segunda-feira, janeiro 23, 2006

Merda!!! Estou apaixonado...

Começo por dizer que não estou apaixonado...mas já estive!...várias vezes.
A paixão obriga os envolvidos a comportamentos obcecados, perdas de apetite, raciocínio toldado, e, em casos extremos, a actos suicidas ou assassínios.
O meu pensamento inicial era de que nem toda a gente se apaixona.
Tenho observado muitos casais, e tenho ouvido histórias de outros casais. Muitos se dizem apaixonados, mas o comportamento difere em relação ao sofrimento. Simplesmente não sofrem o suficiente.
A minha conclusão inicial era de que a paixão era confundida por outra coisa qualquer.
Depois de várias discussões sobre a paixão e o sofrimento, cheguei à conclusão que a maior parte das pessoas, com quem eu falava, achava ridícula a ideia de que a paixão vem sempre acompanhada com sofrimento e que este é o seu combustivel.
Ao contrário, nas várias leituras (científicas e romances) em que "mergulhei", cheguei à conclusão que, desde sempre, a paixão é considerada como sinónimo de sofrimento. Aliás, a própria origem da palavra (etimologia) contém dois substantivos muito interessantes: sofrimento e martírio. Para quem duvida, sugiro uma nova apreciação ao título do filme "A Paixão de Cristo".
Agora deparava-me com duas ideias: a paixão não é assim tão comum; a paixão é comum.
Se não é comum, então a falta de avaliação desta por muitas pessoas é compreensível.
Se é comum, mais duas ideias: as pessoas não admitem esta condição; a paixão tem várias magnitudes. Varia de pessoa para pessoa.
Se esta condição não é admissível, suponho que seja para esconder (supostas) fraquezas. Não vejo outra razão.
Se existem várias magnitudes de paixão (esta é a minha teoria favorita), parece-me que esteja relacionado com a maior ou menor sensibilidade e imaginação que cada um tenha. Não vou explicar como é que cheguei a estas duas emoções como fontes de um repuxo de paixão. Apenas digo que depois de pensar muito sobre o assunto me pareceu evidente. Aliás, é a única forma que consigo arranjar para explicar célebres casos de paixões.
E como as paixões não são estritamente sentimentos que se tem para com outro humano, e para terminar, deixo aqui o seguinte repto:
Se não estás apaixonado pela vida e tudo o que te rodeia (e não és doente mental), e provavelmente fazes a vida negra aos outros porque sentes inveja, o teu problema é a falta de sensibilidade e imaginação. Agora que és uma pessoa consciente do teu problema, trata-te!!!

3 comentários:

Sofia Neves disse...

amor ou paixao?
Vicia como uma droga, entontece como uma gripe e tem prazo de validade: 18meses.
Há quem defenda que é nos primeiros segundos que decidimos se gostamos ou não de alguém, ideia com a qual concordo plenamente pois é no primeiro impacto que concluímos se existe empatia ou não.
O amor romântico é um combinado de instinto biológico e apego emocional embora a promessa seja sempre a mesma: entrar numa dimensão onde a ilusão e a utopia ganham realidade propia. Se a avaliação inconsciente do outro é feita no máximo em 90 minutos (o tempo estudado cientificamente) a partir de pistas não verbais a conclusão a que chego é que não nos apaixonamos pelo o outro, mas pelas sensações que resultam da nossa percepção inicial. Isto é a famosa empatia!
Na sociedade actual o culto da paixão é reconhecido pelos efeitos imediatos mas se contarmos com os efeitos secundários como a dependência, desilusão ou a curta duração, muitas vezes a paixão é confundida com outros laços como a familiaridade, ou motivações como a selecção de cônjuge ou simples atracção sexual.
O estado passional pode resumir-se, no formato convencional, a uma sequência de três em um: desejo sexual, envolvimento emocional e cegueira do amor…cujos sinais se assemelham aos de uma gripe vulgar (como honestamente me sinto hoje): insónias, perda de apetite etc.….
Quando o desejo cresce é quase certa a chegada de obsessão e do ciúme que ocorrem no mesmo grau de intensidade com que os níveis de serotonina aumentam na corrente sanguínea.
Em todo este processo é activada uma zona do cérebro ligada à sensação de bem-estar e motivação para obter recompensa. Na ausência desta droga amorosa há quem chame "amor cocaína" ao estado de paixão.
Conclusão: amor, paixão ou atracção, o que será então????????
Eu não sei… para já acho que estou a ficar com gripe. Ou será desapaixonada?

Patrícia Cardoso disse...

O que o lirismo ocidental exalta não é o prazer dos sentidos, nem a paz fecunda do casal. Não é o amor satisfeito mas sim a paixão do amor. E paixão significa sofrimento.("O Amor e o Ocidente"; Denis Rougemont)

André disse...

És melhor que a Dra Ruth! Deixaste-me de boca aberta com a tua explicação.
E se tens razão, se é a empatia a principal responsável, parece-me então que, de facto, a imaginação e a sensibilidade têm um forte peso na magnitude da paixão (já consumada).
Bom, quando tiver problemas emocionais já sei com quem hei-de falar. Espero que não sejas muito careira...