terça-feira, maio 17, 2005

Que raio...

Hoje a minha chefe veio chamar a atenção a uma colega minha para que tivesse cuidado ao utilizar o adjectivo sustentável e não o confundir com sustentado.
Eu, por curiosidade e porque já não é a primeira vez que ouço tal recomendação, fui consultar o site 'Ciberdúvidas', e fiquei a saber que não era bem assim... mas não vale a pena entrar em pormenores técnicos.
Imprimi a folha com as definições do adjectivo e mostrei à minha colega, com a recomendação que não mostrasse à nossa chefe, porque poderia parecer que queríamos corrigi-la, e que se mostrasse o fizesse á sua responsabilidade e com o seu nome, e não o meu.
Dito tudo isto, entra a minha chefe no gabinete onde eu e a minha colega conversávamos. E não é que a primeira coisa que ela faz é entregar a folha à nossa chefe e dizer o seguinte - "(...) Ah! Acerca daquilo da sustentabilidade tivemos a ver isso...o André teve a ver isso, e afinal não era bem como estava a dizer." - caiu-me tudo! Fiquei corado como há muito tempo não ficava. Roguei pragas à minha colega! ...Fiquei calado durante um bom bocado, não disse nada. Só me limitei a olhar estarrecido para ela.
Só uma coisa me alegra, mas é só um bocadinho. A minha colega está agora a escrever todas as cartas, outra vez, porque afinal não era sustentável mas sustentado.

A teimosia dos lugares-comuns.

Acho muita piada a duas afirmações, na forma de insulto, que as pessoas costumam fazer.
Uma diz assim - "(...) estás a ser teimoso!" - como se o nosso antagonista também não o fosse. Numa discussão os lados opostos são teimosos até prova em contrário... até alguém provar que está certo. Ou seja, não vale a pena chamar o outro de teimoso enquanto não se provar por A+B que se está certo. E provar significa fundamentar, não é dizer que o outro disse que tal.
A outra afirmação, igualmente parva, e que vem logo a seguir à nossa resposta a uma pergunta que nos é feita - "(...) também não sabes nada!".
Ora eu gosto de fundamentar as minhas respostas, a não ser que esteja a fazer conversa. Se não sei responder, digo que não sei!: sinal de humildade. E muitas vezes o digo, não me ponho a inventar. Suponho que seja isso que irrita as pessoas à minha volta, o facto de tão prontamente admitir a minha ignorância em determinado assunto.
Por outro lado, a acusação é completamente paradoxal, como a de cima. Ora se eu não sei nada, a pessoa que me pergunta também não sabe, pelo menos aquilo que refere, e se não sabe, como é que pode haver termos de comparação de sabedoria?
Em conclusão, admito que sou teimoso e ignorante em muitos, muitos assuntos, mas isso dá-me a liberdade de te chamar todos os nomes possíveis e imaginários se tu não admitires o mesmo. Sim tu, oh palhaço!!!

sexta-feira, maio 13, 2005

Tempo para pensar

Não odeiam aquelas pessoas que vos pedem um favor, na forma de um problema para resolver, e nós vamos e tentamos resolvê-lo, e passados cinco segundos já nos estão a dizer: "Ah. Então deixa estar...é melhor desistir..."?
Mas quem é que raciocina tão depressa? Nem dão tempo para um gajo ir buscar as cenas à memória! Palavra de honra, conheço uma pessoa que já me faz isto há anos. Sempre que me pede ajuda eu já sei o que me espera nos próximos cinco segundos.
Para piorar não querem aprender como se fazem as coisas e passam a vida a fazer as mesmas perguntas, a perguntar pela mesma orientação.
São as mesmas pessoas que quando se deparam com um problema rotineiro, preferem fazê--lo sempre da mesma forma em vez de arranjar uma forma de matar a rotina, matando o processo, continuam sempre a fazer da mesma maneira.
Hoje não é um bom dia para me virem chatear. Já vieram e já foram, quase pelo mesmo sítio onde entraram...

quinta-feira, maio 12, 2005

Outros olhos, outros filmes.

O grande problema em vêr demasiados filmes por muitos anos é que nos vamos tornando cada vez mais exigentes em relação à credibilidade da história e dos personagens: não interessa se é passado num universo Tolkeniano ou Spielbergiano.
E eu sofro desse problema. Já não consigo maravilhar-me com qualquer coisita como quando era puto. É uma chatice, porque agora é raro aparecer um GRANDE filme.
Tomemos o caso dos filmes de terror. Eu era completamente fã desse género e consumia tudo que houvesse, agora... quase não consigo ver um filme de terror sem soltar um bocejo ou uma gargalhada atónita e aparvalhada, a não ser que seja realmente bom.
O mesmo se passa com os de ficção científica, e de fantasia.
Os filmes (a maior parte) simplesmente já não me dão a música que me davam.
Admiro aquelas pessoas que, apesar de verem filmes há tanto ou mais tempo do que eu, continuam a maravilhar-se com qualquer filme cuja temática seja na área da ficção, apesar de serem um autêntico "barrete"! Admiro estas pessoas. Ao mesmo tempo sinto que não evoluiram por continuarem a vêr filmes com os mesmos olhos ingénuos que tinham na pré-adolescência.
Com isto tudo não quero dizer que olho com desdém os filmes que me acompanharam ao longo da minha vida. Continuo-os a vêr, repetidamente, e não me canso!

O Capitão América que há em vós

Admiro as pessoas que são cem por cento íntegras e com uma "clara" definição do bem e do mal. Infelizmente, eu não consigo ser assim. É uma revolta pessoal.
Não sei se é o meu raciocínio que está errado ou o destas pessoas. O que é certo é que muitas vezes gostaria de ter esse tipo de personalidade.
Não conheço muitas pessoas assim, pelo contrário conheço muito poucas, mas fazem-me sentir desadequado e, ao mesmo tempo, orgulhoso de as conhecer.
Eu não consigo ver as coisas a preto e branco; bom e mau; etc. Tenho a tendência para vêr uma enorme paleta de meios tons e gradientes e cinzentos e pastéis.
Talvez tenha sido um erro fundamental na minha educação, nesse caso tenho que prestar contas com a minha mãe. Talvez seja um erro de formação. Talvez seja um problema congénito. Talvez esteja certo... nãa! Estou errado!
Não consigo deixar de pensar que se fosse assim, viveria muito menos atormentado com dúvidas (de todo o tipo) e alcançaria os meus objectivos de vida com maior facilidade.
É uma frustração que eu tenho há muitos anos, não é de agora, não conseguir ser um "Capitão América".
Apesar de admirar muito o "Capitão América", sinto-me sempre mais sintonizado com um "Wolverine".

P.S. Para quem não perceba as referências, acho que o texto, por si só, já é suficientemente elucidativo.

terça-feira, maio 10, 2005

Que desa(tino)!

Seremos tão poucos os que desprezam o Tino de Rans???
O burgesso não dá uma para a caixa! Além disso, a gargalhada dele provoca-me náuseas.
Já me tinham dito muitas vezes que neste país se cultiva o gosto pelos "coitadinhos" e de facto ao ver palhaços como o Zé das galinhas (lá do Big Brother), o Conde White Castle e outros, que ganham os concursos sem razão aparente a não ser o facto de serem uns básicos, eu realmente acreditei (e acredito) que esse culto existe. Mas agora, com o Tino de Rans, foi dado um gigantesco passo na direcção da cretinice.
Já não se pode dizer que temos o culto dos "coitadinhos" mas sim dos cretinos.
Hoje em dia é difícil ver televisão sem ir calhar a um canal, sem querer, em que esteja a dar um "coitadinho" em todo o seu esplendor. O meu controlo remoto parece que emite descargas de electricidade sempre que mudo para um canal que esteja a difundir cretinice, de maneira que quando isso acontece a minha mão contorce-se com espasmos obrigando os meus dedos a pressionar imediatamente outro botão de canal.
Tenho que reconhecer que, num qualquer exercício de masoquismo, ás vezes ponho-me a ver um destes ignóbeis seres a debitar as suas alarvidades do costume, enquanto isso vou entrando numa espécie de catatonia comatosa (para os palhaços que têm a mania que não se pode inventar no português, ide...). Isto não me ajuda a adormecer, aliás não me ajuda em nada é até prejudicial para a saúde, mas enfim, masoquismo é masoquismo.

sexta-feira, maio 06, 2005

Cabrões dos criminosos!!!

Porque é que é crime danificar a bandeira nacional, dinheiro e todos esses símbolos nacionalistas e capitalistas, que só trazem miséria e guerras ao mundo. Eu estou-me, puramente, a cagar para essas merdas desses símbolos! Bom, obviamente não vou destruir dinheiro porque me faz falta...
Entretanto, o que devia ser crime não o é. Destrói-se Arte pelo mundo afora com uma "mão bem ligeira". É só preciso que esta seja de propriedade privada para haver liberdade de a "profanar".
Eu revolto-me, vigorosamente, contra estas bestas quadradas que são capazes de destruir uma Obra de Arte pelo simples facto que esta não lucre ou vá contra a sua ideologia (religiosamente idiota ou idiotamente religiosa), ou simplesmente por pura ignorância (grafitis nas paredes ou estátuas, etc).
Acho que para cada vez que se destrua Arte, se devia destruir o equivalente directamente relacionado com o perpetrador.
Ex. Fundamentalistas Islâmicos Destroem estátua Buda ---> Deveriam-se queimar uns mil corões; Produtor destrói película cinematográfica ---> O que é que faz falta aos produtores???; CAM de Lisboa deita abaixo a Feira Popular de Lisboa (quem duvida que a feira era uma obra de arte?) ---> Os porteiros das discotecas, a partir de agora, não deveriam deixar entrar o Santana Lopes.

Abaixo a Nação! Abaixo o Estado! Abaixo os Governantes! Abaixo as fronteiras!

Anseio por ansiedade

Fico sempre "extremamente" ansioso antes de estrear um filme, um concerto, um livro, um álbum, as minhas revistas mensais, etc. Enfim, gostos não se discutem...
Chamam-me parvo por ficar ansioso por estas coisas, mas é mais forte do que eu.
De vez em quando, se está para estrear algo incrivelmente fantástico, penso na morte...! Mas não de uma forma pessimista ou deprimente, não! Começo a pensar que se tiver que morrer por algum motivo, brevemente, que seja depois de ver, ouvir, ler o que quer que seja esse algo que eu ansiosamente espero há já algum tempo.O pior é que eu não acredito no Destino e sou Ateu. Então as minhas "preces" são completamente irracionais. Talvez esteja a pedir ao meu corpo que se tiver que ceder, que espere mais um pouco. Porque mesmo numa maca, faço questão de participar no que anseio.
Estes pensamentos têm-me passado pela cabeça, agora que estão quase a estrear dois filmes que eu quero muito ver Star Wars III e The Hitchikers Guide to the Galaxy. Qual deles anseio mais???
Parvo como sou, ao ser demasiado honesto com os meus sentimentos, fui descrever a minha ansiedade a outros. Claro, agora sou idiota por ficar ansioso por "coisinhas" dessas.
Eu pergunto-me: Não haverá muitas pessoas com estes "ataques de ansiedade"? Somos assim, os parvos, tão poucos?
Não me importo! Dá-me um gozo do caraças esperar algo por dois ou três anos. Mais do que isso é exagero.

P.S. Obviamente que também fico neste estado por certas pessoas. Mas não é de pessoas que eu me refiro agora mas de eventos socioculturais.