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Lugares reservados para pessoas cools

Quando eu era puto haviam vários métodos para se ser cool , um deles era andar com os pés para dentro, tipo aleijadinho. Não sei porquê, mas andar desta maneira era extremamente cool . Eu, claro, nunca o consegui fazer. Sempre com os pés para fora, tipo dançarino de ballet. O que vale é que lixei os dois pés (entorse num e luxação de ligamentos no outro) o que sempre me serviu como desculpa para o meu andar de pato. E esta história porquê? Hoje, no Metro, vi um tipo que parecia um aleijadinho a andar. O que é que eu fiz? Dei-lhe lugar, para grande admiração dele. Só depois me lembrei, assim que comecei a pensar na cara de espanto dele, que aquele andar me parecia muito familiar: era mais um gajo a querer ser cool . Não sabia que os pés ainda estavam na moda... Antigamente havia outra coisa, lembro-me agora, igualmente saudável para se ser cool . Quando se estava parado, devia-se colocar os pés todos torcidos para dentro, de maneira que, agora sim, parecia um movimento de ballet. Isto j...

Ganda javarda!

Quando fui ao bar com a minha colega tomar café há uns dias atrás, como fazemos sempre às três da tarde, ela resolveu pedir uma tosta mista sem queijo - coisa que ainda não percebo como funciona. Enquanto tomávamos café e esperávamos a tosta, ela, sempre observadora, como de resto são as mulheres, notou que a tosta não estava a ser esmagada numa tostadeira, mas antes a ser aquecida num forno eléctrico. Conversamos sobre isso e ficamos na dúvida se este processo de transformação gastronómico também poderia conferir o título de "tosta" ou, em vez disso, de "pão aquecido". Quando a minha colega foi aceitar a tosta ao balcão não conseguiu resistir em debater com a empregada do bar sobre o paradeiro da tostadeira. A senhora, depois de explicar onde o precioso objecto se encontrava, acrescentou muito alegremente que não se preocupasse, pois tinha feito o trabalho da tostadeira: - Pus-lhe as minhas mão em cima, com luvas, com luvas, está a ver, e com a ajuda do meu peso - ...

Gabriela eu...

Saiu-me na rifa uma mulher que gosta de futebol e de caracóis. Não consigo evitar sentir, ocasionalmente, uma crescente feminilidade em mim. Quando dá o Benfica e estou a lavar a louça, se a mulher berra com o árbitro ou manda o Nuno Gomes correr, eu encolho-me, na cozinha, trémulo. Não detesto futebol, só não gosto muito; já os caracóis, desprezo-os! Quando almoçamos na casa dos meus sogros, quase todos bebem vinho. Eu fico-me sempre pela minha bebida favorita: água. Entre a conversa de futebol e um copo de tintol, pai e filha desentendem-se alegremente. Quanto a mim, vou ouvindo atentamente as recomendações domésticas da minha sogra bem como a descrição detalhada da receita da refeição que devoro sem muita vontade - sempre comi pouco para grande desconfiança de quem come muito; dizem-me que "quem não é para comer, não é para trabalhar", coisa que nunca percebi pois independentemente da "tonelagem" de trabalho sempre comi pouco, a única coisa que me abre o apetite ...

Sinais sentidos no acontecimento

O surreal está a voltar à minha vida aos poucos e poucos; são pequenos sinais no dia-a-dia que me levam a pensar assim. Não poderia ter começado noutro sítio que não na casa-de-banho... Depois de o depósito de toner (da fotocopiadora) ter enchido outra vez, comigo, lá tive que ir eu outra vez para o martírio, por outras palavras, calha a quem apanha este depósito cheio, esvaziá-lo - sim, eu sei que devemos comprar um novo, mas quem é que o faz? - Depois de o esvaziar tive que ir lavar as mãos emporcalhadas de toner. Ao percorrer o corredor para me dirigir para a casa-de-banho, porque este é comprido, consigo sempre ver se mais alguém vai lá também, e ainda tenho tempo de rogar pragas se isso acontecer - detesto companhia no John Lu. Como não podia deixar de ser, não só observei que ia ter companhia, como também seria daqueles gajos chatos que nunca se calam...nem quando esforçam o esfíncter! Como eu só ia lavar as mãos não me preocupei muito. Cheguei lá, estava o gajo a lavar as mãos ...

Mormoando por aí

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Não consigo deixar de sentir algum desdém pelos mormons. Quando estes gajos aparecem na rua, fazem-me sempre lembrar que estou num país subdesenvolvido que ainda tem missionários para "educar" os selvagens; e eu não gosto de ser lembrado disso. O facto de a religião destes gajos ser fundada numa das mais evidentes tretas religiosas, nem sequer me chateia muito - problema deles! - Só não gosto de ver estes gajos nas ruas à procura de bárbaros. E depois andam sempre aos parzinhos. Mas porquê? O selvagem pode ser difícil de dominar? E as camisinhas de um branco imaculado? O que é que isto significa? Quer dizer que o caminho para a civilização passa pela líxivia e um bom ferro-de-engomar? As gravatinhas e os cartões de identificação poderiam levar-me a pensar que são participantes de um Congresso qualquer, mas como se esquecem sempre do casaco, percebo logo que são eles. Nos países nórdicos também andarão sem casaco? E a caneta no bolso da camisa! Para que serve!? São engenheiros...

Conheço dois feiticeiros

Já percebi que não posso gozar com a minha irmã e com um velho amigo meu no que toca a doenças e desvantagens físicas adquiridas com a idade, pois quase todas as minhas fartas e gordas risotas têm-me sido devolvidas na forma de "contágio"... Escuso-me de descrever o que gozava com a minha irmã (corro o risco de duplicar o que tenho agora por ter a boca muito grande), mas posso dizer que todos estes anos que gozei com ela me foram devolvidos acompanhados de um trejeito estranho na boca dela - poderia jurar que se tratava de um sorriso malévolo mas tive medo de perguntar. Em relação ao meu amigo, e porque ele não é de internetes, vou arriscar descrever o que eu tanto gozava. Há muitos anos que nos conhecemos, desde a nossa adolescência; desde essa altura que eu o vejo perder mais e mais cabelo. É óbvio que, dada a minha natureza, não poderia deixar perder uma única oportunidade de gozar com ele, qual Sansão gozava com o Imperador Ming. Tanto fiz, tando ri, que (horror dos horro...

Outras utilizações para os rolamentos e a tinta da china

Esta tentativa de implementação de uma lei que proíba os piercings na língua de um adulto é demasiado rídicula para ser verdade. Assim de repente, parece uma tentativa de desvio da atenção da merda que o PS anda a fazer... A ser verdade, sou contra! É óbvio que furar a língua acarreta consideráveis riscos para o furado, mas por outro lado, também é verdade que sexo oral por uma língua artilhada com metal é muito bom - pelo menos é o que ouço dizer. Não sou médico, mas quer me parecer que todas as operações de embelezamento (mamas novas, cara nova, etc.) têm os seus riscos. Existem sempre probabilidades de a coisa correr mal, seja na língua ou nas mamocas. Portanto, para se proibirem estes rituais primitivos, também se deviam proibir as clínicas de cirurgia plástica de... plastificar? Claro que se a lei só prever a certificação do pessoal e estabelecimentos que procedem a estes furanços e segundas de mão, aí sou obrigado a concordar. Agora, proibir é que não! Quanto à proibição de os me...

Uma aula na toca do coelho

A aula mais estranha da história das aulas. Desde perguntas do tipo " a voz vem? " ou " a voz vai ?", uma breve passagem por cima das "complexas equações do gato de Schrödinger " para explicar a " ainda inexplicável descrição dos fotões " e finalmente, a transmissão de dados digitais " dizer que são uns e zeros é treta! ". Claro que todas estas afirmações ficaram em suspenso no ar porque não foram desenvolvidas. Ai de quem falasse com ele (perguntar, responder, reagir, contradizer, etc), era logo queimado vivo com uma das suas flamas humorístico-arrogantes. Podem estar a pensar que eu estou todo lixado porque levei na ripa por ter reagido, mas não se trata disso. Aliás, eu até penso que o tipo nutre alguma simpatia comigo... Mas voltando às vozes, aos gatos e aos sistemas binários. Perante a resposta dos alunos de que a voz não vai nem vem mas antes um sinal eléctrico (isto no caso dos telefones) que responde à amplitude das ondas son...

Não conseguia escrever, até que a vi...

Agora que estou a estudar a linguagem com uma abordagem científica, toda a minha criatividade, que imodestamente julgo possuir, parece ter desaparecido. Pelo menos tenho sentido grande dificuldade em passar para o "papel" os meus devaneios e encontros com os novos vizinhos. Tudo o que escrevo agora parece-me errado. Vou tentar ultrapassar a minha nova semantofobia (da semântica) e escrever. Os meus novos vizinhos... Bem, para além de uma rua pejada de transexuais a vender o corpo acabado de fazer e alguma chungaria, eu diria que a velha, cuja janela está de fronte à casa onde agora habito, é a mais maluca. Se eu disser que esta senhora de idade gosta muito de varrer à noite, não será muito estranho; também poderia dizer que ela não pára quieta e anda sempre às voltas pela sala, o que também não seria muito estranho. O que é de facto peculiar, é que ela faz isto tudo nuazinha da silva e com as janelas todas abertas. Esta senhora de idade e de alguma opulência, também gosta de ...

A fisiologia da vergonha no português

Para enumerar as reacções de um corpúsculo português à vergonha, tenho primeiro que colocá-lo num habitat. Digamos...talvez no concerto do Fish deste Sábado na Aula Magna . O português sempre tentou ser um tipo cool, isto significa que tentamos ser tão descontraídos como os camones, embora sem sucesso. Primeiro, aparentemente relaxado, começa a "abanar o capacete" e a cantar. Infelizmente este relaxamento só dura no máximo um minuto, até que o português tome consciência do que o que está a fazer vai contra toda a sua natureza pacata. Estes períodos de "despertar" podem acontecer durante todo o evento, a não ser que o português tome medidas de defesa, ou seja, que se encharque de álcool antes do acontecimento. Vamos esquecer o alcoolizado e continuar com o menino, perdão, com o sóbrio. Depois do "despertar" o que acontece são rápidos e sucessivos espasmos nos olhos. O que podemos chamar de olhar sorrateira e rapidamente a periferia para ver se ninguém está...

A mulher. Esse ser demoníaco.

Fui a um casamento neste fim-de-semana. Mais um amigo que nunca mais vejo... estou a brincar! O ponto alto deste evento foi a celebração da missa por um padre que parecia ter saído da Idade média. Até tinha piada. Antes de começar a missa já se apostava: se fosse um padre novo, era sempre a despachar; se fosse velho, estávamos tramados que nunca mais saíamos dali - sermões atrás de sermões. Quando o padre chegou, muita gente bufou. Era velho. Ao princípio, desliguei. Não me apetecia ouvir o que ele tinha para dizer. Muito provavelmente, aborreceria-me. Mas aos poucos e poucos comecei a despertar com certas frases curiosas que o padre proferia. - A mulher é a rainha do lar... Mas o que é isto, estou a sonhar com o século passado, num daqueles anúncios da farinha amparo...??? - A mulher deve ser pura e virtuosa. Ok! Deve estar a enunciar as qualidades que o homem e a mulher, no casamento, devem ter. - ...a mulher em casa e o marido no trabalho... Será que ouvi bem? Comecei com espasmos p...

Livre para condenar

Que mania que as pessoas têm de julgar que se possuirmos uma determinada característica, então temos que a ter a 100%. Quero dizer, é para isso que servem os estereótipos. Nós, os humanos, somos equilibrados, mais ou menos, e podemos ser duas coisas contrárias ao mesmo tempo. É normal, julgo... Por isso é que inventamos uma palavra chamada "paradoxo". Foi em nossa homenagem. Mas mesmo assim ainda há pessoas que ficam admiradas pela amplitude de sentimentos que os seus semelhantes podem demonstrar. Fico sempre a pensar se esses insurgentes ao paradoxo tentam levar uma vida regida pelo absoluto: Se sou assim, sou assim para tudo . Isto leva-me a pensar no rápido julgamento que às vezes fazemos das pessoas e dos seu actos. Eu acho que, para definir o que uma pessoa é, seria necessário pegar em toda a sua vida e fazer uma média das suas características. Agora, julgá-la imediatamente por causa de um acto, que até pode ser contranatura (a sua, claro!), é um pouco drástico. Claro qu...

Admirável mundo novo

Há certas lesmas idiossincráticas que por mais que lhes digamos qualquer coisa que vai de encontro ao seu método habitual de trabalho, não só não nos ligam nenhuma, como fincam as suas patitas no chão da sua teimosia inócua. Normalmente até são coisas perfeitamente óbvias. E a sua recusa em adoptar o método mais prático é completamente rídicula e disparatada. Ainda por cima, estas mulas teimosas , são-no por muito, muito tempo. Isto, por si só, já me irrita um pouco, mas o que vem a seguir é de ir aos arames! Certo belo dia aparecem com uma nova técnica de trabalho. Aquela que quisemos, suadamente, que esses anormais laborais adoptassem! Sem mais nem menos, chegaram à conclusão que aquele era, de facto, o melhor método. Quando perguntamos: - Porquê? Porquê só agora? Riem-se e dizem: - Lá estás tu! E, paulatinamente, estes mancebos-dos-fogos-malditos , começam a adoptar a nossa técnica e a defendê-la com unhas e dentes. Quando antes, riam-se dela! Mas eu já não percebo nada! O que é q...

Coradinho como um tomate!

Ultimamente, ando com a mania de corar. Digo mania porque é! Obviamente, é sempre numa qualquer situação social - humanos com humanos - estúpidos não contam! Estou a falar com alguém, muito descontraído e, subitamente, vem-me ao pensamento o seguinte: Vou corar! Claro que isto é estúpido; Claro que é idiota. Mas não há nada a fazer, basta pensar (involuntariamente) nisto e opp!! Sai um André corado! Não faço ideia de como isto começou. Nem por quê. O mais chato é que acontece sempre nas situações mais embaraçosas: com mulheres (nem sempre) e nos transportes públicos - têm que estar apinhados, se não não tem piada. Isto obrigou-me a arranjar uma técnica de escape. Sempre que a ideia me aparece, deixo de encarar a pessoa e finjo-me ocupado a atar um sapato ou a apanhar qualquer coisa. Agora, em vez de envergonhado, passo por mal-educado por desviar a minha atenção da pessoa que está falar comigo. Ainda noutro dia, estava a falar com uma mulher com os olhos castanhos esverdeados mais boni...

Pelas escadas abaixo?

Acerca de uma notícia que eu vi hoje e que é relativa ao caso da mãe que fez "desaparecer" a sua filha há uns meses atrás. Esta mãe , apareceu há dias atrás com uns hematomazitos no seu corpito. Alegadamente, a polícia judiciária teria-a açoitado - Pancaditas de amor! Até aqui nada de novo. A piada está na "verdadeira" estória que a PJ veio contar hoje à TV: Acontece que a suspeita queria se suicidar, tentando se atirar para o poço de um elevador. Confusão gerada, o(s) agente(s) tentando evitar este acto tresloucado da criatura , deram várias cambalhotas (no bom sentido) e flic-flacs para o evitar. Aparentemente, num destes exercícios de manutenção, a mamã-dos-infernos cai pelas escadas abaixo. E assim, nesta valorosa salvação da suspeita, aconteceu o aparecimento das malfadadas equimoses. Eu a pensar que velha estória do "caiu pelas escadas abaixo" já estava ultrapassada e só servia para anedotas. Afinal ainda se usa! Mesmo a ser verdade, quem é que de ...

Driving up Miss Daisy

Os condutores, na sua maioria, não têm educação nenhuma! São uns bisontes desgovernados que de repente se encontraram fora do curral. São capazes de ver a velha a atravessar (incorrectamente, fora da passadeira), que não alteram a velocidade. Em vez, preferem desviar-se, fazendo-lhe uma razia milimétrica e só não a matando de coração porque ela nem se apercebeu do quadrúpede que se dirigia a ela à velocidade da estupidez. De vez em quando, onde eu moro, ouço um estrondo e vejo uma velha ao longe a ser projectada pelos ares. Eu digo que é onde eu moro porque parece que os ruminantes são largados na minha zona com mais frequência que noutras. Eu até tenho um amigo que, nos primeiros dias de ter tirado a carta, foi logo atropelar uma velha . Parece que estava com pressa... A velha e o meu amigo, depois da tracção no hospital, tornaram-se grandes amigos. Eu acho que ela estava era com medo que ele a passasse a ferro outra vez. De qualquer maneira. Este meu amigo juntou logo, ao iníci...

Detesto

Detesto este país que gosto tanto Quero sair daqui mas não consigo É possível odiar e gostar ao mesmo tempo? É possível alguém ter este sentimento? Quero mudar, ir para um paraíso Detesto mas aqui estou, por enquanto Detesto esta gente que gosto tanto Quero esquecê-los mas não consigo É possível odiar e gostar ao mesmo tempo? É possível alguém ter este sentimento? Quero fugir, ir p'ra outro sítio Detesto mas até gosto, por enquanto Detesto-me por ainda não ter mudado Mas gosto de aqui estar com gente ao lado

Voto secreto???

Quando pergunto a alguém em que partido é que votou, a resposta é invariavelmente a mesma: o voto é secreto! Mas que raio! Acho que já não vivemos na ditadura??? Será que as pessoas ainda estão à espera de repercussões por terem determinada ideologia?? Bom, vamos ser realistas. A maioria das pessoas, hoje em dia, não tem qualquer ideologia. Votam no partido que lhes oferece a melhor oportunidade de lucro, melhores regalias, etc... Então, se já nem há ideologias, porque é que teimam em esconder o seu voto? Terá alguma coisa a ver com o segredo do negócio? "- Então como vai o negócio? - Fraquinho! Fraquinho! " Será um meio de prevenção da vergonha? " - Votaste nele, não foi?? Agora toma lá que é para aprenderes!! " A realidade é que, o voto só é secreto durante os dois primeiros meses, depois está tudo a confessar-se. Passado mais um mês, está tudo a mandar à merda o próximo governo. Eu? Eu rio-me! Também sofro com as consequências, como toda a gente, mas farto-me de ...