terça-feira, março 06, 2007

Quem espera sempre cansa

Pela quarta vez este ano fui ao médico por causa das bolinhas.
Se os Centros de Saúde fossem um serviço eficiente só precisaria de de lá ir duas vezes - uma para as credenciais e outra para apresentar os resultados.
Infelizmente, depois de ter a ecografia pronta para entregar, apanhei o médico sempre de folga ou de férias. Desta vez consegui apanhá-lo.
Claro que as coisas não poderiam correr na perfeição. Já estava a achar muito estranho ser o número dois no atendimento...
Estive à espera desde as oito até ás onze da manhã, e finalmente fui atendido pelo atrasado do meu médico; apenas para descobrir que as minhas análises ao sangue não estavam com ele, e pior, estavam perdidas.
Após meia hora á procura das análises nos vários pisos, lá as encontraram. Agora tinha que voltar a ser atendido, mas com uma excepção, passei a último. Isto significava que teria que ficar lá mais não sei quantas horas. - Desisti! Marquei uma consulta para outro dia. - Ainda não terminou o calvário.
Apesar de tudo ainda me distraí um pouco enquanto esperava.
Quando cheguei às oito da manhã, ensonado, fiquei em estado catatónico - à espera que me chamassem - a observar um bebé.
Uns bons minutos, a olhar para o bebé e a pensar em nada, depois, descobri que este estava a mamar. Fiquei um pouco embaraçado por ter estado a olhar para lá inadvertidamente durante tanto tempo. Olhei em redor. Algumas velhas olhavam para mim com um ar de desaprovação. Senti vontade de dizer - Eu não estava a olhar para a mama da senhora! Juro!
Depois sentei-me e adormeci.
Acordei com o vozeirão de uma velha revolucionária (mais conhecida por Cheché Guevara) que andava a inspeccionar quem é que tinha marcado consulta e quem é que lá estava á socapa. A verdade é que ela conseguiu "expulsar" dois gajos que não tinham marcado consulta.
Depois as velhotas começaram a comparar pastas com os seus historiais e, claro está, perguntaram pela minha. Ao que respondi que ainda não tinha papéis suficientes para ter uma. Isto provocou uma grande risota para meu espanto.
Entretanto, a velha revolucionária meteu conversa comigo e quando dei por ela já a velha me tinha tirado as análises da mão e as estava a ler com muito interesse - Isto está bem, isto nem por isso...
Não fosse o médico chamar-me e tenho a certeza que as minhas bolinhas seriam tema de conversa para as velhinhas que lá estavam - Ufa! Salvo pelo gongo!
Quando resolvi me ir embora, depois de descobrir o meu verdadeiro lugar na fila, as velhinhas desejaram-me as melhoras e eu as delas. - Simpáticas.
Fugi de lá a grande velocidade.

4 comentários:

Marciana disse...

Andrezinho esse nome que chamas as tuas partes faz-me impressão, bolinhas???? porra já ninguem chama bolinhas as bolinhas.
Nada como um bom e caro seguro de saude para se fugir aos centros de saude

André disse...

Eu sou pobrezinho. Não tenho dinheiro para essas coisas.
Não sei que outro nome dar às minhas bolinhas...?

Patrícia Cardoso disse...

tomates?

alfabeta disse...

Estamos em Portugal, lol