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Quase que estragava uma bolinha

Há quem me chame de hipocondriaco, mas eu não o sou. Posso ser um bocadinho sugestionável, mais do que isso não me parece. Por exemplo quando me falam em doenças novas ou quando estou perto de alguém que está doente, eu tendo a ficar com os mesmos sintomas. Depois passa-me. Mas ninguém pode dizer que não sou cuidadoso. Tenho todas as vacinas em dia e faço checkups regularmente. Qualquer coisinha que apareça e eu vou chatear o meu médico. Na semana passada fui ao médico para me marcar umas análises e uma ecografia porque sentia qualquer coisa no meu testículo esquerdo. Uma espécie de borbulhinha interior que eu julguei logo tratar-se de cancro. Fiz as análises e fiz a ecografia. Felizmente não era nada, apenas o epididibo (creio que é assim que se escreve) que estava um pouco inflamado. Esta coisa esquisita é um orgão que temos dentro das bolinhas e que serve para produzir ou reencaminhar o esperma. Aparentemente ando ou a produzir demais ou não dou descanso á máquina. Tirem as ilacções...

hmmmmm, hmmmmm, hmmmmm

Estou meio adoentado. Acho que é gripe. Ainda estou no início: sinto o corpo anestesiado; tosse; doi-me a barriga; nariz tapado; fraco poder de concentração... Podem-me chamar mariquinhas, mas quando estou doente, mesmo que seja só um bocadinho, aproveito para me enfiar na cama por dois dias - na minha cabeça qualquer doença que se preze dura dois dias. Ainda não fui à cama, estou com pena das minhas colegas de trabalho. Vou aguentar mais um pouco até ao fim-de-semana. Nessas alturas, quando estou de cama, gosto especialmente de gemer baixinho e de esfregar os pés um no outro. Como tenho a sorte de viver no mesmo prédio que a minha mãe, ela leva-me as refeições à cama. Que bom! Aliás, e já tenho pensado muito nisto, se calhar um dia estar para casar ou juntar-me, farei com que a minha futura esposa passe por determinados testes relativos a doenças simples para ver a reacção dela. Não será preciso dizer que se ela ignorar os meus gemidos ou os meus pedidos insistentes de um Bife à Portu...

Gases, tosse e cegueira histérica

Desde que li em algum sítio que uma das coisas a fazer quando se está a ter um ataque cardíaco é tossir, para obrigar o coração a bombar, bem... desde essa altura que tenho tossido mais que o normal. Há quem me chame de hipocondríaco , mas eu não creio que o seja porque não tenho a mania dos medicamentos. Agora se me chamarem de sugestionável, já estarão mais perto da verdade. Lembro-me que quando era puto, bastava ver um documentário sobre um "mal" qualquer, ou mesmo ouvir a descrição de alguma doença e era o suficiente para daí em diante eu começar a imaginar os sintomas e diagnosticar imediatamente o meu fim próximo. Houve uma altura em que todas as quartas-feiras das 15h00 às 15h30, exactamente, ficava sem ver do olho direito - O que me deixava muito assustado! - Nunca percebi o que era, mas agora, que me conheço melhor, calculo que tenha sido sugestão de algum episódio da Casa do Terror . Já mais velho, adolescente, sentia frequentemente fortes pressões no peito. Imediat...

Aos trinta, a decadência!

À medida que os anos vão passando, eu vou precisando de cada vez mais manutenção. Ainda (?) só tenho trinta e seis anitos e já sofro... Quando tinha vinte e oito anos uma prima disse-me que quando chegasse aos trinta é que ia começar a notar a decadência física a instalar-se, ou melhor, o corpo a envelhecer. Eu olhei para ela em descrença e fiz-lhe notar que ainda estava são que nem uma banana...digo, pera. Apesar de fumar (sim, voltei a fumar) e de beber, sou um tipo moderado. Um maço de tabaco dá-me para dois dias, e álcool é raro tocar-lhe. Também sempre pratiquei desporto, agora também nisso sou moderado. O que eu quero dizer é que tenho sido mais ou menos saudável, mas mesmo assim isso não impediu os radicais livres de se começarem a instalar. Quando cheguei aos trinta já não me lembrava da conversa que tinha tido com a minha prima até que... comecei a perder cabelo - estava a ficar careca ! -, e não havia nada a fazer; Depois descobri que tinha psoríase . Muito ligeira, mas tenh...

O bolo azul

Para grande irritação da minha mãe, eu sou daquelas pessoas que tem que cheirar tudo antes de provar. E faço-o com um ar inquisidor (se não mesmo inquisitório). E depois digo-lhe: " não está bom, nem está mau, come-se! " ou " falta aqui qualquer coisa... ". Ela não acha piada nenhuma. Eu acho. Para dizer a verdade a minha mãe não é a melhor cozinheira que conheço, longe disso. Então, por segurança, vejo-me obrigado a cheirar e a atestar a textura, forma e cor. Ainda hoje se contam histórias do célebre bolo azul que a minha mãe fez e eu comi. Não deviam ter passado mais de vinte minutos quando começou a fazer efeito: comecei a sentir-me mal disposto, com uma pressão no peito, que eu pensei ser algum ataque cardíaco - sempre fui um bocado mariquinhas -, o que me levou a ir rapidamente para o Hospital Santa Maria (onde nasci) às urgências. Depois de me fazerem o diagnóstico, com algumas perguntas e apalpões, disseram-me que eram gases e deram-me um Kompensan ...esquec...

Tende pena de mim. Estou doente!

Eu detesto conversa de doenças, então quando alguém que eu não gosto particularmente ou uma pessoa estranha me vem falar das doenças que teve/tem, a minha reacção, se bem que não é visível, é de repulsa e de "o que é que eu tenho a ver com essa merda?". Pior ainda, patético até, é quando são homens crescidos a falar das suas doenças. Repugnante! As descrição das doenças é assunto para o médico ou para casa. Adoeçam para dentro, seus mariquinhas!