segunda-feira, maio 07, 2007

Velhas com tatuagens

Desde que soube que as velhas em Inglaterra exibem alegremente as suas tatuagens, pintadas há algumas décadas, e os velhos insistem nos penteados Punk, apesar das carecas, comecei a medir a evolução social de um país de forma diferente.
Para estes velhos "bifes" demonstrarem uma atitude tão jovem, descontraída e descomplexada, para além das indeléveis marcas de um passado igualmente futurista (segundo os nossos valores), deduzo que a maior parte da sua sociedade mais recente tenha, pelo menos, o mesmo nível de desbloqueio mental. Claro que todos sabemos que as novas gerações britânicas ultrapassam, como é natural, as mais velhas em todos os aspectos.
É com muita pena que observo a nossa população e chego à triste conclusão que para atingirmos o nível inglês actual, ainda nos faltam pelo menos três décadas. Quando os jovens de hoje, já devidamente tatuados e um bocadinho descomplexados, se tornarem nos velhos malucos do amanhã.
A actualidade portuguesa geriátrica dá conta de dois tipos de indivíduo: o do interior, vanguardista na colecção de roupa pois só utiliza o preto, e com completo e absoluto atraso de mentalidade e tacanhez; e o das grandes cidades, com alguns melhoramentos no vestuário e muito poucos na mentalidade.
Já na actualidade portuguesa mais jovem, vejo outros dois indivíduos: o regional, que é evoluído em relação aos mais recentes gadgets de media, mas quando chega à parte da mensagem, falha redondamente; e o urbano, mais evoluído em diversos aspectos, mas com uma grave crise de bipolaridade. O jovem até emite opiniões saudáveis e modernas (desde que não seja do CDS/PP), mas estas não passam de palavras ao vento porque quando chega a hora da verdade, ele acovarda-se. A tradição cultural e os costumes vencem.
Claro que o facto de termos saído de um regime fascista há relativamente pouco tempo, tem uma crucial importância no nosso atraso, por isso este texto é mais uma observação do que uma crítica. Mas não é por essa razão que vou deixar de me queixar do meu triste fado, ou melhor, fazer aqui o meu papel de Calimero, como dizem as más línguas.
No fundo o meu problema é a falta de descontracção que existe no nosso país. Vou ter que esperar por esse fenómeno ainda por trinta anos, e aí, se calhar, serei obrigado a optar pela companhia dos mais jovens, correndo o risco de ser, nessa altura, o gajo mais atrasado e tacanho do grupo.

4 comentários:

alfabeta disse...

As moças que fizeram tatuagens agora quando forem velhas tb vão ser iguais ás velhas inglesas.

André disse...

Precisamente...!

Avelã disse...

eu tenho uma tatuagem pá e sera linda tambem no futuro :P

André disse...

E serás uma velha porreiraça assim como és uma jovem à maneira.