sexta-feira, outubro 10, 2014

Rasta em Algés

Estava quase a sair na estação de Algés, quando algo me prendeu a atenção. Na minha frente, de pé, uma rapariga rasta e um tio da linha, lado a lado. O tio da linha decide começar a falar com a rapariga "Posso fazer-lhe uma pergunta?". O comboio estava quase a parar e eu começava a ficar curioso. Ela "sim". O tio hesita um pouco e pergunta "Essa trança já cresce assim ou tem que fazer alguma coisa?". O comboio parou e eu tenho mesmo que sair por causa da bicicleta, mas esperei mais um segundo, tanto para ouvir a resposta, como para ver a reação dos dois. Ela "Não cresce assim, tem que se cozer." O tio "Ahhhh!!!"
Saí.
Vieram calados o caminho todo e posso jurar que não se conheciam. Deste tio só posso dizer: ou deu-lhe uma travadinha, e ficou o resto da viagem a olhar para o chão quando se apercebeu; ou é idiota de origem, e sendo assim, nunca irá perceber.

quinta-feira, outubro 09, 2014

Se calhar é melhor ir para o Zumba

Hoje fui ao fisiatra diagnosticar a dor que tenho no ombro, resultado de três quedas consecutivas de há quinze dias atrás, naquela semana de chuvas. Lá expliquei à senhora doutora que as quedas eram resultado das minhas viagens de bicicleta; ao que ela retorquiu "Porquê que anda no meio do trânsito? Porquê que não vai de metro?"; e eu expliquei-lhe que isso seria o oposto do que eu quero (andar de bicicleta!), bem, na verdade não expliquei, apenas fiquei de boca aberta, sem resposta, mas gostaria de ter respondido.
Expliquei-lhe qual era o percurso que fazia e que esperava, com uma probabilidade elevada, que no futuro próximo acontecessem mais quedas. Por isso é que lá estava: para obter drogas para as futuras dores. Também não disse isto, mas tem piada, e, no fundo, alguma verdade.
Fez-me o diagnóstico: utilizou uma ecografia e vários movimentos e palpações. Nas palpações perguntou-me se eu sentia dor, e eu respondi que não. Ela disse-me que eu tinha uma forte tolerância à dor. Mais uma vez, gostaria de lhe ter dito "mas não estou a sentir mesmo dor nenhuma...!", mas fiquei calado...a olhar para o ecrã e a pensar "espero que não encontre nenhum tumor cancerígeno", que é o que eu penso sempre que vou a um hospital. Sim, sou um cagarolas!
No final perguntou-me se fazia algum exercício físico. Desta vez respondi-lhe "Sim! Ando de bicicleta". Ela disse-me que isso não é desporto, isso é um meio de transporte; isso é andar no meio do trânsito. Calei-me e pensei: "Está-me a parecer que ela não gosta de ciclistas..."