segunda-feira, julho 02, 2007

Um imenso Portugal

Ontem foi um dia de amena pacatez.
Eu, o João, a Maria e mais três amigos (que pedem anonimato por razões do foro criminal) passámos uma boa parte da tarde sentados na esplanada da Sul América.
Gostava de poder dizer que este convívio foi divertido, mas infelizmente deu na gana de quase toda a gente, menos a mim e à Maria, iniciarem uma longa e aborrecida conversa sobre direito e equipamento social.
Enquanto eu bocejava e a minha sobrinha contava quantos guardanapos conseguia introduzir no bolso do pai sem ele dar por isso, uma voz com sotaque brasileiro começou a fazer-se ouvir num registo que apagava todas as outras.
A pouco e pouco começámos a perceber o conteúdo que esta voz estridente transportava, e, surpresa das surpresas, era uma mensagem muito pouco simpática de Portugal e dos seus nativos.
Ninguém na nossa mesa possuía qualquer ideologia de direita, mas é um facto que ficámos irritados.
Dizem as regras da boa educação que os convidados têm o direito de não gostar dos anfitriões, mas que demonstrá-lo enquanto nessa condição é de muito mau gosto.
Já não sei porquê, mas o João tinha a viola com ele. Para nosso grande espanto ele pôs-se de pé e começou a dedilhá-la.
Abro aqui uma nota para explicar que o que se passou a seguir só se deve a muitos anos de convívio, grande amizade e muito em comum.
Quando o João começou a tocar olhou para mim e eu percebi...
Levantei-me também. Ele tocava e eu cantava enquanto nos passeávamos pela esplanada. Toda a gente olhava com um ar de interrogação e alguma reserva. Parámos à frente do brasileiro.

"Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal; Ainda vai tornar-se um imenso Portugal"

Tornou-se imediatamente evidente para o brazuca que não tinha forma de sair graciosamente daquela situação.
Quando acabámos, triunfantes, toda a esplanada aplaudiu, apesar da minha horrenda voz. A nossa mensagem tinha vencido pela poesia a má educação do nosso patrício.
Não passou muito tempo até que o sujeito se fosse embora, cabisbaixo; derrotado pela sua própria cultura.

Infelizmente a história é inventada porque ninguém se lembrou de responder ao brasileiro desta forma.

6 comentários:

trintona disse...

Mas então pk não cantaste? eu acho que seria uma resposta genial (já se fosse comigo saía uma valente peixeirada, como sabes :P) !!

André disse...

Falta de memória...

Avelã disse...

BOLAS, EU JA A IMAGINAR-VOS COMO DOIS CAVALEIROS EM DEFESA DESTE NOSSO PORTUGAL

moimeme disse...

ohhhh

gostava tanto desse final...
afinal não aconteceu! :(

voandobaixinho disse...

ok, estou do lado da trintona. Se estamos no nosso país, porque não defendê-lo? porque não chamar à razão aqueles que acham que somos obrigados a tê-los aqui? Não tenho preconceitos nenhuns mas gosto tanto de pessoas agradecidas....

André disse...

Ninguém se lembrou disso na altura.