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Isto parece-me familiar

É sobejamente conhecido, por esse mundo fora, o facto de que a minha mãe não é grande cozinheira...pronto!, não tem mesmo jeitinho nenhum para a arte da culinária. Este é mais um relato das minhas aventuras no perigoso safári que é a: Viagem aos perigosos pratos inventados da mamã!!! Como tenho que poupar dinheiro, nestes últimos tempos tenho ido almoçar a casa da minha mãe. Não é preciso dizer que todas os dias, à mesma hora, entro com extremo cuidado na sua casa, sempre preparado para dar volta atrás e desatar a fugir caso o cenário pós-apocalíptico que a minha mãe gosta de chamar " A cozinha " largue alguma fragância desconhecida, ou se os cães estiverem no Hall de entrada com ar assustado. Foi ontem que experiencei um novo prato, aparentemente desconhecido até hoje, mas com um ar estranhamente familiar. Não será preciso pormenorizar as mazelas que este prato fez ao meu estômago, obrigando-me a recorrer ao serviço sanitário do meu local de trabalho por duas vezes quase se...

Troco mãe

Sempre que alguém vai pedir dinheiro ou divulgar informação necessária - vida depois da morte e afins - a casa da minha mãe, ela, do alto da sua generosidade e boa graça, ou diz que não tem dinheiro e para tentarem no andar de baixo, na casa do filho, ou diz que não tem tempo mas que o filho é muito atencioso e compreensivo e que irá concerteza ter tempo para receber as linhas orientadoras de qualquer Deus. Não é preciso dizer que sempre que abro a porta e um desconhecido me pergunta "É o filho?" sei sempre o que me espera. Ontem tive direito a mais um episódio desta interminável telenovela: Abri a porta; a senhora mandou um berro com o kiko que sai sempre inofensivamente disparado; eu olhei para ela com olhos de carneiro mal morto porque já desconfiava o que ia sair dali; ela explicou-me de onde vinha e o que queria, não sem antes perguntar se eu era o filho, claro!; eu disse-lhe que não tinha nada para lhe dar mas que a porteira tem sempre qualquer coisita (cada um goza com...

Fraco e mariquinhas

É verdade que quando sinto uma dor forte ou uma depressão qualquer, eu gosto de me queixar. Infelizmente conheço duas ou três mulheres que não gostam que eu me queixe. Acham que é um bocado maricas da minha parte. Não sei porquê, mas sempre tive a sensação que se existe algum ser com mais empatia, sensibilidade e recepção para estas coisas são as mulheres. Pois claro que elas nos chamam mariquinhas, e que não aguentamos nada, mas no fundo elas gostam de ser depositárias das nossas dores e angústias, é uma das particularidades do feminino. Por isso, quando me deparo com uma mulher que desconfia da minha tolerância à dor eu fico confuso: Não era suposto! A minha mãe, por exemplo, sabe perfeitamente que eu sou um bocado mariquinhas, mas não deixa de sentir empatia e ser sensível com as minhas "dores", aliás, eu desconfio que ela goste que eu fique doente para poder tratar de mim - o seu filho favorito; Agora aquelas duas ou três mulheres que eu conheço que mesmo que eu estivesse...

O feitiço da Lua

Ainda em continuação da história anterior ( Apanhado por uma velha veloz ) venho relatar o que aconteceu no dia seguinte a ter transmitido os óbitos dos vizinhos à minha mãe. Mas antes um parêntesis: Se eu sou meio cabeça-na-lua, tenho a quem sair. Mas se na minha viagem lunar ainda vou na atmosfera terrestre, a minha mãe já pousou na Lua há muito tempo. Quinta-feira O meu cérebro foi formatado durante três quartos de hora por uma vizinha geriátrica. A formatação serviu para que 2 Tera Bytes de informação relativa a cães, vizinhos falecidos e vidas alheias fossem copiados para o meu cerebelo via áudio; Mais tarde, nessa noite, descarreguei a lista dos óbitos verbalmente, e mais uma vez via áudio, nos ouvidos da minha mãe. Sexta-feira A minha mãe andava em pulgas para dar os sentimentos a alguém, até que, já noite, encontrou uma vizinha idosa a quem se dirigiu rapidamente. E o diálogo, relatado mas não presenciado, foi tão estranho como isto: A minha mãe - Boa noite! Os meus sentimento...

O bolo azul

Para grande irritação da minha mãe, eu sou daquelas pessoas que tem que cheirar tudo antes de provar. E faço-o com um ar inquisidor (se não mesmo inquisitório). E depois digo-lhe: " não está bom, nem está mau, come-se! " ou " falta aqui qualquer coisa... ". Ela não acha piada nenhuma. Eu acho. Para dizer a verdade a minha mãe não é a melhor cozinheira que conheço, longe disso. Então, por segurança, vejo-me obrigado a cheirar e a atestar a textura, forma e cor. Ainda hoje se contam histórias do célebre bolo azul que a minha mãe fez e eu comi. Não deviam ter passado mais de vinte minutos quando começou a fazer efeito: comecei a sentir-me mal disposto, com uma pressão no peito, que eu pensei ser algum ataque cardíaco - sempre fui um bocado mariquinhas -, o que me levou a ir rapidamente para o Hospital Santa Maria (onde nasci) às urgências. Depois de me fazerem o diagnóstico, com algumas perguntas e apalpões, disseram-me que eram gases e deram-me um Kompensan ...esquec...