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Ao tempo que o tempo do tempo não é tempo

Este tempo (húmido, quente e chuvoso) só é bom no Verão. É a minha opinião. Já no Inverno, porque usamos roupas mais quentes, é desagradável. E vai daí, podem-me dizer que use roupas menos quentes quando o tempo estiver assim. E eu respondo: Não! Nem pensar! Porquê? Porque não quero ser olhado como um pária. E porquê que seria olhado como um ... isso? Porque neste país, quando é Inverno é Inverno, nem que esteja calor. A verdade é que as pessoas se vestem de determinada maneira, consoante a época em que estejam e não necessariamente por causa do clima. Ao longo da nossa evolução (pelo menos, em Portugal) houve qualquer coisa que deu para o torto e muito. Que se vistam roupas escuras no Inverno e claras no Verão, até aí eu entendo. Mas que as vestes sejam sempre quentes no Inverno e frescas no Verão, independentemente do tempo que faça, aqui fiquei perdido. O pior é que se estiver calor (quente mesmo) num dia, tipo qualquer coisa de Dezembro, e eu resolver usar calções e T-shirt. Sem a ...

Os teus ouvidos emudecem-me

Irritam-me profundamente as pessoas que não me escutam ou sequer fazem um esforço para isso. Lógico que não são pessoas quaisquer, são pessoas que eu considero próximas ou amigas. Importo-me com elas, pelo menos o suficiente para as escutar quando é a minha vez. Por isso é que me irrita quando não me escutam quando preciso. E depois, fazem aquele ar de "o que é que foi isto? - Parece-me que ouvi qualquer coisa. Nãa!" AAAAAAAAARRRRRRRRRGGGGGGGGGGHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!! Passo bem com estas larvas se estiver acompanhado com seres humanos. Mas se, por azar, estiver sozinho com uma larva, e precisar de falar...fico às aranhas. E depois fazem aquele ar superior do "agora não tenho tempo para as tuas nóias. Desampara-me a loja!". Até eu, que não suporto chatos, arranjo tempo (e paciência) para os ouvir. Quem é que estas larvas julgam que são??? Quando isto me acontece, passam-me sempre ideias de vingança pela cabeça. Do tipo: "Quando os papéis se inverterem, vou-te dar ...

Talvez escrever

Há certas pessoas que simplesmente não entendem o que lhes dizemos. Ou melhor, interpretam (quase) sempre ao contrário. Ainda melhor, percebem tudo mal. O que é pior é que seja lá o que (não) perceberem, é sempre algo que as magoa. Acabam por, sem quererem, pôr os seus "calcanhares" a nú. Parecem masoquistas. É preciso têr muito cuidado com toda a forma de comunicação que se tenta ter. Obviamente, acabo por têr que explicar uma ideia simples duas vezes, e mesmo assim ficam a olhar-me de lado, desconfiadas. Então quando se discute algo com estes paranóicos, é de ir aos arames. Tudo o que dizemos, é uma arma letal. Também é preciso cuidado com os pequenos comentários e perguntas: - Vamos ao café? - O que é que queres dizer com isso? - Já terminaste? - Não! Sou demasiado lenta? É? - Amanhã vou vêr o filme x ou o concerto y. - Não tenho a tua vida! Não penses que ficas mais inteligente por causa disso. Estes diálogos são inventados. Genéricos. Mas é mais ou menos assim que se pro...

Passo o tempo com passatempos

É errado ter passatempos e/ou projectos, sejam ou não relacionados com o nosso trabalho. Pelo menos assim me dizem. Quando mostro - todo satisfeito - o meu novo passatempo ou projecto, invariavelmente comentam que não tenho mais nada para fazer. Nem sequer são passatempos da caca, espero... É verdade que tenho mais tempo disponivel que grande parte das pessoas com a minha idade. Sou solteiro e com emprego 9h to 5h . Amanhem-se! Mas também acredito que se não tivesse o tempo que tenho, mesmo assim não deixava de ter os meus projectos. Claro que o tempo dedicado a estes seria muito menor. Mas não interessa a quantidade de tempo (acho) mas sim o facto de estarmos sempre a pensar em coisas interessantes para fazer. OK! Vou deixar de dizer que são uma grande parte das pessoas que funcionam assim. Mas apenas algumas que me são próximas. Para além de me dizerem que não tenho mais nada para fazer, olham-me com desdém. O que me irrita ainda mais. Às vezes sinto vontade de perguntar a esta gente...

Livre para condenar

Que mania que as pessoas têm de julgar que se possuirmos uma determinada característica, então temos que a ter a 100%. Quero dizer, é para isso que servem os estereótipos. Nós, os humanos, somos equilibrados, mais ou menos, e podemos ser duas coisas contrárias ao mesmo tempo. É normal, julgo... Por isso é que inventamos uma palavra chamada "paradoxo". Foi em nossa homenagem. Mas mesmo assim ainda há pessoas que ficam admiradas pela amplitude de sentimentos que os seus semelhantes podem demonstrar. Fico sempre a pensar se esses insurgentes ao paradoxo tentam levar uma vida regida pelo absoluto: Se sou assim, sou assim para tudo . Isto leva-me a pensar no rápido julgamento que às vezes fazemos das pessoas e dos seu actos. Eu acho que, para definir o que uma pessoa é, seria necessário pegar em toda a sua vida e fazer uma média das suas características. Agora, julgá-la imediatamente por causa de um acto, que até pode ser contranatura (a sua, claro!), é um pouco drástico. Claro qu...

Engulo para não cuspir

Normalmente quando ouço coisas do arco-da-velha, ideias retrógadas, quando me deparo com velhos do restelo , a minha primeira reacção é sempre um pouco violenta. Não físicamente, mas verbalmente. Ultimamente tenho treinado, praticado, uma reacção mais tolerante, e para não ser paternalista fico calado! Acho que começo a ficar cansado de arremessar com a cabeça dos energúmenos que me rodeiam a uma parede que não existe, se não na minha cabeça. Pode ser que seja eu que esteja errado na maior parte das vezes, mas se assim é não o sinto. É quase visceral... Hoje então, fui o exemplo de um bom menino. Que nem a porra de um escuteiro, ouvi atentamente o que me diziam, enquanto engolia a minha própria saliva, violentamente, e acenava com a cabeça. Para quê cansar-me? Nem vale a pena aqui descrever as ideias e opiniões que me cercam. Só de as ouvir fico extenuado. Eu não digo que todas as pessoas sejam assim, mas tenho um azar do caraças...conheço um monte delas.

Revoltantemente lamechas

No que toca a casamento, ou melhor, quando penso numa eventual união entre a minha pessoa e uma mulher, não consigo deixar de carregar certos medos comigo. Tenho pavor de, sem dar por isso (até ser tarde demais), me casar com uma mulher que me anule, que me castre (não literalmente, claro!). Para ser honesto, que seja parecida com a minha avó. A minha avó, desde que me lembro, que anula, quase completamente, o meu avô. E posso dizer que a culpa é dos dois, é partilhada. E este é o meu maior medo. Por outro lado, tenho medo da mulher que se anula a si própria para satisfazer-me. Que se esvazie para me encher. Esta seria completamente inócua, desprovida de vida própria. E, consequentemente, infeliz, e eu juntamente. Infelizmente, conheço muitas mulheres assim. E não são de "outras" gerações. Nem entre os dois pratos da balança está o que eu quero. O que eu quero não tem nada a haver com a anulação ou qualquer forma de esclavagismo dissimulada. Talvez eu não conheça a realidade ...