quinta-feira, junho 28, 2007

Não gostas de mim? Mas porquê?

Descobri agora que uma pessoa de quem eu gosto há muito tempo (desde criança) faz um juízo completamente negativo de mim. E já não é a primeira vez que me acontece uma coisa destas...
Eu sei que não sou perfeito (longe disso), e também não tenho a mania de querer que toda a gente goste de mim - eu até gosto de de fazer inimizades, diverte-me -, mas a proximidade que eu tinha com esta pessoa era de tal grandeza que isso nunca me ocorreu. E nos anteriores casos a mesma coisa: apanharam-me de surpresa.
Quando isto me acontece eu tento perceber o que é que há de errado comigo, o que eu acho que é normal nestas situações. Mas eu sei perfeitamente de antecedência que, tirando uma coisita aqui, outra ali, sou um tipo perfeitamente normal.
Então porquê este Juízo de mim? O que é que sabem da minha pessoa que me escapa? E, acima de tudo, porquê estas pessoas com laços tão fortes comigo? Eu nem me meto com ninguém, estou no meu mundinho a maior parte das vezes. Não me interessa a vida dos outros.
Que surpresas mais me aguardam no futuro?

terça-feira, junho 26, 2007

Santíssima Trindade

"Eu sou um ser humano sensível e inteligente, mas com uma alma de palhaço que me obriga a estragar tudo nos momentos mais importantes" - Jim Morrison

Tudo o que sentimos já foi escrito com as mais belas palavras; até esta constatação já foi proferida inúmeras vezes; quem sabe até a constatação da constatação...

Segundo Will Eisner, o caminho para a originalidade começa com a prática e a cópia dos melhores que nós, o que faz todo o sentido porque para nos tornarmos indivíduos com uma personalidade distinta, primeiro tivemos que copiar tudo o que nos rodeia: comportamentos, tiques, modas, gostos, gargalhadas, ritmos de fala, beijos...
Só a maturidade nos pode trazer a originalidade, e a maturidade é a transcendência do eu e o reconhecimento da inexistência desta.
A percepção da imaturidade torna-nos sensíveis, e o esforço para adquirir maturidade provoca acessos de inteligência.
Da dificuldade em manter uma inteligência estável e coerente em todos os nossos actos, nasce a alma de palhaço. E da luta constante desta contra a lógica nasce, aos poucos, a personalidade. Esta, marcada pela batalha, irá decidir se será mais ou menos marcante; mais ou menos conformista; mais ou menos revolucionária. No fundo não passam de pequenas diferenças entre o esforço do raciocínio e a inércia do movimento caótico de tudo o que nos rodeia.
No fim, somos tão palhaços como originais. O palhaço chora e pensa, mas, sobretudo, ri. Assim como no céu, o nosso coração também está tripartido. Somos três num só, mas um de cada vez.

Estão a olhar-me para o peito descaradamente!

Hoje, finalmente, tive uma experiência de empatia com a mulher.
Enquanto respondia a certas perguntas de uma senhora, notei que ela frequentemente punha os olhos no meu peito, creio que nos pêlos que despontavam da minha T-shirt, e tomava o seu tempo lá enquanto falava comigo (praticamente não tirava os olhos). Ao princípio achei alguma piada e prometi a mim mesmo que quando chegasse a casa me iria ver ao espelho para verificar se estava tudo no sítio (e estava!), mas passado algum tempo de conversa comecei a ficar incomodado; ela falava para mim mas raramente tirava os olhos do meu peito. Comecei a sentir-me um objecto sexual. Tão demorada observação só poderia querer dizer que ela estava a gravar esta imagem na sua memória para a utilizar mais tarde em sabe-se lá o quê...
Agora percebo o que as mulheres sentem quando nos demoramos nas suas mamas e virilhas ao mesmo tempo que encetamos uma amena conversa com elas. Claro que também olhamos para os seus rabos, mas nessas alturas não estamos a conversar com elas.
Já estou habituado ao rápido olhar feminino ao volume peniano - e gostava de poder dizer nessas alturas que estou com uns boxers apertados - ou mesmo, quando me viro subitamente e as apanho, ao meu rabo, mas aos pêlos do meu peito é a primeira vez, pelo menos com este á vontade que ela demonstrava.
Fui violado por observação. Sinto-me usado. Tenho que trazer esta T-shirt mais vezes.

segunda-feira, junho 25, 2007

Workshop de Escrita Criativa

Estou a frequentar um Workshop de Escrita Criativa muito interessante. Como este curso é cíclico (e gratuíto), quem quiser ser informado visite http://vontadedescrever.blog.com.
Como é costume nos cursos, no primeiro dia fazem-se as apresentações. Dado o meu ódio de falar em público quando não conheço ninguém, sugeri os lugares da frente, subtilmente, ao João Pinto (que também está a frequentar o curso). Assim ficava logo despachado da apresentação e também eliminava qualquer hipótese de repetição das justificações que me levavam a estar ali.
Eu já sei como sou nestas situações, e se quando conheço mais ou menos as pessoas e o ambiente até sou extrovertido e causa de algumas gargalhadas (para mim e de mim), quando o ambiente é a estrear sou quase agorafóbico. Gostava de poder dizer que nem sempre fui assim, mas, tirando um período de alguns anos da minha vida em que gozei de uma forte auto-estima, sempre fui e, enquanto viver neste país, sempre serei.
Engraçado que a auto-estima, a minha pelo menos, esteja tão intrínsecamente ligada a um território. O que me faz lembrar (ou talvez tenha sido o contrário) o que o Sr. José Couto Nogueira (formador no Workshop) disse sobre a diferença comportamental das diferentes nacionalidades e a sua provável causa genética - "talvez exista um gene português" -, mais específicamente em dois casos particulares: o espanhol, extrovertido, alegre, arrogante; e o português, introvertido, tristonho... arrogante.
Não devia estar a escrever sobre a minha auto-estima porque é prejudicial para a minha imagem de macho. No entanto creio que é evidente ultimamente, e eu como sou um tipo transparente (infelizmente) não consigo enganar ninguém, mesmo querendo...
O meu amigo João Pinto diz-me que (sem qualquer carga negativa) eu divago muito quando escrevo; acho que ele tem razão, no entanto duas coisas estão sempre presentes quando forço a caneta de encontro ao papel: o princípio e o fim!