Mensagens

O cinema de autor

Estou a começar a ficar um bocado farto de adaptações fiéis; já estou com saudades de ver a perspectiva dos realizadores sobre as histórias que passam para a película - o cinema de autor. Quando havia apenas um grupo de pressão (os produtores) que forçava os realizadores a fazerem a obra mais segura e potencialmente o mais rentável possível, os cinéfilos queixavam-se; agora que são dois os grupos de pressão (os produtores e os geeks), estranhamente já ninguém se queixa... Esta minha saturação transbordou no sábado, depois de ver os Watchmen. Acho que há lugar tanto para as adaptações fiéis, como para as que não o são; os geeks é que estão a dar cabo disto tudo ao exigirem que um meio seja igual ao outro; e os realizadores fazem-lhes a vontade. Eu também sou um cromo da ficção científica e da banda desenhada, e, confesso, tenho sentido sempre fortes orgasmos de cada vez que vou ver mais uma adaptação da bd ou da fc; no entanto, ultimamente, e por causa da multiplicação dos factores ...

Um Papa à maneira

Já há muito tempo que não me ria tanto.

Lugares reservados para pessoas cools

Quando eu era puto haviam vários métodos para se ser cool , um deles era andar com os pés para dentro, tipo aleijadinho. Não sei porquê, mas andar desta maneira era extremamente cool . Eu, claro, nunca o consegui fazer. Sempre com os pés para fora, tipo dançarino de ballet. O que vale é que lixei os dois pés (entorse num e luxação de ligamentos no outro) o que sempre me serviu como desculpa para o meu andar de pato. E esta história porquê? Hoje, no Metro, vi um tipo que parecia um aleijadinho a andar. O que é que eu fiz? Dei-lhe lugar, para grande admiração dele. Só depois me lembrei, assim que comecei a pensar na cara de espanto dele, que aquele andar me parecia muito familiar: era mais um gajo a querer ser cool . Não sabia que os pés ainda estavam na moda... Antigamente havia outra coisa, lembro-me agora, igualmente saudável para se ser cool . Quando se estava parado, devia-se colocar os pés todos torcidos para dentro, de maneira que, agora sim, parecia um movimento de ballet. Isto j...

A vingança dos cocós

Parece que sempre que escrevo sobre algum estereótipo, um digníssimo representante aparece para se vingar. Tenho um amigo meu que sempre que me telefona finge a voz de um cocó; mas um daqueles cocós mais afectados; e ele tem muito jeito. Recebi um telefonema de um cocó afectadíssimo que eu pensei imediatamente ser este meu amigo. Estava enganado! Quando este cocó começou a falar comigo eu desatei logo a rir, mas não me descaí... quero dizer, não me descaí com insultos a esta pessoa. Embora tivesse mantido sempre uma conversa inócua, estava mortinho por dizer: " Então meu mariconço? Esse rabinho? Está melhor? " - que é uma forma que nós, gajos, temos de nos cumprimentar. Antes que eu me enterrasse formidavelmente - estamos a falar do meu local de trabalho -, este cocó identifica-se. Eu imediatamente parei de rir, e respondi, muito casualmente, como se não fosse nada comigo: " Ah! Como está? Sim, concerteza, eu passo o recado... ". Estranhamente não senti nada; nenhum...

A história do cocó

Eu e a minha melhor parte estávamos a falar um dia destes sobre os dondocas, snobs e cocós, e chegamos a um consenso sobre um conjunto de hierarquias,  joie de vivre  e herança genética destas criaturas. Claro que não falamos com estes formalismos metodológicos, mas a minha melhor parte pede-me uma contenção linguística - menos ordinarices, portanto -, e que quando falar sobre ela que sejam tudo floreados; e como eu amo-a, faço-lhe o obséquio. Mas voltando ao tema, a minha adorada e eu estávamos a falar fundamentalmente de cocós, mais precisamente da segunda geração que despontou destes - os cocós simples. Então, primeiro vieram os austeros (ricos ou pobres, não interessa) que deram uma visão da vida e da sociedade tal aos seus filhos que estes tornaram-se cocós, ou seja, o facto de os seus pais afirmarem constantemente que a maior parte da sociedade, que são uns analfabrutos e uns pacóvios, não presta, veio provocar nestes uma visão correcta da realidade, mas com um preço: eles ficara...

André ao poder

Ganhei as primeiras eleições em que me envolvi - por larga maioria!!! Ainda não sei quais são as funções do cargo, exactamente, mas não consigo parar de sonhar nos meus próximos passos num grande Ministério, ou mesmo na Assembleia da República; e quando me reformar, vejo-me num retiro de cinco anos em Belém, a lixar, por gozo, todas as leis que me aborreçam. Cometi o erro de contar a uma colega minha o meu feito e os meus futuros planos; ela diz-me que devo ser mais modesto, que tenho a mania... Claro que respondi-lhe à letra. Disse-lhe que quando for eleito para algo importante e com poder, aumento os impostos só a ela; e se ela continuar a refilar, tiro um ano só para lhe fazer a vida negra: um dia aumento-lhe a bica, outro a gasolina, outro ainda, faço chover-lhe em cima, etc, etc, etc. A verdade é que não sou modesto, e detesto a modéstia. Quem quiser ser modesto que o seja, não obrigue é os outros a sê-lo também.  - Parece mal! Parece mal! - O que parece mal é não sabermos avaliar...

Meus amigos

Hoje o Fódss teve um sonho muito estranho. Sonhou que, em viagem pela costa portuguesa, passava pela mesma igreja repetidas vezes; sempre a mesma igreja, e de cada vez que a visitava levava um amigo diferente; a mulher do Fódss, que o acompanhava nessa viagem, também levava amigas de vez em quando. Dentro da igreja aconteciam coisas estranhas... Quando entravam nesta igreja, entravam com a curiosidade de um turista ainda fresco, nos primeiros dias de passeio; no entanto, algo na cabeça do Fódss lhe dizia que a viagem já se prolongava há muito tempo. Era quando o Fódss ou a mulher deixavam o amigo deambular pelos anexos desta igreja sozinho que tudo acontecia. Num instante, quando perdido da vista do casal, desaparecia para nunca mais aparecer. Por esta altura o Fódss lembrava-se de todos os outros amigos que tinham desaparecido nas mesmas circunstâncias. A última parte do sonho, diz-me o Fódss, foi rápida e apaziguadora; no entanto, depois de acordar e raciocinar sobre o que acontecera...