terça-feira, abril 29, 2008

Mormoando por aí


Não consigo deixar de sentir algum desdém pelos mormons.
Quando estes gajos aparecem na rua, fazem-me sempre lembrar que estou num país subdesenvolvido que ainda tem missionários para "educar" os selvagens; e eu não gosto de ser lembrado disso.
O facto de a religião destes gajos ser fundada numa das mais evidentes tretas religiosas, nem sequer me chateia muito - problema deles! - Só não gosto de ver estes gajos nas ruas à procura de bárbaros.
E depois andam sempre aos parzinhos. Mas porquê? O selvagem pode ser difícil de dominar?
E as camisinhas de um branco imaculado? O que é que isto significa? Quer dizer que o caminho para a civilização passa pela líxivia e um bom ferro-de-engomar?
As gravatinhas e os cartões de identificação poderiam levar-me a pensar que são participantes de um Congresso qualquer, mas como se esquecem sempre do casaco, percebo logo que são eles.
Nos países nórdicos também andarão sem casaco?
E a caneta no bolso da camisa! Para que serve!? São engenheiros? Será para escrever no bloco que está no mesmo bolso? E o que escrevem eles? Quantas almas salvaram!? As despesas para entregar à Igreja!? As direcções para a pensão!!!?

segunda-feira, abril 28, 2008

Fódss de volta

Recebi de manhã o tão aguardado telefonema do meu amigo Fódss. Ele começou por dizer que me ia relatar com algum detalhe o seu fim-de-semana.
Antes de começar, ouvi um berro dele. Pensei que como ele é estrangeiro tem direito a ser excêntrico de vez em quando, e um berro no Metro é perfeitamente aceitável para um camone.
"Epá! Tinha um velho ao lado que estava a bater uma...!"
Teria ouvido bem? Ele já está informado do calão sénior-taradês urbano!!!
E ele continuou "O velho tinha uma gaja toda boa à frente e, descaradamente, não foi de meias medidas e pôs a mão ao bolso e começou a massajar violentamente a virilha direita e ao mesmo tempo começou a arfar pesadamente", ria-se agora (o que também é aceitável para um camone nos transportes públicos) "Eu pirei-me logo dali, não fosse ele limpar a mão a mim, pois estava sentado mesmo ao lado dele. Ainda tive vontade de chamar a atenção da senhora alvo de toda esta atenção, mas e se de facto ele estivesse a coçar a perna com muito prazer? O melhor é cada um por si..."
"Então e esse fim-de-semana?" Perguntei eu.
"Olha, afinal o fato de treino era só para utilizar em casa. De qualquer maneira nem sequer o levei porque me esqueci...pronto!"
Tenho que confessar que senti alguma desilusão. Teria sido muito mais engraçado imaginar o Fódss de fato de treino pela Vila; e já agora um fiozito de ouro.
"Foi agradável. Passeei por sítios com nomes muito engraçados - vocês, portugueses!!!"
Um bocado frustrado perguntei "Então não se passou nada que servisse para te ridicularizar?"
"Oh meu amigo! Se eu não te conhecesse, diria que queres fazer de mim bobo da corte". Riu-se alto. "A única coisa engraçada que tenho para contar é o nome que o meu Sogro arranjou para me apresentar «Este é o meu futuro...», o que, ao princípio, me deixou um pouco confuso. Que tipo de futuro seria eu? Ah! E também... nem sei como hei-de contar esta. O meu sogro apresentou-me a uns dez velhotes que estavam à conversa numa esquina. Começou por apertar a mão aos primeiros e fugiu para longe - qualquer coisa lhe chamou a atenção -, no entanto, eu já tinha começado a apertar mãos aos primeiros, e ainda me faltava uma boa meia dúzia quando me vi sozinho. Pensei que o melhor, e mais educado, que eu poderia fazer era continuar a cumprimentar, embora alguns deles me olhassem como se fosse maluquinho. Apertei rapidamente as mãozitas encarquilhadas do resto e fugi dali p'ra fora. Não olhei para trás, mas tenho quase a certeza que ouvi um «coitadito!». Apanhei o meu sogro que já cumprimentava outros três. Desta vez posicionei-me estrategicamente para que o meu futuro... não fugisse".
Afinal o Fódss safou-se.

terça-feira, abril 22, 2008

O fds do Fódss

Tenho um amigo que está com um pequeno dilema. Ele pediu-me ajuda, mas eu não sei o que lhe dizer; por isso, exponho aqui a sua situação delicada para que alguma "alma" mais perspicaz o possa ajudar.
Pela primeira vez ele irá conhecer a terra dos sogros. Viajará com eles e a mulher no próximo fim-de-semana.
O facto de este meu amigo enjoar quando viaja na parte de trás de qualquer veículo que se mova, tem-no preocupado; isto porque não quer dar parte fraca em frente do sogro com algum esguicho de vomitado bem intencionado mas mal direccionado. Apesar de ter querido fazer segredo desta sua fraqueza, a mulher (à semelhança de todas elas, de resto) já tratou de publicar a notícia, oralmente, na sala de jantar dos pais, e na presença, claro, do meu amigo. O coitado parece que desviou os olhos para o chão...
Mas esta sua preocupação foi subjugada por outra muito mais gritante a que, heroicamente, devo dizer, tem sabido manter um sangue frio e uma epiderme pouco oleosa quando começa a imaginar o futuro cenário em que, se não arranjar solução, se verá envolvido.
Foi esta manhã que recebi uma mensagem de alarme deste amigo. Por princípio, eu não acredito em cenas esotéricas, mas posso jurar que, antes de receber a mensagem, fui acometido pelas mesmas prováveis sensações que este meu amigo, tal como se estivéssemos unidos por uma espécie de cordão umbilical psicoenergético telepático. O seu alarme, vim a descobrir depois, era fundamentado, e razão suficiente para outra alma mais fraca entrar num estado de pânico.
Ora, ia este meu amigo com o seu passo apressado para apanhar a camioneta, ainda meio ensonado e com o olhar meio turvo do lado direito (por causa da almofada), quando ouve um som familiar do lado esquerdo, o que, felizmente, permitiu a rápida identificação do sogro. Todo vivaço e cheio de energia, e sem mais nem porquê, virou-se para este meu amigo, olhou-o de cima a baixo e disse-lhe que lhe ia comprar um fato de treino para que ele andasse mais à vontade lá na terra. Assim não teria que andar sempre de calças de ganga. O meu amigo, que não costuma ser de resposta rápida, é mesmo um pouco lerdo de raciocínio, rematou imediatamente com um "eu uso umas calças de ganga velhas!" logo seguido de outro, mais esganiçado ainda, perante o olhar de inevitabilidade do sogro "eu uso umas calças de ganga velhas!!!!!!!!". O sogro dele não lhe deu mais hipóteses de resposta e despachou-o com um adeus, até logo.
Enquanto corria para a camioneta, o meu amigo pensava como é que havia de se safar desta situação melindrosa. Se, por um lado, seria deselegante recusar um presente, por outro, ainda pior, seria não usar o presente em toda a sua graciosa função.
A mulher, ainda ignorante deste assunto, é um factor desconhecido no que toca à motivação ou desmotivação das boas intenções do pai, pois se o meu amigo é um conhecido gozão das mais variadas situações, a mulher não lhe fica atrás; além disso, ela junta a estes acepipes de gozo, uma depurada veia sádica, que, de longe a longe, este meu amigo sente na pele. Eu acredito que a única esperança deste meu amigo seja a recusa da mulher se fazer acompanhar de tão vistoso companheiro com o seu traje cerimonial de fim-de-semana. Por outro lado, ela pode simplesmente andar sozinha e deixar o marido na companhia dos seus novos amigos lá da terra.
É de facto uma situação difícil em que este amigo se encontra, e eu não consigo, assim sem treino anterior, arranjar-lhe uma solução de fundo. Talvez uma corridinha logo à noite me aclare as ideias.

segunda-feira, abril 07, 2008

Uma alminha por favor!

Estou capaz de fazer nascer uma alma no meu corpito para vendê-la logo de seguida só para ir ao concerto dos Muse.
Há para aí algum intermediário religioso que seja capaz desse feito? Não sou esquisito, aceito (quase) qualquer religião, desde que não me ocupe muito tempo e não me vá à carteira. Peço também que não me obriguem a ler muitos contos de fadas; prefiro ler livros de ficção científica e de terror.
A sério! Engajem-me.
Se for preciso levar belinhas na IURD também levo.
A pé até Fátima? Na boa!
Não comer porco na presença de outras pessoas? Estou a precisar de baixar os meus triglicémios triglicéridos de qualquer maneira.
Estimar uma vaca como se se tratasse de um familiar? Se puder beber leite...
Chicotadas nas costas...? Esta é muito vaga. Pode ser qualquer religião.
Sinto muito, mas não faço referências aos muçulmanos, são demasiados belicosos p'ro meu gosto e além do mais, provavelmente, não me iam deixar ir ao concerto.
Uma almazita por favor. Quem me arranja uma almazita para a troca?