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Velhas com tatuagens

Desde que soube que as velhas em Inglaterra exibem alegremente as suas tatuagens, pintadas há algumas décadas, e os velhos insistem nos penteados Punk, apesar das carecas, comecei a medir a evolução social de um país de forma diferente. Para estes velhos "bifes" demonstrarem uma atitude tão jovem, descontraída e descomplexada, para além das indeléveis marcas de um passado igualmente futurista (segundo os nossos valores), deduzo que a maior parte da sua sociedade mais recente tenha, pelo menos, o mesmo nível de desbloqueio mental. Claro que todos sabemos que as novas gerações britânicas ultrapassam, como é natural, as mais velhas em todos os aspectos. É com muita pena que observo a nossa população e chego à triste conclusão que para atingirmos o nível inglês actual, ainda nos faltam pelo menos três décadas. Quando os jovens de hoje, já devidamente tatuados e um bocadinho descomplexados, se tornarem nos velhos malucos do amanhã. A actualidade portuguesa geriátrica dá conta de d...

Num país de vilões, os heróis têm pensões

Pronto! Já está! Finalmente vi o Homem-Aranha 3. Gostei! É um filme intenso. Só fiquei um pouco triste ao pensar que aqui estava um super-herói que a cidade de Lisboa, ou qualquer outra do nosso país, nunca poderia acolher. O aracnídeo não durava muito tempo nesta cidade quando começasse a balançar nas suas teias: ora são os prédios que não são altos o suficiente, ora são as avenidas que só têm prédios de um lado ou são demasiado largas, ora é a qualidade do estuque que não aguentaria com o seu peso. E depois os locais realmente problemáticos geralmente não têm construções com mais de dois andares. Não! Esta cidade é mais apropriada para um homem-chita ou um homem-leopardo. No fundo um que corra bastante. O Flash! E outros super-heróis? Uns X-Men não fariam nada de jeito cá porque as suas mutações seriam todas aproveitadas para o mundo da construção civil: Wolverine, cortador de aço; Storm, mudaria o tempo para que chovesse sempre - como todos sabem é na época de chuvas que as obras sã...

Uma questão de tamanho!

Quem pretender visualizar um tamanho mais longo, visualizar aqui . O relato de mais uma conversa muito estimulante entre mim e o meu grande amigo João Pinto enquanto bebiamos umas cervejas. Desta vez tudo girou à volta dos tamanhos e de quais, mais longo ou mais curto, as pessoas gostam mais. - Mas não achas que elas se aborrecem se for muito longo? Quer dizer, tem as suas vantagens mas se for mais curto é mais concentrado. - Eu prefiro mais curto, é o meu estilo. - Pronto! Temos estilos diferentes, mas também não há problema, há gostos para tudo. Enquanto tinhamos esta conversa interessante, não pude deixar de reparar que na mesa ao lado se discutia muito animadamente. Uma rapariga e dois rapazes falavam também sobre os tamanhos e as suas preferências. Olhei para o João e desatámo-nos a rir. Até aquela altura não nos tinhamos apercebido que o volume da nossa voz era um bocado elevado - culpa da cerveja - e que toda a gente ouvia a nossa conversa. - João, estás a pensar o mesmo que eu?...

Eu e tu e o sonho de nós

Eu sou imperfeito, muito imperfeito. As minhas qualidades não chegam para os meus defeitos. Quem me pegar leva um produto tão completamente humano que qualquer esperança de entrada no Éden primordial é imediatamente erradicada. Eu sou o que sou mas aspiro a ser melhor sem nunca o conseguir. A percepção do que eu sou e do que poderia ser nunca me deixa porque vivo em constante pensamento. E tu, tu és perfeita aos meus olhos. Se tu os utilizasses como espelhos verias o que eu vejo. Em todos os meus sentidos está o eco da tua perfeição; para o sentires também, bastaria que tocasses, cheirasses, ouvisses, saboreasses e instintivamente saberias o que eu já sei. Já foste humana, agora és algo mais, diferente. Irradias uma luz que me cega e entorpece. Na tua presença sinto-me mais perto do Céu. Estas são as palavras que uso. Elas são tuas. São a única coisa que te posso dar agora. Por ti esvaio-me até à última letra. Escolherei as mais belas mesmo sabendo que não te fazem justiça. Aceita-as.

São é Produções Vitalícias!!!

Mais uma porcaria de um programa de humor para juntar à restante caca que existe. Estreou ontem o Boa noite Alvim (na SIC Radical) que vi mais por curiosidade em relação à Sissi - pensei que fosse desta que lhe ia ver a cara. - Apesar de gostar do Alvim não gostei do programa: Maus bonecos (aquele Quadros não tem jeitinho nenhum), um tema já batido (detectives), um (só vi um) sketch mal parido e já muito visto (discussão doméstica à mistura com filosofia e dobrado à maneira mexicana) e um Alvim gozão que não parava de rir feito puto. Os outros de que não gosto, não suporto mesmo, são o Hora H (SIC) e o Sempre em Pé (RTP2), ambos apresentados por dois tipos de que também costumava gostar: Herman José e o Luís Borges. O que é que acontece a estes gajos depois do sucesso? Perdem a inspiração? Cagam para o trabalho? Contratam gente incompetente? Não sei! Para mim, agora, só se safam dois programas: Uma espécie de magazine (RTP1) e Vai tudo abaixo (SIC Radical). O Show do Rui Unas (SI...

Sonhos guardados na gaveta

Há uns bons anos atrás eu mantinha um diário onde escrevia e desenhava de vez em quando. E foi ontem, ao vasculhar os meus "tesourinhos deprimentes", que me deparei com um, o último que escrevi. Este tinha a data de 1995. Nesta altura já tinha ido à tropa havia cinco anos, já era homem. No entanto, ao lê-lo, percebi que ainda tinha a mentalidade de um adolescente - será que ainda tenho? - O diário estava repleto de relatos parvos e desenhos. O que me chamou a atenção foi uma lista de objectivos de vida que fiz na altura, e ao relê-los descobri que ainda só tinha cumprido com três de uma extensa lista. Claro que alguns dos objectivos, agora, já não me parecem tão fascinantes, como por exemplo, tirar o Brevet de helicóptero, e uma série de cursos que já não me interessam. Mas outros, como viajar num veleiro numa volta ao mundo e conhecer certos países, nunca me sairam da cabeça. Sonho com eles de vez em quando. Entretanto acumulei mais uns quantos objectivos que já não me dou a...

There's a new kid in town!

Mais uma epifania! Na realidade são duas ideias numa só. Onde eu trabalho conheço um tipo que, digamos, não regula muito bem. É meio amalucado. Este indivíduo é completamente inofensivo, mas tem duas características um bocado irritantes: não se lhe pode dar conversa porque depois ele não arreda pé; e é exageradamente bem educado, ou seja, é capaz de ver uma pessoa a trezentos metros de distância e esperar por ela, enquanto aguenta alguma porta aberta com um grande sorriso. A primeira metade da minha epifania surgiu quando o maluco me fez o mesmo, obrigando-me a correr. Pensei logo - Este sou eu! Eu tenho sido, durante toda a minha vida - concluí agora com algum horror -, também exageradamente bem educado. Também sou capaz de esperar pelas senhoras com uma porta aberta e um sorriso no rosto. Mesmo que elas estejam ao fundo da rua. Obviamente que sei que este gesto (entre outros) é um bocado estúpido, uma vez que as obrigo a apressar o passo para não me fazerem esperar muito. Uma coisa q...