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O meu miluavô era gay e os amigos dele também

Tenho estado para aqui a pensar e cheguei à conclusão que daqui a uns milénios os homens desta geração (myself included) vão ser todos considerados uns panascas. Quando olhamos para trás o que é que vemos? Lanças, armaduras, Damas violadas, Dragões, ok!, alguns homens empalados, ESPADAS, ossos humanos aos bocados depois de (deduzem os cientologistas) terem lutado com um dinossauro, acima de tudo vêem-se actos viris. O que é que restará de nós, homens contemporâneos? Livros, perfumes, roupa suave, produtos para amaciar a pele, e... triliões de mensagens entre amigos a apelidarem-se de rotos uns aos outros e a afirmarem que se vão enrabar no dia seguinte. É isto que vamos deixar para os arqueólogos de amanhã. Quer dizer, para além de lixarmos esta merda toda (estou a falar da poluição, claro), qual é a outra herança que vamos deixar aos nossos milu netos ? Os nossos milu avós eram todos doidos...ah! e gays.

Tempo para Dar...erros!

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Não quero ser chato, mas não resisto sê-lo. Mais um errozito nesta maravilhosa campanha. Agora é um erro de concordância: "(...) 1/5 dos idosos portugueses passam (...)". Gostava de saber quem é que escreve estes textos...

Adelaide...deixa-me dar-te uma palavra

A letra: Una palabra no dice nada y al mismo tiempo lo esconde todo igual que el viento que esconde el agua como las flores que esconde el lodo. Una mirada no dice nada y al mismo tiempo lo dice todo como la lluvia sobre tu cara o el viejo mapa de algun tesoro. Una verdad no dice nada y al mismo tiempo lo esconde todo como una hoguera que no se apaga como una piedra que nace polvo. Si un dia me faltas no sere nada y al mismo tiempo lo sere todo porque en tus ojos estan mis alas y esta la orilla donde me ahogo, porque en tus ojos estan mis alas y esta la orilla donde me ahogo.

A vingança dos cocós

Parece que sempre que escrevo sobre algum estereótipo, um digníssimo representante aparece para se vingar. Tenho um amigo meu que sempre que me telefona finge a voz de um cocó; mas um daqueles cocós mais afectados; e ele tem muito jeito. Recebi um telefonema de um cocó afectadíssimo que eu pensei imediatamente ser este meu amigo. Estava enganado! Quando este cocó começou a falar comigo eu desatei logo a rir, mas não me descaí... quero dizer, não me descaí com insultos a esta pessoa. Embora tivesse mantido sempre uma conversa inócua, estava mortinho por dizer: " Então meu mariconço? Esse rabinho? Está melhor? " - que é uma forma que nós, gajos, temos de nos cumprimentar. Antes que eu me enterrasse formidavelmente - estamos a falar do meu local de trabalho -, este cocó identifica-se. Eu imediatamente parei de rir, e respondi, muito casualmente, como se não fosse nada comigo: " Ah! Como está? Sim, concerteza, eu passo o recado... ". Estranhamente não senti nada; nenhum...

Gabriela eu...

Saiu-me na rifa uma mulher que gosta de futebol e de caracóis. Não consigo evitar sentir, ocasionalmente, uma crescente feminilidade em mim. Quando dá o Benfica e estou a lavar a louça, se a mulher berra com o árbitro ou manda o Nuno Gomes correr, eu encolho-me, na cozinha, trémulo. Não detesto futebol, só não gosto muito; já os caracóis, desprezo-os! Quando almoçamos na casa dos meus sogros, quase todos bebem vinho. Eu fico-me sempre pela minha bebida favorita: água. Entre a conversa de futebol e um copo de tintol, pai e filha desentendem-se alegremente. Quanto a mim, vou ouvindo atentamente as recomendações domésticas da minha sogra bem como a descrição detalhada da receita da refeição que devoro sem muita vontade - sempre comi pouco para grande desconfiança de quem come muito; dizem-me que "quem não é para comer, não é para trabalhar", coisa que nunca percebi pois independentemente da "tonelagem" de trabalho sempre comi pouco, a única coisa que me abre o apetite ...

Dia do meu amor

Neste dia, e nos outros todos, eu dedico este poema do meu escritor favorito para aquela a quem eu chamo mulher . O primeiro me chegou Como quem vem do florista Trouxe um bicho de pelúcia Trouxe um broche de ametista Me contou suas viagens E as vantagens que ele tinha Me mostrou o seu relógio Me chamava de rainha Me encontrou tão desarmada Que tocou meu coração Mas não me negava nada E, assustada, eu disse não O segundo me chegou Como quem chega do bar Trouxe um litro de aguardente Tão amarga de tragar Indagou o meu passado E cheirou minha comida Vasculhou minha gaveta Me chamava de perdida Me encontrou tão desarmada Que arranhou meu coração Mas não me entregava nada E, assustada, eu disse não O terceiro me chegou Como quem chega do nada Ele não me trouxe nada Também nada perguntou Mal sei como ele se chama Mas entendo o que ele quer Se deitou na minha cama E me chama de mulher Foi chegando sorrateiro E antes que eu dissesse não Se instalou feito um posseiro Dentro do meu coração Chico...