sexta-feira, outubro 19, 2007

Mas...vai-se já embora...?

Detesto a conversa de circunstância. Ninguém realmente gosta, mas eu acrescento a isso uma verdadeira e completa inaptidão para falar de coisas corriqueiras. Pior ainda, a minha mente costuma ficar completamente em branco quando me dirigem frases do tipo "Então este tempo? Ahn???" ou "Pois é...!".
Já o que me aconteceu ontem, foi algo esotérico e inexplicável.
Ao descer determinada avenida, como o faço todos os dias na qualidade de peão, vi-me obrigado a parar antes de poder atravessar uma transversal. Enquanto esperava que o sinal mudasse, um condutor resolve fazer uma inversão de marcha quase causando um acidente. Abri a boca, lentamente, mas outro peão, que estava ao meu lado, antecipou-se e mandou o "Que palerma!" antes de mim; não me fiz rogado, e como até já tinha a boca aberta, mandei outro "Grande palerma!". Foi logo a seguir a esta estranha cumplicidade que eu percebi que devia ter ficado calado. Trancado no meu mundo.
A partir daquele momento, e por mais que eu mudasse constantemente o meu ritmo de andamento, o outro peão nunca mais me largou. Começou por relatar, detalhadamente, todos os acidentes que presenciara e tomara parte. Por esta altura já eu me ria de frustração - não me conseguia libertar...!
Foi quando entrou a palavra "bicicleta" que eu comecei a ficar interessado no que o peão tinha para me dizer.
Depois de um ligeiro intróito sobre as biclas, agora era eu que também queria relatar as minhas aventuras. Infelizmente, o peão não me deixava falar. Ele só queria saber das suas aventuras. O que me deixou um pouco aborrecido.
Finalmente, lá consegui começar a descrever a minha bicicleta (que nem é grande espingarda!) e os seus acessórios. Justamente quando começava a ficar empolgado com o detalhe das luzes traseiras que piscam, o peão entrou num autocarro de repente.
Tristemente disse-lhe "Adeus!".
Enquanto o autocarro descia a avenida, eu continuei, lentamente, a descer e a pensar "Sacana! Tornou-se passageiro de repente e nem me deixou descrever o farolim e o conta-quilómetros".

segunda-feira, outubro 15, 2007

Não conseguia escrever, até que a vi...

Agora que estou a estudar a linguagem com uma abordagem científica, toda a minha criatividade, que imodestamente julgo possuir, parece ter desaparecido. Pelo menos tenho sentido grande dificuldade em passar para o "papel" os meus devaneios e encontros com os novos vizinhos.
Tudo o que escrevo agora parece-me errado.
Vou tentar ultrapassar a minha nova semantofobia (da semântica) e escrever.
Os meus novos vizinhos...
Bem, para além de uma rua pejada de transexuais a vender o corpo acabado de fazer e alguma chungaria, eu diria que a velha, cuja janela está de fronte à casa onde agora habito, é a mais maluca.
Se eu disser que esta senhora de idade gosta muito de varrer à noite, não será muito estranho; também poderia dizer que ela não pára quieta e anda sempre às voltas pela sala, o que também não seria muito estranho. O que é de facto peculiar, é que ela faz isto tudo nuazinha da silva e com as janelas todas abertas.
Esta senhora de idade e de alguma opulência, também gosta de pendurar as enormes mamocas à janela. E pendurar é o termo mais adequado.
Apesar de todo este cenário, eu e o meu comparsa coabitante (o dono da casa), não conseguimos tirar os olhos da janela. É uma espécie de curiosidade mórbida. Quem é que não sente uma enorme compulsão para ir ver o "talho" sempre que vê um acidente?
Claro que de todas as vezes que a vemos, exclamamos alto um AAAAAARRRGGGHHH!!! e continuamos com um "ca nojo!". Mas depois rimo-nos e comentamos que a velha deve ser doidivanas e esperamos que passe uma miúda gira na rua para purgar o sistema.
Devo dizer que a janela por onde vislumbramos todas estas magníficas cenas pertence ao quarto do meu caro amigo - vamos chamá-lo de J. -, e que por isso tenho acesso limitado a esta. Quaisquer questões em relação ao comportamento da naked old lady nas restantes vinte e três horas e trinta minutos, devem ser endereçadas à "National Cucugraphic - a/c J.".

quarta-feira, outubro 03, 2007

Preciso de mais RAM!

Não tenho vergonha nenhuma de confessar que sempre aprendi por necessidade e/ou por curiosidade, raramente porque tinha que ser.
Alguns exemplos do que aprendi "tardiamente": o alfabeto aos 16 anos para poder jogar ao Stop; Os meses do ano por ordem, nessa idade também, para deixar de perguntar quando é que começavam as férias; a tabuada, algumas partes pelo menos, ao longo da vida quando necessário, etc.
Em seguimento destes meus desfasamentos com a realidade, hoje já passei uma pequena vergonha com a miúda mais gira que trabalha no bar. Ela pediu-me para atirar para a reciclagem correcta o copo de plástico que tinha utilizado. Como nunca me tinha dado ao trabalho de memorizar as cores respectivas dos caixotes da reciclagem, passei por palerma ao tentar descobrir qual era.
Ela perguntou-me se eu não reciclava, ao que respondi que sim, mas que vejo pelos buracos (redondos, quadrados ou rectangulares nos grandes) e destroços fora do caixote para me guiar.
Foi só na terceira e última tentativa a abrir os caixotes, que percebi que era um palerma, o que por esta altura já não era nenhuma novidade para ela.
Suspeito que estou queimadito para esta miúda tão simpática: se reciclo, sou parvo por não saber as cores, se não reciclo, sou um fascizóide borrador de planetas. De qualquer maneira estou lixado.
E já não me lembro outra vez de que cor era o caixote para o plástico...

terça-feira, outubro 02, 2007

Primeiro dia de aulas!

Primeiro dia de aulas.
Perdi-me durante uma hora; entrei na mesma sala errada duas vezes, recebi olhares de desaprovação.
Comecei a pensar que, mais uma vez, lá estava eu perdido e desorientado como sempre. - Que asno!
Finalmente, depois de ter perguntado a duas dezenas de pessoas quem eu era, o que estava ali a fazer e para onde me devia dirigir, lá recebi a informação que afinal as salas estavam trocadas. - Alívio...afinal não era só eu que andava feito uma barata tonta.
A primeira cadeira a que fui apresentado, tem matéria suficiente para encher um contentor; e o professor desta tem a fama de ser difícil a dar notas...
Foi-me dada uma folha da esquematização da matéria e bibliografia...e já a perdi!
Conheci quatro colegas cujos e-mails tratei logo de recolher...e já os perdi!
A minha desculpa é que a minha vida está uma confusão: tenho tudo em caixas, acabei de me mudar e ainda me estou a adaptar a uma nova rotina. Mas é uma desculpa farçola.
De qualquer maneira, estou a gostar deste início. Um bocado revoltante, mas interessante.