quinta-feira, março 29, 2007

A mim não me atrofias!

Sempre que um atrofiado é atendido num local público, a tendência do empregado é começar a falar mais alto. As perguntas dirigidas ao pobre coitado sobem de volume e são acompanhadas pelo seu olhar panorâmico para ver se alguém lhe acha graça.
Claro que quanto mais envergonhado o atrofiado fica, mais as perguntas são estúpidas e a roçar a histeria; chega a um ponto em que o atrofiado já não sabe onde se meter.
Eu observo isto tudo com uma raiva contida. A minha vontade, depois de me autoflagelar por estar sempre a rotular o pobre coitado de atrofiado, é chegar ao pé do empregado e dizer-lhe das boas. E alto!
Esta situação não é justa para os atrofiados. Quanto mais atrofiados eles são mais atrofia lhes provocam. É uma bola de neve de atrofio.
Mas a culpa também é do resto das pessoas que, normalmente, são cúmplices neste joguinho do arrasa-o-atrofiado. Parece que têm medo de serem as próximas vítimas e então deixam-se levar.
Mas depois há o inverso da medalha: se eu estiver com a minha irmã (o exemplo máximo de reacção que conheço) que faz bandeira da defesa dos pobres e oprimidos, e que não se sabe calar quando chega a altura, e que ainda por cima faz uma grande peixeirada. Eu nem sei onde me hei-de esconder. Nestas alturas o meu desejo é ter sido apenas mais um entre tantos a olhar, com medo de ser o próximo, e a rir. A rir não sei porquê. A rir só para não estar ali da próxima vez que o empregado quiser apanhar mais alguma vítima e resolver fazer dele o atrofiado do mês.

quarta-feira, março 28, 2007

Elementar, meu caro amigo

A meio da minha adolescência conheci um tipo, hoje é um dos meus grandes amigos, que me ensinou uma coisa preciosa que ainda hoje aplico: aprender a observar as pessoas, estudar os seus padrões comportamentais, tentar colocar-me na "pele" dessa pessoa (empatia), e, finalmente, deduzir alguns comportamentos e tendências.
Nunca consegui ser tão perspicaz como este meu amigo que é uma espécie de Sherlock Holmes, mas estou sempre a praticar.
De vez em quando consigo surpreender os mais distraídos com "brilhantes" observações e deduções, e fico satisfeito; Outras vezes engano-me redondamente, e fico frustrado.
Tenho que confessar que cheguei ao cúmulo de me instruir em técnicas mais esotéricas de "ler" a natureza humana e outras mais pragmáticas de manipulação.
Apliquei-as - especialmente as de Carnegie - para obter o que queria e obtive sucesso nos resultados. Infelizmente a manipulação vai contra a minha natureza, depressa desisti de a usar. Ficou o conhecimento. Sei quase sempre quando querem utilizar-me como se fosse uma marioneta, mas deixo-me ir na maior parte das vezes. Sinto-me curioso. Quero saber até que ponto a outra pessoa está disposta a ir para obter o que quer.
As outras técnicas de "exploração", as esotéricas, uso-as apenas para "puxar" mais informação; é involuntário, a outra pessoa nunca percebe que me está a dar todas as informações que eu quero. Depois transmito-lhe o que sei como se realmente estivesse a adivinhar.
As pessoas que conheço, no geral, sei mais ou menos o que irão fazer, dizer e porquê. Quanto a mim, não sei. Permaneço um mistério para mim próprio. Não me consigo transcender. Não faço a mínima ideia o que raio irei fazer, dizer, nem porquê.

segunda-feira, março 26, 2007

Inscrições romanas e o porno dos anos oitenta

Estava eu sentado na esplanada de um certo café muito famoso com o meu grande amigo João Pinto a conversar, ou melhor, a observar com um sorriso - como diz uma amiga minha -, quando vejo três mulheres quarentonas, loiras recentes, com um certo aroma de luxúria; as três com calças de licra, apertadinhas. Eu já as tinha visto, imaginei eu, em algum filme pornográfico dos anos oitenta.
Elas estavam acompanhadas por dois mânfios: um era, sem dúvida, o realizador; o outro o cameraman.
Enquanto o João dissertava sobre as inscrições romanas da Baixa Pombalina, eu imaginava para onde estes cinco personagens se dirigiam e o que fariam quando lá chegassem. Estranhamente, a ideia que iam para um estúdio manhoso, improvisado num apartamento quase à prova de som, não me saía da cabeça.
Atravessaram a estrada e dirigiram-se para uma carrinha comercial, daquelas só com dois lugares. Imediatamente pensei que o meu sonho estava desfeito - Iam-se separar!
Foi só quando vi que o realizador abria a porta da parte de trás da carrinha, para que duas das actrizes e o cameraman entrassem, que suspirei de alívio. O meu sonho continuava então.
Até este momento, tudo não passava de resíduos dos efeitos do uso exagerado da pornografia na minha mente. Não tinha ainda motivo para chamar a atenção do João que continuava a dissertar, agora sobre as aulas chatíssimas de História da Arte.
Foi só quando vi a carrinha a arrancar e li a publicidade que esta exibia, que não consegui reprimir uma gargalhada ao mesmo tempo que puxava o braço do João para ele olhar. O que nós nos rimos.
Lá ia a carrinha, com o realizador e a actriz principal à frente, e atrás, na caixa, as duas outras actrizes secundárias e o cameraman. Lá ia ela com o seu pomposo anúncio em letras garrafais: SOPINAR Caixilharias e Alumínios.
Não é que eu não goste de ouvir o João a falar, mas nada bate um bom filme porno dos anos oitenta.

Lost in translation

Já estou farto de ouvir que se não existisse tinha que ser inventado - nunca percebi muito bem o que isto quer dizer, mas penso que deve ser uma referência a algo caricato da minha maneira de ser - , mas começo finalmente a acreditar que alguém se enganou na minha concepção.
Mais uma vez ia eu distraído, absorto nos meus pensamentos, a caminho do trabalho. Não sei porquê, mas as pessoas têm a mania de me pedir orientações, logo eu que não sei o nome de quase rua nenhuma.
Ao virar a esquina para começar a subir a rua cujo nome me escapa, deparo-me com um casal: altos, louros, com aspecto de turistas. Reparo que eles têm um mapa e olham para mim, tento fingir que não os vejo mas eles colocam-se à minha frente. Apontam para o mapa e perguntam qualquer coisa que não consigo perceber.
Apesar de não me estar a apetecer dar direcções em inglês, lá faço o esforço. Descubro que o inglês deles ainda é pior do que o meu. - Devem ser franceses ou alemães - Penso eu.
Com o mapa foi mais fácil orientá-los. Apontava e complementava com o inglês mais básico possível.
Estivemos à volta do mapa uns bons dez minutos. Inglês para lá, inglês para cá, apontava e esbracejava, quase que levantava voo. Até que desabafei alto no meio de uma branca que me deu - Como é que se diz passe social? - ao que eles me perguntaram - É português...?
Depois de nos rirmos da minha inaptidão e confusão, eu descobri que o casal era açoreano. Esta malta dos Açores nunca mais aprende a falar português.

sexta-feira, março 23, 2007

Este gajo tem a mania!

Há uns anos atrás, quando começou a massificação dos telemóveis, havia uma vergonha generalizada de utilizá-los em público. Certo é que quem os exibisse era rotulado de convencido ou novo-rico.
Pior ainda eram aquelas pessoas de menos posses que faziam questão de ter um, nem que fosse só para dizer olá à Sogra. Obviamente que estes eram olhados de lado; eram os novos com-a-mania-de.
Entretanto, todas estas fobias e manias - muito típicas do povo português - já passaram. Fazem parte do passado recente.
Infelizmente há ainda certas "manias" que continuam a ser rotuladas: gostar de música clássica ou Jazz, ler poesia, gostar de arte no geral, etc.
Se numa nos colam uma etiqueta de pseudo-intelectual noutra colam-nos uma de roto. E por aí em diante.
Há muitos gostos que as pessoas, em determinados meios, não se atrevem ainda a divulgar. Especialmente o gosto pela cultura e pelas artes.
Neste país tudo o que é novidade é olhado com suspeição. E a suspeita recai não só no objecto como também no utilizador. Sendo que o objecto - na óptica portuguesa - pertence a determinado perfil de utilizador, e utilizador nenhum deve possuir esse objecto. Esta contradição só é aplicada nas coisas novas, portanto alguém tem que sofrer inicialmente para as tornar "velhas". E quem é que sofre por nós todos e para gáudio dos "verdadeiros" intelectuais opinativos dos media, nem mais nem menos que o Zé Povinho de sempre, ou seja, nós todos sofremos por todos nós.
Mas quem é mais conservador e preconceituoso? Os intelectuais ou o resto?
Enquanto a voz do resto faz-se ouvir um pouco esganiçada e com alguns tons de gozo, já a voz do intelectual é vigorosa, persistente e verdadeiramente corrosiva. O resto depressa se adapta ao novo fenómeno e aplica-lhe a devida importância, o intelectual recusa-se a aceitar, permanece purista, classicista, inamovível, é capaz de levar a batalha até ao túmulo.
Mas o mais estranho disto tudo é que o telemóvel, que está aí há poucos anos, já não seja uma novidade, e a cultura e as artes, que nos acompanham desde sempre, ainda o sejam. Leva-me a pensar que talvez exista mais algum factor.
A única coisa que me ocorre assim de repente é o facto de a cultura e as artes exigirem uma educação/formação liberal, livre de alguns preconceitos, e com um forte ênfase na aceitação do diferente. Só assim podemos observar (e abraçar) o exterior a nós com uma atitude socialmente saudável.

quinta-feira, março 22, 2007

Vamos à escola!

Aqui vão cinco regras para escrever eficazmente - para mim e para ti; Estas regras foram desenvolvidas pelo grande George Orwell.


1 - Nunca use uma metáfora ou figura de estilo que apareça regularmente nos media.

Estas frases comuns já têm uma carga emotiva associada, para além de serem confortáveis e melódicas. Por esta razão falham em criar uma resposta emocional adequada ao nosso contexto. Tome o seu tempo para criar novas e poderosas imagens.


2 - Nunca use uma palavra longa quando uma curta faz o mesmo trabalho.

As palavras longas não o fazem parecer mais inteligente, a não ser que sejam bem utilizadas e contextualizadas. Na maior parte das vezes o uso destas palavras só transmite uma imagem de quem escreve como uma pessoa arrogante e pretenciosa.

Quando Hemingway foi criticado por Faulkner pela sua limitada escolha de palavras, isto foi o que ele [Hemingway] respondeu:

Poor Faulkner. Does he really think big emotions come from big words? He thinks I don’t know the ten-dollar words. I know them all right. But there are older and simpler and better words, and those are the ones I use.


3 - Se é possível eliminar uma palavra, faça-o!

A grande literatura é simplesmente linguagem carregada de sentidos até ao mais elevado nível possível. De acordo com isto, qualquer palavra que não contribua para o sentido de uma passagem, dilui o seu poder. Menos é sempre melhor.


4 - Nunca use a voz passiva se pode utilizar a voz activa.

Esta é frequentemente quebrada porque a maior parte das pessoas não sabe fazer a distinção. Mas aqui vai um pequeno exemplo:

O homem foi mordido por um cão (passiva)
O cão mordeu o homem (activa)

A voz activa é melhor porque é mais curta e pujante.


5 - Nunca use uma palavra estrangeira, uma palavra científica ou calão quando pode utilizar uma palavra comum.

Esta regra só deve ser utilizada tendo o leitor comum em vista. De certeza que ninguém quer, depois de escrever, continuar a explicar por tempo indeterminado o que é que queria transmitir. O objectivo é que a nossa ideia seja transmitida e espalhada com eficácia, certo?


6 - Quebre estas regras antes de escrever uma enormidade.

Existem excepções para tudo. Basta utilizar o bom senso.



Estas regras são fáceis de memorizar, mas dificeis de aplicar.
Este texto foi traduzido em cima do joelho e com muito pouco tempo, tenho a certeza que se revisto irá contra uma ou outra regra aqui descritas. Mas para isso conto sempre com a malta sádica que gosta de me aplicar chibatadas psicológicas.

quarta-feira, março 21, 2007

O meu Reino por mais sonhos!

Tenho andado com dor-de-dentes. E tenho andado sempre a pensar em sexo.
Mesmo quando a dor-de-dentes é quase insuportável não consigo evitar em pensar de vez em quando em mamas, rabos e patas-de-camelo.
O pior é na rua. Quando ando na rua passo sempre por mulheres lindas e curvilíneas, o que me leva constantemente a dizer p'ros meus botões - concentra-te na dor-de-dentes e esquece o raio do sonho.
Acho que se um dia alguém resolver inventar um teste de identidade sexual, este devia começar pela tortura: Gostas de gajas ou de gajos? - Isto enquanto o enchiam de porrada.
Como gajo penso muito em sexo, muito tempo e todo o dia; mas como doente dos dentes isto já está a chegar ao cúmulo. Os sonhos são mais intensos e quando os consigo interromper finalmente (pura força de vontade), é quase tarde demais em relação ao volume nas calças. Tenho que olhar para baixo para ver se estou apresentável - sem dar nas vistas, assobiando - e depois continuo. O lado positivo é que quando a bandeira fica a meia haste (ou meio mastro) não só é decente como até sinto algum orgulho. - Vejam como sou abençoado por Deus! - Faz de conta que é o tamanho natural. Até me esqueço da dor.
Mas isto tudo leva-me a algumas questões: Serei masoquista? Serei gajo S&M e ainda não me apercebi? Terei que inverter os papéis de quem dá as palmadinhas? Terei alguma cárie?
Os comprimidos que estou a tomar estão a tirar-me as dores, mas cada vez sonho menos acordado. Agora já percebo porque este analgésico é também anti-inflamatório.

terça-feira, março 20, 2007

Generalizar por aí

Um dos meus grandes defeitos nas dissertações que faço é generalizar determinado comportamento, mesmo sem fundamentação nenhuma. Não hesito em fazê-lo porque toda a gente o faz...
Claro que os únicos comportamentos humanos de que posso falar são daquelas pessoas que conheço e até o meu próprio - coisa bastante comum que depois camuflo com a terceira pessoa de um verbo qualquer.
Como acredito piamente nos meus poderes de dedução (como aliás qualquer maluco que se preze), não tenho qualquer problema em diagnosticar alguns comportamentos. De vez em quando até sou capaz de arranjar profilaxia para algumas doenças mentais decorrentes dos comportamentos desviantes aqui analisados.
Também gosto de estereotipar.
No fundo o que eu quero dizer é que gosto de chamar os "outros" de malucos, e de dizer que eu e os meus amigos é que somos sãos. Quando se calhar devia dizer o contrário: Eu sou doido, os meus amigos também o devem ser por se darem comigo, e os outros... os outros são mais ou menos saudáveis da carola.

segunda-feira, março 19, 2007

Eu e eu e eu...e eu

Eu não percebo as pessoas que têm discursos diferentes em público e em privado. Quero dizer, percebo mas não me agrada.
Eu tento ser coerente com a expressão da minha natureza, sou tão exagerado aqui (no blog) como na vida real.
Claro que a mudança de discurso é uma boa defesa dos nossos sentimentos e uma salvaguarda das nossas inseguranças; mas um muro é um muro, e as suas funções são cercar e defender - nem se sai, nem se entra.
As personalidades múltiplas, as diferentas facetas e identidades já passaram de moda. Agora, ao mesmo tempo que o individualismo e a diferença florescem, também a adopção de um eu único e imutável para todos os universos (real, imaginário e virtual) se torna cada vez mais um comportamento normal.
Não quero com isto dizer que por vezes não seja aceitável e mesmo saudável experimentar uma outra personalidade.
Claro que haverão aqueles que dirão que não se trata de múltipla personalidade mas sim de adaptação a uma outra realidade. Pois eu concordo que haja adaptação, mas isso não significa que se mude a identidade.
Eu tenho um certo orgulho por fazer amigos em qualquer tipo de realidade, isto porque me adapto muito bem. E sei que se o meu amigo da realidade A se encontrar com o outro meu amigo da realidade B, e se por acaso eu vier à baila numa conversa, é muito provável que qualquer um deles me identifique ou pelo menos diga que conhece alguém muito parecido.
Adaptação não é o mesmo que mudança de identidade.
Um caso curioso é aquele em que a pessoa é incapaz de se adaptar (mantendo sempre o mesmo estilo) mas consegue adoptar diferentes personalidades. Embora seja curioso é muito comum. Acho que que estas pessoas são teimosas, orgulhosas e arrogantes: Teimosas porque insistem em manter o seu estilo, orgulhosas porque o seu estilo é mantido por ser o melhor, e arrogantes porque todos os outros estilos são inferiores, não merecendo por isso a adaptação do seu ao dos outros.
Mais raro são aqueles que se adaptam e para isso usam diferentes personalidades, mas estes são casos patológicos ou fazem-no por necessidade. O doente mental e o espião, respectivamente, são casos paradigmáticos deste comportamento.
No final, talvez os familiares dos concorrentes dos Reality Show's é que têm (de uma forma estranha) razão quando dizem : Ele não está a ser ele próprio... não está ainda à vontade! Talvez durante esta semana ele se torne ele próprio e se descontraia mais. Faça as palhaçadas que costuma fazer à frente da avó...

sexta-feira, março 16, 2007

Aqui só entra menina

Gosto muito de ler os blogs da miúdas, aprendo sempre montes de coisas. Mas quando começam a publicar montes de fotos com gajos nús, podem crer que deixo de lá ir.

Meninas, se não querem que os gajos vos visitem é mais fácil dizerem-no.

Aceita-me! Eu aceito-te.

Tens que mudar. Tens que tentar não ser assim. Tens que melhorar este aspecto. Tens que tentar fazer as coisas de maneira diferente. Tens que deixar de fazer isto, isso e aquilo. Tens que te adaptar ao mundo porque este não se adapta a ti. Tens que te conformar. Tens que te integrar. Tens que mudar.

Quem é que nunca ouviu isto? Melhor ainda, quem é que realmente leva a sério uma pessoa que nos pede uma metamorfose? Eu sei que eu não.
Porque é que alguém que gosta de mim há-de sinceramente querer que eu mude? Eu não mudo e nunca mudarei. Eu sou eu! Os meus defeitos são tão tão importantes para a minha identidade quanto as minhas qualidades. Se mudasse um iota que fosse, já não seria eu, seria outro qualquer.
Eu não peço a ninguém que mude. Eu aceito a identidade de quem eu gosto. Foi por essa identidade que eu me aproximei. Não quero outra pessoa perfeita no lugar daquela que é defeituosa.
Não gosto de gente perfeitinha, com tudo no lugar, aborrecem-me.
Garanto que não durava cinco minutos na companhia de Jesuses, Ghandis e Madres Teresas de Calcutá sem pensar em pirar-me dali p'ra fora.
A decadência e a imperfeição são coisas que amo; Abraço mais depressa o caos do que aceito a ordem.
Não me tentem moldar, eu parto.

Estou errado? Claro que estou!

quinta-feira, março 15, 2007

Outra vez!

Há uma hora que estou a pensar em me desmarcar de uma certa pessoa que me perguntou se eu iria estar em casa hoje à noite e eu estupidamente - e também porque não sei mentir com rapidez, engasgo-me - disse que sim.
Agora estou na dúvida se lhe dou uma desculpa qualquer ou não.
Se der, ela (opps!) vai continuar a tentar até eu esgotar o arsenal limitado de desculpas que tenho; Se não der, ela vai ficar muito desiludida com a falta de consideração e, talvez, tentar outra vez. Aí faço-lhe o mesmo e ela desiste por uns tempos...
Qualquer que seja a solução, não a aplico de bom grado. Já sei que vou ficar de consciência pesada, mas tem que ser!
Estas merdas estão-me sempre a acontecer. Aposto que é porque sorrio muito.

Não me sopres nas orelhas!

Uma das coisas que mais detesto presenciar são os sopros de frustração, especialmente se estes são quase ao meu ouvido - quase que reajo como os cães, as minhas orelhas mexem-se todas incomodadas e eu olho com cara de parvo para o frustrado.
Não sei explicar, é uma coisa que me provoca arrepios!
Logo a seguir aos sopros são os tsc! que me irritam. Especialmente os tsc! em série. Um ou outro pontual ainda vá que não vá, mas uma série deles, de rajada, até me encarquilham as unhas dos pés.
Sopros e tsc! ao mesmo tempo é coisa que nunca vi - talvez por um exigir sopro e o outro sucção -, mas garanto que o dia que presenciar isso mando um berro.
Também me incomodam as reacções violentas, como pontapés às coisas e arremesso de objectos. É simplesmente primitivo.
A frustração devia ser só expressa na privacidade.

quarta-feira, março 14, 2007

Espelho meu...

O único espelho que tenho em casa é demasiado pequeno para me ver de corpo inteiro, por isso quando preciso de verificar que estou apresentável vou até ao elevador, meto-me lá dentro e desfruto do enorme espelho que este possui.
Talvez seja um pouco vaidoso, e talvez tenha demorado demais, mas a verdade é que chamaram o elevador comigo lá dentro ainda a vestir-me. Levei uma fracção de segundo para descobrir que não havia botão de parar e outra fracção para descobrir que tinha exactamente o percurso de dois andares para apertar o cinto, meter a camisa para dentro e abotoá-la também. Não consegui evitar um sorriso meio assustado da rapariga que estava à espera do elevador no rés-do-chão.
Saí calmamente todo desfraldado e com uma ponta do cinto a apontar falicamente para a frente e fingi que ia ver o correio. Quando a porta do elevador se fechou, subi rapidamente as escadas para a privacidade do meu apartamento e fiz uma promessa ajoelhado de que nunca mais deixaria a porta do elevador se fechar. Isso ou comprar um espelho.

Napoleonicamente falando

Já que neste blog meto a minha vida toda em pratos limpos, mais vale já dizer que sou um daqueles gajos baixinhos que às vezes se vê passar na rua. Tenho a "preciosa" altura de 1,60m.
E bem sei que os homens não se medem aos palmos, ou assim me dizem, mas quem é baixo sabe bem que isso não corresponde à realidade.
Quero deixar bem claro que já ultrapassei quase todos os complexos e demais problemas mentais que tinha. Excepto o facto de ainda querer dominar o mundo, o resto da sanidade está OK!
Já estou tão habituado ao facto de ser meia leca que já nem dou por isso. Claro que em determinadas situações bizarras eu acordo para a realidade.
Por exemplo, ontem estava a falar com um grupo de pessoas muito bem, quando de repente tive uma espécie de flash (sim, tipo haxixe). Dei conta que sem dar por isso me tinha colocado ao nível dos olhos dos meus interlocutores subindo um degrau (bem alto), e lá estava eu todo contente.
Claro que não desci o degrau!
Eu não vou tomar aqui uma atitude miserabilista tipo tenham pena de mim que detesto essas coisas, mas às vezes penso em fertilizante... pronto já disse!

P.S. Mas curti à brava o jantar ;-)

segunda-feira, março 12, 2007

A Bela e o Cromo

Compreendo que o modelo do programa "A Bela e o Mestre" seja aquele e os gajos que o estão a fazer cá em Portugal têm que obedecer às regras do que compraram, mas não posso deixar de sentir que é uma completa idiotice.
Ainda fazerem do Mestre um cromo, isso percebo, mas agora fazerem da bela uma tolinha ignorante que não sabe nada, é anedótico e não corresponde à realidade portuguesa.
Se de facto a mulher portuguesa cada vez está mais bonita e sofisticada, já não é verdade que esta é burrinha. Aliás, existem mais mulheres com curso superior no nosso país do que homens.
Sinto que a mulher portuguesa, desde a lei da paridade, está a ser representada de uma maneira pérfida. Já não há pachorra para esta imagem que é passada da mulher.
Já agora, os cromos que lá puseram não podiam ter mais vida, tipo, serem animados?
E para rematar: mas quem é que não sabe quem são o Woddy Allen e o Fidel Castro? Estão a gozar connosco!

sexta-feira, março 09, 2007

Elas dão cabo de mim

A volatibilidade emocional feminina é coisa que sempre me fascinou.
Por mais que presencie este fenómeno, não consigo deixar de ficar espantado de cada vez que acontece.
Num momento está tudo bem, noutro, e sem qualquer razão aparente, tudo muda. Nuvens negras e trovoada onde estava um belo céu azul iluminado pelo sol.
E não são só mudanças de humor, que essas também acontecem no género masculino, mudanças de coração e outras de interesse mais egoísta.
Como já tenho mencionado, eu cresci rodeado de mais mulheres do que homens. Isto levou a que a minha educação tenha focado por um lado para um ligeiro toque de machismo e por outro - paradoxalmente - para uma visão da mulher como um ser mais "iluminado" do que o homem.
A minha avaliação de cada mulher é baseada no que me foi transmitido pelas mesmas, portanto, e embora as minhas deduções possam ser ocasionalmente abaladas pela parcialidade de uma visão mais emocional, no final, a razão e o conhecimento adquirido ao longo dos anos, acaba por emergir. Fico imediatamente a saber que tipo de mulher (genericamente) é aquela com quem estou a lidar.
Correndo o risco de parecer um enorme machista, devo dizer que raramente tenho conhecido mulheres que fogem ao modelo por mim aprendido: inconstantes, imprevisíveis e de grandes flutuações emocionais.
Muito honestamente, eu preferia ser um ignorante nesta matéria - Antes ingénuo do que saber sempre como acaba o filme.
No fim acho que sou como os espermatozóides, lanço-me sempre, desenfreadamente, numa corrida louca para lá chegar, embora saiba que as hipóteses são quase nulas e o meu plano é suicida; Eu sou uma mosca a caminho daquela deslumbrante luz azul; Eu sou um rato e aquele 605 FORTE nunca me soube tão bem; Eu sou um homem, e ela espera, armada até aos dentes, para dar cabo de mim.
Haverá coisa melhor do que a doce fatalidade?

quinta-feira, março 08, 2007

Preliminar de uma tarde a sonhar

Há uns tempos atrás tive uma espécie de diferença de opinião com uma amiga minha. O assunto em cima da mesa era o preliminar, ou aquilo que é bom e que antecede o sexo.
A diferença de opinião gerou-se quando ela mencionou que adora linguados e eu rematei que também adoro preliminares; ao que ela respondeu que os linguados nem sempre eram preliminares porque nem sempre antecedem o sexo; o que eu discordei...
O que eu penso sobre todas as carícias, beijos e apalpões que me excitam e me deixam pronto para a brincadeira é que são um aquecimento para o sexo, tenha este lugar logo a seguir ou não.
Nós, os homens, temos esta característica muito especial, este poder, de conseguirmos estar sempre excitados. Para nós, o facto de estarmos ao pé de uma mulher que desejamos já é o suficiente para chamar aquele momento de preliminar.
E aqui quero dar um exemplo que há muito tempo queria utilizar mas não sabia como: uma contagem decrescente deixa de ter esse nome se o foguete não é lançado?
Depois há a palavra 'antecede'. Preliminar antecede o sexo.
Como eu sou um tipo de grandes esperanças, espero sempre que algo aconteça. Tenho sempre uma grande fé. E apesar de a realidade não corresponder aos meus desejos quasi religiosos de sexo, a verdade é que possuo sempre uma enorme esperança. Por esta razão, qualquer carinho é para mim um preliminar. Seja o sexo efectuado hoje, amanhã ou nunca... knock! knock! knock! Por esta razão, aquilo que antecede é uma ideia do que irá acontecer a seguir, por tanto, e aconteça ou não, a ideia já lá está. E a ideia provoca a transformação de um simples olhar, festa na mão, linguado ou vigoroso fingering, num preliminar digno de molhar qualquer cueca.
O facto de ter escrito sobre isto já foi para mim um preliminar. Um exercício que me deixou pronto para sair do meu gabinete e apanhar a primeira que me aparecer à frente e levá-la para o arquivo. Infelizmente não me consigo levantar...

quarta-feira, março 07, 2007

cocó, xixi, pilinha e pipi

Muito honestamente eu não gosto de usar calão.
Não critico quem o usa e até acho piada, mas não me peçam para o fazer.
E para não pensarem que sou um betinho, já houve uma época da minha vida em que usei e abusei dessa linguagem muito especial.
Por força das circunstâncias - mudança radical de trabalho e "boas" companhias - eu forcei-me a erradicar o calão da minha vida.
Não vou dizer que com os meus amigos não abra uma excepção a um pontual fodasse! ou mesmo a um caralho! (esta última não deve ser lida à letra), mas normalmente é forçado e calculado, e raramente é espontâneo. - Ok! Este parágrafo não me saiu muito bem...
O que talvez seja pior para mim, aquilo pelo qual os meus amigos podem pegar (e pegam) para me chamarem menino, é o facto de eu utilizar palavras de bebé: cocó, xixi, mamã, papá, bolinhas, pilinha, pipi, rabo, e já chega de me envergonhar.
Se sou capaz de dizer uma asneira ou outra para defender a minha virilidade dos evil doers, há certas coisas que não consigo pronunciar, tais como cagar e mijar. Não tenho problemas com foder.
E só tenho mais isto a dizer para quem me insultar - Vai p'ro cocó!

terça-feira, março 06, 2007

Quem espera sempre cansa

Pela quarta vez este ano fui ao médico por causa das bolinhas.
Se os Centros de Saúde fossem um serviço eficiente só precisaria de de lá ir duas vezes - uma para as credenciais e outra para apresentar os resultados.
Infelizmente, depois de ter a ecografia pronta para entregar, apanhei o médico sempre de folga ou de férias. Desta vez consegui apanhá-lo.
Claro que as coisas não poderiam correr na perfeição. Já estava a achar muito estranho ser o número dois no atendimento...
Estive à espera desde as oito até ás onze da manhã, e finalmente fui atendido pelo atrasado do meu médico; apenas para descobrir que as minhas análises ao sangue não estavam com ele, e pior, estavam perdidas.
Após meia hora á procura das análises nos vários pisos, lá as encontraram. Agora tinha que voltar a ser atendido, mas com uma excepção, passei a último. Isto significava que teria que ficar lá mais não sei quantas horas. - Desisti! Marquei uma consulta para outro dia. - Ainda não terminou o calvário.
Apesar de tudo ainda me distraí um pouco enquanto esperava.
Quando cheguei às oito da manhã, ensonado, fiquei em estado catatónico - à espera que me chamassem - a observar um bebé.
Uns bons minutos, a olhar para o bebé e a pensar em nada, depois, descobri que este estava a mamar. Fiquei um pouco embaraçado por ter estado a olhar para lá inadvertidamente durante tanto tempo. Olhei em redor. Algumas velhas olhavam para mim com um ar de desaprovação. Senti vontade de dizer - Eu não estava a olhar para a mama da senhora! Juro!
Depois sentei-me e adormeci.
Acordei com o vozeirão de uma velha revolucionária (mais conhecida por Cheché Guevara) que andava a inspeccionar quem é que tinha marcado consulta e quem é que lá estava á socapa. A verdade é que ela conseguiu "expulsar" dois gajos que não tinham marcado consulta.
Depois as velhotas começaram a comparar pastas com os seus historiais e, claro está, perguntaram pela minha. Ao que respondi que ainda não tinha papéis suficientes para ter uma. Isto provocou uma grande risota para meu espanto.
Entretanto, a velha revolucionária meteu conversa comigo e quando dei por ela já a velha me tinha tirado as análises da mão e as estava a ler com muito interesse - Isto está bem, isto nem por isso...
Não fosse o médico chamar-me e tenho a certeza que as minhas bolinhas seriam tema de conversa para as velhinhas que lá estavam - Ufa! Salvo pelo gongo!
Quando resolvi me ir embora, depois de descobrir o meu verdadeiro lugar na fila, as velhinhas desejaram-me as melhoras e eu as delas. - Simpáticas.
Fugi de lá a grande velocidade.

sábado, março 03, 2007

Volver e volver outra vez

Apercebi-me agora que tenho um péssimo feitio quando estou com sono e não me consigo livrar de algum chato... ou chata.
São, neste momento em que escrevo no meu caderno, meia noite e meia, e estou recordar os últimos quarenta e cinco minutos ao mesmo tempo que contemplo as enormes mamocas da apresentadora do 103º aniversário do Benfica na RTP1.
O melhor é começar pelo princípio...
Combinei com uma amiga alugar o Volver do Almodovar para uma sessão cinéfila em minha casa. Bom filme! - Chuac!
Até ao fim do filme tudo bem, mas depois já começava a ficar sem pachorra, queria ir-me deitar e não havia maneira de me livrar desta minha amiga.
Faltavam quarenta e cinco minutos para agora quando ela começou os rituais de despedida.
Veste camisola, bebe um Whisky, come uma sandes; põe cachecol, mais uma sandes, mais um Whisky; tira camisola e cachecol, vai á casa-de-banho; fala comigo um pouco, veste camisola outra vez, mais um gole de Whisky; come mais uma sandes, põe cachecol; veste blusão, ajeita os fones, tira blusão, vai á casa-de-banho outra vez; veste blusão, mais um Whisky, põe cachecol, ajeita os fones; fala mais um pouco, assenta a mala a tiracolo; fala mais um pouco, mais um copo de Whisky, e... volta atrás. Finalmente vai-se embora.
Durante todos os quarenta e cinco minutos destes rituais, eu passei por vários estágios sensoriais: diminuição da capacidade de fala até só emitir sons guturais; repentinos acessos de riso por causa da frustração; irritação; impaciência.
Mas seria injusto estar para aqui só a atacar a rapariga - boa amiga! - que até foi muito simpática e lavou-me a louça. Para além de ter sido boa companhia.
O defeito é só meu, eu sei. Tenho este problema com despachar as pessoas quando já estou farto e quero ir fazer outra coisa, tipo ir para a caminha.

sexta-feira, março 02, 2007

Que semana de merda!

Esta semana tem sido difícil! Ando a atravessar uma fase qualquer meio abichanada de insegurança e, mais uma vez, de inadequação.
Todos os dias desta semana tenho tido uma nóia nova. Ora é isto que é assim e assado, ora é aquilo que devia frito e cozido, ora é aqueloutro que era suposto ser estufado e gratinado.
Chego ao fim do dia derreado de tanto pensar. Não que seja coisa que não faça numa base regular (pensar), mas normalmente não me sinto um idiota quando concluo os meus pensamentos.
Que merda! Porque é que um gajo tem que ter estes mecanismos de auto-análise?

quinta-feira, março 01, 2007

Covardes e heróis

Estará o mundo dividido entre covardes e heróis?
Apenas podemos rotular alguém com uma destas qualidades quando existe coerência e constância ao longo da vida.
O que é um facto incontornável é que os heróis vivem pouco e os covardes morrem velhos; Por outro lado, uns são lembrados com saudade e orgulho e os outros permanecem figuras obscuras e detestáveis.
Então o que fazer? Vivo pouco e amado ou muito e odiado?
Obviamente que a solução não é nenhum segredo, aliás, é aplicada por todos.
Devemos ser corajosos e audazes mas não suicídas por qualquer razão; Devemos saber quando dar um passo atrás ou um á frente, não só por nós mas pelos que nos rodeiam; Devemos defender os nossos ideais, mas não ao ponto do fundamentalismo; Devemos defender aqueles que amamos sem reservas, até à morte; Devemos defender as nossas posses e propriedades, mas nunca á custa da integridade física de outros.
No fundo todos tentamos ser corajosos no dia-a-dia, mas como somos humanos temos os nossos acessos de medo, hesitação, pânico e fobias, somos covardes.
As únicas personagens coerentes com qualquer um destas qualidades que conheço, pertencem á história (mortas, portanto), ficção ou banda desenhada; não conheço ninguém inteiramente uma coisa ou outra. E se for a pensar bem, a maior parte dos heróis e dos vilões que existiram também não foram coerentes. Tiveram ambos comportamentos antagónicos áquele que lhes marcou a vida.
Em última instância ser herói é não ter medo de ser covarde quando necessário, e ser covarde é ter medo de ser herói quando não é necessário.

Agradecimentos
Seria injusto se não desse o devido crédito ao blog da Marciana (divagações de uma extraterrestre), mais específicamente a este post que me obrigou a pensar mais sobre o assunto. Obrigado Marciana!