quinta-feira, outubro 01, 2009

Não sei o que me deu...

E como prometi há cinco minutos (+/-) atrás, cá fica a minha explicação para a música do André Sardet, O Feitiço.

Eu gostava de olhar para ti
E dizer-te que és uma luz
Que me acende a noite, me guia de dia e seduz...

Ok! Eu percebo a metáfora; até percebo que o facto de ele não poder olhar deve-se (provavelmente) à ausência dela. Mas cá está, devido a um possível numero grande de leituras começam as ambiguidades: Será que ele é cego? Será que ela não é merecedora de tamanha característica? Ele gostava mas está impedido. Impedido por que motivo? Talvez ele esteja com a mulher errada e gostava que ela fosse outra diferente: uma que acendesse luzes.

Eu gostava de ser como tu
Não ter asas e poder voar
Ter o céu como fundo, ir ao fim do mundo e voltar...

Talvez a mulher não seja assim tão má, uma vez que ele gostava de ser como ela. Assim, verificamos que a interpretação original "ela está ausente" está correcta.
Ele gostava de ser como ela, de não ter asas e poder voar. A meu ver isto começa a parecer um pouco insultuoso. Primeiro diz que ela não é nenhuma luz; agora diz que nem sequer tem asas; daqui a um bocado diz que ela é apenas um peixe... Mas talvez ela seja suicida: não tem asas e salta, mesmo assim.

Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...

E aqui é que a porca torce o rabo.
Ele não sabe o que lhe aconteceu para gostar de alguém como ela. Alguém...especial...como ela. E como todos os maus pagadores culpa a magia; alguém lhe espetou um feitiço!
Coitadita! Nunca ninguém tinha gostado dela, mas agora, por algum feitiço, o Sardet apaixonou-se por ela. E depois faz esta música lamecha a tentar explicar às pessoas (não a ela) que o facto de se ter apaixonado por esta rapariga deve-se a algum feitiço.

Eu gostava que olhasses
para mim
E sentisses que sou o teu mar
Mergulhasses sem medo, um olhar em segredo, só para eu
Te abraçar...

Mas uma vez que não há hipótese de se desapaixonar, talvez se a transformasse num peixe e a comesse logo de seguida ninguém desse por nada. Ela tem que se convencer que ele é o mar - talvez drogando-a - para ser comida voluntariamente. E depois há todo um terceiro sentido escondido nas figuras de estilo "mar", "comê-la; devorá-la por inteiro; mergulhá-la no seu mar" e "peixa", ou talvez "sereia". Este gajo é um maroto, mas um especialista em marotices.

Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...

E lá volta ele ao mesmo. Tenham pena dele, foi um momento de insanidade que o levou a gostar dela.

O primeiro impulso é sempre mais justo, é mais verdadeiro...
E o primeiro susto dá voltas e voltas na volta redonda de um beijo profundo...

Bom...já se sabe que o impulso deve-se ao facto de um estranho oferecer flores; e o primeiro a fazê-lo, é sempre mais, pelo menos, original; Então ele ofereceu-lhe flores; foi o primeiro a fazê-lo; ela estava de costas, ele ainda não lhe tinha visto a cara - de trás parecia jeitosa; apanhou um susto quando lhe entregou o bouquet; como nunca lhe tinham oferecido flores naquelas circunstâncias (ou noutras quaisquer), nunca ninguém tinha sido apanhado de surpresa como ele, daí o susto ser o primeiro; às "voltas e voltas" penso que ele tenha desmaiado e tenha caído em cima de algo redondo, até me atrevo a deduzir que tenha sido ela este algo redondo; o "beijo profundo" terá sido aqui talvez que ele foi enfeitiçado. O beijo dado por ela para o acordar, e também para aproveitar a raridade da situação - um homem que lhe cai em cima -, talvez até seja uma história mal contada. Ele estava desmaiado, não tem maneira de saber o que é que ela lhe fez... Mas vamos ficar pelo beijo. Devo dar os parabéns ao Sardet por contar a história das origens deste grande amor em duas linhas apenas.

Eu...
Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Eu...
Não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Como tu..

Pronto! E o resto são apenas lamurias. Teve azar! Acontece.

P.S. Lembrei-me agora que o meu grande e melhor amigo João Pinto já tinha escrito um texto neste blog sobre o mesmo assunto: aqui

2 comentários:

\(^_^)/ disse...

numero = número -> LOL

André disse...

Que raio!!! É o único comentário a que tenho direito? Que número está mal escrito???