quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Dia do meu amor

Neste dia, e nos outros todos, eu dedico este poema do meu escritor favorito para aquela a quem eu chamo mulher.

O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não

O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração

Chico Buarque (Teresinha)

5 comentários:

Anónimo disse...

Ai o amor, o amor....

Anónimo disse...

este anónimo fui eu, não me lembro da password.

Dizeresmeus

André disse...

Sejas bem (re)aparecido!!!

Anónimo disse...

então andas apeixonado, quem é a infeliz?
quem é que fez um voto de renuncia a tudo o que é sério para partilhar a vida com um ex-eremita?

Dizeres

André disse...

LOL