quinta-feira, março 29, 2007

A mim não me atrofias!

Sempre que um atrofiado é atendido num local público, a tendência do empregado é começar a falar mais alto. As perguntas dirigidas ao pobre coitado sobem de volume e são acompanhadas pelo seu olhar panorâmico para ver se alguém lhe acha graça.
Claro que quanto mais envergonhado o atrofiado fica, mais as perguntas são estúpidas e a roçar a histeria; chega a um ponto em que o atrofiado já não sabe onde se meter.
Eu observo isto tudo com uma raiva contida. A minha vontade, depois de me autoflagelar por estar sempre a rotular o pobre coitado de atrofiado, é chegar ao pé do empregado e dizer-lhe das boas. E alto!
Esta situação não é justa para os atrofiados. Quanto mais atrofiados eles são mais atrofia lhes provocam. É uma bola de neve de atrofio.
Mas a culpa também é do resto das pessoas que, normalmente, são cúmplices neste joguinho do arrasa-o-atrofiado. Parece que têm medo de serem as próximas vítimas e então deixam-se levar.
Mas depois há o inverso da medalha: se eu estiver com a minha irmã (o exemplo máximo de reacção que conheço) que faz bandeira da defesa dos pobres e oprimidos, e que não se sabe calar quando chega a altura, e que ainda por cima faz uma grande peixeirada. Eu nem sei onde me hei-de esconder. Nestas alturas o meu desejo é ter sido apenas mais um entre tantos a olhar, com medo de ser o próximo, e a rir. A rir não sei porquê. A rir só para não estar ali da próxima vez que o empregado quiser apanhar mais alguma vítima e resolver fazer dele o atrofiado do mês.

13 comentários:

Florença disse...

Eu acho que sou irmã da tua irmã. Tenho que falar com o teu pai :D

André disse...

Eu nem vos quero imaginar juntas! Especialmente comigo lá.

Avelã disse...

PA NESTES CASOS NUNCA TERIA VERGONHA DE SER PEIXEIRA, SEI QUE O SOU SEMPRE MAS NESTES CASOS ATÉ DÁ GOSTO PISAR O TAIO DO FUNCIONARIO COM MANIAS DE REI. NAS FINANÇAS EM FAMALICAO ATÉ SE TOLHEM QUANDO ME VEÊM PÁ, E AFINAL A MALTA SO EXIGE RESPEIRO.

Avelã disse...

taio leia-se raio, ahahhahaha

André disse...

Já são três para dar cabo do gajo. Juntem-se e depois apanhamos-o!

Patrícia Cardoso disse...

Tu foste dotado da revolta escrita...e eu da revolta oral.

Já levei porrada por não me calar...nessa altura tive medo que a porrada me deixasse algum tipo de trauma que me fizesse silenciar...depois constatei que não sofri nenhum tipo de mutação...continuo a mesma desbocada de sempre!!!

De qualquer das formas é um problema passar um conceito deste quando se educa uma filha...a Maria interiorizou o conceito a 200% e temso tido alguns dissabores com isso... ela defende-se sempre dizendo " tu é que me ensinaste a não me calar nunca...não me calar a injustiças" depois eu tenho que lhe explicar que quem define o que é uma injustiça sou eu e o pai, não é ela!!! Às vezes é dificil...loool

Mas confessa André...tu gostas das minhas peixaradazitas...gostas gostas!!! loooooool

André disse...

Eu??? Até fujo!

Patrícia Cardoso disse...

Não te esqueças que além de refilona (peixeira), sou também muito exigente!! Lembras-te daquele anúncio da Compal, ela dizia ao promenor como queria as coisas e tu disseste que parecia eu?!looool

André disse...

Aturar-te é obra!

sem nexo nem sexo disse...

A mim o que mais custa são aqueles que não tem resposta imediata, do tipo "VAI BUSCAR UMA TOALHA" e eles ficam tipo galinha sem cabeça, a andar de um lado para o outro, à procura, na sua piquena memoria do que é uma toalha e do que é ir buscar. Mais chato ainda é andar sempre a criticar e a gabar que sou de impulsos rápidos e um dia, ao ver um puto de mão entalada na porta, andar minutos à procura da maçaneta para poder safá lo.....isso meu querido André, é o chamado "quem te manda cuspir tão alto..."

Avelã disse...

...e os cães ladram e a caravana passa... au au au

alfabeta disse...

Ainda?

André disse...

Não me ocorre mais nada...
Inspiração precisa-se!