quarta-feira, outubro 21, 2009

Eu cá não sou maluco!


Suspeito que não é só na Av. do Brasil que os malucos atravessam com o vermelho, suspeito mesmo que à frente de todos os hospitais psiquiátricos, os, vá lá, menos sãos atravessam de uma forma amalucada as estradas que lhes interrompem o caminho. Mas por outro lado, suspeito também que ninguém menos maluco se atreve a atravessar uma estrada com o vermelho nestes locais, mesmo que não hajam carros à vista.

Talvez a razão deste cuidado extremo por parte dos menos enviesados seja para dar o exemplo às pessoas que falam sozinhas; talvez seja apenas para guiá-las porque o uso de drogas faz desaparecer os carros e transforma os camiões TIR em cachorrinhos simpáticos; ou talvez, um talvez muito distante, seja porque as pessoas que bebem café e não água da chuva não querem ser confundidas, em absolutamente nenhuma ocasião, com os menos verticais.

Todos fugimos como "loucos" destes marginais cerebrais; a não ser que se seja obrigado, ninguém quer ser associado ou filiado à loucura. Apesar de sabermos que não é assim, o que ocorre na cabeça de alguém que está a ser abordado por um indivíduo mais tonto é o desespero completo: Tirem-no daqui! Eu não sou louco! Eu nem sequer o conheço! Vêem? Não estou a falar com ele, nem sequer olho, isto quer dizer que não o conheço. Juro que não sou maluco!!! Nãaaaooo!!!

Posso falar por mim. Naquela avenida só atravesso com o verde. Ninguém me irá confundir com um residente do Júlio.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Só falta a Julie

Não é novidade, mas continua a ser espectacular!


Que coisa!!!

Quando era puto os adultos conversavam de forma ininteligível: ou falavam em línguas exóticas, ou utilizavam a universal coisa. Agora que estou quase a chegar aos quarenta, e estou quase a chegar à idade adulta, começo a perceber um pouco de línguas e de coisas. Quero dizer, pensava que estava a começar a coisar a coisa, até ler isto:

"A coisa e a obra
O que é na verdade a coisa, na medida em que é uma coisa? Quando assim perguntamos, queremos conhecer o ser-coisa, a coisicidade da coisa. Importa experienciar o carácter coisal da coisa. Para tanto, temos de conhecer o âmbito a que pertencem os entes a que, desde há muito, chamamos com o nome coisa."
Martin Heidegger, A origem da obra de arte, Biblioteca de Filosofia Contemporânea, Edições 70, p. 14, Lisboa.

Now, I'm totally coisado!

Os malucos são friorentos

Quando está calor é fácil identificar os malucos: andam de casaco.

Na lista negra

Mais um professor azedo comigo.
A minha ansiedade em querer saber como se faz, aliada a alguma dose de humor mal sincronizado, resultou numa reacção de revolta da professora: "talvez estejas no curso errado...". Na segunda parte da aula, a professora aplicou-me um isolamento sensorial: recusou-se a olhar para mim durante o tempo (quase) todo! Esta marginalização fez-me sentir uma autêntica Maitê: goza-se um bocadinho e é-se logo marginalizado, e acusado de pertencer ao PNR.
Claro que ao sentir-me desprezado desliguei da aula e comecei a escrever isto. Escrevi até ouvir a professora dizer: "André, pode-se ir embora."; Eu retorqui: "Desculpe?"; A professora reformulou: "Se não olha para aquilo que estou a mostrar é por que não está interessado, por isso pode-se ir embora". Eu fui-me embora.

quinta-feira, outubro 15, 2009

The horror...!

Se os transportes públicos fossem bons...
...ninguém quereria perder tempo em filas de trânsito...
Se os departamentos de marketing das empresas de transportes públicos fossem inteligentes...
...ofereceriam vantagens aos passageiros em termos de lazer durante a viagem; tal como:
  • descontos, sendo assinante do passe, em leitores de MP3, Portáteis, ligações Wifi, Telemóveis, etc;
  • site com vídeos, podcasts, e-books, cenas para descarregar;
  • caixas automáticas de jornais e revistas em todas as estações, com desconto para os titulares de passe;
  • tanta coisa...

Se as empresas de transportes públicos quisessem realmente ser apelativas:
  • coordenavam os horários dos diferentes transportes; o termo 'interface' ganharia o significado que era suposto ter;
  • não metiam 'picas' nas horas de ponta entre os passageiros (apressados) e os torniquetes (não conheço um nome para as portas automáticas);
  • tanta coisa...
Se os transportes públicos fossem bons, não eram a merda que são.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Olá ó tu!

Tenho uma colega que prevê um futuro não muito sorridente para mim: ela diz que a minha inaptidão para as relações humanas não me irá ajudar muito na área que escolhi. O pior é que eu temo que isto seja verdade. As pessoas não são o meu forte.
Esta minha característica está mais que ilustrada no que eu tenho escrito neste blog, mas não resisto em relatar a minha última aventura no MUNDO HUMANO.
Há umas semanas atrás falhei em lembrar-me do nome da senhora que faz a "circulação" dos envelopes e afins no departamento onde trabalho; este falhanço repercute-se agora, quase diariamente, quando a encontro. Sempre que me vê, pergunta: "Como é que eu me chamo?". O nome dela ficou gravado a ferros no meu cérebro, nunca mais me esqueci. O pior é que quando ela vem acompanhada e manda-me a boca, o pendura aproveita sempre a deixa: "E eu? Sabes o meu nome?". Claro que eu não sei o nome de quase ninguém, mas digo sempre "SEI!", com um ar quase insultado. Por sorte, não me perguntam: "Então qual é?".

segunda-feira, outubro 12, 2009

Eu tinha um poster da Maitê

Ultimamente tenho seguido os comentários (e também produzi alguns) sobre uma peça que a Maitê Proença gravou em Portugal para o programa 'Saia Justa' 1; e deste programa, ou melhor, das afirmações da Maitê neste programa deduzi algumas coisas extraordinárias:
  1. A Maitê não sabe muito de História portuguesa;
  2. A Maitê não sabe muito de Geografia - no geral;
  3. A Maitê é gozona;
  4. A Maitê é muito gozona;
  5. A Maitê às vezes diz algumas coisas parvas;
  6. A Maitê gosta de cuspir em fontes.
É realmente formidável, mas a Maitê pode muito bem ser uma versão feminina de mim. Não compreendo é toda a excitação que o vídeo suscitou. E acusações de xenofobia...! Que exagero.
Como representante de todos os rapazes (e algumas raparigas) que cresceram com a esperança de ver a Maitê nuazinha, e de facto, em alguns sonhos, via-a nuazinha, venho através deste blog afirmar o maior carinho e luxúria pela Maitê: Maitê, ainda sentimos algum descontrolo peniano quando te vimos e ouvimos; por esse motivo podes dizer todas as baboseiras que quiseres.


Tempo para Dar...erros!

Não quero ser chato, mas não resisto sê-lo. Mais um errozito nesta maravilhosa campanha. Agora é um erro de concordância: "(...) 1/5 dos idosos portugueses passam (...)".


Gostava de saber quem é que escreve estes textos...

quarta-feira, outubro 07, 2009

Tempo para Dar...frases esquisitas!

A campanha promovida nos pacotes de açúcar da Delta Cafés "Tempo para Dar", é, sem dúvida, uma iniciativa nobre: a sua intenção é angariar donativos para o combate à solidão entre os idosos.
Já agora, quando for velho e solitário, por favor, se tiverem que angariar para alguma coisa, angariem para me comprar livros e filmes (10% dos filmes podem ser pornográficos que um velho também tem necessidades).
Voltando ao presente, esta nova campanha é acompanhada de alguns textos que são dados estatísticos do INE. No entanto, tenho as minhas dúvidas em relação à estrutura das frases. Hoje li uma que me pareceu um pouco ambígua e sujeita a interpretações interessantes, pelo menos. Diz assim "Nos próximos 25 anos o número de idosos em Portugal vai duplicar o número de jovens" (Dados do INE, 2007). Ora, assim numa leitura desinteressada, entende-se o que querem dizer; mas eu nunca leio desapaixonadamente (que convencido!). O que esta frase pode significar: "nos próximos 25 anos os velhotes vão ser como os coelhinhos - vão procriar um número equivalente ao total de jovens que existir"; ou então "daqui a 25 anos os velhinhos serão magos da clonagem e vão duplicar todos os jovens existentes"; ou ainda, e agora seguindo os conselhos de Karl Pilkington sobre soluções para o excesso de população no mundo "os velhinhos a partir dos 75 anos devem (TODOS!) trazer um bebé ao mundo - duplicando, pelo menos, a população mais jovem existente".
Para não julgarem que estou a inventar digitalizei o pacote de açúcar.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Não sei o que me deu...

E como prometi há cinco minutos (+/-) atrás, cá fica a minha explicação para a música do André Sardet, O Feitiço.

Eu gostava de olhar para ti
E dizer-te que és uma luz
Que me acende a noite, me guia de dia e seduz...

Ok! Eu percebo a metáfora; até percebo que o facto de ele não poder olhar deve-se (provavelmente) à ausência dela. Mas cá está, devido a um possível numero grande de leituras começam as ambiguidades: Será que ele é cego? Será que ela não é merecedora de tamanha característica? Ele gostava mas está impedido. Impedido por que motivo? Talvez ele esteja com a mulher errada e gostava que ela fosse outra diferente: uma que acendesse luzes.

Eu gostava de ser como tu
Não ter asas e poder voar
Ter o céu como fundo, ir ao fim do mundo e voltar...

Talvez a mulher não seja assim tão má, uma vez que ele gostava de ser como ela. Assim, verificamos que a interpretação original "ela está ausente" está correcta.
Ele gostava de ser como ela, de não ter asas e poder voar. A meu ver isto começa a parecer um pouco insultuoso. Primeiro diz que ela não é nenhuma luz; agora diz que nem sequer tem asas; daqui a um bocado diz que ela é apenas um peixe... Mas talvez ela seja suicida: não tem asas e salta, mesmo assim.

Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...

E aqui é que a porca torce o rabo.
Ele não sabe o que lhe aconteceu para gostar de alguém como ela. Alguém...especial...como ela. E como todos os maus pagadores culpa a magia; alguém lhe espetou um feitiço!
Coitadita! Nunca ninguém tinha gostado dela, mas agora, por algum feitiço, o Sardet apaixonou-se por ela. E depois faz esta música lamecha a tentar explicar às pessoas (não a ela) que o facto de se ter apaixonado por esta rapariga deve-se a algum feitiço.

Eu gostava que olhasses
para mim
E sentisses que sou o teu mar
Mergulhasses sem medo, um olhar em segredo, só para eu
Te abraçar...

Mas uma vez que não há hipótese de se desapaixonar, talvez se a transformasse num peixe e a comesse logo de seguida ninguém desse por nada. Ela tem que se convencer que ele é o mar - talvez drogando-a - para ser comida voluntariamente. E depois há todo um terceiro sentido escondido nas figuras de estilo "mar", "comê-la; devorá-la por inteiro; mergulhá-la no seu mar" e "peixa", ou talvez "sereia". Este gajo é um maroto, mas um especialista em marotices.

Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...

E lá volta ele ao mesmo. Tenham pena dele, foi um momento de insanidade que o levou a gostar dela.

O primeiro impulso é sempre mais justo, é mais verdadeiro...
E o primeiro susto dá voltas e voltas na volta redonda de um beijo profundo...

Bom...já se sabe que o impulso deve-se ao facto de um estranho oferecer flores; e o primeiro a fazê-lo, é sempre mais, pelo menos, original; Então ele ofereceu-lhe flores; foi o primeiro a fazê-lo; ela estava de costas, ele ainda não lhe tinha visto a cara - de trás parecia jeitosa; apanhou um susto quando lhe entregou o bouquet; como nunca lhe tinham oferecido flores naquelas circunstâncias (ou noutras quaisquer), nunca ninguém tinha sido apanhado de surpresa como ele, daí o susto ser o primeiro; às "voltas e voltas" penso que ele tenha desmaiado e tenha caído em cima de algo redondo, até me atrevo a deduzir que tenha sido ela este algo redondo; o "beijo profundo" terá sido aqui talvez que ele foi enfeitiçado. O beijo dado por ela para o acordar, e também para aproveitar a raridade da situação - um homem que lhe cai em cima -, talvez até seja uma história mal contada. Ele estava desmaiado, não tem maneira de saber o que é que ela lhe fez... Mas vamos ficar pelo beijo. Devo dar os parabéns ao Sardet por contar a história das origens deste grande amor em duas linhas apenas.

Eu...
Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Eu...
Não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Como tu..

Pronto! E o resto são apenas lamurias. Teve azar! Acontece.

P.S. Lembrei-me agora que o meu grande e melhor amigo João Pinto já tinha escrito um texto neste blog sobre o mesmo assunto: aqui

Só eu sei porque LOLo no comboio

Cometi a asneira de vir nos transportes públicos a ouvir os podcasts do Ricky Gervais - big mistake! - O esforço de tentar não rir, ou melhor, não desatar às gargalhadas, foi grande demais; era aliviado de vez em quando por um pfffffrrrrr e um sorriso estúpido e um olhar apologético. O meu recorde a ouvir Gervais ficou por 18 minutos (obrigado!), após o que passei para um bocado de Muse para variar um pouco.
Nem sempre tenho a sorte que tive a sexta-feira passada quando apanhei uma carruagem de comboio a cheirar intensamente a vómito (talvez por que houvesse vómito no chão), o que causava um efeito de repulsa aos potenciais passageiros. Como prefiro o cheiro a vómito a vir numa carruagem cheia de incómodas pessoas, então, eu, e mais uns quatro indivíduos com o mesmo bom gosto, optei por aguentar o cheiro e vir todo esparramado naquela ESPAÇOSA carruagem.
De qualquer maneira não me livro de uma gargalhadazita desprevenida de vez em quando. A passar o estádio de Alvalade, no Metro, vejo esta frase: "Só eu sei porque sou fã". Parece que não aprenderam nada com o Sardet (ainda hei-de escrever qualquer coisa sobre o Feitiço). Não percebem a ambiguidade desta afirmação?; não percebem a "ligeira" carga simbólica negativa?
Enfim, eu tento não LOLar muito nos transportes públicos porque já sei o que as outras pessoas pensam: Só ele sabe porque LOLa... tadinho!