já ninguém se queixa...
Esta minha saturação transbordou no sábado, depois de ver os Watchmen.
Acho que há lugar tanto para as adaptações fiéis, como para as que não o são; os geeks é que estão a dar cabo disto tudo ao exigirem que um meio seja igual ao outro; e os realizadores fazem-lhes a vontade.
Eu também sou um cromo da ficção científica e da banda desenhada, e, confesso, tenho sentido sempre fortes orgasmos de cada vez que vou ver mais uma adaptação da bd ou da fc; no entanto, ultimamente, e por causa da multiplicação dos factores 'saturação' e 'o Wolverine deveria medir um 1,50 e não 1,90', começo a sentir-me exausto e, definitivamente, não completamente satisfeito.
Tenho saudades do Kubrick, que alterava a obra original - para grande frustração do autor - de modo a poder contar a história segundo a sua perspectiva. Existem outros que o fazem, mas geralmente não se interessam pelas histórias do universo geekiano.
Gostava que em substituição das versões de versões das versões originais, que já nem eram grande coisa, que é o que está na moda agora, se passasse a fazer dois filmes (por realizadores diferentes) de cada obra original: uma fiel e de grande produção, e outra indie,  de cinema de autor. E podia vir tudo no mesmo Blu-Ray.
Os cromos têm que perceber que uma coisa é um livro, outra é a banda desenhada, e outra o cinema; é impossível a tradução para o cinema de leituras que são individuais, ou seja, a minha percepção de um livro ou bd é única e nunca a verei transposta para o cinema, a menos, claro, que seja eu a fazê-lo, e mesmo assim não será 100% fiel à minha imaginação. E com esta impossibilidade presente nas nossas cabecinhas, deviamos dar carta branca (entenda-se, não melgar os realizadores) para que produzam a obra que entendem ser a mais adequada.
De qualquer maneira, estou ansioso para que estreie a adaptação fiel do Kick Ass...