segunda-feira, agosto 28, 2006

Capas de celulóide

Eu não confio num livro com a capa da adaptação cinematográfica. Tanto é assim que já deixei de comprar vários livros por esta razão.
Se sou assíduo visualizador de cinema/vídeo, também o sou de literatura. E se aprendi uma coisa foi que, à excepção das adaptações feitas por Kubrick e Malick e outros poucos, as adaptações cinematográficas pertencem ao reino da caca rala.
Bem sei que os livros editados com a capa da última adaptação na película devem ter o mesmo conteúdo de edições anteriores. Mas a observação da capa - coisa que faço frequentemente - remeter-me-ia para a memória da adaptação ou, caso não a tivesse visto, para uma imaginação do cenário e personagens mais pobre e circuncisada.
Também desconfio destes livros porque, à semelhança das hollywoodescas adaptações, tenho medo que a tradução e revisão destes seja igualmente pobre e atroz.
Se a venda destes livros pertence a uma onda de marketing pós-filme, onde o lucro impera sobre a razão, eu pergunto-me se quem vê e gosta deste género de adaptações (de lixo) gosta realmente de ler? E se quem lê por gosto tem necessidade de uma pré-masturbação visual?
Regra geral leio sempre o livro antes de vêr o filme. Não porque quero comparar os dois (embora a comparação seja inevitável), mas simplesmente porque quero tomá-lo puro.
Algumas vezes, quanto tomo conhecimento de que certo realizador vai adaptar determinada obra que não li, a minha curiosidade leva-me a melhor. Mas apenas por conhecimento da qualidade de critérios deste realizador. Depois de lido fico a imaginar como é que a adaptação será feita e se será possível.
Se o livro conspurcado tira-me a pica, já o filme prometido saliva-me a boca.

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