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Não conseguia escrever, até que a vi...

Agora que estou a estudar a linguagem com uma abordagem científica, toda a minha criatividade, que imodestamente julgo possuir, parece ter desaparecido. Pelo menos tenho sentido grande dificuldade em passar para o "papel" os meus devaneios e encontros com os novos vizinhos. Tudo o que escrevo agora parece-me errado. Vou tentar ultrapassar a minha nova semantofobia (da semântica) e escrever. Os meus novos vizinhos... Bem, para além de uma rua pejada de transexuais a vender o corpo acabado de fazer e alguma chungaria, eu diria que a velha, cuja janela está de fronte à casa onde agora habito, é a mais maluca. Se eu disser que esta senhora de idade gosta muito de varrer à noite, não será muito estranho; também poderia dizer que ela não pára quieta e anda sempre às voltas pela sala, o que também não seria muito estranho. O que é de facto peculiar, é que ela faz isto tudo nuazinha da silva e com as janelas todas abertas. Esta senhora de idade e de alguma opulência, também gosta de ...

A poupança na senilidade

Que os velhos são forretas como o caraças, já toda a gente sabe, mas que esta forretice pode sair cara às vezes, é novidade. Ou não será? Ontem estava a ver as notícias quando ouvi a coisa mais absurda desde há muito tempo. Talvez desde as famosas entrevistas com o Carrilho que não ouvia uma coisa assim tão estapafúrdia. A notícia era sobre a poupança de electricidade e de como as novas lâmpadas de baixo consumo podem poupar até 80% de electricidade. Quando, no meio de uma campanha da EDP em que ofereciam lâmpadas destas, é entrevistado um velho e lhe fazem a seguinte pergunta «Já usa destas lâmpadas em sua casa?» e ele responde «De facto já tenho as lâmpadas, mas estou à espera que as outras [as normais] se fundam para substituí-las» fiquei boquiaberto. Quer dizer, há poupar e ser parvo. Então não poupava mais dinheiro se mudasse JÁ as lâmpadas?

Velhas com tatuagens

Desde que soube que as velhas em Inglaterra exibem alegremente as suas tatuagens, pintadas há algumas décadas, e os velhos insistem nos penteados Punk, apesar das carecas, comecei a medir a evolução social de um país de forma diferente. Para estes velhos "bifes" demonstrarem uma atitude tão jovem, descontraída e descomplexada, para além das indeléveis marcas de um passado igualmente futurista (segundo os nossos valores), deduzo que a maior parte da sua sociedade mais recente tenha, pelo menos, o mesmo nível de desbloqueio mental. Claro que todos sabemos que as novas gerações britânicas ultrapassam, como é natural, as mais velhas em todos os aspectos. É com muita pena que observo a nossa população e chego à triste conclusão que para atingirmos o nível inglês actual, ainda nos faltam pelo menos três décadas. Quando os jovens de hoje, já devidamente tatuados e um bocadinho descomplexados, se tornarem nos velhos malucos do amanhã. A actualidade portuguesa geriátrica dá conta de d...

Quem espera sempre cansa

Pela quarta vez este ano fui ao médico por causa das bolinhas . Se os Centros de Saúde fossem um serviço eficiente só precisaria de de lá ir duas vezes - uma para as credenciais e outra para apresentar os resultados. Infelizmente, depois de ter a ecografia pronta para entregar, apanhei o médico sempre de folga ou de férias. Desta vez consegui apanhá-lo. Claro que as coisas não poderiam correr na perfeição. Já estava a achar muito estranho ser o número dois no atendimento... Estive à espera desde as oito até ás onze da manhã, e finalmente fui atendido pelo atrasado do meu médico; apenas para descobrir que as minhas análises ao sangue não estavam com ele, e pior, estavam perdidas. Após meia hora á procura das análises nos vários pisos, lá as encontraram. Agora tinha que voltar a ser atendido, mas com uma excepção, passei a último. Isto significava que teria que ficar lá mais não sei quantas horas. - Desisti! Marquei uma consulta para outro dia. - Ainda não terminou o calvário. Apesar de ...

Apanhado por uma velha veloz

Não quero estar sempre a bater na mesma tecla mas sinto um dever supremo de relatar as bizarrias que me acontecem. Ao mesmo tempo espero servir de exemplo de como não se faz e como não se está. Já é um facto conhecido que na zona onde habito a taxa de senilidade é muito elevada. Eu, pelo menos, deveria sabê-lo... Muitas vezes me pergunto - Mas porque raio não corro quando me encontro no exterior? -, e a resposta continua a escapar-me. Como já devem ter adivinhado, mais uma vez fui "apanhado" por uma velha na rua. Tudo começou na pastelaria, onde fui beber o café, e tive o azar de de encontrar uma vizinha. Eu devia ter percebido logo assim que entrei. Os olhos sedentos por uma vítima (do que eu gosto de chamar) da longa narrativa que a velha apresentava, eram um sinal para qualquer pessoa esperta fugir a sete pés. Gostaria de poder dizer que aqueles três quartos de hora a ouvir as últimas do bairro passaram num instante. Mas como todos os outros monólogos, este também foi excr...

Apertos...

Estou de férias e como não tenho net em casa e estou em casa da minha irmã, que tem - risada gratuita -, aproveito para escrever uma coisita que não me tem saído do pensamento. Ontem estava eu muito bem a sair do meu prédio quando me deparei com um casal de velhinhos, meus vizinhos, o que me fez sentir uma dualidade de sentimentos: fugir ou cumprimentar. Ainda estava a decidir qual dos movimentos quando - tarde demais! - eles me cumprimentaram alegremente - para onde teriam ido todos aqueles segundos??? Cumprimentei o mais alegremente que consegui. No entanto, com o senhor - que vinha apoiado na sua mulher de um lado e no outro, por uma muleta -, a minha vivacidade e energia no aperto de mão foram um pouco, e sem querer, mal medidas. Isto porque, ao apertar-lhe a mão, senti vários ossos a estalar dentro da minha e a sua fisionomia mudou de uma alegria contida para espanto e logo de seguida um pequeno esgar de dor... Não preciso dizer que fiquei a matutar no assunto e de alguma for...

Moro num lar da terceira idade!

O problema em morar num prédio recheado de velhos é que de vez em quando tenho que ajudá-los a fazer alguma coisa. E nunca são coisas simples e que demoram pouco tempo... Ultimamente ando fugido de uma vizinha, senhora já nos seus setentas - novinha, portanto! -, que está lesionada na perna, o que a impede de subir as escadas com facilidade. Ora, outro dia, para grande azar meu, não só os elevadores avariaram como tive o azar de a encontrar à porta do prédio. Ou seja, tive que a puxar tipo carroça, pela canadiana, até ao segundo andar. Ainda considerei levá-la ao colo, não por generosidade ou altruísmo mas para despachá-la mais depressa, mas depois olhei bem para o seu porte, comparei-o com o meu e essa ideia rapidamente se tornou absurda. Depois de despachada e entregue, rapidamente desci as escadas para sair do prédio (finalmente!). Azar meu, no rés-do-chão outra velha olhava desesperada para as luzes do elevador que não acendiam; quando me viu, uma luzinha acendeu-se nos seus olhos ...

A criatura alegremente histérica

Quando estou num qualquer sítio de atendimento público, se há coisa que detesto, mais ainda que as velhas a passarem-me à frente, são os conhecidos, amigáveis e histéricos, dos empregados desse mesmo sítio. Normalmente este chiadeiro anuncia a sua chegada de forma bastante ruidosa e "amigável", como se toda a gente ficasse muito contente de finalmente o ver chegar, mesmo aqueles que não o conheciam, até então, de lado nenhum (eu!). Aparentemente esta criatura deve pensar que antes da sua chegada estava tudo aborrecido de morte (o que não está longe da verdade), até que, felizmente, ela chega, com a sua alegria contagiante (uaaaahhh), e salva o dia... Mas há pior: Quando vou a algum sítio com maior frequência, é quase certo que vou acabar por conhecer uma destas melgas (devo ter uma daquelas caras muito estupidamente simpáticas...); Acabam sempre por meter conversa comigo. Depois, das próximas vezes que a criatura irromper histericamente por esses serviços, cumprimentam-me, be...

A maldição da saliva

Não sei se numa espécie de vingança ou num cruel (e nojento) acaso, dei por mim a ir com a mão quase no ar, no caminho para casa, por esta se encontrar "toda" molhada com saliva. Isto aconteceu no Lidl, onde fui comprar o almoço - salsichas. Ao empurrar a porta de entrada, senti imediatamente a minha mão inusualmente molhada. Levei a mão até ao meu campo de visão e, desgosto dos desgostos, estava salivada!!! A textura da saliva não engana - espumosa e branca. Pensei logo: Será que algum velho leu o meu blog e se está a vingar? Olhei para todos os lados, à espera de encontrar algum monstrinho a olhar para mim com um sorriso maléfico...nada! Malditos escarradores!!!

Escarretas e velhos

Se há coisa que não suporto são os velhos escarreteiros . Em português decente diz-se cuspo, mas o que estes gajos - os velhos - fazem, é de tal forma nojento que houve a necessidade de inventar uma nova palavra, igualmente nojenta: a escarreta ! Sempre que vejo um velho a mandar uma, traço-lhe (sem olhar para ela, para não ficar cego) logo a rota. Assim não corro o risco de pisá-la e escorregar. Se ouço o muito audível ruído de uma, mesmo atrás de mim, procedo à minha cara de nojo habitual, olho para trás e para as minhas calças. Não fico descansado enquanto não chego a casa para passar uma inspecção geral ao meu vestuário. O mais engraçado é que estes gajos quando vão para o estrangeiro mudam logo de atitude. O nosso país deve ter uma tabuleta à entrada que diz "Zona Livre para Escarretas". Os únicos velhos que me tranquilizam são aqueles que trazem uma máscara de oxigénio. Estes já não conseguem cuspir. Se o fizessem, das duas uma: ou entopiam a máscara, ou ficavam de t...

O empregado, o taxista, o patrão e o meu vizinho

Quando estou a falar com alguém, intensamente, detesto que terceiros (aqueles que não fazem parte do círculo inicial) me interrompam. De facto, fico enraivecido quando o fazem. Ultimamente ando mais susceptível a esta transgressão. Talvez seja porque não socializo tanto como antigamente, então todos os momentos sociais que arranjo são de ouro. Um dos indivíduos que eu mais detesto é o empregado de mesa: este tem a mania que é preciso quando não o é, e não se encontra em lado nenhum quando o é. Odeio o taxista, quer vá sozinho ou acompanhado. Gostava de saber quem é que lhe disse que estou interessado em falar com ele ou em ouvir as suas opiniões do estado actual da sociedade. E, claro, também tem a mania de interromper conversas com sugestões - o que me deixa completamente aparvalhado! -, como se o conhecesse de algum lado. Detesto o patrão. Se estou a falar muito bem com o(a)s colegas, este tem a mania de chegar nos momentos mais inconvenientes (a meio de fortes gargalhadas) e começar...

Prendam os velhos em casa!

Existem dois grandes obstáculos no que toca ao fluir deste grande líquido viscoso a que chamamos o dia-a-dia-na-cidade , eles são o velho e a velha . Cada um tem as suas características e locais de obstrução. O velho apresenta-se, normalmente, em muito mau estado. Desloca-se com dificuldade apoiado por um objecto que também pode ter uma função contundentemente óbvia - a bengala! Tem como características: Uma voz irritante só utilizada para reclamar; Uma moral inflexível e completamente ultrapassada; Os seus pensamentos são sempre emoldurados por lustrosos sermões; Os seus locais de obstrução favoritos são: As instituições financeiras; O autocarro; Todas as repartições públicas; Os passeios onde se é suposto andar. Onde passam eles o resto do dia: Nas tabernas (mas só aquelas com aquele ligeiro aroma no ar, de vinho e mijo, ou vinho mijado); Nos assentos de madeira dos jardins; E nos antros da batota nos mesmos jardins. A velha apresenta-se, com a mesma idade, sempre mais fresca do q...

O inquilino misterioso

Estou com uma fama que não sabia ter. Como vivo sozinho e não tenho namorada há "algum tempo" e ainda por cima recebo muitos amigos em casa, a porteira do meu prédio, resolveu perguntar à minha mãe, que vive um andar acima de mim, se eu era homossexual. Lógico, a minha mãe veio-me contar. Eu não liguei muito. Mas isto faz-me lembrar a estória dos rótulos que nos põem se procedemos de determinada maneira. Não me irritou a suspeita, irritou-me, isso sim, a cusquice da velha. Não tenho nada contra os gays e também não vou utilizar a desculpa que todos usam: - Eu até tenho amigos que são gays! Não só não tenho nada contra eles e elas, como acho que deviam andar livremente na rua com a mesma liberdade que andam os casais hetero. Apoio completamente tudo o que pedem: Adopção, casamento, etc. O facto de não ter namorada é só um problema de autoestima passageiro (espero). Mas apesar disso, estou muito seguro do que gosto: já experimentei e recomendo! Confesso que quando estou com am...

Driving up Miss Daisy

Os condutores, na sua maioria, não têm educação nenhuma! São uns bisontes desgovernados que de repente se encontraram fora do curral. São capazes de ver a velha a atravessar (incorrectamente, fora da passadeira), que não alteram a velocidade. Em vez, preferem desviar-se, fazendo-lhe uma razia milimétrica e só não a matando de coração porque ela nem se apercebeu do quadrúpede que se dirigia a ela à velocidade da estupidez. De vez em quando, onde eu moro, ouço um estrondo e vejo uma velha ao longe a ser projectada pelos ares. Eu digo que é onde eu moro porque parece que os ruminantes são largados na minha zona com mais frequência que noutras. Eu até tenho um amigo que, nos primeiros dias de ter tirado a carta, foi logo atropelar uma velha . Parece que estava com pressa... A velha e o meu amigo, depois da tracção no hospital, tornaram-se grandes amigos. Eu acho que ela estava era com medo que ele a passasse a ferro outra vez. De qualquer maneira. Este meu amigo juntou logo, ao iníci...