quinta-feira, dezembro 27, 2007

Eu sou Atchim! Tu és Atchum!

Aprendi a espirrar pelas onomatopeias da banda desenhada, e é por isso que o meu espirro, hoje em dia, é muito standardizado. É um espirro clássico. Um sonante e perceptível Atchiiiimm!!!
E como o meu mundo é redondo, fico sempre surpreendido e maravilhado com os espirros que saem fora dos domínios das minhas cartas náuticas.
Sempre que ouço um destes bizarros espirros, não consigo evitar duas coisas: uma pergunta inocente e curiosa e sem qualquer tom irónico "Isso é um espirro?"; e um olhar infantil maravilhado, como se estivesse a ver um brinquedo novo. No fim, não consigo evitar uma gargalhada...
Há-os de várias amplitudes, sequências e quantidade de décibeis.
Os que parecem tosse, os que parecem um cão a ganir, os berros molhados, as sequências de três, sete e onze, os que são engolidos na última hora, os PFFFFF's, os HHHMMMM's, os QQQQGGGG's e os à Tarzan "AAAAAAAAHHHHH!". Há tantos e tão variados que as épocas que fazem comichão no nariz (Inverno e Primavera) são uma espécie de feira de diversões molhada. Todos eles me divertem.
Eu penso que li bastante banda desenhada quando era puto, no entanto, não me consigo lembrar de outras onomatopeias para os espirros e para a tosse que não as clássicas. Por isso fico sempre curioso acerca das influências fisiológicas destes novos espirradores. Com certeza alguma coisa que não li, que me passou ao lado.
Eu gosto de barulhos esquisitos, confesso! Especialmente quando saem do corpo humano.

terça-feira, novembro 20, 2007

Como mentir melhor

Se alguém quiser mentir, por favor não minta sobre coisas pequenas, minta sobre um acontecimento excepcional. Mentir sobre coisas pequenas é rídiculo e inútil, mentir sobre coisas grandes pode ser frutuoso e logo, muito útil.
O segredo para mentir sobre factos excepcionais é reduzir o acontecimento a uma quase desilusão. Há qualquer coisa de apelativo quando alguém passa por uma situação com potencial para ser muito porreira e que depois não corre nada bem. É tão apelativo que qualquer descrença sobre a verdade deste facto extraordinário é imediatamente posta de parte.
Há limites, claro! Não vamos dizer que fomos à Lua ou que fomos uma personagem famosa na vida anterior. Isso apenas serve para nos rotularem de malucos. Ou excêntricos...
Isto tudo para dizer que ontem estive numa visita de estudo na régie da RTP1 enquanto estava a dar o Telejornal. Passei lá uma hora de pé juntamente com os meus colegas Carlos, Sebastião e mais três miúdos da tarde, foi uma seca.
Mais tarde passei novamente pela mesma régie, desta vez com toda a cambada (deviam ser pelo menos uns cinquenta, quase todos miúdos) e calhou ficar mesmo atrás de um dos putos que esteve comigo durante a hora de seca. Ele estava entretido a tentar flirtar com uma colega e começou a inventar que tinha acabado de estar naquela mesma régie sentado aos comandos de um painel qualquer. Azar! Quando olhou para trás estava eu a rir-me (silenciosamente) da inocente mentira dele e daquela tentativa tão ingénua de conquistar a rapariga. O rapaz ficou imediatamente corado por ter sido apanhado e, parvo, emendou-se e disse que afinal tinha estado sentado de pé, meteu foi as mãos pelos pés. A miúda começou a rir-se por causa de tão fraca e óbvia mentira e o rapaz fugiu imediatamente para longe.
Depois disto tudo devem estar com dúvidas se realmente estive na régie do Telejornal. Se eu mentisse não era com uma coisa tão inconsequente e chata, pois não???

segunda-feira, novembro 19, 2007

Estou a tornar-me num marrão!!!


À primeira pensei que fosse brincadeira, mas uma segunda vez já me está a fazer pensar.
O meu percurso escolar sempre foi pontuado por dois factores muito importantes: distracção nas aulas e brincadeira no recreio. Agora que estou a pagar caro pelas duas, dado o atraso em que me encontro, iniciei uma nova atitude: A minha concentração nas aulas é ímpar!; A minha participação nas aulas é ridiculamente exagerada! E eu não me importo com nenhum dos dois fenómenos...
Não posso dizer que tenha eliminado a brincadeira do sistema, mas a distração foi completamente erradicada.
Quando me chamaram de "marrãozinho" pela primeira vez, pensei que fosse uma brincadeira. Mas agora, que me chamaram esse nome uma segunda vez, começo a acreditar que, se calhar, estou a transformar-me nesse sujeito que eu tanto vilipendiei e, por vezes, rasteirei.
O pior é que eu nem sequer sou marrão. Leio algumas coisitas (confesso!), mas, principalmente, estou extremamente atento nas aulas, e não deixo as dúvidas ultrapassarem o meu andamento, apanhando-as e atirando-as para o colo do professor, que trata imediatamente de as subnutrir, para de seguida, de uma forma lenta e cruel, matá-las!!!
Só espero que não comecem a vilipendiar e rasteirar-me se tirar boas notas...

sexta-feira, novembro 16, 2007

Isto parece-me familiar

É sobejamente conhecido, por esse mundo fora, o facto de que a minha mãe não é grande cozinheira...pronto!, não tem mesmo jeitinho nenhum para a arte da culinária. Este é mais um relato das minhas aventuras no perigoso safári que é a: Viagem aos perigosos pratos inventados da mamã!!!
Como tenho que poupar dinheiro, nestes últimos tempos tenho ido almoçar a casa da minha mãe. Não é preciso dizer que todas os dias, à mesma hora, entro com extremo cuidado na sua casa, sempre preparado para dar volta atrás e desatar a fugir caso o cenário pós-apocalíptico que a minha mãe gosta de chamar "A cozinha" largue alguma fragância desconhecida, ou se os cães estiverem no Hall de entrada com ar assustado.
Foi ontem que experiencei um novo prato, aparentemente desconhecido até hoje, mas com um ar estranhamente familiar.
Não será preciso pormenorizar as mazelas que este prato fez ao meu estômago, obrigando-me a recorrer ao serviço sanitário do meu local de trabalho por duas vezes quase seguidas...
De facto o prato pareceu-me familiar, mas como costumo estar num estado de permanente distracção, quase alheamento, quando vou a casa da minha mãe, não dei muita importância e devorei-o.
Só quando cheguei ao local do meu sustento e quando as minhas colegas me perguntaram o que tinha almoçado é que eu comecei a despertar do meu torpor ao mesmo tempo que descrevia o prato - era um monte de puré e um monte de carne picada... -, culminando na réplica das minhas colegas - Isso parece empadão!
Ao mesmo tempo que o meu estômago rugia desesperado eu percebi o que tinha acontecido: a minha mãe não se tinha dado ao trabalho de fazer o empadão mas tinha utilizado à mesma todos os ingredientes; o pior é que nem se tinha dado ao trabalho de disfarçar misturando-os.
Quanto tempo mais o meu sistema digestivo aguentará estes maus tratos?

terça-feira, novembro 13, 2007

Uma aula na toca do coelho

A aula mais estranha da história das aulas.
Desde perguntas do tipo "a voz vem?" ou "a voz vai?", uma breve passagem por cima das "complexas equações do gato de Schrödinger" para explicar a "ainda inexplicável descrição dos fotões" e finalmente, a transmissão de dados digitais "dizer que são uns e zeros é treta!". Claro que todas estas afirmações ficaram em suspenso no ar porque não foram desenvolvidas. Ai de quem falasse com ele (perguntar, responder, reagir, contradizer, etc), era logo queimado vivo com uma das suas flamas humorístico-arrogantes.
Podem estar a pensar que eu estou todo lixado porque levei na ripa por ter reagido, mas não se trata disso. Aliás, eu até penso que o tipo nutre alguma simpatia comigo...
Mas voltando às vozes, aos gatos e aos sistemas binários.
Perante a resposta dos alunos de que a voz não vai nem vem mas antes um sinal eléctrico (isto no caso dos telefones) que responde à amplitude das ondas sonoras, ele reagiu com uma forte gargalhada de desprezo, gesticulou com sobrenatural força e quase berrou "A VOZ VAI, VAI!", e deu o exemplo dos copos presos por um fio que os putos utilizam para brincar para ilustrar que a voz vai. E não adiantou de nada dizer-lhe que o meio era completamente diferente (emulação através dos sinais eléctricos e o ar) porque ele respondeu que debaixo de água o meio também é diferente e a voz tem uma maior lentidão (claro que é o oposto: 1500 m/s contra apenas 300 m/s) mas que mesmo assim VAI!
O gato de Schrödinger é mais estranho ainda, não sei se vou conseguir explicar.
Ele perguntou como é que nós sabíamos distinguir o que estava ao fundo. Como é que conseguíamos percepcionar o fundo; após longo silêncio desconcertado e algumas gargalhadas abafadas, alguém respondeu que era através dos padrões. Depois de uma forte gargalhada, ele explicou que era demasiado complexo para nós, pobres almas, mencionou brevemente o gato e os fotões, e pareceu-me que disse que as coisas não existiam e pimba!, acabou com as explicações (?) e retomou a leitura das fotocópias.
Nem vou tentar explicar o sistema binário que afinal não existe.
Estas aulas são uma completa perda de tempo - é só ler fotocópias!
Fica a impressão que este professor não sabe bem o que diz quando sai da sua área de especialidade. Tenho uma vaga sensação que se o visse na rua poderia confundi-lo com mais um daqueles que tem opinião sobre tudo e sabe um bocadinho de cada coisa. Há ali qualquer coisa que não bate certo. Seria de supor que o tipo fosse uma sumidade em tudo que verbalizasse, mas ele ousa orar sobre coisas completamente fora da sua área.
É um tipo estranho...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Levei com uma bola de neve cor-de-rosa

Esta é a minha forma de agradecer à Florença e à Marciana. Obrigado miúdas!




Tu és a seguir! Não te desvies...

Uma vez idiota, sempre idiota?

Tenho estado a reler algumas coisas que escrevi no passado, neste blog, e confesso que fiquei com os cabelos em pé com a minha agressividade, e também com a má escrita.
O tom agressivo para alvos específicos foi o que mais me impressionou - como fui capaz...?
Acho que estou agora numa nova fase: Agressivo, sim senhor! Mas com mais eficácia e de uma forma mais hipócrita.
Quanto à escrita, melhorei um bocado. Não estou perfeito, mas já sei mais ou menos onde se colocam a pontuação e os acentos.
Ainda pensei se não deveria corrigir os erros comportamentais e gramaticais do passado. Mas decidi que o que está feito, está feito. Não vou limar nada.
Outra coisa que me aparvalhou foi a minha susceptibilidade. Creio também ter melhorado um pouco neste aspecto, mas apenas no que toca à magnitude das reacções alérgicas. A extrema sensibilidade aos "pólens" que por aí andam ainda permanece comigo, incurável.
Acho que estou a ficar trôpego. Talvez não trôpego, mas romântico. Sim, romântico mas não trôpego.

domingo, novembro 11, 2007

Sem sono em Lisboa

Sinto-me revoltado (de uma forma viril e carinhosa) com esta sensação lamechas que me está a invadir. E como não quero ser o único a sentir desta maneira, aqui vai um dos melhores diálogos românticos da história do cinema.

Para todos os amantes que estiverem acordados.


Paris Texas

E para não dizerem que eu só me importo com a minha liga, aqui vai para a outra malta.


The Hours

e


Brokeback Mountain

Desafio

Desafio

A minha linda sobrinha fez-me um desafio.

1) Pegar num livro que esteja à mão.
2) Abri-lo na página 161
3) Procurar a 5ª frase completa.
4) Postá-la no blog.
5) Divulgar o nome e o autor do Livro
6) Passar o desafio a 5 bloggers.

Nota: É proibido ir buscar o melhor livro ou postar a frase mais interessante.

Com alguma hesitação resolvi responder ao desafio.

"Em Inglaterra, a proximidade não significa nada."
Edward T. Hall "A Dimensão Oculta"

Desafio os seguintes bloguers:

Estejam descansados que não desafio ninguém...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Afinal não detesto assim tanto..

Tive que me açoitar brevemente depois de ler o post anterior com maior atenção: afinal só detesto uma vez, porque detestar em séries de três, é coisa um bocado amaricada.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Os contínuos dos auditórios

Detesto! Detesto! Detesto!
Os melgas dos contínuos dos auditórios e pavilhões.
Ou é porque se estão a cagar para tudo, ou é porque são tão dedicados que não sei se estão a lamber o cu ao chefe, a ajeitar-lhe as calças ou a pôr-lhe o emissor do microfone.
Detesto! Detesto! Detesto!
Os grandessíssimos chatos dos contínuos dos auditórios e dos pavilhões.
Ou é porque desaparecem durante horas, deixando-nos a mãos com as mais intrincadas aparelhagens inventadas pelo hominus conferencius, ou é porque fazem questão que cada "introdução" de uma pen seja supervisionada por mais dois assistentes para que o Powerpoint tenha garantia absoluta de correr todas as transições amaricadas.
Detesto! Detesto! Detesto!
O facto de estar "entalado", mais uma vez, com um destes gajos.
Este não me larga: ou são as pens que faz questão em dar-me - como se os conferencistas não soubessem para que é que elas servem; Ou é o portátil que é Mac com Linux; Ou são as cadeiras que não são suficientes; Ou é o engenheiro Ambrósio que está com calor ou a professora Odelinda que está com frio.
Nem consigo cinco minutos para escrever mal deste gajo à vontade porque ele anda sempre de um lado para o outro. Lá vem ele outra vez!
Para piorar, quando está quieto não está calado. Tem opinião sobre tudo e histórias para todos os gestos que eu faça - Olhe, agora, quando vi a sua mão a fazer-me um manguito, fez-me lembrar a conferência de 97...blá, blá, blá.
Que raça!!! Detesto-os!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Mas...vai-se já embora...?

Detesto a conversa de circunstância. Ninguém realmente gosta, mas eu acrescento a isso uma verdadeira e completa inaptidão para falar de coisas corriqueiras. Pior ainda, a minha mente costuma ficar completamente em branco quando me dirigem frases do tipo "Então este tempo? Ahn???" ou "Pois é...!".
Já o que me aconteceu ontem, foi algo esotérico e inexplicável.
Ao descer determinada avenida, como o faço todos os dias na qualidade de peão, vi-me obrigado a parar antes de poder atravessar uma transversal. Enquanto esperava que o sinal mudasse, um condutor resolve fazer uma inversão de marcha quase causando um acidente. Abri a boca, lentamente, mas outro peão, que estava ao meu lado, antecipou-se e mandou o "Que palerma!" antes de mim; não me fiz rogado, e como até já tinha a boca aberta, mandei outro "Grande palerma!". Foi logo a seguir a esta estranha cumplicidade que eu percebi que devia ter ficado calado. Trancado no meu mundo.
A partir daquele momento, e por mais que eu mudasse constantemente o meu ritmo de andamento, o outro peão nunca mais me largou. Começou por relatar, detalhadamente, todos os acidentes que presenciara e tomara parte. Por esta altura já eu me ria de frustração - não me conseguia libertar...!
Foi quando entrou a palavra "bicicleta" que eu comecei a ficar interessado no que o peão tinha para me dizer.
Depois de um ligeiro intróito sobre as biclas, agora era eu que também queria relatar as minhas aventuras. Infelizmente, o peão não me deixava falar. Ele só queria saber das suas aventuras. O que me deixou um pouco aborrecido.
Finalmente, lá consegui começar a descrever a minha bicicleta (que nem é grande espingarda!) e os seus acessórios. Justamente quando começava a ficar empolgado com o detalhe das luzes traseiras que piscam, o peão entrou num autocarro de repente.
Tristemente disse-lhe "Adeus!".
Enquanto o autocarro descia a avenida, eu continuei, lentamente, a descer e a pensar "Sacana! Tornou-se passageiro de repente e nem me deixou descrever o farolim e o conta-quilómetros".

segunda-feira, outubro 15, 2007

Não conseguia escrever, até que a vi...

Agora que estou a estudar a linguagem com uma abordagem científica, toda a minha criatividade, que imodestamente julgo possuir, parece ter desaparecido. Pelo menos tenho sentido grande dificuldade em passar para o "papel" os meus devaneios e encontros com os novos vizinhos.
Tudo o que escrevo agora parece-me errado.
Vou tentar ultrapassar a minha nova semantofobia (da semântica) e escrever.
Os meus novos vizinhos...
Bem, para além de uma rua pejada de transexuais a vender o corpo acabado de fazer e alguma chungaria, eu diria que a velha, cuja janela está de fronte à casa onde agora habito, é a mais maluca.
Se eu disser que esta senhora de idade gosta muito de varrer à noite, não será muito estranho; também poderia dizer que ela não pára quieta e anda sempre às voltas pela sala, o que também não seria muito estranho. O que é de facto peculiar, é que ela faz isto tudo nuazinha da silva e com as janelas todas abertas.
Esta senhora de idade e de alguma opulência, também gosta de pendurar as enormes mamocas à janela. E pendurar é o termo mais adequado.
Apesar de todo este cenário, eu e o meu comparsa coabitante (o dono da casa), não conseguimos tirar os olhos da janela. É uma espécie de curiosidade mórbida. Quem é que não sente uma enorme compulsão para ir ver o "talho" sempre que vê um acidente?
Claro que de todas as vezes que a vemos, exclamamos alto um AAAAAARRRGGGHHH!!! e continuamos com um "ca nojo!". Mas depois rimo-nos e comentamos que a velha deve ser doidivanas e esperamos que passe uma miúda gira na rua para purgar o sistema.
Devo dizer que a janela por onde vislumbramos todas estas magníficas cenas pertence ao quarto do meu caro amigo - vamos chamá-lo de J. -, e que por isso tenho acesso limitado a esta. Quaisquer questões em relação ao comportamento da naked old lady nas restantes vinte e três horas e trinta minutos, devem ser endereçadas à "National Cucugraphic - a/c J.".

quarta-feira, outubro 03, 2007

Preciso de mais RAM!

Não tenho vergonha nenhuma de confessar que sempre aprendi por necessidade e/ou por curiosidade, raramente porque tinha que ser.
Alguns exemplos do que aprendi "tardiamente": o alfabeto aos 16 anos para poder jogar ao Stop; Os meses do ano por ordem, nessa idade também, para deixar de perguntar quando é que começavam as férias; a tabuada, algumas partes pelo menos, ao longo da vida quando necessário, etc.
Em seguimento destes meus desfasamentos com a realidade, hoje já passei uma pequena vergonha com a miúda mais gira que trabalha no bar. Ela pediu-me para atirar para a reciclagem correcta o copo de plástico que tinha utilizado. Como nunca me tinha dado ao trabalho de memorizar as cores respectivas dos caixotes da reciclagem, passei por palerma ao tentar descobrir qual era.
Ela perguntou-me se eu não reciclava, ao que respondi que sim, mas que vejo pelos buracos (redondos, quadrados ou rectangulares nos grandes) e destroços fora do caixote para me guiar.
Foi só na terceira e última tentativa a abrir os caixotes, que percebi que era um palerma, o que por esta altura já não era nenhuma novidade para ela.
Suspeito que estou queimadito para esta miúda tão simpática: se reciclo, sou parvo por não saber as cores, se não reciclo, sou um fascizóide borrador de planetas. De qualquer maneira estou lixado.
E já não me lembro outra vez de que cor era o caixote para o plástico...

terça-feira, outubro 02, 2007

Primeiro dia de aulas!

Primeiro dia de aulas.
Perdi-me durante uma hora; entrei na mesma sala errada duas vezes, recebi olhares de desaprovação.
Comecei a pensar que, mais uma vez, lá estava eu perdido e desorientado como sempre. - Que asno!
Finalmente, depois de ter perguntado a duas dezenas de pessoas quem eu era, o que estava ali a fazer e para onde me devia dirigir, lá recebi a informação que afinal as salas estavam trocadas. - Alívio...afinal não era só eu que andava feito uma barata tonta.
A primeira cadeira a que fui apresentado, tem matéria suficiente para encher um contentor; e o professor desta tem a fama de ser difícil a dar notas...
Foi-me dada uma folha da esquematização da matéria e bibliografia...e já a perdi!
Conheci quatro colegas cujos e-mails tratei logo de recolher...e já os perdi!
A minha desculpa é que a minha vida está uma confusão: tenho tudo em caixas, acabei de me mudar e ainda me estou a adaptar a uma nova rotina. Mas é uma desculpa farçola.
De qualquer maneira, estou a gostar deste início. Um bocado revoltante, mas interessante.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Tanta coisa para quê?

É agora, ao reunir as minhas coisas acumuladas durante anos, para me mudar de casa, que descubro que praticamente nada do que tenho é útil ou sequer utilizável com frequência.
Com a cada vez maior emergência de conteúdos digitais - que é a única coisa que me interessa, isso e os interfaces -, vejo com olhos mais cerrados toda a panóplia de artefactos rudimentares que outrora serviram para guardar informação: revistas, CD's áudio, DVD's e toda a quantidade de papel "importante".
Por enquanto ainda vou guardando os meus livros e algumas revistas eleitas (dei mais de 1000 revistas), mas também estes meios têm um final anunciado.
Tudo isto pode fazer muita confusão para os puristas, mas para mim é agora uma questão de pragmatismo e eficiência: Se todos os meus conteúdos forem digitais, não só não tenho mais que me preocupar com espaço e organização espacial, como também os posso indexar e relacionar com grande facilidade.
Enquanto escrevo, estou a olhar para os meus volumes da Enciclopédia em celulose que descansa agora no chão e apesar de esta ter quase um metro de altura, é insignificante por comparação às digitais e ainda por cima não tem conteúdos multimédia. - Vou dá-la à minha mãe!
Já tenho uma grande parte das minhas fotografias e da família, digitalizadas e guardadas no Flickr, organizadas por data, pessoas e posição geográfica, já não preciso do papel; a minha música é toda em mp3; os filmes em DIVX; a banda desenhada em jpg; muitos livros em PDF; e tudo o resto algures na Net.
A única coisa que não consegui digitalizar (ainda) foi o Kiko. Não sei como catalogá-lo nem em que formato o guarde.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Mas quem é esta cadela?

Uma coisa é garantida quando vou passear os cães (o meu e o da minha mãe), já sei que se encontrar outros donos, vou ser obrigado a encetar conversas sobre os mais variados temas: cães perdidos, cães abandonados, raças de cães, hábitos canídeos, o complexo de Napoleão nos cães pequenos, a inércia dos cães grandes, etc.
Este Domingo encontrei duas senhoras velhinhas justamente quando me estava a preparar para ir embora. Rapidamente, logo a seguir a me terem impedido com fortes correias de continuar a andar, puseram-me a par da onda de cães abandonados deste Verão.
A medo dei algumas festinhas aos respectivos chihuahuas e subtilmente coloquei-me em posição de "partida, largada, fugida". Estava eu prestes a desatar a andar para casa, quando as senhoras me perguntaram o nome da cadela (que é da minha mãe), quando abri a boca não saiu nada...tinha-me esquecido do raio do nome da cadela!
Comecei logo a pensar que depois de toda esta conversa sobre abandono de cães, o facto de eu não me lembrar do nome de um dos que estava a passear poderia cair um bocado mal.
Logo a seguir a ter dito que não me estava a lembrar e que (boa desculpa!) a cadela era da minha mãe, resolvi inventar um nome para não deixar uma pior impressão...
Olhei para o meu cão e resolvi fazer uma variação feminina do nome dele, "Kika!". Não sei como é que consegui não me desmanchar a rir quando as senhoras começaram a falar com a cadela "Que linda kikinha!".
Claro que já informei a minha mãe que a LUNA agora tem um segundo nome próprio.

A minha pergunta é: o facto de a nossa mãe rir-se de nós com alguma frequência provoca alguma instabilidade mental?

O macho, o maricas e o D. Juan

Há uma semana que me ando a sentir muito macho, isto porque a música do "O Bom, o mau e o vilão" não me sai da cabeça . Dou constantemente por mim a cantarolá-la com toda a pujança de um verdadeiro Clint Eastwood português.
Já no Domingo, fui inundado por uma grande onda de bichanice. Simplesmente não conseguia parar de cantar o "I Feel Preety" do West Side Story .
Não me entendam mal, eu não sou daqueles que acha que qualquer homem que goste de musicais é Gay. O que me preocupou foi a minha interpretação musical em falsete, agravado com o próprio "peso" da letra "I feel preety; Oh so preety. I feel preety, and whitty, and gay...". Isto e o facto de a música ser escrita para ser cantada por uma mulher.
Felizmente, acabei o fim-de-semana bem mais descansado. Fui para a cama a cantarolar o "Fuck her gently" dos Tenacious D.



fuck her gently - Funny blooper videos are here

sexta-feira, setembro 07, 2007

Estou viciado!

Nunca gostei de jogos de estratégia mas agora encontro-me viciado neste jogo on-line:


Já tenho três planetas; estou mortinho por poder começar a guerrear com outros marmanjos.

P.S. Estou no Universo 21.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Quem me ajuda?

Tenho centenas de revistas de informática que gostaria de dar "asas para voar", que é como quem diz, dar! Infelizmente, nem as bibliotecas, nem os alfarrabistas querem aquilo.
Estou com pena de atirar tudo aquilo para o lixo, mas em última instância é para lá que vai.

Se houver algum coleccionador por aí...

Morreu Pavarotti!

Quem mais poderá cantar Puccini?

Peidos mudos

Se há coisa que detesto é entrar numa casa-de-banho pública ao mesmo tempo que outra pessoa. Se ao menos os meus intestinos tivessem um botão para o volume...
Duas coisas acontecem nestas circunstâncias: uma é a competição para ver quem faz menos barulho, a outra é ver quem se vai embora primeiro.
Estou a escrever sobre isto porque acabei de passar os meus últimos vinte minutos na casa-de-banho.
Em relação aos sons, perdi redonda e ruidosamente; em relação ao abandono do WC, ganhei por dez minutos: fui o último a sair!
Até aqui penso que é tudo normal, mas existe um pormenor que relato agora e que é um pouco Seinfeldiano: eu sou um habitué descamisado do WC, ou seja, sempre que sento as minhas frágeis (e virgens) nádegas num destes anéis bacterianos, tenho que estar de tronco nu! Não sei, gosto de me sentir em casa quando processo a última refeição e a encaminho para a ETAR mais próxima.

De volta para dar cabo dos palermas que por aí andam

O que eu escrevo não se diz...
Fartei-me de pensar num blog alternativo, mais abrangente, mais polido, com mais pinta, mas não consegui pensar em nada de jeito. Tenho que me limitar ao que sei fazer: agredir gente parva e também fazer figura de parvo devido a algumas escorregadelas que dou antes de conseguir enfiar-lhes um calduço.
O melhor é ficar por aqui. Volto atrás então na minha decisão.
O que é um gajo que não desiste? Podem-me acusar com "insistes em tudo pá!"?
Tenho a certeza que umas certas pessoas vão ficar aborrecidas com o meu regresso...

- Just when I think I was out, they bring me back in!

terça-feira, setembro 04, 2007

Novo Curso de Escrita Criativa

Apesar de este blog estar morto, verifico que ainda existem muitas pessoas que o visitam. Por isso aproveito para divulgar que estão abertas as inscrições no Corte Inglés para mais um curso de Escrita Criativa (17 de Setembro).
Apesar de gratuito e de uma obrigação quase compulsiva para ingerir coffee-breaks, nem tudo é mau...
O professor (José Couto Nogueira) é um excelente orador e com um sentido de humor apuradíssimo; a sua experiência como escritor e tradutor é razão mais do que suficiente para que qualquer curioso sobre os meandros das letras pagas possa vir a ser mais um participante de tão notável curso.
Como se não fossem suficientes todas estas iguarias, a Organização deste curso atreve-se a convidar escritores famosos para falarem sobre as suas vidas, experiências no campo da escrita, e para ainda responderem a perguntas duvidosas ou mesmo a jóias lapalissadas. Mas não temais a interacção, porque todo o caminho para a iluminação é, no mínimo, forte inspiração para que terceiros desenvolvam os seus pulmões com fortes gargalhadas.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Quase novidades!

Eu mantenho-me com a ideia que este blog chegou ao fim para mim, mas brevemente terei outro, mais abrangente, e publicarei o endereço aqui.

Estai atento!

sexta-feira, agosto 03, 2007

This is the end my friend...


Não é para chamar a atenção nem porque a minha imaginação acabou, mas cheguei ao meu ponto de saturação em relação a este blog.

Durante este tempo de felizes escritos, fiz muitas amizades giras e até fui a dois jantares fantásticos que reuniram bloggers.

Não tenho nenhum arrependimento do que escrevi, das minhas ideias ou de qualquer outra coisa; foi uma viagem espectacular e uma experiência de que nunca me esquecerei, mas tenho que continuar, vou partir para outras coisas, desbravar outras "terras".

Beijos e abraços a todos os bloggers (e não bloggers) que me acompanharam e que eu acompanhei.

Over and Out

quinta-feira, julho 26, 2007

As lãs da minha memória

Cheguei a um nível completamente novo de esquecimento.
Quando vinha do almoço para o trabalho, dei de cara com uma miúda muito gira cuja cara me parecia muito familiar, o que veio a provar-se um instinto correcto porque ela me cumprimentou efusivamente com um "Andrée!!!"; Olhei para ela com um sorriso e retribui-lhe a satisfação "Oláa!!!". Mas quem era ela? De onde é que eu a conhecia? Aquela cara gira e as ancas férteis estavam-me a bloquear completamente a concentração.
Quando eu julguei que íamos falar dos velhos tempos, ela apresenta-me a mãe e pergunta-me se eu não conhecia nenhuma casa de Lãs naquela rua. Claro que eu soube responder-lhe! Sim, porque uma casa de Lãs já é uma coisa que o meu cérebro considera de importância vital para armazenamento. Estúpido!
Como a casa já tinha fechado eu indiquei-lhe outro sítio que ela podia ir, os Armazéns do Minho. E mais uma vez insultei-me em silêncio por guardar este tipo de informações e não o nome e outras referências desta beldade.
Abraçou-me, beijou-me, disse-me adeus, retomei o caminho, e passado cinco minutos lembrei-me: "Dulce!!!"
Mas esta miúda era uma maluca e agora está à procura de Lãs? - Grande Dulce! - Lembrei-me eu com nostalgia.

Nota final: Para quem leu as histórias da Andreia (Quando o amor acaba (...) e Ontem morri!), a Dulce foi a minha inspiração.

quarta-feira, julho 25, 2007

Troco mãe

Sempre que alguém vai pedir dinheiro ou divulgar informação necessária - vida depois da morte e afins - a casa da minha mãe, ela, do alto da sua generosidade e boa graça, ou diz que não tem dinheiro e para tentarem no andar de baixo, na casa do filho, ou diz que não tem tempo mas que o filho é muito atencioso e compreensivo e que irá concerteza ter tempo para receber as linhas orientadoras de qualquer Deus.
Não é preciso dizer que sempre que abro a porta e um desconhecido me pergunta "É o filho?" sei sempre o que me espera.
Ontem tive direito a mais um episódio desta interminável telenovela: Abri a porta; a senhora mandou um berro com o kiko que sai sempre inofensivamente disparado; eu olhei para ela com olhos de carneiro mal morto porque já desconfiava o que ia sair dali; ela explicou-me de onde vinha e o que queria, não sem antes perguntar se eu era o filho, claro!; eu disse-lhe que não tinha nada para lhe dar mas que a porteira tem sempre qualquer coisita (cada um goza com quem pode); ela despediu-se com um olhar de desprezo; eu esquecia-a em cinco minutos.
Mais tarde fui a casa da minha mãe para tentar perceber o que é que ela tem contra mim e para lhe perguntar quando é que me devo mudar para outro prédio. Mal cheguei a casa dela comecei a ouvir uma gargalhada abafada...
Já não chega viver num prédio hostil onde a porteira espalha o boato que eu sou homossexual e que alguém se diverte a pôr sal debaixo do meu tapete, também tenho que viver um andar abaixo de uma mãe sádica.

segunda-feira, julho 23, 2007

Perdido outra vez!


Foi um caminho difícil até chegar ao jantar de bloggers no Sábado.
Como fui a pé, resolvi ir com uma hora e um quarto de antecedência, o que me daria, pensava eu, tempo suficiente para encontrar o restaurante.
Antes mesmo de entrar no Metro fui abordado por duas coreanas que me queriam - não acaba aqui... - fazer umas perguntas. Só permiti isto porque as duas eram giras e eu ainda tinha muito tempo; não liguei ao facto de estarem com uma bíblia na mão e preparei-me para as perguntas da chacha.
Depressa cheguei à conclusão que tinha cometido um erro: não só elas falavam penosamente o português, como também já me tinham lido umas dez passagens da Bíblia em que dava a entender que havia afinal dois Deuses e um deles seria uma Deusa - Um casal, portanto!
Liguei o turbo dos ateus e fugi dali p'ra fora - Nenhuma gaja é gira o suficiente para me obrigar a ouvir disparates.
Metro, finalmente...
Cheguei calmamente ao Parque das Nações, olhei para o relógio e comecei a andar lentamente - Ainda faltava uma hora e eu não ia ser o primeiro a chegar. Não, não!
Foi só depois da décima quinta pessoa (polícias e seguranças incluídos) a quem eu perguntei se conhecia tal restaurante que comecei a ficar ansioso. Faltavam quinze minutos para a hora marcada do jantar e eu ainda não fazia ideia onde era. Acho que meia hora depois, quando estava prestes a desistir, é que me lembrei que tinha no bolso o número do telemóvel da minha querida amiga Avelã. Entrei no Centro Comercial Vasco da Gama e telefonei-lhe.
Eu não gosto de andar com telemóvel mas já estava arrependido por não o ter trazido.
Depois de umas breves orientações que me deixaram na mesma porque não fazia a mínima ideia para onde era o Norte, fui em direcção à bússola mais próxima: Um Táxi!
Ao fim de mais quinze minutos de um lado para o outro, comecei a pensar que aquilo era uma grande partida de alguém que me queria fazer sofrer: Nem o taxista encontrava o raio do restaurante! Finalmente um raio de luz. Lá estava ele. Afinal já tínhamos passado por lá umas três vezes. Acho que tanto na minha mente como na do taxista íamos à espera de encontrar um restaurante com esplanada e música à semelhança de todos os outros da zona; no entanto este não só era bastante sóbrio como tinha qualquer coisa de camaleónico.
A minha primeira preocupação quando entrei foi se ia ser o último a acabar de comer porque todos já teriam comido - traumas da primária -, felizmente ainda estavam nas entradas.
A partir daqui já não há muito mais para contar que não passe os limites do pessoal, mas correu tudo bem, toda a gente foi muito simpática, com especial relevo para a Florença, o João e a Avelã, e foi uma noite muito agradável.

sexta-feira, julho 20, 2007

Potter e a irritabilidade das mulheres

Ontem fui ver o Harry Potter com a minha sobrinha, a minha irmã e o Pedro.
Tirei duas conclusões: o filme é giro e as mulheres têm um fraco poder de concentração aliada a uma irritabilidade latente e inata.
Atrás de nós sentaram-se uns putos que, aparentemente, não se calaram durante todo o filme. Digo aparentemente porque nem eu nem o Pedro nos apercebemos disso, tal era a nossa concentração no filme; já a Maria e a Patrícia passaram o filme a vocalizar chius e a olharem para trás com as sobrancelhas sobreerguidas.
Podem-me dizer que os homens geralmente não se fazem notar em meios públicos com acessos de irritabilidade, o que é verdade, mas não minto quando afirmo que mal me incomodaram as vozes traseiras dado o meu fascínio pelo desenrolar do filme.
Ainda me passou pela cabeça fazer um feitiço para calar os putos e as mulheres, mas esqueci-me de levar a varinha.

terça-feira, julho 17, 2007

Estação Liberdade: O começo.

Bem vindo à Estação Liberdade!
Com um novo aumento do IRS ou do IVA (ou de ambos) num futuro próximo para colmatar as faltas da Segurança Social, este Governo prepara-se para acabar de vez com toda a classe média - exterminá-la!
Tenho algumas medidas, também para o futuro próximo, para combater este Regime Capitalista:
A primeira é o ataque à fantochada da Democracia representativa escolhendo não votar;
A segunda, e esta é só para aqueles que acham que o ordenado assim que entra na conta sai de imediato na totalidade, é não abrir, pura e simplesmente, contas. Pagar tudo em dinheiro vivo.
A terceira é consequência da segunda. Não aderir ás linhas de crédito, empréstimos, cartões de crédito e de débito.
A quarta é aumentar o consumo da pirataria.
A quinta é a criação de movimentos de cidadãos que permitam uma mudança de paradigma da Democracia representativa para uma participativa e consensual.
A seu tempo outras medidas serão divulgadas, por agora é tudo...
Obrigado pela sua participação leitor. Esteve a ler a Estação Liberdade.

segunda-feira, julho 16, 2007

Quando uma ideia morre...

Parece que há por aí uma grande confusão com o conceito de liberdade de expressão.
Dizer aquilo que se pensa com liberdade não significa que não hajam consequências ou vozes discordantes. Aliás, arrisco afirmar que quem sente a liberdade de se exprimir como quer mas nega-se a discutir as suas próprias ideias e enfurece-se com os contraditórios, não passa de uma pessoa ignorante e limitada que mais depressa tomará os caminhos do fundamentalismo do que abraçará a sua própria hipocrisia.
A liberdade de expressão não acaba com a primeira ideia exprimida em liberdade, pelo contrário, a ideia, uma vez iniciada a sua jornada, nunca parará de se transmutar; por conseguinte, a ideia viverá para sempre. Uma ideia que pare e se torne indiscutível, deixará de existir para dar lugar a um dogma.
O surgimento dos dogmas erradicam a liberdade de expressão e são terreno fértil para todos os fundamentalismos. E é no simples término da viagem de uma ideia que nascem todas as sociedades intolerantes.
Não espero sinceramente que os terroristas das ideias rebentem com os seus dogmas, a minha única esperança é aumentar o número de radicais livres para que possamos em conjunto oxidar as células infectadas por este vírus.

quinta-feira, julho 12, 2007

O rapaz que queria ser Rei

Era uma vez um rapaz que queria ser Rei de Portugal.
Ele tinha todas as características necessárias que um Rei deve ter: burro, pouco articulado e mal educado.
O rapaz tinha um irmão que, à boa maneira monárquica, foi escolhido para seu braço direito. O irmão deste rapaz wanna be King, já havia participado num reality show para se tornar mais famoso e mais idiota - e resultara!
O rapaz que queria ser Rei resolveu começar por invadir Lisboa. Mas por falta de articulação e inteligência, este rapaz começava a desconfiar que nem um soldado conseguiria engajar no seu sonho.
Ao perceber que os contos de fadas já tinham acabado mudou a estratégia de invasão para uma de indignação.
Quando todos os cavaleiros do Reino se juntaram na Távola Redonda para se lançarem num combate de retórica sem tréguas, este rapaz percebeu que nem o cavaleiro do Big Brother conseguia derrotar. O rapaz saiu humilhado deste encontro mas a ideia de indignação não lhe saía da cabeça.
Desesperadamente, no dia seguinte, o rapaz levou consigo uma palete de rolos de papel higiénico para entregar no Palácio de Lisboa que, dizia-se, não possuía moedas suficientes para os comprar. Foi obrigado a deixar os rolos no passadiço real porque nenhum popular resolveu aceitar a oferenda.
O rapaz, que um dia foi conhecido como bon vivant - uma espécie de playboy local, que em vez de carros e miúdas giras prefere fado e touradas - continua indignado e de vez em quando aparece na televisão a mandar postas de pescada.

quarta-feira, julho 11, 2007

O Diário de A(na)lfabeta

Serão a maior parte das brasileiras que viajam para este país prostitutas?
A autora deste texto (Brasileiras) diz que segundo os seus profundos estudos (ela leu as secções de anúncios de vários jornais) conseguiu extrapolar e inferir a incrível conclusão que grande parte das brasileiras que imigra para este país, vem com o objectivo de se tornar puta - este estudo só é apontado nos comentários que fez aqui.
Claro que um estudo aprofundado como este não teria qualquer significado se não fosse acompanhado de um esplendoroso julgamento moral. A indignação que esta senhora demonstra ao criticar severamente as brasileiras que só cá vêm para este tipo de trabalho é digna de honras dos mais variados mosteiros da idade média baixa.
Eu gostava de acrescentar que também fiz alguns estudos utilizando as mesmas fontes e cheguei ás seguintes conclusões: a grande maioria dos africanos vem para este país para se tornar discípulo do Prof. Karamba; e grande parte dos casais portugueses anda a dedicar-se ao Swing.
Eu pergunto, caso esta senhora esteja certa e caso não houvesse brasileiras para ocupar tão nobre lugar, quem iria desempenhar essas funções? Quem iria dançar no colo dos homens de família aos fins-de-semana? Quem iria desenrascar aqueles gajos mesmo feios que não conseguem levar nenhuma para a cama? E os velhotes que não são ricos? Como é que eles faziam?
O que esta senhora quer é o que aquelas provincianas (já não sei de onde) há uns tempos atrás conseguiram fazer: expulsar algumas pobres coitadas que trabalhavam no alterne. Fizeram-no por medo de perderem os maridos. Eles, coitadinhos, demonstraram uma total compreensão e mantiveram-se "rijos e erectos" ao lado das suas pobres esposas.
Achei imensa piada a esta passagem do seu texto "eu não sou racista embora certos comportamentos são típicos de algumas raças"; e também esta última afirmação é deliciosa "estas gajas só estão no nosso País para isto? Fogo são todas umas va..., porra!!!!!!!!!". Todo o texto é de uma preciosidade rara, digno de ser publicado num qualquer jornal da extrema direita.
Devo dizer que há uns tempos atrás estive mesmo para catalogar este blog como blogs da caca seca, não o fiz porque já tinha falado com a moça pelo MSN e não quis faltar-lhe ao respeito, mas agora, depois disto tudo, é para lá que vai. Não suporto gente racista e ignorante!

terça-feira, julho 10, 2007

No help needed

Eu não gosto de ajudar inválidos na rua por duas razões: a primeira é que geralmente eles são muito orgulhosos e preferem desenrascar-se sozinhos - se fosse comigo faria a mesma coisa; e a segunda, porque nunca sei se a minha ajuda é necessária ou mesmo oportuna.
Sinto-me bem à vontade nestes assuntos porque já desempenhei as funções de socorrista num Lar em que tive que cuidar de indivíduos com as mais variadas limitações. Conversei com muitos e fiquei a entender que a única coisa que eles desejam é serem tratados como iguais, doa o que doer...
Hoje tomei uma rara iniciativa de voluntarismo generoso e altruísta apenas para descobrir que também eu (de vez em quando) posso ser mais um grande chato que anda na rua com um "coitadinho" na boca.
Ao ver uma invisual em rota de colisão com um Jipe (estacionado), peguei-lhe no braço, disse-lhe "desculpe, vá mais para esquerda"; ela disse-me que era a direcção desejada porque queria atravessar a rua; eu disse-lhe que ela ía de encontro a um automóvel; ela (ar enfastiado) apontou para a sua bengala; eu percebi que a minha presença não era necessária e que estava a ser inoportuno e chato e disse-lhe "desculpe" e continuei o meu caminho.
No meio disto tudo acho que devo ter dado uma volta de 180º com ela quando a ajudei, porque o sentido da sua marcha agora era exactamente o contrário. Mas já não tinha coragem de a "ajudar" outra vez. Ela perceberia, eventualmente, quando chegasse ao ponto de partida.
Tão depressa não ajudo mais ninguém. Corro o risco de levar com uma estocada de uma bengala retráctil.

Nota final: eu gostaria de ter intitulado este texto de Cabra Cega (jogo), mas receei que fosse mal interpretado.

segunda-feira, julho 09, 2007

Bored itself to death

A razão porque o Live Aid continua a ser o concerto (ou conjunto de concertos) mais memorável neste género de iniciativas, tem uma razão muito simples: cumpriu a sua função!
Toda a gente sabia qual o objectivo da angariação de fundos e das diversas vontades humanas, não foi necessário uma extensa e detalhada explicação.
Quando me lembro do Live Aid, lembro-me da espectacular música e do primeiro movimento de massas contra a fome (na Etiópia); Quando me lembro do Live 8 e agora deste Live Earth, lembro-me de... nada!
Sinceramente, eu não estou interessado em ouvir longas palestras de modelos femininos e apresentadores de concursos sobre estes tópicos que tanto afligem o mundo. Eu percebo a mensagem mas quero ouvir a música que a transporta.
Odeio dobragens, mas isto que fazem agora chega a ser pior. Talvez um dia até juntem as duas coisas: dobrem as poucas músicas que emitirem para português enquanto preenchem o resto do tempo (a maior parte de preferência) com perguntas aos concorrentes do último Reality Show sobre os seus sentimentos acerca do mundo e quais os seus desejos para o futuro.
Podem-me dizer que passarão os concertos mais tarde, na íntegra, mas a piada está exactamente no facto de ser em directo e de ser ao vivo. Observar um fenómeno destas dimensões, em directo, gera uma unificação global, uma empatia, um sentimento, difíceis de replicar se o fenómeno for em diferido. Talvez quem goste de futebol perceba melhor o conceito; Ou mesmo quem goste de se manter actualizado em tempo real...
Continuem a tratar as massas como crianças, a que têm que explicar tudo, e é isso que irão ter no futuro. Isso ou uma massa disforme, amorfa e apática, ligada electronicamente ao mundo, com um lapso de tempo significativo para que caibam lá todas as opiniões irrelevantes, e depois, no caso de poderem existir interferências, dobrem-nas e legendem-nas.

Sal debaixo do tapete

Gostava de saber o que significa e quem raio é que me obrigou a quebrar a minha rotina de só limpar debaixo do tapete de mês a mês.
Ouvi dizer que é feitiçaria - o que me é completamente indiferente. Este pessoal devia escolher melhor as "almas" ingénuas a quem desejam mal.
Mas ainda bem que me escolheram a mim que sou completamente impermeável a estas merdas, agora só tenho que descobrir quem foi (tenho as minhas suspeitas) e vou provocar-lhe(s) o maior susto que já apanharam: só preciso de arranjar uma galinha morta com penas, giz, velas e um saquinho com merdas tipo cabelos, unhas, etc.
Apesar de não acreditar nestas coisas, já me tenho divertido com pacóvios que acreditam. Já chegaram ao cúmulo de dizerem que eu tinha poderes só porque organizei uma sessão espírita numa casa com madeiras velhas que rangiam.
Não é a merda da feitiçaria que me irrita, é a intenção e a atitude cobarde.

Vozes intolerantes

As únicas vozes intolerantes e xenófobas que suporto ouvir (ler) são as dos meus amigos. Eu sei que eles brincam ou que, mesmo a sério, seriam incapazes de actos de intolerância.
São todas as outras vozes que me incomodam porque não as conheço e não sei do que são capazes.
O ideal seria que não houvessem vozes deste género, mas a liberdade de expressão obriga-nos a tolerar todas as ideias, mesmo aquelas que não nos toleram.

terça-feira, julho 03, 2007

Carta de desamor

Exercício pedido no Workshop de Escrita Criativa do Corte Inglês; O objectivo era escrever uma carta de desamor (ao contrário de uma de amor o propósito desta é terminar uma relação):

Aeroporto de Lisboa, 29 de Junho de 2007

Querida Nini,

Quando receberes esta carta já estarei nos braços da minha nova noiva na Tailândia, onde também o nosso amor começou.

Uma vez que não tenho conseguido falar contigo nestes últimos dias para pôr cobro à nossa relação – devias comunicar à tua secretária que eu sou teu marido porque ela nunca me deixa entrar no teu gabinete -, escolho este método pouco elegante para te transmitir a saturação e cansaço em que me encontro e que me levou a esta decisão.

Se no início a nossa relação foi igual a tantas outras também especiais e únicas, lá para o meio fiquei com a sensação que talvez estivesse enganado quanto à singularidade desta. O facto de passadas duas semanas do início do nosso casamento tu quereres dar mais “cor” á nossa vida sexual pareceu-me estranho. Felizmente, o nosso simpático conselheiro matrimonial fez questão em realçar que nos tempos que correm, qualquer mudança de ritmo e acréscimo de diversidade no matrimónio são sempre saudáveis e desejáveis. Ainda bem que mais tarde nesse dia acabámos por encontrá-lo na sessão de Swing; acho que ficaria com ciúmes se fosse qualquer outro homem. Teria sido uma noite perfeita se a esposa dele não tivesse ficado em casa doente. De facto a nossa relação parecia cair, mais e mais - segundo tu disseste, e muito bem! – numa rotina de sexo e carinho despropositados da minha parte. O conformismo instalava-se sem eu dar por isso…

O distanciamento da tua parte nas restantes duas semanas seguintes foi bem capaz de ter sido resultado das minhas obsessivas investidas amorosas. E por isso me culpabilizo.

Como te amei muito, todo o dinheiro que gastaste da nossa conta conjunta e investiste no teu negócio da SexShop e as nossas acções da Portugal Telecom que vendeste oportunamente e te permitiram comprar um Mercedes para as tuas deslocações e as jóias e roupas para a tua apresentação digna aos clientes que lá têm ido a casa à noite, foi um investimento apaixonado e, como tal, a fundo perdido. Não espero, nem desejo, que me devolvas um centavo.

Infelizmente, eu não me senti satisfeito com a falta da tua presença e, correndo o risco de ser um sacana egoísta e traidor, comecei a consultar o mesmo site onde te conheci (www.dirtythaigirls.com); o que me levou a conhecer uma mulher compreensiva da minha situação e muito querida. Tão querida que se ofereceu logo para me confortar e se juntar a mim em novo matrimónio. Penso que eu fui muito injusto e exigente para contigo, mas agora vou tentar emendar-me e não cometerei os mesmos erros graças á tua boa graça, sabedoria e paciência. Ensinaste-me muito.

Tratei de todas as papeladas em relação aos nossos haveres – teus agora minha querida.

Tem uma vida feliz. Nunca te esquecerei.

O teu primeiro amor, Tóninho

segunda-feira, julho 02, 2007

Um imenso Portugal

Ontem foi um dia de amena pacatez.
Eu, o João, a Maria e mais três amigos (que pedem anonimato por razões do foro criminal) passámos uma boa parte da tarde sentados na esplanada da Sul América.
Gostava de poder dizer que este convívio foi divertido, mas infelizmente deu na gana de quase toda a gente, menos a mim e à Maria, iniciarem uma longa e aborrecida conversa sobre direito e equipamento social.
Enquanto eu bocejava e a minha sobrinha contava quantos guardanapos conseguia introduzir no bolso do pai sem ele dar por isso, uma voz com sotaque brasileiro começou a fazer-se ouvir num registo que apagava todas as outras.
A pouco e pouco começámos a perceber o conteúdo que esta voz estridente transportava, e, surpresa das surpresas, era uma mensagem muito pouco simpática de Portugal e dos seus nativos.
Ninguém na nossa mesa possuía qualquer ideologia de direita, mas é um facto que ficámos irritados.
Dizem as regras da boa educação que os convidados têm o direito de não gostar dos anfitriões, mas que demonstrá-lo enquanto nessa condição é de muito mau gosto.
Já não sei porquê, mas o João tinha a viola com ele. Para nosso grande espanto ele pôs-se de pé e começou a dedilhá-la.
Abro aqui uma nota para explicar que o que se passou a seguir só se deve a muitos anos de convívio, grande amizade e muito em comum.
Quando o João começou a tocar olhou para mim e eu percebi...
Levantei-me também. Ele tocava e eu cantava enquanto nos passeávamos pela esplanada. Toda a gente olhava com um ar de interrogação e alguma reserva. Parámos à frente do brasileiro.

"Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal; Ainda vai tornar-se um imenso Portugal"

Tornou-se imediatamente evidente para o brazuca que não tinha forma de sair graciosamente daquela situação.
Quando acabámos, triunfantes, toda a esplanada aplaudiu, apesar da minha horrenda voz. A nossa mensagem tinha vencido pela poesia a má educação do nosso patrício.
Não passou muito tempo até que o sujeito se fosse embora, cabisbaixo; derrotado pela sua própria cultura.

Infelizmente a história é inventada porque ninguém se lembrou de responder ao brasileiro desta forma.

quinta-feira, junho 28, 2007

Não gostas de mim? Mas porquê?

Descobri agora que uma pessoa de quem eu gosto há muito tempo (desde criança) faz um juízo completamente negativo de mim. E já não é a primeira vez que me acontece uma coisa destas...
Eu sei que não sou perfeito (longe disso), e também não tenho a mania de querer que toda a gente goste de mim - eu até gosto de de fazer inimizades, diverte-me -, mas a proximidade que eu tinha com esta pessoa era de tal grandeza que isso nunca me ocorreu. E nos anteriores casos a mesma coisa: apanharam-me de surpresa.
Quando isto me acontece eu tento perceber o que é que há de errado comigo, o que eu acho que é normal nestas situações. Mas eu sei perfeitamente de antecedência que, tirando uma coisita aqui, outra ali, sou um tipo perfeitamente normal.
Então porquê este Juízo de mim? O que é que sabem da minha pessoa que me escapa? E, acima de tudo, porquê estas pessoas com laços tão fortes comigo? Eu nem me meto com ninguém, estou no meu mundinho a maior parte das vezes. Não me interessa a vida dos outros.
Que surpresas mais me aguardam no futuro?

terça-feira, junho 26, 2007

Santíssima Trindade

"Eu sou um ser humano sensível e inteligente, mas com uma alma de palhaço que me obriga a estragar tudo nos momentos mais importantes" - Jim Morrison

Tudo o que sentimos já foi escrito com as mais belas palavras; até esta constatação já foi proferida inúmeras vezes; quem sabe até a constatação da constatação...

Segundo Will Eisner, o caminho para a originalidade começa com a prática e a cópia dos melhores que nós, o que faz todo o sentido porque para nos tornarmos indivíduos com uma personalidade distinta, primeiro tivemos que copiar tudo o que nos rodeia: comportamentos, tiques, modas, gostos, gargalhadas, ritmos de fala, beijos...
Só a maturidade nos pode trazer a originalidade, e a maturidade é a transcendência do eu e o reconhecimento da inexistência desta.
A percepção da imaturidade torna-nos sensíveis, e o esforço para adquirir maturidade provoca acessos de inteligência.
Da dificuldade em manter uma inteligência estável e coerente em todos os nossos actos, nasce a alma de palhaço. E da luta constante desta contra a lógica nasce, aos poucos, a personalidade. Esta, marcada pela batalha, irá decidir se será mais ou menos marcante; mais ou menos conformista; mais ou menos revolucionária. No fundo não passam de pequenas diferenças entre o esforço do raciocínio e a inércia do movimento caótico de tudo o que nos rodeia.
No fim, somos tão palhaços como originais. O palhaço chora e pensa, mas, sobretudo, ri. Assim como no céu, o nosso coração também está tripartido. Somos três num só, mas um de cada vez.

Estão a olhar-me para o peito descaradamente!

Hoje, finalmente, tive uma experiência de empatia com a mulher.
Enquanto respondia a certas perguntas de uma senhora, notei que ela frequentemente punha os olhos no meu peito, creio que nos pêlos que despontavam da minha T-shirt, e tomava o seu tempo lá enquanto falava comigo (praticamente não tirava os olhos). Ao princípio achei alguma piada e prometi a mim mesmo que quando chegasse a casa me iria ver ao espelho para verificar se estava tudo no sítio (e estava!), mas passado algum tempo de conversa comecei a ficar incomodado; ela falava para mim mas raramente tirava os olhos do meu peito. Comecei a sentir-me um objecto sexual. Tão demorada observação só poderia querer dizer que ela estava a gravar esta imagem na sua memória para a utilizar mais tarde em sabe-se lá o quê...
Agora percebo o que as mulheres sentem quando nos demoramos nas suas mamas e virilhas ao mesmo tempo que encetamos uma amena conversa com elas. Claro que também olhamos para os seus rabos, mas nessas alturas não estamos a conversar com elas.
Já estou habituado ao rápido olhar feminino ao volume peniano - e gostava de poder dizer nessas alturas que estou com uns boxers apertados - ou mesmo, quando me viro subitamente e as apanho, ao meu rabo, mas aos pêlos do meu peito é a primeira vez, pelo menos com este á vontade que ela demonstrava.
Fui violado por observação. Sinto-me usado. Tenho que trazer esta T-shirt mais vezes.

segunda-feira, junho 25, 2007

Workshop de Escrita Criativa

Estou a frequentar um Workshop de Escrita Criativa muito interessante. Como este curso é cíclico (e gratuíto), quem quiser ser informado visite http://vontadedescrever.blog.com.
Como é costume nos cursos, no primeiro dia fazem-se as apresentações. Dado o meu ódio de falar em público quando não conheço ninguém, sugeri os lugares da frente, subtilmente, ao João Pinto (que também está a frequentar o curso). Assim ficava logo despachado da apresentação e também eliminava qualquer hipótese de repetição das justificações que me levavam a estar ali.
Eu já sei como sou nestas situações, e se quando conheço mais ou menos as pessoas e o ambiente até sou extrovertido e causa de algumas gargalhadas (para mim e de mim), quando o ambiente é a estrear sou quase agorafóbico. Gostava de poder dizer que nem sempre fui assim, mas, tirando um período de alguns anos da minha vida em que gozei de uma forte auto-estima, sempre fui e, enquanto viver neste país, sempre serei.
Engraçado que a auto-estima, a minha pelo menos, esteja tão intrínsecamente ligada a um território. O que me faz lembrar (ou talvez tenha sido o contrário) o que o Sr. José Couto Nogueira (formador no Workshop) disse sobre a diferença comportamental das diferentes nacionalidades e a sua provável causa genética - "talvez exista um gene português" -, mais específicamente em dois casos particulares: o espanhol, extrovertido, alegre, arrogante; e o português, introvertido, tristonho... arrogante.
Não devia estar a escrever sobre a minha auto-estima porque é prejudicial para a minha imagem de macho. No entanto creio que é evidente ultimamente, e eu como sou um tipo transparente (infelizmente) não consigo enganar ninguém, mesmo querendo...
O meu amigo João Pinto diz-me que (sem qualquer carga negativa) eu divago muito quando escrevo; acho que ele tem razão, no entanto duas coisas estão sempre presentes quando forço a caneta de encontro ao papel: o princípio e o fim!

quinta-feira, maio 31, 2007

A educação mata a criatividade?

Esta é uma questão que me intriga há já muito tempo: A educação mata a criatividade?
Todo o formalismo, dogmatismo e uniformidade do programa educacional, por todo o globo, tende a erradicar ou marginalizar aqueles que são diferentes. Com o actual sistema caminhamos a passos largos para uma sociedade quase insectívora.
Nós somos todos criativos com um potencial ilimitado, todos! Nascemos criativos e depois podemos ser educados dentro da criatividade ou fora dela.
Este vídeo que eu colo aqui é das celebres conferências TED. O tema desta "comunicação" é precisamente Do Schools kill creativity?, apresentado pelo Sir Ken Robinson.
É uma conferência divertidíssima (é preciso perceber inglês) e tem apenas uns míseros 19 minutos.



quarta-feira, maio 30, 2007

A poupança na senilidade

Que os velhos são forretas como o caraças, já toda a gente sabe, mas que esta forretice pode sair cara às vezes, é novidade. Ou não será?
Ontem estava a ver as notícias quando ouvi a coisa mais absurda desde há muito tempo. Talvez desde as famosas entrevistas com o Carrilho que não ouvia uma coisa assim tão estapafúrdia.
A notícia era sobre a poupança de electricidade e de como as novas lâmpadas de baixo consumo podem poupar até 80% de electricidade. Quando, no meio de uma campanha da EDP em que ofereciam lâmpadas destas, é entrevistado um velho e lhe fazem a seguinte pergunta «Já usa destas lâmpadas em sua casa?» e ele responde «De facto já tenho as lâmpadas, mas estou à espera que as outras [as normais] se fundam para substituí-las» fiquei boquiaberto. Quer dizer, há poupar e ser parvo. Então não poupava mais dinheiro se mudasse JÁ as lâmpadas?

terça-feira, maio 29, 2007

Acabou-se a liberdade

Bem sei que a realidade actual é diferente daquela que eu conheci quando era puto, mas não me consigo imaginar a crescer sem toda a liberdade que gozei. Se fosse hoje, provavelmente a minha mãe e restantes encarregados, numa altura ou outra, de tomar conta de mim, seriam responsabilizados de negligência e quase abandono.

As coisas eram bem diferentes.

Eu e os meus irmãos brincávamos (ás vezes) durante todo o dia na rua, só indo almoçar e jantar a casa; Muitas vezes dormíamos sózinhos porque a minha mãe (separada) tinha que fazer turnos à noite; passávamos as férias com as nossas primas (que eram adolescentes) sem a supervisão de nenhum adulto; eu ía para a escola de autocarro e os meus amigos também.

Será que as coisas eram assim tão diferentes?

Apesar de, tanto eu como os meus amigos, nos depararmos com o ocasional velho pedófilo dos transportes públicos que se punha a masturbar quando via rapazinhos novos, ou o exibicionista maluco, ou mesmo os doidos histéricos e bêbados, desenvencilhávamo-nos muito bem. Talvez porque estes lunáticos não eram violentos ou talvez porque nós tinhamos uma maior autonomia e desenrascanço que os putos de hoje. Mas as histórias que se ouvem agora também não se ouviam antigamente.

De facto as coisas são diferentes.

Os criminosos são hoje muito mais violentos e amorais. O mundo já não é bom para as crianças. A liberdade é agora um pau-de-dois-bicos: se por um lado pode armar a criança de autonomia, por outro arma o criminoso de oportunidade.

E é por tudo isto que eu não consigo culpabilizar inteiramente os pais da Madeleine; para o fazer teria que utilizar outra balança para os meus. É verdade que são mundos temporais diferentes, mas para estes pais, Portugal ainda tinha uma imagem pacífica e amena. Provavelmente muitos de nós também pensávamos o mesmo. Agora todos sabemos que o nosso lar já não é a mesma coisa.

segunda-feira, maio 28, 2007

Aos críticos deste blog

Pesadelos e beatas

Ontem (no aniversário da minha irmã) comi demasiados ovos, o que me fez ter pesadelos durante a noite. Vão-me chamar maluco, mas adoro pesadelos; na altura fazem-me acordar suado e com algum...digamos "respeito", mas depois costumam ser óptimo material para histórias. O de hoje à noite foi particularmente interessante - estou "mortinho" por começar a escrever a história.
Mudando de assunto mas mantendo o registo de pesadelo; alguém próximo de mim chegou à conclusão que tentar fazer amizade com gente beata é perder tempo. Uma simples razão para que seja assim é a tentativa de conversão permanente que estes zoombies infligem a quem se aproxima deles. Eu, por princípio, não gosto de gente demasiado religiosa - se forem só um bocadinho já não me importo -, e por isso tendo a não me aproximar destas criaturinhas. Mas pobres dos incautos que não sabem do que esta gente é capaz!
E assim foi o meu fim-de-semana: divido entre pesadelos e ovos.

quinta-feira, maio 24, 2007

Eu não sou totó!

- Eu tenho um feitio tramado! - De tanto dizer isto alguém há-de acreditar em mim.
Umas das características deste meu feitio é a inflexibilidade em determinadas coisas.
Se, por exemplo, me tratarem com duas pedras na mão quando eu não dou razão para isso, recuso-me a continuar a agir como se estivesse tudo bem. Quando me tratam assim corto logo o mal pela raíz, seja homem ou mulher; goste muito ou (melhor) não.
Lembro-me que quando era puto tinha um amigo, o meu melhor amigo na altura, que teve o azar de me tratar mal mais do que uma vez. Eu não tive com meias medidas e e disse-lhe que ou ele mudava de atitude ou deixávamos de ser amigos. Ele não mudou, eu nunca mais o vi.
Até hoje tenho sido sempre assim, sem arrependimentos. Não admito que ninguém me trate mal. Obviamente, não sou radical; dou sempre hipótese de redenção. E uma vez terminada a relação também não sou rancoroso, varro de vez essa pessoa da minha cabeça. Para mim é o fim.
Não vou estar aqui a atirar pedras sem confessar que também já pequei, e muito. Mas eu sei pedir desculpa quando é necessário. Eu costumo reconhecer o meu erro e se não o fizer, uma simples conversa comigo é o suficiente para me por na linha.
Agora, e o porquê desta minha inflexibilidade? Aqui é onde entra a minha imaginação paranóica que me leva a fazer filmes mentais em que eu encarno a personagem que não toma nenhuma atitude perante a agressividade humana a que é sujeito rotineiramente, tornando-se num totó. Um nabo. E isso é coisa que sempre me recusarei a ser.

quarta-feira, maio 23, 2007

Não me peçam ajuda para encontrar o vosso papagaio

Eu vou ser muito sincero, todos os e-mails que recebo com pedido para reenvio atiro-os para o lixo. Sejam eles o último aviso do vírus come-cuecas ou um pedido de ajuda qualquer.
Eu vejo a minha caixa de e-mail exactamente como os CTT, são ambos serviços para receber e enviar correspondência. E é o que eu faço. E levo muito a sério a minha correspondência.
Como por enquanto ainda não trabalho para os correios nem para nenhuma instituição de Achados e Perdidos, não sinto nenhuma obrigação especial (nem vontade) de fazer forward de todos estes e-mails chatos que recebo diariamente.
Claro que se me enviarem revistas da Playboy ou Penthouses para a minha caixa de correio não as vou deitar fora nem tão pouco as reenviar para as caixas do meus vizinhos quando acabar de as "ler". Similarmente, no correio eletrónico, também não deito os anexos marotos imediatamente para o lixo, mas, se tiver tempo, envio para os amigos. Mas só porque o mundo eletrónico é dotado do milagre da multiplicação.
Mas a coisa que mais me irrita no e-mail e na minha caixa de correio é a maldita publicidade não pedida. Eu já estou farto de dizer que ainda não preciso de Viagra, e que os alongadores de pénis, ainda que (para nós homens) nunca seja demasiado grande, parecem instrumentos de tortura, coisa que dispenso. Ás vezes encontra-se algo realmente interessante e necessário como um anúncio à Telepizza (só porque não encontramos o anterior), mas é muito raro, e é só por esta razão que ainda não pus uma etiqueta anti-spam na minha caixa de correio física; na electrónica não há nada a fazer, é uma tarefa que já sei que me espera diariamente.

Gostaria que reenviassem este texto (patrocinado pela SOPINAR) para todos os vossos amigos para que me ajudem a acabar com este tormento. Não se esqueçam que não o devem anexar, pois correm o risco de serem atacados pelo come-cuecas.

terça-feira, maio 22, 2007

Viver é sonhar. Sonhar é estar vivo

O que é que se passa com as pessoas hoje em dia? Melhor, o que é que se passa comigo?
Alguma coisa está muito errada quando me dizem que passar horas a ler é vegetar, é esquecer a vida; Alguma coisa está errada quando dizem que a vida se faz sempre em festa e nos copos, ou, por outro lado, com extrema carga de responsabilidade; Alguma coisa está errada quando os períodos de reflexão são confundidos com apatia ou preguiça; Alguma coisa está errada quando ler, escrever e pensar são consideradas "tarefas" menores, de quem não tem mais nada para fazer.
Dizem-me - Isso é para quem tem tempo, como tu. Para quem não tem responsabilidades, filhos para criar. Para quem não tem mais nada que fazer.
Eu penso - Mas será possível, por mais tarefas e responsabilidades que eu tenha, será possível eu desistir de viver? Viver para mim é isto, é aprender, reflectir e pensar. Viver é inventar. Sem sonhar e contemplar os sonhos dos outros não viveria. Morreria.
Eu nunca dei importância às opiniões alheias, mas elas começam a criar formigueiros no meu corpo e mente.

O deserto das elites portuguesas

Depois de ver o Prós e Contras de ontem à noite e de ouvir a intervenção do Arquitecto Ribeiro Teles, mais precisamente a referência à cultura duvidosa das elites da nossa cidade, começo a chegar à conclusão que se calhar ele tem razão.
As minhas rotineiras queixas sobre os contéudos portugueses (TV, cinema, etc) normalmente têm sido porque a mensagem e forma destes são muito básicos, populares e chapa cinco. No fundo o que eu tenho querido dizer é que os "nossos" cérebros criativos e performativos são uma grande caca e deviam ir aprender qualquer coisa ao estrangeiro e, já agora, à escola também. O que vai de encontro ao que o Arq. Ribeiro Teles, com uma grande clarividência e articulação, disse ontem à noite.
Para não ir muito longe nos exemplos, vou só expor alguns, poucos, cenários: a comédia portuguesa é uma aflição, comparem-na com a britânica, tanto em qualidade como em quantidade; as letras das músicas mais populares não têm ponta por onde se pegue de tão mal escritas - salvo honrosas excepções - e a música interventiva já não existe; os actores, na sua maioria, são muito mauzinhos. Bons mesmo são os participantes do Fiel ou Infiel que sabem ser bastante realistas; o cinema português ainda continua na mesma hipnose surrealista pseudo-intelectual que, no fundo, me dá sono.
Depois há outra coisa que sempre me fez alguma aflição: as entrevistas feitas a actores, músicos e criadores artísticos são de uma mediocridade tal, devido à falta de poder de argumentação e um vocabulário pobre do artista, que me provocam arrepios de pena.
Pergunto-me, o que é que se passa com os artistas e intelectuais de hoje? Em que escola andaram e quais as suas motivações para criar? Temos realmente artistas e intelectuais no panorama português?
Felizmente os jornalistas do carbono e (alguns) escritores permanecem fortes na evolução portuguesa e sabem dar forma às suas (nossas) argumentações e revoltas, se não fosse assim era o descalabro total.

sexta-feira, maio 18, 2007

O enigma da inteligência adulta

Há uns anos atrás cheguei à conclusão que os adultos da minha família afinal não eram assim tão inteligentes como eu pensava quando era puto.
Depois desta conclusão, passados mais uns anos, cheguei a outra: afinal eram inteligentes e que nas verdades simples é que está a verdadeira sabedoria.
Finalmente fiz a separação das águas. Há de facto uns que são inteligentes e outros que nem por isso.
As inteligências que me pareciam mais óbvias afinal não são nada por aí além, e as mais obscuras e, aparentemente, menos fundamentadas, são agora as mais brilhantes.
O que eu vou pensar amanhã não sei, mas o que as mais novas gerações vão pensar de mim já tenho uma ideia.

terça-feira, maio 15, 2007

Falta de tacto do costume

Eu e a minha grande falta de tacto.
Já sou conhecido por, de vez em quando, dar umas respostas que roçam a má educação, e, mais uma vez, resolvi dar o ar da minha graça.
Hoje uma rapariga perguntou-me a idade, ao que eu respondi que estava nos trinta e sete anitos, vai daí ela chama-me cota na brincadeira; eu, para não ficar atrás, pergunto-lhe a idade e depois digo-lhe a seguinte frase (que há-de ficar para a história das frases parvas do André): "também já não estás fresquinha...".
O que eu fui dizer!
Arrependi-me logo de seguida por ter dito aquilo, e ela massacrou-me (como eu merecia) de quase todas as formas (verbais) possíveis. Acho que ficou chateada comigo...
Mas quando é que eu paro para pensar um pouco no que vou dizer?
Fica aqui o meu pedido de desculpas público a esta simpática (e nova) rapariga e a todas as outras para quem eu fui ou serei um completo idiota.

segunda-feira, maio 14, 2007

E-book finalmente!


Já falta muito pouco tempo para acabar o domínio do papel! Yuppi!!
Assim como os fascistas das discográficas e as distribuidoras de fimes olharam para o abismo da igualdade social, também as malditas editoras cegarão quando se virem observadas pelo abismo.
Mais um passo para a justiça social.

Uma geração de chatos

Três horas a aturar um chato que não se calou nem um minuto. O mais difícil foi suster uma gargalhada quando ele se queixou de uma certa pessoa ser muito chata porque não se calava.
Este será talvez um dos piores chatos que eu conheço, aquele que monopoliza a conversa e que não admite contraditório. Mesmo qualquer voz que se erga para sublinhar o seu ponto de vista, ele imediatamente argumenta que não foi bem isso que estava a defender e que está em completo desacordo com as suas afirmações anteriores que afinal não são bem assim.
É com grande frustração que chego à conclusão que devo estar calado dirante todo o monólogo e aguentar que nem um bravo.
Fico sempre derreado no final. Derreado e aliviado.
Este chato até possui uma vasta cultura geral e alguma articulação dos seus pensamentos, se ao menos fosse coerente e menos paranóico, as conversas seriam não só mais interessantes como, isso mesmo, conversas.
O meu maior medo é tornar-me também num igual chato. Por isso faço de tudo para não cair nos mesmos erros.
Eu chego à conclusão que a geração a que este chato pertence é muito especial, só tem gente maluca. Bem, pelo menos os que eu conheço. É que são todos, com maior ou menor gravidade, apanhados. Falam, falam, falam e detestam que se levantem vozes do contra, ou melhor, detestam que se levantem vozes.

Um vampiro em Lisboa

- Que raio de cidade fui eu escolher!
Quando me mudei para Lisboa, já faz um século, não pensei que se celebrassem tantos feriados religiosos.
Se a Primavera e os seus pólens arrebitam as alergias que por aí andam, a mim são as marchas com cânticos religiosos e a intensa programação televisiva dedicada a algum santinho ou suposta virgem. Ando o ano todo com o lenço na mão e os anti-hístaminicos no bolso.
Foi com cuidado que escolhi a minha tumba: uma cave num local sossegado no centro da cidade. A localização é óptima para as minhas deambulações nocturnas em busca do meu sumo favorito. Escolho sempre os meus "recipientes" cuidadosamente, nada de pessoas famosas ou concorrentes dos Reality Shows - não é por serem conhecidos é só porque me fazem azia.
Estes últimos anos têm-se mostrado particularmente difíceis para a paz das minhas refeições. Cada vez há mais participantes de B.B.'s e Jet Set's. E, além do mais, as cantorias nas ruas, dedicadas aos gajos lá de cima, estão cada vez mais estridentes. - Já não posso mais!
Sou o último da minha espécie tão ao Sul da Europa; todos os outros familiares emigraram para o Norte: Recebo postais de vez em quando com alegres fotografias e textos que ilustram o absentismo da fé (crescente) dos muitos humanos que lá habitam. Além do mais, e devido talvez ao frio e à libertinagem da população nortenha, a caça é dez vezes mais proveitosa do que nestas paragens, e as gentes mais "abertas" a novas experiências. Os meus irmãos tornaram-se nuns autênticos novos-ricos.
Tenho que confessar que a vontade de viajar e estabelecer-me noutras paragens tem-me consumido ultimamente. Não penso em quase mais nada. Se ao menos o sangue puritano não fosse tão bom...
Enquanto escrevo estas linhas decorre o dia de Nossa Senhora de Fátima, essa falsa virgem. Os meus pacotinhos de sumo estão em romarias ou fechados em alguma Igreja. O estoicismo deste dia corrompe-me a mim também, involuntariamente. O sapatinhos vermelhos, esse nazi, está em todos os canais. - Estão a querer enlouquecer-me!
Talvez o único dia "Santo" que me alegra seja o Sto. António, desde que me mantenha longe das Marchas Populares. As orgias (sexuais, alcoólicas e sanguinárias) desse dia fazem-me ter alguma fé pela população alfacinha. É sempre uma altura de despensa cheia.
Vou esperar por Junho para me recompor e depois logo se vê. Talvez vá viajar para outras paragens. Espalhar a minha palavra.

sexta-feira, maio 11, 2007

Mais um desafio parvo

Eu já sabia que esta porcaria de desafio tinha que me calhar mais cedo ou mais tarde. E a minha grande amiga Marciana é que me lixou. Paciência, então aqui vai:

Eu quero: isso gostavas tu de saber
Eu tenho: fé, mas pouca paciência
Eu acho: muita coisa mas provavelmente está tudo errado
Eu odeio: ver aqui
Eu sinto: neste momento, falta de pachorra para preencher esta coisa
Eu escuto: muita coisa mas não digo nada
Eu cheiro: a André
Eu imploro: nunca imploro!
Eu procuro: dinheiro no chão mas nunca encontro
Eu arrependo-me: de ainda estar a preencher esta coisa
Eu amo: quem me ama
Eu sinto dor: quando me aleijo
Eu sinto a falta: da praia
Eu importo-me: com causas perdidas
Eu sempre: tive um feitio tramado
Eu não fico: em Hospitais
Eu acredito: que Deus não existe
Eu danço: muito quando há música
Eu canto: mal, apesar de me mandarem calar
Eu choro: nos momentos de choro dos filmes - e finjo que me entrou qualquer coisa para o olho
Eu falho: com os meus amigos mas eles perdoam-me
Eu luto: com quem se meter comigo, não tenho medo de ninguém!
Eu escrevo: e gosto muito, excepto desta porcaria
Eu ganho: forças no fim do mês
Eu perco: forças a meio do mês
Eu confundo-me: com nomes, datas e caras
Eu estou: a sofrer uma grande seca enquanto escrevo esta porcaria
Eu fico feliz: quando estou com quem gosto
Eu tenho esperança: de estar muitas vezes com quem gosto
Eu preciso: que o fim do mês chegue mais depressa
Eu deveria: ter mais 10 cm de altura, mas lixaram-me
Eu sou: os três A's - ateu, anarca e autónomo
Eu não gosto: desafios parvos


O desafio tem que ser passado a mais 6 pessoas e como eu quero que experimentem este grande momento de felicidade que eu também passei a preencher isto, aqui vai:

http://avidaeumtango.blogspot.com/
http://sem-nexo-nem-sexo.blogspot.com/
http://trintona-trintona.blogspot.com/
http://www.oanarquistaduval.blogspot.com/

Fico-me por quatro que a maior parte de quem conheço já foi desafiada.

quarta-feira, maio 09, 2007

Que se lixe o que os outros pensem!

Quando ficamos muito tristes temos vontade de começar tudo de novo, tudo do zero. Sair, viajar, ir para o estrangeiro; Temos vontade de nos revoltarmos com um berro que dure tanto e seja tão alto que fragmente, estilhace tudo à nossa volta.
Não é assim que eu me sinto agora, mas lembrei-me das vezes em que me senti assim e senti um arrepio ao pensar nas tristezas que ainda terei no futuro.
Até me podem dizer - Oh pá, não sejas mariquinhas! Todos passamos por isso! -, ao que eu respondo - Eh pá, vai á merda! Deixas-me sentir um bocado de pena de mim, se fazes favor?
O pior nem é saber que vou ficar triste no futuro, o pior são os cenários que eu tenho a mania de inventar. Eu gosto de sonhar acordado, mas quando começo a ter pesadelos acordado, que são os cenários que eu imagino e que acabam num grande drama, aí é que começo a entrar em parafuso. Nessas alturas já não consigo fazer nada para deter a catadupa de ideias malucas que me vêm à mente, por isso deixo-me ir. Quando acabar, acabou.
O que é que estes acessos demonstram? Alguma insegurança e uma imaginação do caneco! - Vejam! Não precisei de gastar dinheiro no psicanalista...
Não posso fazer nada em relação à imaginação, mas à insegurança só tenho uma coisa a fazer que é agarrá-la pelos cornos. E perguntam-me vocês: como é que isso se faz? Faz-se assim...falando das coisas, desabafando. Mesmo correndo o risco de nos chamarem MALUCO! ou outros nomes piores.
O que eu quero realmente dizer é que não faz mal o que os outros digam sobre a exposição da "nossa" vida privada neste meio público por duas razões: uma, somos todos iguais, todos passamos pelos mesmos dramas; a outra, mais uma vez, porque desabafar faz bem, mesmo com um completo estranho.
Vamos todos revoltar-nos em conjunto contra o sistema que nos tenta amordaçar? Antes de o fazerem, lembrem-se que todos fazemos parte do sistema.

segunda-feira, maio 07, 2007

Desculpa amor! Esqueci-me!

Eu sempre estranhei que, em conversa com as mais variadas mulheres ao longo dos anos, elas continuassem a insistir em testar a minha memória com diversos artifícios. Como esta não é das mais notáveis, os meus esquecimentos já deram origem a várias discussões "acaloradas".
Mas porquê tanta importância com determinado pormenor que me escapa e que nem sequer é relevante?
O problema nem sequer é somente meu, mas tipicamente masculino. Todos nós somos testados numa base rotineira, e quando falhamos, o que não é raro, é dado início a uma reacção em cadeia que mais tarde ou mais cedo irá gerar uma discussão.
Vim agora a descobrir, e tenho que agradecer à National Geographic, que estes "testes" à nossa memória não passam de um mecanismo instintivo na mulher que a leva tentar perceber se determinado homem poderá vir a merecer a honra de acasalar com ela. Isto porque no acasalamento existem vários factores de importância para a mulher em que a memória desempenha um papel fundamental: datas de comemoração; educação dos potenciais filhos - actividade de uso intenso e variado da memória; e conversas sem a necessidade da ferramenta "cenas dos capítulos anteriores".
Agora que compreendo o porquê da mulher ser assim, não consigo deixar de pensar que estou lixado. Não há hipótese nenhuma de que a minha memória venha a melhorar nos próximos tempos, pelo menos em relação a datas e aquele pormenor que ela referiu ainda ontem.
Tenho pensado em listas, memorandos e cordéis para os dedos, mas acho que também não resultaria porque me esqueceria de os utilizar.
Talvez a única opção seja um único e retumbante "Claro que me lembro!". Infelizmente elas obrigam-nos a descrever a memória.
Gostava muito de saber se elas têm consciência da verdade biológica por detrás do ódio que sentem pela nossa falta selectiva de memória. Ou apenas detestam esta característica masculina e apesar de longos debates entre elas, não chegam a nenhuma conclusão lógica. Ou sabem de facto o que as move, e, assim, tentam, com vários testes e exercícios, ajudar-nos a sermos melhores homens.
Já estive para perguntar várias vezes qual o objectivo desta demanda, mas quando chego perto de uma os meus olhos afundam nos dela e o resto dos meus sentidos afogam-se de seguida. A minha mente fica em branco e esqueço-me.

Velhas com tatuagens

Desde que soube que as velhas em Inglaterra exibem alegremente as suas tatuagens, pintadas há algumas décadas, e os velhos insistem nos penteados Punk, apesar das carecas, comecei a medir a evolução social de um país de forma diferente.
Para estes velhos "bifes" demonstrarem uma atitude tão jovem, descontraída e descomplexada, para além das indeléveis marcas de um passado igualmente futurista (segundo os nossos valores), deduzo que a maior parte da sua sociedade mais recente tenha, pelo menos, o mesmo nível de desbloqueio mental. Claro que todos sabemos que as novas gerações britânicas ultrapassam, como é natural, as mais velhas em todos os aspectos.
É com muita pena que observo a nossa população e chego à triste conclusão que para atingirmos o nível inglês actual, ainda nos faltam pelo menos três décadas. Quando os jovens de hoje, já devidamente tatuados e um bocadinho descomplexados, se tornarem nos velhos malucos do amanhã.
A actualidade portuguesa geriátrica dá conta de dois tipos de indivíduo: o do interior, vanguardista na colecção de roupa pois só utiliza o preto, e com completo e absoluto atraso de mentalidade e tacanhez; e o das grandes cidades, com alguns melhoramentos no vestuário e muito poucos na mentalidade.
Já na actualidade portuguesa mais jovem, vejo outros dois indivíduos: o regional, que é evoluído em relação aos mais recentes gadgets de media, mas quando chega à parte da mensagem, falha redondamente; e o urbano, mais evoluído em diversos aspectos, mas com uma grave crise de bipolaridade. O jovem até emite opiniões saudáveis e modernas (desde que não seja do CDS/PP), mas estas não passam de palavras ao vento porque quando chega a hora da verdade, ele acovarda-se. A tradição cultural e os costumes vencem.
Claro que o facto de termos saído de um regime fascista há relativamente pouco tempo, tem uma crucial importância no nosso atraso, por isso este texto é mais uma observação do que uma crítica. Mas não é por essa razão que vou deixar de me queixar do meu triste fado, ou melhor, fazer aqui o meu papel de Calimero, como dizem as más línguas.
No fundo o meu problema é a falta de descontracção que existe no nosso país. Vou ter que esperar por esse fenómeno ainda por trinta anos, e aí, se calhar, serei obrigado a optar pela companhia dos mais jovens, correndo o risco de ser, nessa altura, o gajo mais atrasado e tacanho do grupo.