domingo, fevereiro 13, 2005

Mentalidade portuguesa - O voluntariado

Há um tempo atrás fui fazer análises ao Centro de Histocompatibilidade Sul (creio que é assim o nome), para ser dador de medula óssea. Enfim, uma coisa boa, pensava!
Infelizmente a senhora e o senhor que estavam no secretariado a atender os potenciais dadores que iam aparecendo, eram "portugueses"... Já o médico parecia ser "estrangeiro".
Muito bem, e o que é que eu quero dizer com isto? Os "portugueses" são os atrasadinhos, mal educados e sempre dispostos a falar mal. Já os "estrangeiros", de preferência Norte da Europa, são inteligentes, bem educados e agradáveis.
Agora tenho que explicar a minha revolta.
Cheguei e este centro por volta das 11h00 da manhã. Dei de caras com uma trombuda no guichet de atendimento - mas até aqui tudo bem. Nisto, entra um tipo no guichet que começa falar com ela. E ela então começa a desabafar as suas mágoas ao mesmo tempo que prepara os meus papéis.
- ...ontem chegou-me um senhor aqui, já eram 17h00! Quando isto fecha às 16h00!
O tipo diz-lhe:
- pois, ele há cada um... não têm respeito por ninguém...
Eu pensei que eles tinham alguma - pouca - razão, MAS a conversa era desapropriada em timing e local. Mas enfim, nada que não estivesse já habituado no nosso lindo país.
Ela continua a falar com o tipo.
- Hoje de manhã já vieram 5 dadores fazer análises, tenho estado toda a manh? nisto. Assim não vou conseguir ouvir o discurso da Ministra (aqui não sei ao que é que ela se estava a referir???). Agora começo a sentir-me incomodado e a mais. Começo a sentir-me em infracção. Ela continua, sem nunca olhar para mim, ou sequer dirigir-me palavra.
- Estas pessoas vêm todas ao mesmo tempo!
Aparentemente, deduzo eu, ela devia ter muita coisa que fazer, em vez disso, tinha - porque tinha sido engajada - que estar ali a perder o seu precioso tempo com estes estúpidos, miseráveis, que não têm mais nada que fazer. Dadores de merda!!!
Eu aqui começo a sentir-me furioso. De repente...fui salvo, era o médico. Uma simpatia em pessoa. Parecia "estrangeiro". Não fosse ele, e eu tinha-me passado por completo.

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