terça-feira, julho 22, 2008

Sinais sentidos no acontecimento

O surreal está a voltar à minha vida aos poucos e poucos; são pequenos sinais no dia-a-dia que me levam a pensar assim.
Não poderia ter começado noutro sítio que não na casa-de-banho...
Depois de o depósito de toner (da fotocopiadora) ter enchido outra vez, comigo, lá tive que ir eu outra vez para o martírio, por outras palavras, calha a quem apanha este depósito cheio, esvaziá-lo - sim, eu sei que devemos comprar um novo, mas quem é que o faz? - Depois de o esvaziar tive que ir lavar as mãos emporcalhadas de toner. Ao percorrer o corredor para me dirigir para a casa-de-banho, porque este é comprido, consigo sempre ver se mais alguém vai lá também, e ainda tenho tempo de rogar pragas se isso acontecer - detesto companhia no John Lu.
Como não podia deixar de ser, não só observei que ia ter companhia, como também seria daqueles gajos chatos que nunca se calam...nem quando esforçam o esfíncter!
Como eu só ia lavar as mãos não me preocupei muito.
Cheguei lá, estava o gajo a lavar as mãos - mais um que precisa de lavar as mãos para agarrar a pila - Como se não bastasse ter lavado as mãos ainda foi buscar um bocado de papel higiénico que levou para o mijatório: das duas uma, ou não confiou na sua própria destreza na lavagem das mãos e levou a paranóia um passo mais à frente utilizando o papel para segurar a pila, ou era para apanhar a humidade final.

FIM

Para aqueles que se estão a perguntar onde é que está o surrealismo da situação, evitem contactar-me.

sexta-feira, julho 04, 2008

Um dia feliz para o Fódss

O Fódss telefonou-me hoje todo contente para me informar que, pela primeira vez na vida, fez um Espermograma. Aparentemente, ele e a mulher andam a tentar procriar (ou pelo menos fazem questão disso nos tempos mais próximos).
Como o Fódss é muito minucioso no relato das suas histórias - deve ser para ver se eu percebo; há quem diga que tenho compreensão lenta... -, pus-me numa posição mais confortável, mas como já estava sentado, cheguei as nádegas um tudo nada para a esquerda até largar um pum "involuntário" - sinal de conforto e, ao mesmo tempo, barreira técnica do senta-senta.
O meu amigo começou por me dizer que esta foi a melhor experiência que teve numa clínica, e que, independentemente do suspense que é esperar pelos resultados, está mais curioso em procurar na Internet aquele filme e revista que lhe foram emprestados por alguns minutos.
Acho que a mulher do Fódss não partilha do mesmo sentido de humor cáustico, por isso, foi com enorme satisfação que ele me disse que quase pôs a mulher histérica de riso no meio da sala de espera da clínica. Mais excitado do que um cão no cio (cinco dias a pão e água fazem isso a um homem), começou a mandar silenciosas bordoadas teóricas, no ouvido da mulher, sobre as salas de espera e a sua (dele) "qualidade" de paciente: "Centro de Punhetas PING chama-se Sr. Fódss à sala 24, Sr. Fódss à sala 24!", "A.Q.T. Fódss à sala de píveas, Fódss á sala de píveas", "Sr. Fódss!? Onde está o Sr. Fódss? Ah! aí está o senhor. Estamos fartos de chamá-lo! Não nos ouviu? Ai o Sr. Fódss! assim vai levar com as revistas mais coladas como castigo! Está preparado para a sua punhetazita? - De bacalhau? - O Sr. Fódss é um brincalhão".
Felizmente, este castigo de piadas infantis acabou depressa para a mulher, porque, para grande alegria de ambos, chamaram-no (para uma sala normal).
A enfermeira nem era muito simpática, nem nada atraente. Deu-lhe o copo; orientou-o para a salinha e saiu... O Fódss ficou no meio da sala, sozinho!
Encostado a uma parede, um ecrã LCD (sem marcas visíveis de dedos gordurosos), no lado oposto, um sofá confortável (sem marcas visíveis de rabos oleosos), ao lado esquerdo do sofá, uma mesinha com uma revista Private e dois controlos remotos (para o DVD e a TV, e sem marcas visíveis de super-cola Cisne) dos mais complicados que o Fódss já alguma vez tinha visto. Não desanimou e começou a passar as páginas da revista; mas ele queria acção e começou a carregar nos botões dos controlos violentamente. Passados cinco minutos, o engenho, aguçado pelo apetite, venceu os dois controlos.
Antes de começar, disse-me, procurou por mais filmes - nada! Só havia um! Que rica escolha... Resolveu entremear o filme com uma ou duas páginas da revista: duas batidas, uma página, 25 frames, 5 batidas, duas páginas, 100 frames em slow motion, e pimba, por aí em diante.
Ía a velocidade de cruzeiro quando começou a ouvir vozes lá fora, e pensou: se conseguia ouvir o exterior, então, raios!, também o conseguiam ouvir - a ele e aos gemidos da TV!!! -, mas resolveu não ligar muita importância. Estava onde estava, e as enfermeiras já deviam estar habituadas; se calhar até tinham um nome carinhoso para cada rugido que ouvissem mais fora do normal: o Leão, o mosquito, o cagão das punhetas, o ANIMAL, a Miss Piggy, enfim; ele podia ser o Tarzan, para isso começou a arfar com mais força, mas aquilo soou-lhe muito simiesco e, antes que fosse apelidado de o Gorila, parou.
Quinze minutos foi o tempo que o Fódss precisou. Se não estivesse tão aflito, demoraria mais tempo - parece que ele gosta de ver os filmes com mais rigor; diz-me que é por ser cinéfilo, mas eu não acredito.
De qualquer maneira, e depois disto tudo, parece que o Fódss está contente e aliviado. E, agora, com melhor impressão das clínicas portuguesas.