terça-feira, maio 29, 2007

Acabou-se a liberdade

Bem sei que a realidade actual é diferente daquela que eu conheci quando era puto, mas não me consigo imaginar a crescer sem toda a liberdade que gozei. Se fosse hoje, provavelmente a minha mãe e restantes encarregados, numa altura ou outra, de tomar conta de mim, seriam responsabilizados de negligência e quase abandono.

As coisas eram bem diferentes.

Eu e os meus irmãos brincávamos (ás vezes) durante todo o dia na rua, só indo almoçar e jantar a casa; Muitas vezes dormíamos sózinhos porque a minha mãe (separada) tinha que fazer turnos à noite; passávamos as férias com as nossas primas (que eram adolescentes) sem a supervisão de nenhum adulto; eu ía para a escola de autocarro e os meus amigos também.

Será que as coisas eram assim tão diferentes?

Apesar de, tanto eu como os meus amigos, nos depararmos com o ocasional velho pedófilo dos transportes públicos que se punha a masturbar quando via rapazinhos novos, ou o exibicionista maluco, ou mesmo os doidos histéricos e bêbados, desenvencilhávamo-nos muito bem. Talvez porque estes lunáticos não eram violentos ou talvez porque nós tinhamos uma maior autonomia e desenrascanço que os putos de hoje. Mas as histórias que se ouvem agora também não se ouviam antigamente.

De facto as coisas são diferentes.

Os criminosos são hoje muito mais violentos e amorais. O mundo já não é bom para as crianças. A liberdade é agora um pau-de-dois-bicos: se por um lado pode armar a criança de autonomia, por outro arma o criminoso de oportunidade.

E é por tudo isto que eu não consigo culpabilizar inteiramente os pais da Madeleine; para o fazer teria que utilizar outra balança para os meus. É verdade que são mundos temporais diferentes, mas para estes pais, Portugal ainda tinha uma imagem pacífica e amena. Provavelmente muitos de nós também pensávamos o mesmo. Agora todos sabemos que o nosso lar já não é a mesma coisa.

12 comentários:

sem nexo nem sexo disse...

Opah, ho andré, dá cá cinco!!!
Concordo plenamente! E digo te mais, quando eu era pequena, os meus pais (que não são portugueses) deixavam-me sozinha em casa para dar as suas voltas...Se era arriscado? era!, se eu faço o mesmo? não!! mas há que entender a mentalidade de cada país. Foram desleixados mas não o fizeram com ganancia, não o fizeram com maldade....e sinceramente acho que nunca devem ser punidos por desleixo, basta o que sofrem para não dormirem à noite.
Quanto aos pedófilos, sempre os houve, acho que era Napoleão que gostava de meninos tenros, mas graças a Deus hoje existe maior protecção às crianças, existe a comunicação social, existe uma maior abertura ao que está certo e errado.

Desculpa o texto looooongo...

André disse...

Toma lá cinco!
Podes escrever a quantidade que quiseres, estás á vontade.
Sempre ouve pedófilos, é verdade, mas os de hoje são mais (acho eu) predatórios.

Patrícia Cardoso disse...

Lembras-te aquela noite que estávamos sozinhos com os primos e fizemos uma sessão espirita? Tu chamavas pelo Hitler...eu chamava o Elvis Presley...depois deviam ser umas duas de manhã e decidimos ir passear...demos uma volta pela Av de Roma e voltámos para casa!!
Grande aventura!!! He!He!He!

sem nexo nem sexo disse...

(apesar de o que vou dizer possa parecer estranho) os primeiros livros que li foram casos do FBI e INTERPOL, e lembro -me, com 8 anos, de sacos do lixo com meninos cortados aos pedaços e não-me-vou-alongar-mais. O problema é que hoje há mais liberdade, vês os videoclips, até os filmes, e é tudo muito permissivo...tanto no campo sexual como no campo da violencia...não me lembro de ver filmes como os que existe hoje. Nem os videoclips que eram básicamente cabeludos a cantar em play back...

André disse...

Eu posso dizer que desde muito cedo comecei a ver filmes de terror tão ou mais violentos do que os que vejo hoje; Lia também coisas bem pesadas para a minha idade; Sexo tinha as Ginas; Já haviam jogos naquela altura: ou no salão de jogos ou as primeiras consolas e depois os spectruns; Tinha também um gosto fora do normal pelo esotérico, coisas tipo sessões espíritas e livros do paranormal. E tudo isto não me afectou (muito).

princesinha urbana disse...

Deve ser bem difícil, hoje em dia, encontrar o meio termo entre criar uma flor de estufa ou preparar os filhos para a vida!
Quanto ao caso da Madeleine, atentas as idades das crianças, não posso deixar de dizer que não estiveram bem. Se o mundo mudou, há que adaptar-se a ele!

Avelã disse...

André concordo plenamente contigo, eu tambem ía para a escola sozinha e fazia muitas outras coisas sozinha e com muita responsabilidade, com 12 anos ja cozinhava o jantar todos os dias e não sou assim tão velha (28 anos), não quero com isto dizer que a minha educação é que foi boa, mas pergunto-me que tipo de gente andamos nós a educar?

André disse...

A minha pergunta, Princesinha U., é: será que os pais tinham uma ideia errada (certa antigamente) de Portugal? E não teríamos nós tb uma ideia errada de Portugal?
Avelã, os putos não têm culpa da educação que levam mas temo que os homens de amanhã serão um bocado dependentes (com tudo o que isso envolve) e dados ao pânico fácil.

Anónimo disse...

Os pais da Madeline foram irresponsaveis, foi negligencia grosseira deixarem 3 crianças tão pequenas sozinhas. Claro que nunca devem ter pensado que alguém a poderia raptar. Mas antes que comecem a atacar a minha linha de pensamento não é só a liberdade qu acabou como os pais estão cada vez mais irresponsaveis com os filhos: o nivel de obesidade das crianças porque os pais não tão para fazer o jantar e enchem os de junk food, os putos são educados pelo songoku, pelo picachu e quando chegam à adolescencia pelo Sam the kid. Os pais passam tardes de Domingo no centro comercial com os filhos, fumam ao pé deles e acham extrema piada quando o menino diz palavrões ao professor e um longo etc.
Acho que não podemos fazer uma comparação com os nossos pais, pelo menos a minha mãe parecia estar sempre a ver os meus movimentos...
Mas se esta negligencia, que se está a tornar um hábito, é danosa para esta geração a sociedade civil também não ajuda nada. Recentemente assistimos ao branqueamento de imagem de um conhecido pedófilo, que eu não vou dizer o nome porque ele pode-me processar e depois tenho que pagar uma indemnização a um pedófilo, como também assistimos a um acordão do Supremo Tribunal de Justiça que diferencia a violação de uma criança de 4 e 5 anos de uma de 13.... Foda-se, mas isto cabe na cabeça de alguém? O pretexto é que aos 13 anos o jovem já tem alguma maturidade sexual. Eu aos 13 anos pensava que sexo oral era falar de sexo...
Enfim, enquanto nos preocupamos com a segurança de filhos, irmãos pequenos, primos etc e tal parece que existe uma corrente contrária que permite a continuação destas aberrações (que na minha opinião deviam poder ser abatidos na rua sem o "assassino" ser responsabilizado penalmente)
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André disse...

Compreendo a tua revolta anónimo mas temos que pensar nestas coisas com calma e (alguma) imparcialidade.
Não sei se de facto podes acusar os pais de negligência grosseira uma vez que não tens acesso à informação daquela noite. Mas que é negligência, é sem dúvida.
Depois já começas a falar de obesidade e misturas tudo. Tenho a certeza que se houvesse fast food na altura em que eu era jovem o fenómeno da obesidade remontava a essa época.
Os pais são um pouco desleixados com os filhos? Acho que sim. Não eram assim antigamente? Claro que eram.
Para terminar, um indivíduo de 13, 14 anos para cima já não é uma criança, mas em lado nenhum. A não ser que te estejas a referir à idade mental de muitos deles. Com estas idades já têm maturidade suficiente e personalidade desenvolvida para discernir o certo do errado e para tomar decisões sózinhos.
Existe ali uma fronteira que, de facto, varia de indivíduo para indivíduo, mas geralmente é aos 14 anos que um humano se torna adulto.

Anónimo disse...

Não percebeste: estamos a falar de violação e não de sexo consentido. Para o STJ uma violação de uma criança de 4e5 anos é o mesmo que a violação de uma de 13 ou 14, sinceramente essa valoração chega a ser obscena.
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André disse...

Esse é um caso completamente diferente. Claro que ambos deviam ter penas completamente diferentes, e mais, a pena devia ser muito mais pesada do que a que está prevista na actual moldura penal que creio que é de 3 a 10 anos. Para ambos os casos.
Castrem esses gajos!!!