terça-feira, novembro 20, 2007

Como mentir melhor

Se alguém quiser mentir, por favor não minta sobre coisas pequenas, minta sobre um acontecimento excepcional. Mentir sobre coisas pequenas é rídiculo e inútil, mentir sobre coisas grandes pode ser frutuoso e logo, muito útil.
O segredo para mentir sobre factos excepcionais é reduzir o acontecimento a uma quase desilusão. Há qualquer coisa de apelativo quando alguém passa por uma situação com potencial para ser muito porreira e que depois não corre nada bem. É tão apelativo que qualquer descrença sobre a verdade deste facto extraordinário é imediatamente posta de parte.
Há limites, claro! Não vamos dizer que fomos à Lua ou que fomos uma personagem famosa na vida anterior. Isso apenas serve para nos rotularem de malucos. Ou excêntricos...
Isto tudo para dizer que ontem estive numa visita de estudo na régie da RTP1 enquanto estava a dar o Telejornal. Passei lá uma hora de pé juntamente com os meus colegas Carlos, Sebastião e mais três miúdos da tarde, foi uma seca.
Mais tarde passei novamente pela mesma régie, desta vez com toda a cambada (deviam ser pelo menos uns cinquenta, quase todos miúdos) e calhou ficar mesmo atrás de um dos putos que esteve comigo durante a hora de seca. Ele estava entretido a tentar flirtar com uma colega e começou a inventar que tinha acabado de estar naquela mesma régie sentado aos comandos de um painel qualquer. Azar! Quando olhou para trás estava eu a rir-me (silenciosamente) da inocente mentira dele e daquela tentativa tão ingénua de conquistar a rapariga. O rapaz ficou imediatamente corado por ter sido apanhado e, parvo, emendou-se e disse que afinal tinha estado sentado de pé, meteu foi as mãos pelos pés. A miúda começou a rir-se por causa de tão fraca e óbvia mentira e o rapaz fugiu imediatamente para longe.
Depois disto tudo devem estar com dúvidas se realmente estive na régie do Telejornal. Se eu mentisse não era com uma coisa tão inconsequente e chata, pois não???

segunda-feira, novembro 19, 2007

Estou a tornar-me num marrão!!!


À primeira pensei que fosse brincadeira, mas uma segunda vez já me está a fazer pensar.
O meu percurso escolar sempre foi pontuado por dois factores muito importantes: distracção nas aulas e brincadeira no recreio. Agora que estou a pagar caro pelas duas, dado o atraso em que me encontro, iniciei uma nova atitude: A minha concentração nas aulas é ímpar!; A minha participação nas aulas é ridiculamente exagerada! E eu não me importo com nenhum dos dois fenómenos...
Não posso dizer que tenha eliminado a brincadeira do sistema, mas a distração foi completamente erradicada.
Quando me chamaram de "marrãozinho" pela primeira vez, pensei que fosse uma brincadeira. Mas agora, que me chamaram esse nome uma segunda vez, começo a acreditar que, se calhar, estou a transformar-me nesse sujeito que eu tanto vilipendiei e, por vezes, rasteirei.
O pior é que eu nem sequer sou marrão. Leio algumas coisitas (confesso!), mas, principalmente, estou extremamente atento nas aulas, e não deixo as dúvidas ultrapassarem o meu andamento, apanhando-as e atirando-as para o colo do professor, que trata imediatamente de as subnutrir, para de seguida, de uma forma lenta e cruel, matá-las!!!
Só espero que não comecem a vilipendiar e rasteirar-me se tirar boas notas...

sexta-feira, novembro 16, 2007

Isto parece-me familiar

É sobejamente conhecido, por esse mundo fora, o facto de que a minha mãe não é grande cozinheira...pronto!, não tem mesmo jeitinho nenhum para a arte da culinária. Este é mais um relato das minhas aventuras no perigoso safári que é a: Viagem aos perigosos pratos inventados da mamã!!!
Como tenho que poupar dinheiro, nestes últimos tempos tenho ido almoçar a casa da minha mãe. Não é preciso dizer que todas os dias, à mesma hora, entro com extremo cuidado na sua casa, sempre preparado para dar volta atrás e desatar a fugir caso o cenário pós-apocalíptico que a minha mãe gosta de chamar "A cozinha" largue alguma fragância desconhecida, ou se os cães estiverem no Hall de entrada com ar assustado.
Foi ontem que experiencei um novo prato, aparentemente desconhecido até hoje, mas com um ar estranhamente familiar.
Não será preciso pormenorizar as mazelas que este prato fez ao meu estômago, obrigando-me a recorrer ao serviço sanitário do meu local de trabalho por duas vezes quase seguidas...
De facto o prato pareceu-me familiar, mas como costumo estar num estado de permanente distracção, quase alheamento, quando vou a casa da minha mãe, não dei muita importância e devorei-o.
Só quando cheguei ao local do meu sustento e quando as minhas colegas me perguntaram o que tinha almoçado é que eu comecei a despertar do meu torpor ao mesmo tempo que descrevia o prato - era um monte de puré e um monte de carne picada... -, culminando na réplica das minhas colegas - Isso parece empadão!
Ao mesmo tempo que o meu estômago rugia desesperado eu percebi o que tinha acontecido: a minha mãe não se tinha dado ao trabalho de fazer o empadão mas tinha utilizado à mesma todos os ingredientes; o pior é que nem se tinha dado ao trabalho de disfarçar misturando-os.
Quanto tempo mais o meu sistema digestivo aguentará estes maus tratos?

terça-feira, novembro 13, 2007

Uma aula na toca do coelho

A aula mais estranha da história das aulas.
Desde perguntas do tipo "a voz vem?" ou "a voz vai?", uma breve passagem por cima das "complexas equações do gato de Schrödinger" para explicar a "ainda inexplicável descrição dos fotões" e finalmente, a transmissão de dados digitais "dizer que são uns e zeros é treta!". Claro que todas estas afirmações ficaram em suspenso no ar porque não foram desenvolvidas. Ai de quem falasse com ele (perguntar, responder, reagir, contradizer, etc), era logo queimado vivo com uma das suas flamas humorístico-arrogantes.
Podem estar a pensar que eu estou todo lixado porque levei na ripa por ter reagido, mas não se trata disso. Aliás, eu até penso que o tipo nutre alguma simpatia comigo...
Mas voltando às vozes, aos gatos e aos sistemas binários.
Perante a resposta dos alunos de que a voz não vai nem vem mas antes um sinal eléctrico (isto no caso dos telefones) que responde à amplitude das ondas sonoras, ele reagiu com uma forte gargalhada de desprezo, gesticulou com sobrenatural força e quase berrou "A VOZ VAI, VAI!", e deu o exemplo dos copos presos por um fio que os putos utilizam para brincar para ilustrar que a voz vai. E não adiantou de nada dizer-lhe que o meio era completamente diferente (emulação através dos sinais eléctricos e o ar) porque ele respondeu que debaixo de água o meio também é diferente e a voz tem uma maior lentidão (claro que é o oposto: 1500 m/s contra apenas 300 m/s) mas que mesmo assim VAI!
O gato de Schrödinger é mais estranho ainda, não sei se vou conseguir explicar.
Ele perguntou como é que nós sabíamos distinguir o que estava ao fundo. Como é que conseguíamos percepcionar o fundo; após longo silêncio desconcertado e algumas gargalhadas abafadas, alguém respondeu que era através dos padrões. Depois de uma forte gargalhada, ele explicou que era demasiado complexo para nós, pobres almas, mencionou brevemente o gato e os fotões, e pareceu-me que disse que as coisas não existiam e pimba!, acabou com as explicações (?) e retomou a leitura das fotocópias.
Nem vou tentar explicar o sistema binário que afinal não existe.
Estas aulas são uma completa perda de tempo - é só ler fotocópias!
Fica a impressão que este professor não sabe bem o que diz quando sai da sua área de especialidade. Tenho uma vaga sensação que se o visse na rua poderia confundi-lo com mais um daqueles que tem opinião sobre tudo e sabe um bocadinho de cada coisa. Há ali qualquer coisa que não bate certo. Seria de supor que o tipo fosse uma sumidade em tudo que verbalizasse, mas ele ousa orar sobre coisas completamente fora da sua área.
É um tipo estranho...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Levei com uma bola de neve cor-de-rosa

Esta é a minha forma de agradecer à Florença e à Marciana. Obrigado miúdas!




Tu és a seguir! Não te desvies...

Uma vez idiota, sempre idiota?

Tenho estado a reler algumas coisas que escrevi no passado, neste blog, e confesso que fiquei com os cabelos em pé com a minha agressividade, e também com a má escrita.
O tom agressivo para alvos específicos foi o que mais me impressionou - como fui capaz...?
Acho que estou agora numa nova fase: Agressivo, sim senhor! Mas com mais eficácia e de uma forma mais hipócrita.
Quanto à escrita, melhorei um bocado. Não estou perfeito, mas já sei mais ou menos onde se colocam a pontuação e os acentos.
Ainda pensei se não deveria corrigir os erros comportamentais e gramaticais do passado. Mas decidi que o que está feito, está feito. Não vou limar nada.
Outra coisa que me aparvalhou foi a minha susceptibilidade. Creio também ter melhorado um pouco neste aspecto, mas apenas no que toca à magnitude das reacções alérgicas. A extrema sensibilidade aos "pólens" que por aí andam ainda permanece comigo, incurável.
Acho que estou a ficar trôpego. Talvez não trôpego, mas romântico. Sim, romântico mas não trôpego.

domingo, novembro 11, 2007

Sem sono em Lisboa

Sinto-me revoltado (de uma forma viril e carinhosa) com esta sensação lamechas que me está a invadir. E como não quero ser o único a sentir desta maneira, aqui vai um dos melhores diálogos românticos da história do cinema.

Para todos os amantes que estiverem acordados.


Paris Texas

E para não dizerem que eu só me importo com a minha liga, aqui vai para a outra malta.


The Hours

e


Brokeback Mountain

Desafio

Desafio

A minha linda sobrinha fez-me um desafio.

1) Pegar num livro que esteja à mão.
2) Abri-lo na página 161
3) Procurar a 5ª frase completa.
4) Postá-la no blog.
5) Divulgar o nome e o autor do Livro
6) Passar o desafio a 5 bloggers.

Nota: É proibido ir buscar o melhor livro ou postar a frase mais interessante.

Com alguma hesitação resolvi responder ao desafio.

"Em Inglaterra, a proximidade não significa nada."
Edward T. Hall "A Dimensão Oculta"

Desafio os seguintes bloguers:

Estejam descansados que não desafio ninguém...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Afinal não detesto assim tanto..

Tive que me açoitar brevemente depois de ler o post anterior com maior atenção: afinal só detesto uma vez, porque detestar em séries de três, é coisa um bocado amaricada.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Os contínuos dos auditórios

Detesto! Detesto! Detesto!
Os melgas dos contínuos dos auditórios e pavilhões.
Ou é porque se estão a cagar para tudo, ou é porque são tão dedicados que não sei se estão a lamber o cu ao chefe, a ajeitar-lhe as calças ou a pôr-lhe o emissor do microfone.
Detesto! Detesto! Detesto!
Os grandessíssimos chatos dos contínuos dos auditórios e dos pavilhões.
Ou é porque desaparecem durante horas, deixando-nos a mãos com as mais intrincadas aparelhagens inventadas pelo hominus conferencius, ou é porque fazem questão que cada "introdução" de uma pen seja supervisionada por mais dois assistentes para que o Powerpoint tenha garantia absoluta de correr todas as transições amaricadas.
Detesto! Detesto! Detesto!
O facto de estar "entalado", mais uma vez, com um destes gajos.
Este não me larga: ou são as pens que faz questão em dar-me - como se os conferencistas não soubessem para que é que elas servem; Ou é o portátil que é Mac com Linux; Ou são as cadeiras que não são suficientes; Ou é o engenheiro Ambrósio que está com calor ou a professora Odelinda que está com frio.
Nem consigo cinco minutos para escrever mal deste gajo à vontade porque ele anda sempre de um lado para o outro. Lá vem ele outra vez!
Para piorar, quando está quieto não está calado. Tem opinião sobre tudo e histórias para todos os gestos que eu faça - Olhe, agora, quando vi a sua mão a fazer-me um manguito, fez-me lembrar a conferência de 97...blá, blá, blá.
Que raça!!! Detesto-os!