segunda-feira, outubro 31, 2005

Invejo-te! Gostas?

Ter inveja não é o mesmo que ser invejoso.
Eu tenho inveja do Hugh Hefner, isso faz de mim invejoso?
Eu tenho inveja do Donald Trump,isso faz de mim invejoso?
Eu tenho inveja do meu amigo que tem momentos fabulosos na sua vida, isso faz de mim invejoso?
Eu acho que não. No entanto cá vou continuando a sentir inveja.
Este sentimento é perfeitamente normal e toda a gente o tem, por mais que digam que não, eu não acredito. Aqueles que insistem que não têm inveja, das duas uma, ou são uns grandes mentirosos ou não têm absolutamente imaginação nenhuma.
A inveja também pode ser saudável se não for em demasia. Faz-nos querer mais e tentar mais.
Acho que a inveja é um pecado capital, mas como sou ateu e estou-me a marimbar para os crentes...
Se algum dia me invejarem, digam-me. Tornar-me-ão ainda mais feliz.

sexta-feira, outubro 28, 2005

David, que seca!

Porque é que todas as músicas do David Fonseca me parecem iguais? O pior é que também são igualmente más. Pelo menos eu detesto.
Quem é que já viu o site do mano? Creio que a fotografia que lá aparece é a mesma da capa do seu novo CD. Não sei porquê, mas faz-me lembrar um coelho ofuscado pelos faróis de um automóvel que está prestes a atropelá-lo - depois vou vêr o resto do site e aparece-me outra fotografia que deduzo seja a contracapa do CD - O coelho depois do embate...
Mas voltando ao "humano". Eu acho que este tipo é daqueles que ou se gosta muito ou nada, sendo que quem gosta muito é uma jovem imberbe ou um jovem acnoso. E quem não gosta nada, um adulto perfeitamente desenvolvido, física e psicológicamente.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Os ateus andam à solta!

















Após ter lido mais alguns posts do excelente site 'Diário Ateísta' e de ter agredido verbalmente várias testemunhas de Jeová (um tratamento diário anti-stress que faz mil maravilhas), fiquei inspirado para insultar mais alguns crentes.
Desde miúdo que tenho por hábito massacrar e torturar os idiotas dos crentes. Como? Fazendo-lhes perguntas...
Eis um relato (fictício) de um diálogo apaixonante com um padreco do interior (de Lisboa).
- ...queres dizer que a passagem do Velho Testamento que descreve a criação de tudo em sete dias é apenas uma metáfora? - com cara de gozo - Mas metáfora porquê, para quê?
- Ora, para ajudar as pessoas[zinhas] a compreender ou a ter um conceito sobre a criação.
- Mas a que criação te referes?
- A criação de tudo. Hoje em dia a Igreja já aceita que Deus tenha utilizado a ciência como instrumento para criar - ar beatificamente idiota - Então contamos primeiro a "história de fadas" e depois o "relatório técnico". Assim aprendem melhor.
- No passado (há 100 anos atrás!!!) talvez tivessem razão. Não achas que as pessoas hoje em dia estão melhor informadas e educadas? Não te parece que já seria aceitável passar logo para o relatório técnico?
- ...
- E já nem discuto a ideia de tudo ter sido criado por um Deus. Cada um com a sua nóia.
- Meu caro amigo. Você não conhece a realidade actual...
- Você sim! Aliás nota-se. Gostava de saber porquê que vocês são tão hipócritas. Não têm a coragem de falar a verdade, o que pensam, a mais do que uma pessoa. Uma pessoa que confiem e que seja relativamente maluca [excêntrica] de forma que as vossas ideias ficam sempre hermeticamente seguras. - A calma deste paspalho já me começava a irritar. Não sei porquê mas parece que o feitiço se quer virar... - Mas diz-me uma coisa. Já falamos sobre os "relatórios técnicos". Porquê que continuam com a história do criacionismo? Quando é que passam ao "relatório técnico"?
- O criacionismo é o "relatório técnico"!
- Mas não me vais dizer que acreditam numa completa idiotice como essa? Quero dizer, mesmo que a teoria de evolução de Darwin permaneça uma teoria ainda por muitos anos, não te parece muito mais plausível? Muito mais lógico?
- Numa visão estritamente científica, sim!
- Numa visão geral. De senso comum. De bom senso...
- Não! - os olhos não diziam a mesma coisa - Não me parece.
- És um idiota! Já não bastava seres crente - agora estava a ser redundante.
- Não vais a lado nenhum com insultos - começava a ficar incomodado.
Ainda continuamos por um bom bocado mas, obviamente, ELE não chegou a nenhuma conclusão.
Não se trata de falta de respeito pelo o que as outras pessoas acreditam, mas pelo imenso respeito que tenho por aqueles que ousam não acreditar.
Se querem respeito, cresçam!

quarta-feira, outubro 26, 2005

Eu tenho três horrores.

Independentemente de gostar ou não do bochechas, ou de achá-lo um grande fascista, ou de achá-lo viciado no poder, independentemente disto tudo, e depois de tê-lo visto ontem na conferência de imprensa a responder (longamente) às perguntas que lhe eram debitadas em surdina, para ele pelo menos, e estoicamente ter tentado manter-se em pé e concentrado, e ao verificar que falhava redondamente, dei por mim numa pose de dúvida e espanto qual um Deus de mármore acabado de sair das mãos de Michelangelo.















Mas é este um candidato presidencial? E se ele ganha? Queremos nós, os portugueses, ser representados pela personificação da senilidade? Quero eu um Chefe das Forças Armadas que de repente pensa que está em 1970?
Depois temos um tipo que eu, confessamente, não gosto mesmo nada. Um fascista na verdadeira acepção da palavra, um amigo dos lobbies, um tipo que não sabe comer, um tipo que se baba nos cantos da boca (não consigo imaginar nada mais nojento), um gajo que se está sempre a rir, um político ao nível de um certo descarrilhado, bom talvez mais abaixo. Um gajo que não dá cavaco a ninguém.
Continuando a marcha espantada, temos um vermelhito com poucos estudos, um autodidacta (e se admiro este tipo de perfil num indivíduo, já não acho bem que este concorra a um cargo de tão alta responsabilidade), um dançarino de bailaricos, uma espécie de Lula à portuguesa.
E finalmente, mas não menos importante, o político poeta. Até gosto dele mas será que rima bem como Presidente da R.P.? Sinceramente não vi até agora grande conteúdo no seu lançamento como debutante a um cargo destes. Por isso, por enquanto, não há grande coisa a dizer.
Quanto ao Francisco Louçã, nada tenho a dizer, excepto o vazio do intelecto, o vazio, o vazio...

terça-feira, outubro 25, 2005

Deixai-os criar, Senhor!

Foi com muito pesar que recebi a informação que uma das minhas autoras favoritas, Anne Rice, está xoné.
Depois de algumas complicações na sua vida, devido a doenças (suas) e mortes de familiares, Anne Rice resolveu atirar-se, de cabeça, corpo e espírito, ao Nosso Senhor. Não me parece que o tenha magoado muito mas ele defendeu-se transformando-a numa cristã? devota e fanática.
Para quem não conhece a sua obra, esta é composta por delícias como a Entrevista com o Vampiro e todas as Crónicas do Vampiro. Também escreveu livros ao jeito de Henry Miller (hard-hardcore), mas estes assinou com um pseudónimo.
O que me leva a passar-lhe um certificado de insanidade (gosto muito dela, mas...) é o facto de ela estar a escrever um livro sobre Jesus, aquando os seus sete aninhos, escrito na primeira pessoa...
Mais, afirma, ou afirmou, que não vai escrever mais as Crónicas do Vampiro (chuif!). No entanto não posso garantir a veracidade desta última afirmação.
O Senhor está a levar-nos os nossos cérebros mais criativos.
Lembro-me do último a ser levado, Mel Gibson. Esperava mais grandes filmes realizados por ele, no entanto tive que levar com aquele "banho de sangue" da Paixão de Cristo. Não é que eu não goste de uma boa torturazita acompanhada com sangue e tripas.
FREEEEEEDDOMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!

sexta-feira, outubro 21, 2005

Irritação matinal.













Quando as coisas não me correm bem de manhã (por causa de alguém) fico irritado.
A irritação age como se fosse uma maré, assim que surge já não pára. Vai aumentando, aumentando, até que, ou rebenta por meio de uma intervenção que eu gosto de chamar de "BERRAR COM O IDIOTA QUE ME IRRITOU!", ou rebenta para todos os lados, apanhando, obviamente, todos os inocentes. Mas como o outro dizia, "(...) não há ninguém realmente inocente.".
A minha irritação é boa para o meu patrão. Quando estou neste estado, não brinco nem falo com ninguém, produzindo que nem um louco para tentar não pensar no IDIOTA! e nas torturas que lhe vou fazer.
Aparentemente, toda a gente que me conhece minimamente, sabe que não deve meter conversa comigo nestas alturas. E, felizmente para eles, dão-me algum espaço e tempo. Coitado(a) do(a) desgraçado(a) que tentar brincar comigo nestes dias.
Já é de tarde e já me passou, pois já descarreguei com a IDIOTA!, e sinto-me muito melhor.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Ódio puro

Se trabalho com quem não gosto, tudo me sai mal e fico cheio de azia. Irritam-me as pessoas de que não gosto! Fico tão concentrado no meu ódio que não resta mais espaço na minha cabeça para outra coisa.
Depois, tudo o que essas odiadas (pessoas) fazem, para mim está errado, mesmo que não esteja...
Quanto mais tempo seguido passo a trabalhar com alguém assim mais adormecido fico. Como a dormência chega-me sempre primeiro ao cérebro, não sei dizer, por ordem, quais os orgãos afectados.
Qualquer contacto com o alvo do meu ódio provoca-me repulsa.
Pelo meu ódio não me importo de sentir desprezo e desdém só para alimentá-lo.
Todos os trabalhos com alguém assim parecem intermináveis. E quando tocados pelos odiados, se alguma vez foram interessantes, deixaram de o ser.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Os brutocratas.













Sou estupidamente ineficaz no que toca a burocracia. Se neste campo há ignorantes, buçais e estúpidos, então eu sou um deles.
Ainda por cima nem é daquelas coisas que possa dizer para os meus botões: "...posso ser estúpido agora, mas vou ler o que há sobre o assunto. Vou-me informar!". Não! Sou daqueles estúpidos que prefere continuar no seu Status Quo, a mexer uma palha, que dá muito trabalho.
Tudo o que é relacionado com finanças e Administração pública, no geral, irrita-me profundamente. Dá-me gases.
Os ofícios provocam-me alergias; Os avisos (com os seus decretos-lei) dão-me náuseas; O IRS causa-me tonturas; As contas, bem as contas só me esvaziam os bolsos; Qualquer perspectiva de ter que preencher formulários causa-me um nervosismo à beira do pânico.
Dito isto, é evidente que não tenho qualquer futuro profissional numa área que tenha que mexer (numa base rotineira) com "papel".
Só por ter escrito sobre a caca do papel, já me sinto mal disposto.

P.S. Se quiserem responder a este post têm que preencher primeiro o formulário n.º 1345/05.... brrrruuuurrrrrppp!!!

terça-feira, outubro 18, 2005

Filmes de borla...















"Um grande sonho é melhor do que qualquer filme porque eu sou o personagem principal, faço parte da história."


Uma das coisas de que eu mais gosto é de dormir. E não só dormir, mas sonhar. E não sonhar sonhos simples, mas sonhos épicos. Isto sim! Isto delicia-me. É o suficiente para passar um resto de dia óptimo.
Existem várias técnicas (nem sempre resultam) para me preparar, na noite anterior, para ter um sonho destes.
Primeiro a comida. É certinho que se comer alguma coisa étnica, antes de me ir deitar, vou ter um sonho porreiro. O caril funciona muito bem. O queijo (?) também. O álcool em doses pequenas (de cada vez) também pode funcionar.
Não convém ir agitado para a cama. Tenho que ir com sono e descontraído, sem uma pinga de stress... o que, comigo, não é difícil.
Um grande sonho é melhor do que qualquer filme porque eu sou o personagem principal, faço parte da história.
Claro que quando acordo, depois de um sonho destes, fico num estado catatónico durante, pelo menos, uma hora. E ai de quem me incomodar nesse estado.
Também gosto de um bom pesadelo. Como os filmes de terror hoje em dia não valem nada, compenso desta forma.
O número de horas que eu passo a dormir também é importante. Há um número mágico, nem muito grande nem muito pequeno, o oito. Oito horas de sono é o ideal.
Hoje, porque ontem comi caril, tive um pesadelo. Sonhei que todos os chatos e estúpidos deste mundo andavam atrás de mim, e eu fugia, fugia... Mas fora estas pequenas excepções, os sonhos costumam ser muito interessantes.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Monólogo da menina.


Tenho passado a última hora a cair (literalmente) de sono para cima do PC. Resultado, tive que ir ao bar tomar um café extra forte.
Então estou eu na caixa a fazer o meu pedido quando ouço este ruído de fundo parecido com uma voz humana. E o ruído lembrou-me vagamente a vocalização de uma pergunta, de maneira que, quando chego ao bar e deparo-me com duas raparigas a rir, e sem saber qual delas tinha formulado a pergunta e que raio tinha sido esta, pergunto, com o meu melhor sorriso:
- Desculpem, não percebi. Alguém me fez uma pergunta?
Nisto a rapariga mais novinha diz-me - sfhlskjfhlskjh?
Eu penso que se perguntar mais uma vez "o quê?" das duas uma, ou fico com fama de surdo ou ela começa a aborrecer-se e vira-me as costas, portanto digo - Pois é!!!! - acompanhado de um sorriso.
Então ela replica - ksjhlskjfhlskjhfsldkfjsh.
E eu, cada vez mais desperto, vou respondendo - Pois é! Pois é! - rio-me muito sem saber porquê.
Esta é uma daquelas pessoas que falam para dentro. Ninguém consegue perceber o que dizem. Eu, pelo menos, não consigo.
Agora só me restava sorrir muito e recorrer às muletas do costume "pois és!", "claros!", "sins?" e tantas outras que eu tenho guardado para estas ocasiões.
Despachei-me a beber o café para me ir embora. Não conseguia mais responder daquela maneira. Se não tivesse tão ensonado desatava-me a rir feito parvo. E então, lá ia o café pelas narinas.
Despedi-me - Então até amanhã! - com um sorriso.
Ela - lksjdfhsdkjfhsldfj - sorrindo também e acrescentando - skjgfsdhfsljf dkjfhgldj çlifglfidg dfghdflghdfjg - desta vez mandando uma gargalhada.
Agora sentia-me encurralado. O que é que eu faço, mando uma gargalhada também? E se fôr à minha custa? De qualquer maneira acho que não consigo mandar uma gargalhada por dá cá aquela palha.
Saí rápidamente. Se ficar com alguma fama, vai ser a de arrogante e não a de mariconço...espero.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Prendam os velhos em casa!

Existem dois grandes obstáculos no que toca ao fluir deste grande líquido viscoso a que chamamos o dia-a-dia-na-cidade, eles são o velho e a velha.
Cada um tem as suas características e locais de obstrução.
O velho apresenta-se, normalmente, em muito mau estado. Desloca-se com dificuldade apoiado por um objecto que também pode ter uma função contundentemente óbvia - a bengala!
Tem como características: Uma voz irritante só utilizada para reclamar; Uma moral inflexível e completamente ultrapassada; Os seus pensamentos são sempre emoldurados por lustrosos sermões;
Os seus locais de obstrução favoritos são: As instituições financeiras; O autocarro; Todas as repartições públicas; Os passeios onde se é suposto andar.
Onde passam eles o resto do dia: Nas tabernas (mas só aquelas com aquele ligeiro aroma no ar, de vinho e mijo, ou vinho mijado); Nos assentos de madeira dos jardins; E nos antros da batota nos mesmos jardins.
A velha apresenta-se, com a mesma idade, sempre mais fresca do que o seu alter ego masculino. Mas não deixa de ser menos irritante por isso. Também pode utilizar um objecto contundente como apoio à marcha, mas geralmente este tem sempre a forma de uma metralhadora - a canadiana!
Tem como características: Uma voz malévolamente enganadora (parece a nossa avózinha até começar com tenebrosas gargalhadas); Uma moral retrógada mas flexível - pela frente está tudo bem, mas por trás toca a cortar na casaca com o mais requintado ácido oral - especialmente com as suas colegas as velhas; Os seus pensamentos são sempre ilustrados com requintada pornografia com rapazinhos (qualquer um que seja mais novo é um rapazinho).
Os seus locais de obstrução favoritos são os super e minimercados que ofereçam promoções e preços mais económicos como o Lidl e o Minipreço; As instituições financeiras; Os correios (no fim do mês); O Metropolitano (em hora de ponta); E os passeios onde é suposto andar.
Onde passam elas o resto do dia: Em casa a vêr as telenovelas; A falar com quem conseguirem apanhar na rua (qualquer um serve); E a dormir.
Agora meus amigos, tomem cuidado, pois eles andam aí.

Crescer é...

Todos nós pensamos que temos dentro uma semente de um potencial fabuloso ser humano e que em "óptimas circunstâncias" esta germinaria para um magnífico ser, para o bem de todos ou, pelo menos, daqueles que nos rodeiam.
Metáforas e imagens à parte, o que eu quero dizer é que andamos (quase) todos à espera de ganhar muito dinheiro (ou outra coisa qualquer???) para fazer algo de útil e criativo, para nós e para os outros.
Claro que se o nosso nível/qualidade de vida fosse semelhante ao dos outros países europeus, talvez não fôssemos assim tão inactivos.
Inactivos nas ideias, na criação pura e dura, na cultura. Inactivos em fazer os outros felizes.
Sou o primeiro a dizer que é preciso ter alguma coisa especial (e eu não tenho) para ultrapassar a inactividade em ambientes hostis - aqueles que não são óptimos para nós.
Eu sou do piorio! Só "funciono" adequadamente quando as circunstâncias são óptimas ou próximo disso.
Tenha ou não razão, seja ou não maluco, o que é um facto é que todos temos direito a germinar para nos tornarmos naquilo que deveriamos ser - humanos.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Ainda acreditas no Pai Natal?...

Às vezes farto-me de rir. Aparentemente há amigos que levam a sério o que escrevo.
Não que não seja sério e profundo... ppuaaaahhhh!!!!
Mas também não estou "lixado" com o mundo. Por favor tenham humor - olha, rimou!
Tudo o que escrevo é verdade e tirado de verdadeiros momentos de revolta. Mas, acreditem, essa revolta passa depressa para apenas ficar o eco na forma escrita.

"Aquele que não se revolta não passa de um tolo"
(Arte da Guerra Urbana, André Cardoso)

Vozes de Torquemada.

Ora aqui vai publicidade à borla.
Hoje visitei, por acaso, um blog chamado Bocas viperinas. É (bem) escrito por três serpentes sexuadas e fémeas que, não tenho dúvida, devem ser muito apelativas no mundo real. A segurança das suas opiniões leva em crer nisso.
No entanto, e aqui é que a cobra torce o rabo, está carregado (o blog) de falsas moralidades e opiniões que elas fazem questão de "cuspir" como se se tratassem das porta-vozes do universo feminino.
Este problema da dualidade "Nascido para foder! Fodido para saber", é típico em Portugal...
Talvez se elas saíssem mais do seu universo - se conhecessem outras pessoas, se fossem a outros lugares e percebessem alguma coisa da natureza humana -, talvez assim pusessem os rótulos, ideias pré-concebidas, noções (erradas) da realidade e julgamentos inquisitórios, de lado e de vez!
Não é com ódio que escrevo isto, mas, como o próprio tema deste blog, com revolta. Revolta porque vejo que as mentalidades demoram muito tempo a amadurecer, se é que alguma vez o chegam a fazer.
Eu sempre pensei que quando chegasse ao ano 2000 e picos, a nossa gente (portuguesa) se encontrasse muito mais evoluída, enganei-me!

quinta-feira, outubro 06, 2005

Acessórios são p'ros palhaços!

Detesto acessórios! Em mim e nos outros.
São tão... acessórios!
Há quem diga que os óculos escuros não são acessórios, eu acho que depende da maneira de como e quando são utilizados.
Se em excesso, em interiores e locais com sombra, então sem dúvida que são acessórios.
Tenho grandes problemas com os óculos escuros, eu próprio não os uso.
Se vou na rua e vejo alguém com óculos escuros, mesmo que seja conhecido, o mais certo é eu não conseguir identificá-lo ou -la. Tenho esta estranha dificuldade com fisionomias acompanhadas de acessórios.
Também não estou para ficar a olhar embasbacado e fixamente na esperança de reconhecer, ou não, um rosto censurado.
Se uma cara destas, com duas manchas escuras, me cumprimenta na rua, tenho que fazer um grande esforço para reconhecê-lo. E mesmo assim volto-me para trás para vêr se sou eu o visado.
Falar com alguém que use óculos escuros, daqueles que por mais que espreitemos não conseguimos vêr-lhe os olhos. - Detesto! Desprezo! Odeio! Abomino! Irrita-me! Revolta-me!
Não consigo falar com alguém de uma forma honesta e descontraída se não lhe conseguir vêr os olhos. Preciso de verificar as suas reacções aos disparates que vou disparando. Acho que é uma necessidade humana.
Eu menti. Lembrei-me que afinal uso óculos numa ocasião, quando estou na praia a apanhar banhos de sol.

A merda da cooperativa!

Anda no ar o vírus 'anticooperativo'. Este vírus, para além de provocar a morte de produtivas uniões, torna o sujeito cronicamente alérgico a qualquer tipo de associação.
Esta doença tem efeitos secundários bem conhecidos no panorama português: isolamento; desconfiança; grave aumento do ego; solipsismo; desprezo por tudo e todos.
Primeiro vem o isolamento. Para que uma cooperação não resulte, um dos lados, ou ambos, tem que se isolar. Este primeiro efeito é provocado pelo o que nós, tratadores de animais, chamamos de 'quero-fazer-tudo-sozinho(ite)'. Nesta primeira fase criam-se fortes raízes do potencial aumento de ego, que veremos mais tarde.
Numa fase posterior, que pode ter entre curta a média duração, surge a desconfiança. Esta, provocada pelo isolamento, aparece sempre que o sujeito infectado é provocado por um sujeito não infectado a iniciar uma união produtiva. Em português medicinal é lhe dado o nome de 'algarvicie aguda'.
Rapidamente, numa 1/2 curta duração, aparece uma forte erupção do ego. No sujeito português típico está mesmo à flôr da pele. O que resulta num escorrimento de pus devido a forte infecção de orgulho.
Este escorrimento de pus orgulhal acompanhado de erupções de ego vão resultar na rápida alastração do vírus a todas as partes anatomicamente cooperantes do corpo.
Já num estado de nítida demência, o sujeito i. cai num torpor solipsista (aquele para quem tudo e todos que o rodeiam são fabricados pela sua mente). Neste estágio da doença, o sujeito i. encontra-se na fase que nós, os tratadores, chamamos de 'fase permanente pós-doutoramento'.
Agora o sujeito i., já terminal, numa fase que pode demorar ou não, cai num estupor acompanhado de um sentimento de desprezo por tudo e todos. Este estupor, invariavelmente, é irreversível, a menos, claro, que seja reversível.
Este vírus tem-se propagado rapidamente. Ainda não se descobriu a origem mas existem fortes suspeitas.
Segundo o tratador principal e investigador, Sr. Pôncios, o vírus pode ter tido origem à esquerda, à direita e ao centro. Sugerindo ainda que a cura pode estar numa simples estadia (6 meses pelo menos) num país civilizado (qualquer um menos o nosso), de preferência Europa, do sujeito i.. E em relação a todos os outros sujeitos, os habitantes de Portugal, recomenda-se, como tratamento profiláctico, uma emigração em massa.

segunda-feira, outubro 03, 2005

O caçador e a presa

Quando vou na rua, não gosto nem de escoltar nem de ser escoltado, mas goste ou não acontece...
O que é que eu quero dizer com isto?
Refiro-me a andar na esteira de alguém involuntariamente, ou vice-versa.
Eu suspeito que tanto o escoltado como o "segurança" se sentem incomodados por estarem naquela posição. Um pensa que o outro pensa que é um tarado, o outro pensa que é um tarado, ou pensa que o outro não pensa e é um acaso. Fiz-me entender? Não! Que surpresa.
Tem tudo a vêr com as manias de perseguição e paranóias que todos os seres humanos possuem.
Tanto seguido como seguidor se sentem desconfortáveis na sua posição. Quanto mais não seja porque (quase sempre) nenhum é aquilo que pensa que está a ser ou que pensa que o outro pensa de si.
Na prática, quando isto me acontece e eu sou o perseguidor, e se não for uma gaja com um bumbum muito bom, tento ultrapassar para não me começar a sentir mal por fazer o outro sentir-se mal. Se eu for o perseguido: neste caso não me chateio muito, mantenho o meu passo. O outro que pense o que quiser sobre o que eu estiver a pensar.
É interessante vêr que a nossa empatia pelos outros só funciona num sentido.

Nota final: Detesto quando algum membro da terceira idade vai à minha frente. Faço sempre questão de ultrapassá-lo. Às vezes é duro, os sacanas andam depressa.